Capítulo 11: Ressaca de Paixões e Olhares Cruzados
A madrugada trouxe Hina de volta ao apartamento, cambaleando como se o chão estivesse inclinado. O eco dos saltos dela contra o piso era irregular, e ela desabou no sofá da sala com um suspiro exausto, sem forças para chegar ao quarto. A blusa de botões que usava estava quase totalmente desabotoada, revelando a curva dos seios e a renda preta do sutiã. A saia, torta e amassada, subia pelas coxas, sugerindo uma noite que tinha sido tão selvagem quanto ela. Seus cabelos loiros, antes impecáveis, agora caíam em ondas desordenadas sobre o rosto, e um leve sorriso de satisfação ainda pairava em seus lábios, mesmo enquanto ela apagava no sono.
Ao amanhecer, a luz suave do sol infiltrava-se pelas cortinas, aquecendo o quarto de Kaito. Sakura acordou nos braços dele, o corpo ainda envolto pelo calor da noite anterior. Por um momento, tudo parecia um sonho — estar ali, aninhada contra o peito dele, sentindo a respiração lenta e o batimento tranquilo do homem que amava. Seus olhos castanhos, livres dos óculos que descansavam na mesinha, traçaram cada detalhe do rosto de Kaito enquanto ele dormia: a linha da mandíbula, o cabelo castanho bagunçado, os lábios que haviam explorado os dela com tanta ternura e desejo. É real, pensou, o coração inchando de uma felicidade que parecia grande demais para conter.
Com cuidado para não acordá-lo, ela deslizou para fora da cama, pegando uma camisa dele que estava jogada na cadeira. A peça, larga demais para seu corpo pequeno e delicado, caía até suas coxas, cobrindo o suficiente, mas ainda deixando entrever as curvas que Kaito havia memorizado na noite anterior. Ela saiu do quarto na ponta dos pés, fechando a porta com um clique suave.
Enquanto passava pela sala em direção à cozinha, Sakura parou abruptamente, o coração dando um salto. Hina estava esparramada no sofá, no mesmo estado caótico da madrugada. A blusa aberta revelava mais do que escondia, e a saia desajeitada parecia um testemunho de uma noite que Sakura não sabia se queria detalhes. Hina… pensou, apreensiva, nunca tendo visto a amiga tão descomposta. Balançando a cabeça, ela seguiu para a cozinha, enchendo a chaleira com água para o café, o som do fogo baixo misturando-se ao zumbido distante da cidade acordando.
Momentos depois, braços quentes envolveram sua cintura por trás, e Sakura sorriu antes mesmo de se virar. Kaito a puxou para um beijo lento, os lábios dele carregados de uma ternura que ainda a fazia tremer. Quando se afastaram, ela ajustou os óculos, o rosto corado, e disse: — Kaito… a Hina… ela tá na sala. Nunca vi ela assim. Tô preocupada.
Kaito deu um meio sorriso, a voz calma enquanto pegava uma xícara. — Ela tá bem, Saki. A Hina exagera às vezes, mas já tô acostumado. Deve ter sido uma daquelas noites dela.
Sakura assentiu, ainda incerta, mas o calor do abraço de Kaito a tranquilizou. Eles prepararam o café juntos, o aroma enchendo a cozinha, quando passos leves anunciaram a chegada de Hina. Ela surgiu na porta, recém-saída do banho, usando apenas uma calcinha preta e uma toalha jogada sobre os ombros, caindo estrategicamente sobre os seios, mas deixando pouco à imaginação. Seus cabelos úmidos pingavam, e ela caminhava com uma confiança que parecia desafiar a ressaca.
— Bom dia, seus fofos — disse Hina, a voz rouca, mas carregada de satisfação ao ver Sakura e Kaito. Seus olhos percorreram a camisa larga de Sakura e o jeito que os dois se olhavam, e um sorriso de missão cumprida curvou seus lábios. — Tô vendo que a noite rendeu, hein? — Ela se aproximou do balcão, pegando uma xícara de café com um movimento lento, quase teatral, o corpo inclinado de forma a destacar suas curvas.
Sakura, corada, fixou o olhar na própria xícara, as bochechas queimando. Kaito, com um braço ainda ao redor de Sakura, respondeu com um tom seco: — A sua noite também parece ter sido boa, Hina.
Hina riu, reclinando-se na cadeira com uma sensualidade natural, a toalha escorregando ligeiramente e revelando mais do que o necessário. — Digamos que deixei alguém muito feliz ontem — disse, o olhar provocador encontrando o de Kaito, o sorriso malicioso prometendo histórias que ela não contaria.
Kaito, quase sem perceber, deixou os olhos vagarem por um instante, atraídos pelo movimento da toalha. Sakura, abraçada ao braço dele, sentiu a tensão crescer e apertou-o com mais força, o gesto sutil, mas firme. Kaito desviou o olhar rapidamente, pigarreando. — Hina, vai se vestir — disse, a voz mais ríspida do que pretendia.
Hina deu uma risadinha, levantando-se com a xícara na mão, a toalha balançando perigosamente. — Tá bom, tá bom. Vou deixar vocês, pombinhos, à vontade — disse, caminhando para o quarto com um rebolado que parecia proposital, deixando um rastro de perfume e provocação no ar.
Sakura relaxou o aperto no braço de Kaito, mas o rubor ainda tingia seu rosto. Ela tomou um gole de café, tentando ignorar o desconforto que o olhar de Kaito para Hina havia causado. É só a Hina sendo Hina, pensou, mas a semente de dúvida que germinava em sua mente parecia crescer um pouco mais.
Kaito, percebendo a tensão dela, puxou-a para mais perto, beijando sua testa com suavidade. — Ei, tá tudo bem? — perguntou, a voz baixa, cheia de cuidado.
Sakura sorriu, forçando a insegurança para longe. — Tá, sim — falou baixinho, encostando a cabeça no peito dele. Mas, enquanto o café esfriava na xícara, ela não podia evitar a pergunta que ecoava em silêncio: O que Hina ainda significa pra ele?