Capítulo 6: Confissões e Apoio entre Amigas
O sol mal tinha começado a raiar quando Kaito se levantou, a mente ainda girando em torno do beijo com Sakura na noite anterior. Ele se arrastou para a cozinha, o cabelo castanho bagunçado e os olhos pesados de quem não dormiu direito. Enquanto preparava o café, tentava organizar os pensamentos. Foi real. Eu beijei a Saki. O momento, tão inesperado e intenso, parecia um sonho, mas a lembrança dos lábios dela, do calor tímido do corpo dela contra o seu, era vívida demais. Ele balançou a cabeça, serviu uma xícara de café e bebeu rapidamente, ansioso para sair para o trabalho e evitar qualquer encontro constrangedor.
Sakura, por outro lado, já estava acordada no quarto de Hina, mas ficou quieta, ouvindo os sons de Kaito se movendo pela cozinha. Seu coração disparava só de pensar em encará-lo agora. Como eu olho pra ele depois disso? Ela esperou até ouvir a porta da frente fechar, sinal de que Kaito tinha saído, antes de se levantar. O alívio veio misturado com uma pontada de decepção — parte dela queria vê-lo, mesmo que fosse para gaguejar e passar vergonha.
Ela tomou um banho refrescante, deixando a água fria acalmar o calor que ainda sentia nas bochechas. Enquanto a água escorria, a memória do beijo voltou com força: o jeito que Kaito a olhou, a voz suave dizendo que ela era linda, o toque dos lábios dele. Um sorriso tímido, mas genuíno, tomou conta de seu rosto. Ele me acha linda. Por um momento, ela se permitiu sentir uma felicidade pura, algo que raramente se dava o luxo de sentir.
Ao sair do banho, já vestida com sua roupa de sempre — uma blusa leve e uma saia modesta —, Sakura encontrou Hina na cozinha. A amiga bocejava, os cabelos loiros presos em um coque bagunçado, enquanto mexia uma colher em uma tigela de cereal.
— Bom dia, Saki! Dormiu bem? — perguntou Hina, erguendo uma sobrancelha com aquele sorriso que parecia sempre saber mais do que dizia.
Sakura hesitou, ajustando os óculos que escorregavam pelo nariz. A timidez a fazia querer mudar de assunto, mas algo dentro dela — talvez a coragem residual da noite anterior — a empurrou a falar. — H-Hina… eu… preciso te contar uma coisa — falou, a voz quase sumindo.
Hina largou a colher, os olhos brilhando de curiosidade. — Ai, meu Deus, Saki, o que foi? Conta logo!
Sakura respirou fundo, o rosto já ficando vermelho. — Ontem… à noite… eu… eu beijei o Kaito — confessou, as palavras saindo tão rápido que ela mal respirou.
Hina deu um grito tão alto que Sakura quase derrubou os óculos. — SAKI! Finalmente, amiga! Tô orgulhosa de você! — Ela se levantou da cadeira, os olhos arregalados de empolgação. — Agora me conta tudo! Como foi? Foi daqueles beijos de cinema? E depois? Foram pro quarto dele?
Sakura ficou perdida com o interrogatório, o rosto agora vermelho como uma pimenta. Ela abaixou a cabeça, mexendo nervosamente nos dedos. — N-não teve depois… Eu… eu fugi pro quarto — admitiu, a voz carregada de vergonha.
Hina piscou, sem acreditar. — Fugiu? Saki, como assim fugiu? — Ela cruzou os braços, mas o sorriso não saiu de seu rosto. — Você beijou o Kai e fugiu?
Sakura deixou os ombros caírem, os óculos escorregando de novo. — Porque eu sou uma medrosa, Hina. Uma fraca, boba… Não sei o que fazer com essas coisas. Eu fiquei com tanto medo, e… e se ele só beijou porque eu tava lá, de camisola, parecendo idiota?
Hina bufou, aproximando-se e colocando as mãos nos ombros de Sakura, forçando-a a erguer o rosto. — Para com isso, Saki. Você não é medrosa, nem fraca, nem boba. Você é uma fofa, isso sim. E, olha, pra uma pessoa com a timidez que você tem, beijar o cara que você gosta? Isso é coragem pra caramba. — Ela sorriu, o tom firme, mas cheio de carinho. — Tô muito orgulhosa de você.
Sakura piscou, os olhos marejando um pouco. — Sério? — perguntou, a voz trêmula.
— Sério! — Hina puxou-a para um abraço apertado, quase esmagando-a. — Minha Saki tá virando uma conquistadora!
Sakura riu, ainda constrangida, mas o peso no peito pareceu aliviar. — Obrigada, Hina… — retribuindo o abraço.
Hina se afastou, o sorriso agora travesso. — Mas, sabe, amiga, você não vai fugir da próxima vez. Eu vou te ajudar a controlar essa timidez. Vamos transformar você numa Saki confiante, que faz o Kai cair de joelhos!
Sakura arregalou os olhos, já imaginando as loucuras que Hina poderia planejar. — H-Hina, não precisa exagerar…
— Exagerar? — Hina riu, jogando o cabelo para trás. — Confia em mim, Saki. Isso é só o começo.
Enquanto Hina voltava a atacar o cereal, Sakura ficou ali, o coração ainda acelerado, mas agora com uma nova determinação. Talvez a Hina tenha razão, pensou, ajustando os óculos. Talvez eu possa ser mais corajosa. Mas, no fundo, uma vozinha ainda se perguntava: E o Kaito? O que ele tá pensando agora?