Capítulo 3: Noite de Tentações e Segredos
O sol já tinha se posto quando Hina e Sakura finalizaram os preparativos para a noite. Hina, com um vestido preto justo que destacava suas curvas e um salto alto que fazia suas pernas parecerem infinitas, estava pronta para dominar qualquer ambiente. Sakura, por outro lado, optou por um vestido azul-claro simples, mas elegante, que Hina insistiu que realçava sua delicadeza. Apesar da empolgação de Hina, havia uma sombra de decepção no ar: Kaito não iria com elas.
— Final do torneio de beisebol? Sério, Kai? — Hina reclamou, cruzando os braços enquanto o encarava na sala. — Você prefere um monte de caras correndo atrás de uma bola do que sair com duas garotas incríveis?
Kaito, ainda no sofá com uma tigela de pipoca no colo, apenas deu de ombros, os olhos fixos na TV. — É a final, Hina. Não perco por nada. Além do mais, vocês vão se divertir sem mim atrapalhando.
Sakura, parada perto da porta, sentiu o coração apertar. Parte dela estava triste por Kaito não ir — a ideia de passar a noite com ele, mesmo que na presença de Hina, a fazia sonhar com possibilidades. Mas, ao mesmo tempo, um alívio a invadiu. O que eu faria? pensou, ajustando os óculos nervosamente. Não sei nem o que dizer quando ele tá por perto. Ainda assim, a ausência dele deixava um vazio que ela não queria admitir.
Hina bufou, jogando o cabelo loiro para trás. — Tá, seu chato. Mas não vem pedir pra gente contar como foi depois. Vamos arrasar, né, Saki?
Sakura forçou um sorriso, sussurrando um “claro” quase inaudível. Com isso, as duas saíram, deixando Kaito e sua pipoca para trás.
***
O bar que escolheram era um ponto badalado no centro da cidade, com luzes neon piscando e música pop pulsando alto o suficiente para abafar qualquer pensamento coerente. Hina entrou como se fosse a dona do lugar, o sorriso predatório já a postos enquanto seus olhos varriam o ambiente, caçando atenção. Sakura, por outro lado, segurava a bolsa com força, tentando não parecer deslocada. Cada risada alta ou olhar curioso a fazia querer se encolher, mas Hina não deixava espaço para timidez.
— Relaxa, Saki! — disse Hina, puxando-a para uma mesa alta. — Tô aqui pra te proteger. Agora, pede um drink e deixa a noite te levar.
Sakura pediu um suco — álcool parecia arriscado demais para seu estado de nervos —, enquanto Hina já estava no segundo coquetel, flertando descaradamente com um grupo de caras na mesa ao lado. Apesar da tensão, Sakura não podia negar: estar com Hina era como estar ao lado de uma força da natureza. Ela era magnética, e, por mais que Sakura se sentisse pequena em comparação, a energia da amiga era contagiante.
A noite passou em um borrão de risadas, conversas e algumas tentativas desajeitadas de Sakura de acompanhar as provocações de Hina. Quando finalmente decidiram voltar, já era tarde, e o cansaço misturado com o álcool deixava Hina um pouco mais solta do que o normal.
***
De volta ao apartamento, o silêncio reinava. Hina, com as sandálias na mão para não fazer barulho, cambaleava levemente enquanto atravessava a sala na ponta dos pés. A TV estava desligada, e a tigela de pipoca de Kaito, agora vazia, descansava na mesinha. Ele devia estar dormindo, pensou Hina, um sorriso travesso surgindo em seus lábios.
Ela parou diante da porta do quarto dele, que estava entreaberta. A luz fraca do abajur escapava pela fresta, iluminando o corredor. Hina hesitou por um segundo, mas o calor do álcool e a adrenalina da noite falaram mais alto. Empurrou a porta devagar e entrou, os olhos se ajustando à penumbra.
Kaito estava deitado na cama, virado para cima, o peito subindo e descendo em um ritmo lento. A camiseta que ele usava subiu um pouco, revelando a linha definida do abdômen. Hina mordeu o lábio, o coração disparando com uma mistura de ousadia e algo mais perigoso. Ela se aproximou, silenciosa como um gato, e, antes que pudesse se convencer a parar, subiu na cama, montando-o com cuidado.
— Kai… acorda — sussurrou ela, a voz rouca e provocante. — Ei, priminho… quer brincar?
Kaito murmurou algo incoerente, ainda preso no sono. Seus olhos se abriram lentamente, confusos, e então se arregalaram ao ver Hina em cima dele. A saia dela havia subido, as coxas expostas pressionadas contra ele, e ela começou a se mover, o quadril traçando círculos lentos, deliberados. O tecido da roupa dela roçava contra ele, e o calor do corpo dela era impossível de ignorar.
— Hina, que… que você tá fazendo? — perguntou ele, a voz grogue, mas já carregada de tensão. Ele tentou se sentar, mas Hina colocou uma mão no peito dele, empurrando-o de volta contra o travesseiro.
— Shhh — ela sussurrou, levando um dedo aos lábios, o sorriso malicioso brilhando na penumbra. — Só quero brincar um pouquinho, Kai. Relaxa.
— Sai de cima de mim, Hina — disse ele, mais firme, mas sua respiração estava acelerando. O corpo dele, traidor, reagia ao estímulo dos movimentos dela, e Hina percebeu. Seus olhos brilharam com uma mistura de triunfo e algo mais sombrio.
— Hmm, seria tão bom, né? — sussurrou ela, inclinando-se até que seus lábios estivessem a centímetros dos dele. A pressão crescente sob ela a fez rir baixinho. — Mas eu prometi pra… — Ela parou, levando as mãos à boca como se tivesse dito algo que não deveria. — Ops. Segredo.
Kaito franziu a testa, o choque e a confusão lutando contra o calor que subia por seu corpo. — Prometeu o quê? Hina, para com isso, agora!
Ela riu, um som leve e quase infantil, e continuou movendo o quadril por mais alguns segundos, como se estivesse testando até onde ele aguentaria. Então, com a mesma graça felina com que chegou, ela deslizou para fora da cama, ajeitando a saia com um gesto casual.
— Boa noite, priminho — disse ela, a voz doce, mas carregada de segredos. Cambaleando levemente, ela saiu do quarto, deixando a porta entreaberta e Kaito sozinho com o coração disparado e a mente em um turbilhão.
Ele ficou ali, encarando o teto, tentando processar o que tinha acabado de acontecer. O calor ainda pulsava em seu corpo, mas a raiva — e algo que parecia culpa — começava a tomar conta. Que diabos foi isso, Hina? pensou, passando as mãos pelo rosto. E, mais importante: Que segredo é esse?