— E-Ei! O– Oque foi que eu fiz!? — perguntou Miguel, em meio ao choro de Mirabelle.
— Es- Está tudo bem? — Preocupado, ele retirou a mão dos cabelos dela e segurou em seu ombro, mas não houve respostas, somente os movimentos de seu corpo ainda tentando conter as emoções à flor da pele.
Enxugando as lágrimas que derramou, o silêncio acompanhou a mão que pôs sobre o osso no peito dele, do qual já não escorria mais nada do buraco feito.
— Ei! Onde você está segurando!? — Olhou aturdido para os dedos dela, aparentemente não estava sofrendo nada além de uma sensação incômoda, mas bastou aquela pequena e delicada mão tocar aquele osso para que uma descarga elétrica percorresse todo seu corpo. — O– O que você está fazendo!? — gritou ao vê-la retirá-lo tão rápido de seu peito, que não lhe deu tempo nem de agonizar. As pálpebras travaram, um calor tomou-lhe conta do corpo, vapor saiu descontroladamente daquele buraco, queimando-lhe o peito enquanto a carne fervendo se juntava, formando uma grande cicatriz em seu tórax. — Aaa– AaaA! PoOor- Por que!?
— Es-Esqueça o que acabou de presenciar… — Ela se levantou e afastou-se com o osso em mãos, limpando o líquido e o sangue que estavam nele.
— Ma– Mas por que fez isso!? — Caiu sobre os braços, apoiado para que não ir de encontro ao chão, seus punhos cerraram e tentaram suprimir aquela dor intensa, era como um maçarico aceso, queimando-lhe a pele, incinerando o coração.
Mirabelle olhou para ele em silêncio, em seguida se agachou, pondo as mãos na poça de ouro e prata sobre a qual estava.
— O-O que? O que está fazendo? — perguntou quando reparou um brilho emanar daquele líquido, enquanto tentava manter os já semi-fechados olhos abertos.
A gosma dourada começou a evaporar como água sendo fervida em uma panela.
— Estou armazenando essa bagunça antes que ele sinta alguma coisa...
O vapor rodeava Mirabelle e desaparecia quase que instantaneamente junto ao sobressaltar das veias em seu corpo. Miguel, que presenciou tudo aquilo, não pôde demonstrar quão impressionado ficou, pois tentava se erguer, mas as pernas não o obedeciam, era difícil até mesmo sentir os dedos dos pés, inchados, foi como se não estivessem ali, nem os ossos, nem os músculos que a compunham. Segurando no meio do tórax com a mão, tentou amenizar a queimação da cicatriz que se formou em seu peito.
— E-Ele? Quem? — Apoiou-se na parede e viu que toda aquela poça evaporou e alguns poucos resquícios do líquido ficaram misturados à areia como o pó da terra.
Ela se levantou, respirou profundamente e tirou alguns poucos resquícios do pó de ouro e prata que havia ficado preso no corpo, em seguida o olhou seriamente antes de responder: — O Dragão.
— Dra-Dra-Dragão!? — Miguel quase saltou para trás se não fosse a dificuldade que tinha em se manter de pé e a parede que o apoiava logo atrás: — Como assim Dragão?
— Eu não queria ter que admitir isso, mas estamos em Dazur... — cruzou os braços e desviou o olhar do rosto pálido dele.
— DaHuUr? — Inclinou a cabeça.
— Dazur... — Suspirou e virou-se para ele novamente.
Miguel ficou em silêncio, olhando de um lado para o outro com uma cara de dúvida.
— Eu não acredito que você não sabe… — Descruzou os braços e pôs a mão no rosto, segurando na ponte do nariz e suspirou novamente. — Deus… quão burro ele pode ser?
Miguel coçou a cabeça olhando-a.
— Estamos em Dazur, garoto. — Suspirou novamente e o olhou, séria: — Nós estamos no local para onde os Dragões foram banidos...
— Espera! Quer dizer... Aqui é a casa deles? — Virou-se para o lado, o escuro da caverna e o fundo daquele lago ao lado viraram o combustível do seu repentino medo. Segurando o próprio braço e se encostando à parede, perguntou: — O que a gente faz? — Olhou para a luz que entrava por uma aresta no alto.
— Nos escondemos... — respondeu, se aproximando com o osso em mãos.
— Esconder? — Surpreso, quando a viu se aproximar, prestes a tocá-lo, uma reação mais que instintiva o fez recuar e tropeçar: — Eu–
Mas antes que caísse no chão, Mirabelle o segurou pelo braço: — O que você está fazendo? — perguntou, mesmo tendo certa dificuldade em se manter de pé pela diferença de peso, sua mão estava firme, os pés também, ela o puxou e o repreendeu: — Preste atenção no que você faz...
— Des– Desculpa, E-Eu pensei que– — Sem conseguir raciocinar, a viu tocar-lhe como se nada, limpando e arrumando-lhe o corpo coberto de poeira e o saiote. Seus olhos não conseguiram se erguer para encará-la quando terminou.
— Você... — Ela colocou a mão em seu queixo e forçou-o a olhá-la nos olhos: — Você pensou que eu ia ficar fraca e acabaríamos nos beijando para eu repor minhas energias? — perguntou com um tom de indiferença.
— N-Na–Na–Na-Não! Que Dizer! — Frente àquele rosto delicado e olhos cristalinos, suas bochechas coraram, era difícil manter-se firme e não demorou entre o gaguejo e a tentativa falha de se justificar, para que descesse novamente junto à sua timidez ao conforto do chão amarronzado.
Mirabelle olhava para seu rosto, como era mais baixa, dava para enxergar as expressões tímidas nele. Fechando os olhos, segurou em seus ombros: — Eu vou voltar para o lado de fora... Tenho que terminar de organizar o que vai ser útil daquela criatura que matamos ontem...
Suas mãos soltaram-se dele, que ergueu os tímidos olhos no mesmo instante em que ela se afastava.
— Assim que se sentir melhor, venha para fora, ou me chame se precisar de algo... — Antes de sair da caverna, já na entrada, parou e olhou para ele antes de deixar a mesma.
Miguel ficou ali parado, imóvel, segurando um dos braços com sua mão tremendo, observando-a deixar o recinto de forma tão natural que o fazia se perguntar: — O que está acontecendo? — Olhou para o alto novamente e depois para baixo, sua mente estava repleta de informações, mas nenhuma se ligava a outra, não entendendo nada do que havia sido informado até o momento, a dúvida sobre: — Mas e o dragão? O que a gente faz? — Permaneceu fresca em sua mente e o fez mover as pernas travadas em direção à saída daquela caverna e encarar, com a dificuldade de se manter em pé enquanto apoiava-se nas paredes e cobria o rosto com a outra mão, a luz que o clareou as vistas.
Vontade.
Bella a Eternum: O mundo além do portão.
Criado por Iako Sabat.
Revisão: Iako Sabat e LuizZzZ :D.
O sol brilhava, não estava nem tão baixo para que as nuvens se alaranjassem e um tom púrpura persistisse no céu, nem tão alto que as sombras desaparecessem e o chão rachasse como a pele morta que descascava dos ombros de Miguel. Frente a si, o horizonte opressor, o enorme e inexplicável amarelo das areias do deserto que não pareciam ter fim. Os ressecados olhos que ainda continham um diminuto brilho dourado moveram aquelas pernas ainda rígidas em sua direção, admirados com aquela imensidão e com o som do vento, sussurrando em seus ouvidos.
Mas não foi para admirar a natureza que deixou a escuridão: — O– O quê? — O som de madeira caindo o fez virar o rosto: — Mirabelle?
Não tão longe quanto seus olhos podiam enxergar, Mirabelle, parecendo frustrada, jogava algo no chão.
— O que ela está fazendo? — Miguel se aproximou devagar, massageando a cicatriz, e observou, sem chamar a atenção, o que a garota tinha em mãos.
Ela segurava alguns ossos e os estava empilhando, colocava um em cima do outro por tamanho, mas parecia que a pilha havia desmoronado.
Observando a frustração dela, abaixou o rosto pensativo sobre se manifestar e, nesse pequeno ato, viu frente a seus pés um pedaço da pele da criatura.
Aquele couro escamado causou-lhe um apagão repentino, um calafrio lhe subiu dos pés à coxa, uma contração nos músculos da perna e uma sensação de sufoco que não soube explicar. Estático, não ousou desafiar aquele instinto que o fez ficar paralisado, esverdeado, tons escuros e não tão claros se misturando e o trazendo aquela visão, garras afiadas, uma dor perfurante nos ombros, um peso em seu corpo que o faria cair no chão novamente, mas que rapidamente desapareceu com o balançar de seu rosto.
— Po– Porquê isso está aqui? — Agachou devagar, a mão abriu para pegar aquela pele no chão, mas recuou duas vezes, ela abria, mas não conseguia se aproximar, tentava agarrar, mas logo se fechava sem nada segurar. — Isso… — Sua mente não deu muito espaço para a hesitação, não demorou para que fechasse os olhos e um impulso no escuro o fizesse segurar aquele pedaço de pele e se levantar.
Era maior que sua barriga, media mais ou menos quatro palmos de largura por três de comprimento, era um couro esverdeado de uma qualidade excelente: Era firme, não tinha tantas ranhuras e não desmanchava ao esticar, não fedia tanto quanto as entranha que estavam expostas ao sol e o resto da carne por dentro ainda estava clara e demonstrava não ter tantas mesmo ainda estando coberta de gordura.
— I– Isso é um desperdício. — Olhou ao redor e viu que das partes do animal que haviam sido separadas da criatura, a pele dele foi a que mais não recebeu a devida atenção.
Aos poucos, foi catando o quanto conseguiu. Entre um andar mais arrastado, pois estava mancando, e movimentos mecânicos, venceu a hesitação de suas mãos tremendo e pegou o que conseguiu, voltando para o interior da caverna logo em seguida.
Ele olhou para o local onde acordou com o coração perfurado e para o pó de ouro e prata que se estendia por todo o chão.
Em silêncio, às vezes sua visão ficava fixa em um local só, enquanto as mãos tremiam segurando as peles no ombro, mas não demorava a piscar e voltar a si. — O que eu estou fazendo? — Colocou a mão na cabeça, logo deixou as peles que carregava no chão e olhou para o lago no fundo da caverna, o brilho diminuto da energia que ainda persistia nas pedras e novamente para o local onde tinha acordado. Ali, no alto, havia um pouco de iluminação do sol e ao mesmo tempo um pouco de sombra, ele subiu até lá, um lugar que não era tão alto quanto parecia, e tirou o saiote. — Acho que vai servir. — sussurrou, pegando a roupa que usou para cobrir suas intimidades e a usando como uma vassoura, batendo-a na parte plana e superior daquela pedra, onde o sol não chegava inteiramente, mas a umidade não era tanta devido ao vento que soprava ali. — Deixa eu– — Colocou novamente o pano na cintura, desceu da pedra e foi em direção ao monte de pele no chão, seus olhos ficaram fixos nelas e por um tempo persistiu ali parado, as olhando, até que veio a si e as pegou, separando-as. — Eu– Eu preciso de sal… — sussurrou, analisando o lado claro daquelas peles, nas quais ainda existia um restante de gordura e de carne.
— Onde eu vou achar sal? — Não demorou a lembrança fazer sua visão ser atraída para a fogueira apagada não tão distante. — Vovô sempre dizia que quem não tem cão, caça com gato. — Pensou e foi até a fogueira observar as brasas e cinzas. — Será que vai funcionar? Ele disse que funcionava… mas nunca me deixou testar… — Sem pensar muito, pôs as mãos nas cinzas, mas logo uma reação veio, estavam quentes, suas mãos ficaram vermelhas e ele deu um salto que nem pareceu ser o mesmo garoto que estava mancando até agora há pouco. — AaaAaA!
— Garoto! Está tudo be– — Mirabelle entrou correndo para averiguar o que havia acontecido, seus olhos preocupados foram surpreendidos pelas peles que estavam estiradas no chão, com as partes interiores para cima. — O– Oque está fazendo aqui?
— E– Eu– — Sem conseguir se explicar e com as mãos mais vermelhas do que braseiro, só pôde olhá-la com a cara de quem acabou de cometer um grande erro.
Ela se aproximou rapidamente e ele recusou instintivamente. — O que você está fazendo? — Pegou em suas mãos e puxou-as. — Eu já não disse que não precisa se preocupar com isso? — Ele soltou um pequeno grunhido de dor ao ter as mãos tocadas, mas logo calou-se. — Mas o que foi que você fez aqui? — Olhou para as queimaduras, que já não estavam na melhor das situações antes.
— Eu– Eu só queria um pouco de brasa.
Mirabelle fechou os olhos e respirou fundo, soltou-lhe as mãos e levantou. — Eu não acredito nisso… — resmungou e o deixou sentado, vendo-a sair novamente da caverna.
Ele abriu e fechou as mãos que ardiam por causa das queimaduras e tentou engolir o choro que já se mostrava presente nos soluços, mas era difícil com tudo que o assolava, mas logo se viu aliviado. O ardor das mãos diminuiu, as dores no corpo também e levantou-se como se nada, em segundos estava olhando para a direção que Mirabelle havia seguido, quieto.
Sua visão voltou novamente à pele no chão, depois à brasa. Retirou o saiote e sentiu um frio na parte inferior do corpo, mas que logo se tornou insignificante, quando virou-se novamente para a fogueira, com o pano na mão.
Ele colocou o saiote em cima de uma parte delas que estava um pouco mais longe e conseguiu coletar uma quantidade significativa, correndo, para que aquele calor que passava do tecido para sua mão não aumentasse. Em passos curtos, levou o que tinha até perto daquele grande buraco que escavara um tempo atrás e as pôs perto dele.
Mas logo retornou e pegou mais um pouco de cinzas e amontou-as ao lado do buraco.
Pareceu como se fosse mágica, após ter retirado as cinzas de perto da fogueira, aquele calor intenso diminuiu. Quando as jogou ali, poucos segundos depois já estava as tocando com suas próprias mãos, elas ainda estavam quentes, mas não tanto que poderiam queimá-lo.
— Agora eu só preciso às limpar... — Foi até as peles, pegou-as, organizou, dobrou e as colocou no ombro, levantou-se e foi até a parte alta da pedra qual havia limpado.
Ele juntou alguns galhos, amarrou as pontas das peles neles e os esticou, e viu as peles tencionarem. Logo surgiu uma dúvida: — Como eu faço pra manter elas assim?... — perguntou-se, colocando-as na parede e pondo a mão no queixo. Os olhos curiosos dele rondaram todos os galhos que havia ali, mas só teve uma luz quando pararam frente à fogueira novamente. — Ah! Já sei! — Desceu às pressas e pegou os galhos que estavam fincados no chão. — Forquilhas! — Alegre, subiu novamente, onde pôs um dos galhos sobre a forquilha e o outro na parte inferior, qual ele rasgou em uma extremidade afiada da parede. — Pronto! — gargalhou, vendo seu trabalho exposto ao vento. O primeiro couro estendido com as próprias mãos estava ali, preso em quatro galhos, duas varas e duas forquilhas, amarrado nele próprio e apoiado na parede para que não ficasse em contato com o chão.
Não demorou muito para que descesse novamente e fosse lá fora buscar mais galhos e repetir o processo, havia uma pilha lá fora que o fez perder bastante tempo. Miguel olhava o tamanho, os tensionava para ver se iam quebrar, olhava para as forquilhas e media a bifurcação dos ramos, escolhia as melhores que conseguia e voltava correndo para sua área de trabalho, carregado de galhos como se estivesse brincando.
— Olha isso! — Admirado, sentou-se frente às peles que havia estendido e observou a gordura e o restante de nervos e carnes que havia ali. Não demorou a lembrar o porquê de fazer aquilo. Desceu novamente do alto da pedra e rumou para fora da caverna.
— O que ele tem na cabeça!? — Tentando organizar aqueles ossos em mãos, seu rosto corava. — Ele… o rosto dele… é… por que estou sentindo isso? — Entre seus olhos indecisos e movimentos aleatórios, a pilha desmoronou novamente. — Aaaa! Eu estou perdendo meu tempo com isso! — Mirabelle se ergueu, estirando os braços, esbravejou, liberando sua raiva. — Por que ele é tão idiota! — Um sentimento estranho apareceu. Olhando para aqueles ossos, respirou pausadamente e, aos poucos, a tensão do corpo diminuiu. — Acho que a idiota aqui sou eu… — Suspirou e sentiu um pequeno formigamento no corpo, virando-se logo deu de cara com Miguel, timido.
— Ma– Ma– Ma– — Sua mente entrou em parafuso e a respiração ficou instável, foi difícil encará-lo e seus olhos tentavam mudar de direção, mas a vergonha era tanta que nem isso conseguiu.
— O– Oi Mirabelle… — Acuado, ergueu timidamente a mão e acenou.
Ela rapidamente ficou de costas e começou a respirar intensamente, o corpo estava muito tensionado. Estranhando aquilo tudo, Miguel se aproximou.
— Es– Esta tudo bem? — Prestes a tocar-lhe nas costas, sua mão foi afastada rapidamente por ela, que se virou com uma feição séria e indiferente.
— Está sim… O que foi? — Respondeu, tentando esconder a inconsistência que ainda tinha nos olhos.
— É… Eu queria te pedir um favor.
— Favor?
— Sim… Você consegue fazer uma faca para mim?
— Faca?
— Sim! Aquilo que você usou para cortar a carne ontem…
— Não, eu não estou perguntando o que é uma faca. — Balançou o rosto e piscou os olhos antes de o encarar com o rosto cheio de dúvidas. — Para o que você quer uma faca?
— É… — Miguel ficou sem jeito de responder, desviando o olhar, pensou no que falar, mas logo lembrou de uma frase: — Direto e reto, meu neto… Direto e reto… — e logo sua visão se estabilizou. — Vem comigo, deixa que eu te mostro.
— Es– Espera! — Não preparada para aquele ato de Miguel, que segurou em sua mão e a puxou, retraída, sua voz saiu tão baixa que o garoto eufórico não escutou, enquanto a levava para dentro.
Os dois entraram novamente na caverna, Mirabelle soltou-se rapidamente assim que entrou.
— O– O que você acha que está faze– — Tentando recuperar o fôlego, logo foi interrompida pela visão estranha daquele monte de cinzas e gravetos perto do buraco que ele havia cavado. Olhou para o local da fogueira, que já não tinha resquícios de cinzas e nem de madeira, e o pó na terra estava amontoado, como se houvesse sido varrido e ajuntado ali. — O que…
Miguel a olhou acuado, mas venceu a timidez de seus braços que se contrairam pela brusquidão com que ela se soltou e estendeu-lhe a mão. — Vem, deixa eu te mostrar.
Em silêncio, Mirabelle segurou sua mão, houve um pequeno recuo e pausa devido aos pensamentos e sentimentos que se acumulavam em sua mente. Logo segurou em sua mão e se permitiu ser puxada até a pedra e observou aquele garoto a conduzindo, sorrindo, permeado por uma alegria que não a permitia questionar o porquê daquilo. Fixa em suas costas largas e repletas de cicatrizes enquanto escalava e depois para seu rosto, quando estendeu-lhe a mão novamente para puxá-la para o alto e, ao chegar ali, ficou surpresa.
— O que você está fazendo?