Capítulo 12: A Chegada de Mio e Novas Inseguranças
A tarde no apartamento transcorria com uma calma quase palpável, o som abafado de um filme romântico vindo da TV. Kaito e Sakura estavam aninhados no sofá, os braços dele envolvendo-a enquanto ela repousava a cabeça em seu peito, os óculos tortos de tanto se aconchegar. O calor do corpo dele e o ritmo suave de sua respiração eram um lembrete constante da noite anterior, ainda fresca na memória de Sakura. Mas a tranquilidade foi interrompida quando a campainha tocou, ecoando pelo ambiente.
Hina, que estava na cozinha mexendo no celular, deu um gritinho empolgado e correu para a porta. — Ela chegou! — exclamou, os cabelos loiros balançando enquanto disparava pela sala.
Kaito ergueu a cabeça, confuso, apertando Sakura um pouco mais antes de perguntar: — Quem chegou, Hina?
Hina, já na porta, não ouviu ou simplesmente ignorou, girando a maçaneta com entusiasmo. Lá estava Mio, sua irmã mais nova de 18 anos, recém-chegada do interior onde morava com os pais. À primeira vista, a semelhança com Hina era inegável: os olhos azuis cristalinos, o cabelo loiro comprido, mas num tom ligeiramente mais claro, quase platinado, caindo em ondas suaves. Mio era um pouco mais baixa, mas sua beleza tinha uma sensualidade natural, que parecia atrair olhares sem esforço. Diferente de Hina, ela exalava uma calma amável, com um sorriso gentil que suavizava qualquer ambiente.
— Você demorou, maninha! — disse Hina, puxando Mio para um abraço apertado.
Mio riu, a voz doce, mas com um toque de cansaço. — Teve um problema no ônibus, precisei pegar outro. Mas cheguei!
Kaito, curioso, levantou-se do sofá, deixando Sakura momentaneamente sozinha. Ele se aproximou da porta, os olhos arregalando-se ao reconhecer a figura. — Mio? Nossa, quanto tempo! — exclamou, um sorriso genuíno surgindo. — Da última vez que te vi, você era… sei lá, uma criança!
— Primo! — respondeu Mio, a voz carregada de empolgação. Ela se jogou nos braços dele, envolvendo-o em um abraço apertado. O perfume suave dela, um misto de lavanda e algo cítrico, envolveu Kaito. O abraço, embora caloroso, pareceu se prolongar um segundo a mais do que o necessário, e Sakura, ainda no sofá, sentiu um aperto no peito.
Observando de longe, Sakura ajustou os óculos, os dedos nervosos mexendo na armação. Por que tá durando tanto? pensou, o desconforto crescendo enquanto via Mio tão à vontade com Kaito. A beleza de Mio, tão parecida com a de Hina, mas com uma aura mais suave, a fez sentir uma pontada de insegurança que tentou ignorar.
Hina, nunca perdendo a chance de provocar, chegou ao lado de Mio e passou um braço pelos ombros dela. — Mio tá um mulherão, né, primo? — disse, o tom carregado de malícia. — Também, teve a quem puxar. — Ela terminou com uma pose teatral, jogando o cabelo loiro para trás e piscando para Kaito.
Mio corou levemente, dando um tapinha no braço da irmã. — Hina, para! Vai deixar o primo sem graça — disse, rindo, mas com um tom que mostrava sua natureza mais reservada.
Hina deu uma gargalhada. — Essa é a intenção, maninha!
Sakura, sentindo-se um pouco deslocada, levantou-se e se aproximou, hesitante. Ela lembrava vagamente de Mio de anos atrás, uma menina quieta que aparecia em algumas reuniões familiares. — Oi, Mio — cumprimentou, a voz tímida.
Mio sorriu, os olhos brilhando com uma simpatia genuína. — Você é a Saki, né? — perguntou, apertando a mão dela com delicadeza. — A Hina sempre fala de você! É tão bom te conhecer direito!
Sakura pega de surpresa, o rubor subindo às bochechas. — A-ah, é? — gaguejou, mexendo nos óculos enquanto tentava processar. Hina fala de mim? O que ela diz? A ideia trouxe de volta pensamentos que Sakura vinha tentando enterrar — as provocações de Hina, os toques na banheira, o arrepio que ela não conseguia explicar. Ela baixou o olhar, o coração acelerando.
Hina, alheia à turbulência interna de Sakura, interrompeu as apresentações. — Kai, leva as malas da Mio pro meu quarto, vai! — pediu, apontando para uma mochila e uma mala pequena ao lado da porta.
Kaito ergueu uma sobrancelha. — Quantos dias ela vai ficar? — perguntou, já pegando a mochila.
— Ela veio passar as férias! Vamos matar a saudade — respondeu Hina, o tom animado.
Kaito bufou, carregando as malas. — Você podia ter avisado, pelo menos — resmungou, mas com um sorriso de canto de boca enquanto seguia para o quarto.
As três foram para a sala, Hina puxando Mio para o sofá e bombardeando-a com perguntas. — Como tá em casa? E os pais? Conta tudo, maninha! — disse, a energia quase saltando dela. Mio respondia com calma, rindo das interrupções exageradas da irmã, a química entre elas evidente.
Sakura, sentada em uma pouco mais distante, observava em silêncio, a timidez a mantendo um pouco à margem. Seus olhos vagavam para Mio, notando a beleza serena dela, a forma como ela falava com uma suavidade que contrastava com Hina. Mas o que mais a incomodava era o abraço com Kaito — a naturalidade, a proximidade. Ela é só a irmã da Hina… não tem nada demais, tentou se convencer, mas a insegurança persistia. E, pior, a frase de Mio ecoava: A Hina sempre fala de você. O que Hina dizia? E por que isso a fazia sentir um frio na espinha?
Quando Kaito voltou, sentando-se ao lado de Sakura e passando um braço ao redor dela, ela relaxou um pouco, mas seus pensamentos continuavam girando. É só um mês de férias, pensou, ajustando os óculos. Vai ficar tudo bem. Mas, com Hina e agora Mio no mesmo apartamento, Sakura não podia evitar a sensação de que sua paz estava em risco.