Os olhos de Arthur perderam o brilho, seu semblante entrou em uma zona que era praticamente impossível de se ler, porém, seus punhos se fecharam.
— Hoje não é seu dia de sorte, Arthur — falou André, cruzando os braços.
O homem que havia esbarrado em Arthur, não era nada mais do que o sujeito que o tinha chamado de patético agora pouco.
— Nem o meu — disse o sujeito.
— Fala aí cara. Vai pedir desculpa? — perguntou Arthur, também cruzando os braços.
— E por qual motivo eu deveria pedir desculpa pra um bostinha que nem você?
— Cara, tu é cuzão mesmo em. Só porque eu esbarrei em você, sem querer, tu tá aí cheio de birra comigo. Vai se tratar, cara.
— Olha como você fala comigo, ignorante. Sabe quem eu sou?
— Estou pouco me fudendo pra quem tu é, seu bosta. Só sai da minha frente.
Ao término de sua fala, Arthur começou a caminhar para longe do sujeito, que não moveu um músculo, já que quatro pessoas — as mesmas que estavam com o sujeito há pouco tempo — ficaram na frente dele, o impedindo de passar.
O primeiro que Arthur observava era um homem um pouco mais baixo do que ele, tinha cabelos vermelhos esvoaçantes, uma barba da mesma cor, olhos castanhos, usava uma jaqueta sem manga, calça preta e uma bota com listras vermelhas.
— Não vai a lugar nenhum, cara — disse o baixinho.
A segunda pessoa que Arthur observou era uma mulher. Seus cabelos eram verdes nas pontas e escuros nas raízes. Usava uma saia preta feita de látex, bem apertada, marcando suas belas curvas, calçava botas pretas que iam até seus joelhos, e usava uma camiseta vermelha sem manga.
— Se encher muito o saco tu vai ver o que é bom pra tosse. Tá achando que só porque é altinho que eu vou ter medo de você?
— Sai fora, porra!
O terceiro a ser visto por ele era o mais alto de todos ali. Arthur teve que levantar sua cabeça pra poder olhar nos olhos dele.
Tinha cabelos escuros, penteados para trás, uma pele bem cuidada e um corpo físico até mais bem afeiçoado do que o de Arthur, seus lábios brilhavam, usava uma camiseta dourada, calça escura e sapatos escuros com listras roxas.
— Você está perto de sentir na cara o que é um soco bem dado.
O quarto e último tinha a altura de Arthur, cabelo completamente cinza, usava uma camiseta de manga longa da cor preta, um short totalmente cinza-escuro.
— Sou viciado em uma boa briga, então não teste minha paciência não, cara, porque eu vou gostar de brigar contigo!!
Todos eles formavam uma barreira, impedindo que o jovem desse um passo a mais.
— Quem diabos são vocês? — André falou, dando um passo à frente, enquanto franzia a testa e cerrava os punhos.
— Pessoal, calma! Não vamos brigar aqui, isso pode dar muito ruim pra vocês — falou o loiro, abrindo as duas mãos e fazendo movimentos que foram rapidamente entendidos por eles como uma ordem para se acalmarem.
A multidão ao redor observava, muitos já haviam se distanciado, outros pegaram seus celulares para gravar a cena.
— Pior que você tem razão, Bartolomeu — disse a menina de cabelos verdes.
— Até que enfim descobrimos o nome do nosso inimigo — disse Inácio, estalando os dedos das mãos, enquanto soltava um sorriso de orelha a orelha.
— Calma aí, Iná. Do mesmo jeito que pode dar ruim pra eles, pode dar ruim pra nós também — explicou André.
— Iná? Meu rival já me deu um apelido? Que emocionante!! E pensar que já estamos tão íntimos assim… — murmurou Inácio, com os olhos brilhando.
Bartolomeu deu uma risada forçada ao escutar a fala de André.
— Fiquem tranquilos. Eu não estou afim de brigar. Só estou expressando meu descontentamento de encontrar cada um de vocês. — Bartolomeu respondia, cruzando os braços e sorrindo — E também marcando seus rostos, claro, não preciso saber dos seus nomes, eu consigo achar de qualquer jeito, bem, depois de resolver alguns problemas, com certeza procurarei algumas informações sobre vocês.
— Já que viu nossos belos rostinhos, agora nos dê licença, precisamos ir embora — respondeu Fernanda, ficando do lado do Arthur, enquanto encarava nos olhos a mulher de cabelos verdes. — Só não vão bater muita punheta pensando na gente, em.
A mulher de cabelos verdes olhou para seu líder, que apenas com um balançar de cabeça fora suficiente para entender que era para deixar o grupo de Arthur passar. E assim fora feito, eles deram espaço, Arthur e Fernanda caminharam primeiro.
Júlia e André o seguiram e Inácio fora o último, que antes de passar pelos cachorrinhos do loiro, olhou para ele e mostrou o dedo do meio e então falou:
— E fiquem tranquilos que nós não estamos interessados nem nos seus nomes, podem enfiar eles bem nos seus bogas largos.
Alguns segundos depois, Arthur e seus amigos estavam caminhando em silêncio, até que Fernanda resolveu quebrá-lo com uma pergunta.
— Mas que diabo foi aquilo?
— Eu realmente não sei… — respondeu Arthur.
— Como assim "Eu não sei"?
— Eu realmente não sei porque aquele maluco fez aquilo. Eu só…
— Se você não fez nada, tá de boa, cara. A gente acredita — falou André, colocando uma das mãos no ombro de Arthur. — Só tome mais cuidado a partir de agora, tá?
Arthur balançou a cabeça em confirmação.
— E agora? Pra onde a gente vai? — perguntou Inácio.
— Não sei, estava pensando em jogar videogame um pouco, pra desestressar, sabe? — comentou Arthur.
— Eu passo, tenho que ir pra casa. Preciso terminar de escrever o novo capítulo da minha webnovel — falou Júlia, virando seus olhos brilhantes para Fernanda, enquanto cruzava os dedos das mãos. — Quer me ajudar a corrigir meus textos, Fe?
Fernanda franziu a testa, sorriu de forma forçada
e até começou a suar.
— É… por hora eu não posso, eu preciso fazer algumas coisas.
Ela então virou seus olhos para André.
— Então, Jú. Eu até iria, mas meio que eu quero jogar um pouco com o Arthur… Deixa pra próxima.
Seus olhos então chegaram aos olhos de Inácio.
— Alguma coisa me diz que é melhor eu negar! — Ele falou, fazendo um "X" com os dedos.
Jú então abaixou a cabeça, seus olhos, antes brilhantes, agora estavam fechados.
— Tá! Acho que vou pro meu carro, depois nos falamos, "amigos"! — Ela falava enquanto se distanciava a passos lentos e pesados, balançando o corpo de um lado para o outro.
— Eu em, o que aquela menina escreve para vocês recusarem esse pedido dela?
— Não queira saber, Inácio — disse André…
— Okay! Acho que eu vou indo também! Depois nos vemos por aí — falou Fernanda, dando as costas para os três. — E Arthur, vê se não morre!
Ela então saiu, sem dizer mais nada, os três apenas balançavam as mãos, dando um tchau pra ela.
— Bom, vocês vai querer carona?
— Claro, né, Arthur, bom, eu vou querer.
— Eu posso ir jogar com vocês? Eu acho... acho que a minha avó…
— Pode, cara. Vamos lá!! — exclamou Arthur.