Capítulo 4: Um Dia de Provocações e Proximidade
A manhã no apartamento estava calma, pelo menos na superfície. O cheiro de café recém-passado enchia a cozinha enquanto Kaito mexia uma frigideira com ovos, tentando focar no barulho do óleo chiando para não pensar na noite anterior. Ele ainda sentia um nó no estômago ao lembrar de Hina em cima dele, o sussurro provocador, o “segredo” que ela deixou escapar. Será que ela lembra? pensava, lançando olhares furtivos para a porta.
Hina entrou na cozinha bocejando, os cabelos loiros bagunçados e uma camiseta larga caindo sobre um ombro. — Bom dia, priminho — disse, a voz arrastada, enquanto pegava uma garrafa d’água na geladeira. Ela parecia tão despreocupada que Kaito se perguntou se a madrugada tinha sido só um sonho estranho.
Ele pigarreou, servindo uma xícara de café e deslizando-a pelo balcão na direção dela. — Café? — ofereceu, mantendo a voz neutra, mas seus olhos a observavam, procurando qualquer sinal de que ela se lembrava.
— Valeu, Kai — disse Hina, pegando a xícara e soprando o vapor. Então, com um sorriso que era puro veneno doce, ela ergueu os olhos azuis para ele. — Dormiu bem, priminho?
Kaito congelou, a espátula parando no ar. O tom dela, carregado de provocação, era inconfundível. Ela lembra. Ou tá só brincando comigo? Ele gaguejou, o rosto esquentando. — É… s-sim, normal. E você?
Hina deu uma risadinha, tomando um gole do café sem desviar o olhar. — Que bom, priminho. Fico feliz — disse, a voz tão cheia de insinuação que Kaito quase derrubou a frigideira. Antes que ele pudesse responder, ela se virou, ainda rindo, e saiu da cozinha balançando os quadris de um jeito que parecia intencional.
Kaito soltou um suspiro, passando a mão pelo cabelo castanho. Essa menina vai acabar comigo.
A manhã passou rápido, com Hina ocupada no celular e Kaito tentando se distrair com qualquer coisa que não envolvesse pensar nela. Até que Hina apareceu na sala, já vestida com um short jeans curto e uma blusa leve que deixava a barriga à mostra. — Ei, Kai, não esquece que hoje é dia de shopping com a Saki. Você prometeu que ia, hein?
Kaito coçou a nuca, já sentindo o nervosismo crescer. — É, eu sei. Tô indo me arrumar — resmungando, imaginando o que Hina poderia aprontar com os dois juntos. Ele já previa uma tarde cheia de provocações.
Mais tarde, o telefone de Hina tocou, e ela atendeu com um gritinho animado. — Saki, já tá aí? Tô descendo! — Ela olhou para Kaito, que vestia uma camiseta preta e uma calça jeans casual, e deu um tapinha no ombro dele. — Vamos, priminho. A Saki tá esperando.
Eles desceram até o carro de Sakura, estacionado na rua. Kaito tomou o banco da frente, cumprimentando Sakura com um sorriso. — Oi, Saki. Tô pronto pra essa aventura — brincou, tentando aliviar a tensão que já sentia.
Sakura, com os cabelos castanhos curtos presos em um rabo de cavalo e os óculos brilhando sob a luz do sol, devolveu um sorriso tímido. — O-oi, Kaito. Espero que seja divertido — disse, as mãos apertando o volante com mais força do que o necessário.
Hina, no banco de trás, não perdeu tempo. Inclinou-se para a frente, o queixo apoiado nas mãos. — Saki, já reparou como o Kai tá bonitão hoje? Essa camiseta tá gritando “sou um cara legal, mas perigoso”. O que acha?
Sakura ficou vermelha como uma pimenta, os olhos arregalados. — H-Hina! Eu… ele… tá normal! — gaguejou, quase engasgando.
Kaito bufou, virando-se para a prima. — Hina, para com isso. Tá deixando a Sakura sem graça. — Mas o rubor nas bochechas dele traía que ele também estava desconfortável.
Hina caiu na gargalhada, jogando a cabeça para trás. — Vocês são muito fáceis de provocar! Relaxem, é só o começo!
***
No shopping, a tarde foi uma montanha-russa de emoções para Kaito e Sakura, com Hina conduzindo o caos. Eles passaram por várias lojas, Hina experimentando vestidos e tops que pareciam feitos para chamar atenção. Ela também insistiu que Sakura provasse algumas roupas mais ousadas, como um vestido vermelho que Sakura segurou como se fosse uma bomba.
— Saki, você ia arrasar com isso! — disse Hina, empurrando-a para o provador. — Mostra pro Kai, ele vai concordar.
Sakura saiu do provador corada, o vestido destacando sua delicadeza de um jeito que até Kaito ficou sem palavras por um segundo. — É… tá bonito, Saki — disse ele, coçando a nuca e desviando o olhar.
Hina também escolheu algumas roupas para Kaito, insistindo que ele experimentasse uma jaqueta de couro. Quando ele saiu do provador, ela bateu palmas. — Meu Deus, Kai, tá muito gato! Saki, confirma aí, ele não tá um arraso?
Sakura, já vermelha de novo, disse um “s-sim” quase inaudível, enquanto Hina ria e dava um tapinha no ombro dela.
O ápice da tarde veio quando Hina avistou uma cabine de fotos. — Gente, temos que tirar uma foto! Vai ser épico! — disse, puxando os dois antes que pudessem protestar.
— Cabe três aí? — perguntou Sakura, hesitante, olhando para o espaço minúsculo da cabine.
— É só se apertar um pouquinho, Saki. Relaxa! — respondeu Hina, já empurrando os dois para dentro.
A cabine era realmente apertada. Kaito acabou no meio, com Sakura à sua esquerda, o rosto dela vermelho por estar tão colada a ele. Hina, à direita, não facilitou as coisas: espremeu-se contra Kaito, os seios roçando propositalmente no braço dele e uma perna jogada sobre a dele, quase subindo no colo. — Ops, espaço pequeno, né? — disse ela, com um sorriso travesso.
Kaito, constrangido, não sabia onde colocar as mãos, acabando por apoiá-las desajeitadamente nos joelhos. — Hina, se comporta — disse, com o rosto quente.
Sakura, sentindo o calor do corpo de Kaito contra o dela, mal conseguia respirar. Ele tá tão perto, pensou, o coração disparado. Quando a câmera disparou, a foto capturou Hina com um sorriso estampado, enquanto Kaito e Sakura forçavam sorrisos tensos, vermelhos como tomates.
Já era noite quando voltaram para o carro, todos exaustos — exceto Hina, que parecia ter energia infinita. Sentada no banco da frente, ela mantinha os olhos de águia abertos. Ao passar por um motel com letreiro neon, ela apontou animada. — Olha, já fui nesse! É bem legal. Querem conhecer?
Kaito quase engasgou. — Até parece, Hina! Acha que nós três íamos entrar num motel juntos? — retrucou, a voz cheia de indignação.
Hina, com a língua afiada, deu de ombros. — Se quiserem, podem ir só vocês dois — disse, piscando para Sakura no retrovisor.
Sakura, que tentava manter o foco na estrada, ficou vermelha como uma pimenta, as mãos apertando o volante com força. — Hina, para de falar bobagem! — exclamou, a voz tremendo.
Hina caiu na gargalhada, jogando a cabeça para trás. — Calma, gente, é só brincadeira! Vocês são muito sérios!
Kaito balançou a cabeça, dizendo: — Você não tem jeito, Hina.
De volta ao apartamento, Hina esticou os braços, ainda cheia de energia. — Saki, fica pra dormir! Tá tarde, não quero que volte sozinha.
Sakura, com seu jeito tímido, hesitou. — Não quero incomodar…
— Incomodar? Você nunca incomoda! — disse Hina, já puxando-a para dentro do apartamento. — Vai ser divertido, a gente faz uma noite de meninas. Né, Kai?
Kaito, que só queria um momento de paz, suspirou. — Tô indo tomar um banho e dormir. Divirtam-se — disse, mas seus olhos encontraram os de Sakura por um instante, e ele deu um sorriso suave. — Boa noite, Saki.
— B-boa noite — respondeu ela, o coração dando um salto.
Enquanto Hina arrastava Sakura para o quarto, falando animadamente sobre o dia, Sakura não podia evitar o pensamento que a perseguia: Hoje ele me olhou diferente… ou foi só impressão? E, no fundo, uma vozinha perguntava o que Hina e Kaito escondiam quando estavam sozinhos.