Capítulo 11: A Última Jogada
A porta se fechou atrás de Sophia, e o silêncio que ficou na sala de reuniões era mais pesado do que os gritos de minutos atrás. Era o silêncio de um campo de batalha após a vitória. As fotos do passado de Hina ainda estavam espalhadas sobre a mesa, testemunhas silenciosas da última e desesperada cartada de Sophia.
Julian soltou o ar, uma lufada que parecia carregar o peso de dias de tensão. Ele contornou a mesa, os olhos fixos em Hina com uma mistura de alívio, admiração e algo mais profundo, algo que ele não conseguia mais esconder.
— Acabou — disse ele, a voz rouca. — Você conseguiu, Hina. Você os destruiu.
Ele parou na frente dela. Instintivamente, sua mão foi até o rosto dela, o polegar traçando suavemente sua bochecha, como se para se certificar de que ela era real.
— Nós conseguimos — corrigiu Hina, a voz neutra, sem se afastar do toque dele, mas sem se inclinar para ele também.
— Sim. Nós. — Julian sorriu, um sorriso genuíno e cansado. Ele olhou ao redor da sala, para as provas de sua vitória conjunta. — Então... o que somos agora, Hina?
A pergunta pairou no ar, carregada de expectativa. Era uma oferta. De parceria. De um futuro. Ele via um caminho claro à frente: eles dois, juntos, no topo daquele império que ela acabara de salvar.
Hina não respondeu imediatamente. Ela o observou, e em seus olhos, Julian viu a admiração se transformar em algo diferente. Uma análise fria. Uma distância que o assustou.
Ela se afastou suavemente do toque dele, caminhando até a grande janela panorâmica, olhando para a cidade que se estendia abaixo deles.
— Sabe, Julian — começou ela, a voz calma, quase conversacional. — Quando Sophia me ofereceu aquele cheque, eu achei patético. A ideia de que eu teria um preço, de que minha lealdade e meu talento pudessem ser comprados.
Ela se virou para encará-lo, os braços cruzados.
— E quando você hesitou, mesmo que por um instante, antes de me dar aqueles dois dias... eu entendi. Você precisou calcular o risco. O risco de acreditar em mim contra a "lógica" que eles apresentaram.
— Hina, isso não é justo. Eu apostei em você. Eu apostei tudo em você!
— Não, você não apostou — disse ela, a voz ainda devastadoramente calma. — Você gerenciou um risco. E é isso que eu sempre serei para você. Um risco a ser gerenciado. Uma arma exótica em seu arsenal. Talvez a mais eficaz que você já teve, mas ainda assim, uma arma. E quando não for mais útil, ou se tornar perigosa demais, será guardada de volta na caixa.
Ele abriu a boca para protestar, mas as palavras morreram. Havia uma verdade terrível na lógica dela que ele não podia negar.
Hina pegou sua bolsa da cadeira onde a havia deixado. Tirou de dentro dela seu cartão de acesso da Knight Enterprises e as chaves de seu escritório. Colocou-os suavemente sobre a mesa polida, ao lado das fotos de seu passado. O gesto era final, silencioso e absoluto.
— O jogo acabou, Julian. Você venceu. Tem sua empresa de volta, livre da aliança tóxica dos Tower. Você está seguro. — Ela o olhou uma última vez, e não havia raiva em seus olhos, nem mágoa. Apenas uma clareza final e cortante.
— E isto — disse ela, gesticulando para a sala, para a empresa, para a situação entre eles —, se tornou irremediavelmente tedioso.
A palavra o atingiu como um soco. Tedioso. A mesma palavra que ela usou para descrever por que havia deixado a Innovatech.
Hina se virou e caminhou em direção à porta, sem pressa.
— Hina, espere! — A voz dele era um apelo. — Para onde você vai? O que você vai fazer?
Ela parou na porta, mas não se virou.
— O mesmo de sempre, Julian — respondeu, por cima do ombro. — Procurar um jogo mais interessante.
E então, ela se foi.
Julian ficou sozinho no meio da sala de reuniões, o silêncio ecoando em seus ouvidos. Estava cercado pelos frutos da vitória, mas a sensação era a de uma derrota esmagadora. Ele olhou para a cidade lá fora, para o império que agora era inquestionavelmente seu. Ele tinha vencido a batalha. Mas acabara de perder a rainha. E, pela primeira vez, entendeu o verdadeiro preço de seu trono.