Luck dirigia em alta velocidade pelas ruas da cidade de Jukara, localizada no centro de Minas Gerais. Seu olhar estava fixo na estrada, a testa franzida, como se encarasse um inimigo bem a sua frente.
"Não posso demorar nem mais um minuto…"
Jukara parecia ser uma cidade perfeita em relação às outras do país. Apesar de estar localizada dentro de um grande buraco, a vista que proporcionava era belíssima. Um grande rio cortava-a ao meio, prédios enormes espalhavam-se por todos os cantos e a urbanização era quase perfeita.
O jovem descia uma enorme ladeira — caminho que já havia percorrido algumas vezes —, por isso não observava a paisagem com a mesma atenção das primeiras vezes.
Foi então que em um momento ele levou seu olhar para o monitor do carro, que ficava um pouco acima do rádio, ao ver o horário, suas sobrancelhas se levantaram.
07:55 da manhã.
Pisou mais fundo no acelerador.
…
Ao chegar ao outro lado da cidade, passando por um amontoado de prédios enormes — que tinham vários formatos —, ele pôde ver o seu destino.
Um enorme castelo, imponente, soberano de tamanho em comparação aos prédios e casas ao redor. Aquele castelo era rodeado por um muro enorme, com arames farpados que emanavam luzes próprias. O imóvel parecia ser do tamanho de não apenas uma quadra, mas três ao todo.
— Enfim chegando à "Legado". A filial da maior instituição de "Sentinelas" do mundo. Espero que eles me deixem entrar…
Luck se espantava cada vez mais com o castelo enquanto ia se aproximando. Porém, não era apenas o tamanho e a beleza do local que roubava sua atenção, mas também uma multidão em frente ao portão do castelo.
Tal multidão era tão enorme que tinha dominado completamente umas duas quadras. Ali, parecia haver algo como 1000 pessoas.
"Onde será que eu posso estacionar?", pensou, enquanto olhava ao redor, não conseguindo
encontrar nenhuma vaga por perto.
A única solução encontrada por ele foi parar em frente a uma loja de pneus, há 3 quadras do seu destino. Luck, já com o carro parado, retirou um celular de dentro do porta-luvas. O telefone não parecia ser novo — e não era de fato. Luck o usava apenas para se locomover pela cidade, então sempre o deixava no carro, porém dessa vez ele não o deixou lá.
Então saiu do carro, o trancou, caminhou para perto da multidão. Sem paciência, ele se jogou para dentro, a multidão parecia cada vez mais apertada a cada passo que ele dava.
Sua pressa o fez esbarrar em algumas pessoas, que por sua vez o olhavam com uma cara de poucos amigos, mas ele continuou, até esbarrar em um cara, que o segurou pelo braço, fazendo com que ele parasse de caminhar e voltasse seu olhar para o sujeito.
— Olha por onde anda, moleque — falou o estranho, com uma voz grave e alta, enquanto franzia a testa, fixando seu olhar nos olhos de Luck.
— Opa! Perdão aí!! Tô um pouco atrasado — respondeu Luck, mostrando um joinha para o estranho.
— Ninguém está nem aí se você está atrasado ou não. Só não fique esbarrando nas pessoas assim, seu retardado. Sabe em quem você esbarrou? — disse ele, elevando sua voz ainda mais.
Luck franziu suas sobrancelhas, enquanto torcia o nariz e fazia um movimento rápido, tirando a mão do estranho do seu braço.
— Já pedi desculpa, pô. Não enche o saco, caralho. Esquentadinho de merda.
Luck então deu as costas para o rapaz e voltou a caminhar.
Depois de dar alguns passos, ele levou seu olhar para trás, e lá ainda podia ver o sujeito o encarando.
“Que porra é essa?”
Voltando a caminhar, Luck enfim chegara perto do portão do castelo, observou-o com um olhar curioso para as barras escuras entalhadas com runas douradas.
Luck levara seu olhar para o lado, observando as pessoas à sua volta. Algumas conversavam, outras apenas mantinham silêncio. Porém, uma delas havia chamado sua atenção mais do que todas ali.
Tal pessoa possuía uma estatura bem mais baixa do que a dele, seu corpo era bem magro, tinha cabelos loiros nas pontas e escuros nas raízes, uma pele branca, lábios finos, mas avermelhados por causa do batom. Usava uma roupa bastante chamativa, um casaco amarelo com listras pretas, parecendo um cosplay de abelha, usava um short amarelo e um sapatênis branco.
O jovem decidiu dar dois toques no ombro da pessoa, chamando sua atenção. Ela se virou para ele, com uma de suas sobrancelhas arqueadas e cabeça inclinada para o lado.
— O…oi?
— Opa! Desculpa te incomodar, mas poderia me dizer o porquê de ter tanta gente aqui ainda nesse horário?
— Ah, sim. Posso sim…
Luck a encarou por alguns segundos, esperando que ela falasse…
— Diga… por favor…
— Ah, desculpa… É que o pessoal da “Legado” aparentemente acabou se atrasando. Então meio que todo mundo está esperando eles…
“Que sorte grande da porra!! Isso quer dizer que o pessoal deve estar misturado na multidão… acho que me safei dessa.”
— Entendo. Que pena que eles se atrasaram, né… Qual é o seu nome mesmo? — falou Luck, cruzando os braços em seguida.
— Meu nome é Eiru, qual é o seu? — disse ela, sorrindo para Luck, enquanto estendia uma das mãos para cumprimentá-lo.
Então houve um aperto de mãos entre eles.
— Pode me chamar de Luck.
— Ah, você não é do Brasil?
— Sou sim, pô. É que todo mundo me chama assim, desde a infância…
— Ah sim, que interessante — falou Eiru, sorrindo para Luck.
— Bom, agora eu tenho que ir. Vou procurar uns amigos meus que também vão entrar nesse castelão aí.
— Que legal. Vai fazer o curso junto com seus amigos?
— Sim! Eles que me convenceram de tentar alguma coisa por aqui — respondeu Luck, apontando com a cabeça para o castelo da “Legado”.
— Maravilha! Eu queria poder ter amigos que fizessem esse curso comigo.
— Ué. Nós podemos ser amigos e fazer essa porra aí juntos. Você parece ser uma pessoa legal.
— Sério? Isso seria muito legal da sua parte.
…
— Não cai na onda desse traíra aí não! — Alguém disse em voz alta, vindo a alguns metros de distância de Luck.
— Ih! Acho que já encontrei meus amigos. — Luck falou sorrindo para Eiru, reconhecendo a voz do sujeito que acabou de falar.