Capítulo 9: Um Banho de Confusões e Preparativos
O sábado chegou com um céu claro e uma brisa suave que entrava pela janela entreaberta do pequeno apartamento de Sakura. A luz da manhã iluminava o quarto bagunçado, com livros de romance empilhados numa mesinha e uma planta meio murcha que Sakura jurava regar todos os dias. Ela acordou com o coração disparado, o nervosismo pelo primeiro encontro oficial com Kaito tomando conta de cada pensamento. Na noite anterior, sentindo-se apreensiva e incapaz de ficar sozinha, ela pediu a Hina para dormir lá — algo que agora parecia ao mesmo tempo reconfortante e perigoso.
Sakura ajustou os óculos e olhou para o lado, onde Hina ainda dormia na cama improvisada no chão, os cabelos loiros espalhados e um sorriso leve nos lábios, como se até dormindo ela estivesse tramando algo. Por que eu pedi pra ela vir? pensou Sakura, o rosto já começando a esquentar. Depois do que aconteceu na casa de Hina na semana passada — as provocações, os toques, o beijo com Kaito —, ela não se sentia à vontade para dormir lá de novo. Sua própria casa parecia mais segura, mas agora, com Hina ali, Sakura não tinha tanta certeza.
Hina acordou com um bocejo exagerado, espreguiçando-se como um gato. — Bom dia, Saki! — disse, a voz rouca de sono, mas já carregada de energia. Ela se sentou, os olhos azuis brilhando ao notar a expressão tensa de Sakura. — Ai, meu Deus, você tá tremendo! É só um encontro com o Kai, relaxa!
Elas foram para a cozinha, onde Sakura preparou o café, as mãos tremendo levemente enquanto colocava as xícaras na mesa. — Vai ser só um cineminha, né? — disse, mais para si mesma. — Nada demais… só eu e o Kaito…
Hina, tomando um gole de café, sorriu. — Só você e o Kai, num escurinho, com ele todo derretido por você. Saki, é sua chance de brilhar! — Ela se inclinou para a frente, o tom conspiratório. — Usa aquele truque que te ensinei: olhar nos olhos, sorrisinho tímido, e, se rolar, encosta a mão no braço dele. Vai deixar o Kai louco.
Sakura corou, ajustando os óculos. — Hina, eu não sei fazer essas coisas! E se eu tropeçar, ou falar algo idiota?
— Você não vai, Saki. Confia em mim — disse Hina, piscando. — E, se bobear, ele que vai gaguejar. O Kai tá caidinho por você.
A conversa seguiu cheia de dicas e risadas, com Hina tentando acalmar os nervos de Sakura enquanto descrevia o que Kaito poderia gostar no encontro. Mas, mesmo com o apoio, Sakura sentia o estômago revirar só de pensar na noite que estava por vir.
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À tarde, Sakura decidiu tomar um banho para se preparar. Encheu a banheira com água morna, o vapor subindo enquanto ela verificava a temperatura, ainda de toalha. Estava tão focada em seus pensamentos — O que eu falo? E se ele não gostar da roupa que escolhi? — que nem ouviu Hina se aproximar.
— Saki! — exclamou Hina, quebrando o silêncio.
Sakura deu um pulo, soltando um gritinho e quase derrubando a toalha. — Meu Deus, Hina, quer me matar do coração?
Hina riu, os olhos brilhando com um sorriso travesso. — Calma, amiga, você tá parecendo um bichinho assustado. Relaxa, menina. — Ela se aproximou, um brilho surgindo em seus olhos. — Já sei! Vou te fazer uma massagem pra tirar essa tensão.
Antes que Sakura pudesse protestar, Hina começou a tirar a roupa com uma naturalidade desconcertante, entrando na banheira. — Vem, Saki, vou te ajudar a relaxar — disse, a voz cheia de confiança.
Sakura hesitou, o coração disparado. Isso é uma má ideia, pensou, mas o tom firme de Hina e seu próprio nervosismo a fizeram ceder. Tirou a toalha timidamente, o corpo encolhido para se cobrir ao máximo, e entrou na banheira, sentindo a água morna envolver sua pele.
Hina começou a massagear os ombros de Sakura, os dedos firmes, mas gentis. Por um momento, Sakura sentiu o corpo relaxar, a tensão do dia começando a se dissipar. Mas então Hina se aproximou, a voz suave enquanto falava sobre o encontro. — Você precisa se soltar, Saki. O Kai gosta de você, mas você tem que mostrar que tá na dele.
Os dedos de Hina desceram lentamente pelos braços de Sakura, depois subiram até o pescoço, traçando círculos suaves. Sakura fechou os olhos, o corpo tremendo levemente com os toques. — H-Hina… — murmurou, a voz fraca, mas Hina apenas sorriu, inclinando-se mais perto.
— Shh, relaxa, Saki. Deixa eu te ajudar — sussurrou, os dedos agora deslizando pelo peito de Sakura, roçando de leve os seios dela, enquanto a outra mão descia pela barriga, alcançando um ponto mais sensível. Sakura prendeu a respiração, o coração disparado, a respiração voltando agora acelerada. Antes que pudesse processar o que estava acontecendo, o toque habilidoso de Hina a levou ao clímax, um gemido suave escapando de seus lábios.
Sakura abriu os olhos de repente, o rosto vermelho como uma pimenta, os óculos embaçados pela umidade. — H-HINA! — exclamou, empurrando a amiga para longe, o corpo ainda tremendo. Hina riu, jogando a cabeça para trás.
— Viu? Agora você tá bem mais relaxada! — disse, mas Sakura não conseguia responder, a mente em um turbilhão. O que acabou de acontecer? Por que… por que eu deixei isso acontecer? pensou, sentindo uma mistura de vergonha, culpa e algo que ela não sabia nomear.
Hina, alheia à confusão que causara, saiu da banheira, enrolando-se em uma toalha. — Vai, Saki, se arruma. O Kai não vai saber o que o atingiu.
Sakura ficou na banheira por mais alguns minutos, o coração ainda disparado. Ela se levantou devagar, enxugando-se com a toalha e ajustando os óculos, o reflexo no espelho mostrando um rosto vermelho e olhos confusos. Isso não significa nada… Hina sempre faz essas coisas… tentou se convencer, mas a memória dos toques dela, o sussurro provocador, não saía da sua cabeça.
De volta ao quarto, Sakura abriu o armário, hesitando entre uma blusa azul e uma rosa, enquanto tentava focar no encontro com Kaito. É o Kaito… é sobre ele, repetiu para si mesma, mas a culpa e a confusão continuavam lá, como uma sombra que ela não conseguia afastar. Hina entrou no quarto com uma xícara de café, ainda de toalha, e deu um sorriso malicioso. — Tá pensando no Kai ou em mim, Saki? — brincou.
— HINA! Para com isso! — exclamou Sakura, virando-se para esconder o rubor, quase derrubando a blusa. Ela ajustou os óculos, o rosto vermelho como um pimentão, e então, quase como um desabafo, deixou escapar: — Hina… aquilo no banho… eu não sou lésbica, tá? — Sua voz tremia, mais de nervosismo do que de convicção, e ela baixou o olhar, segurando a blusa com força. — Eu gosto do Kaito, então…
Hina ergueu uma sobrancelha, o sorriso malicioso suavizando-se em algo mais gentil. Ela colocou a xícara de café na mesinha e se aproximou, o tom um pouco mais sério, mas ainda leve. — Eu sei, Saki, relaxa. Eu também não sou — disse, com um leve sorriso, a voz cheia de ternura. — Não é sobre isso. Foi só um momento pra você se soltar um pouco, tá?
Sakura ficou surpresa com a resposta de Hina. Ela esperava outra provocação, talvez uma risada, mas o tom de Hina era reconfortante, quase acolhedor. Hina decidiu não provocar mais, sentando-se na cama para assistir Sakura se arrumar.
— Tá, tá, vou te ajudar a escolher a roupa. O Kai não vai resistir — disse Hina, pegando a blusa azul e segurando-a contra Sakura. — Essa aqui. Combina com seus olhos. E usa aquele jeans que marca a cintura. Confia em mim.
Sakura assentiu, ainda nervosa, mas grata pela ajuda. Enquanto se vestia, tentava se convencer de que o encontro com Kaito seria simples, perfeito, e que os eventos na banheira eram só mais uma das loucuras de Hina. Mas, no fundo, uma vozinha teimosa perguntava: E se não for só isso?