POV Paul
O que eu vi foi inacreditável. Meu amigo começou a se curar de seu recém corte no estômago. Minha melancolia desapareceu e cedeu seu lugar para o medo. O vi fazendo uma pose com sua mão esquerda, mostrando o número três com o dedo indicador, médio e mindinho.
Em seguida, vi seus olhos tomando certa tonalidade amarelada e ele dizendo “Chama Ígnea”. A criatura começou a se afastar enquanto de sua mão uma rajada de labaredas era disparada em sua direção. Ao acertá-la, ouvi gritos horrendos vindos dela. Em seguida, apontando sua espada, ele disse “Incendium”.
Da ponta de sua lâmina, um pequeno estalo de fogo disparou na besta. Ao encostar na mesma, a vi ser completamente infestada pelas chamas. Ela começava a se debater para tentar apagar as chamas, mas em vão. Poucos segundos depois, ela estava morta na minha frente.
Consegui me levantar e fui até a fera morta. Notei que seu rosto não havia sido carbonizado e notei um relevo sobre ele. Ao encostar a mão com cuidado, ouvi algo.
[A Máscara Do Demônio Acinzentado foi encontrada por você.]
A guardei dentro do bolso interno de minha blusa discretamente enquanto mantinha as forças para não cair, graças aos ferimentos. Milo ainda estava perplexo com o que havia feito e se virou para mim:
-O que eu fiz?
-Salvou nós dois
-Eu me refiro ao fogo…
-Bem, nem eu sei, pra ser sincero. Mas, foi incrível!
-Paul, antes de mais nada, consuma o núcleo. Você está machucado
-Se você insiste…
Comecei a dissecar a besta enquanto ele continuava a dizer:
-Eu ouvi sobre um “Caminho dos Piromantes” e a minha espada começou a tremer e quis que eu encostasse naquilo… Aí, eu ouvi minha própria voz dizendo para que eu repetisse nomes estranhos e concentrasse meu Hao na minha mão. Nem sei ao certo como fiz isso, mas eu me sinto mais forte
-Isso é bom, Milo. Então, provavelmente, isso que você tocou é um Totem Espiritual?
-Levando em conta o que o Tony disse, sim, é um Totem Espiritual
-Então, eles são assim… Interessante
Encontrei o núcleo. Era bem maior, considerando os outros. O esmaguei e me senti quase completamente curado e mais forte. Me levantei e fomos para o próximo andar após não encontrarmos qualquer um dos meus três irmãos. Subimos as escadas com cuidado enquanto Milo ansiava por uma nova camisa.
Emprestei minha blusa e o vi agradecendo. Ao chegarmos no próximo andar, vimos cadáveres dissecados de criaturas. Ficamos em alerta olhando pelos cinco corredores. Preparados para qualquer ataque, ouvimos uma voz feminina dizendo:
-Quem são vocês?
Vimos uma jovem moça de cabelos longos e negros, olhos cor de mel e relativamente alta. Ela saía do corredor do meio com uma lâmina mais fina em mãos. Ela usa o mesmo uniforme do garoto que ficou com Jacques. Nos encaramos enquanto ela saía e questionei:
-Eu que te pergunto. Quem é você?
-Vocês não parecem ser daqui…
-Vou ser sincero com você, pois realmente não somos…
-E escolheram adentrar uma Zona de Risco?
-Não sabíamos que seria assim, mas temos nossas intenções, se puder nos ajudar
-Quem disse que eu posso? Ainda mais, quem disse que eu quero?
-Só acho que você pode nos ajudar, afinal, estuda aqui
-Como você…
-O seu uniforme entrega tudo. Além disso, não é a única estudante viva aqui, sabia?
-Eu sei disso. Tem um bem aqui comigo
-Quem el-
Fiquei em silêncio ao ver um jovem de sardas e cabelos ruivos. Era Peter, um dos meus irmãos. Sua roupa estava surrada e suja de sangue e em suas mãos havia uma adaga. Quando me viu, ficou imóvel e corri para abraçá-lo. Antes que a garota pudesse tentar parar minha “investida”, Peter sinalizou para ficar imóvel e devolveu meu abraço.
Atualizamos para Peter o que havia acontecido conosco e o que sabíamos até então. O vi abalado quando citei os nossos irmãos mais novos, mas o vi descorar quando contei sobre James. Ele ficou perplexo, demorando um pouco até retornar ao normal. Depois, foi a vez dele nos contar:
-Eu e a Katia estamos vivos por pura sorte. Perdi o Caio de vista quando ele disse que precisava sair daqui e subiu os andares, enquanto vi Ferdinand sumir depois que subimos ao segundo andar. Conseguimos nos virar bem e até pegamos algumas armas que estavam nos cadáveres das criaturas, mas, ainda sim, aqui dá medo…
-Vamos sair daqui em breve, irmão. Eu prometo
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POV Jacques
Não imaginei ver tantas criaturas tão cedo, mas até que estou lidando bem com isso.
Tony e Pierre estão lutando bem, mas me frustra um pouco essas não conterem um núcleo. Por algum motivo, quando são mortas, simplesmente viram pó. Comecei a ficar meio cansado, talvez devêssemos usar alguns dos núcleos que pegamos na entrada. Estávamos só na metade da torre, mas estamos rápidos.
Após finalizarmos todas as criaturas do andar, o que parecia ser um armário se abriu. Dentro dela, uma lâmina levemente curvada se revelava embainhada em couro e disse:
-Tony, pegue-a. Você não vai sobreviver com esse pedaço de cano até o final
-O-Obrigado, Jacques!
-Mas e eu?
Pierre perguntou.
-A próxima que encontrarmos, será sua
-Droga, tudo bem…
O vi encantado com sua nova arma enquanto jogava o cano para longe. Ele colocou em sua cintura e seguimos viagem. Dessa vez, não ouvi barulho algum de criatura a não ser por uma voz masculina:
-Se descer mais um degrau, você vai m-morrer!
Parecia uma voz jovem, mas não podia bobear. Diferente das criaturas quase irracionais que enfrentamos lá em cima, isso aqui poderia ser uma pessoa, um Semideus, um Deus ou alguma besta com plena ciência de seus atos. Minha tatuagem começou a brilhar juntamente de meus olhos numa cor amarela com tons dourados.
Desci mais um degrau e o brilho iluminou o cômodo enquanto via a pessoa gritar e avançar. Por algum motivo, ele parou, mas eu também fiquei imóvel. Vi o cabelo loiro preso num rabo de cavalo e perguntei:
-Ferdinand?!
-Ja-Jacques?!