Capítulo 13: Confissões e Sentimentos Emaranhados
A noite caiu sobre o apartamento com uma brisa morna que agitava as cortinas. Hina, já no quarto, terminava de se arrumar para o aniversário de um amigo, o espelho refletindo seu vestido preto justo, que abraçava cada curva com uma precisão quase provocadora. O batom vermelho brilhava sob a luz, e ela ajustava os cabelos loiros com um sorriso que prometia dominar a festa. Sakura, que fora para casa se arrumar, voltou usando um vestido azul-escuro, elegante, mas discreto, que destacava sua delicadeza sem gritar por atenção. Ela mexia nos óculos, nervosa, enquanto esperava Hina na sala.
Hina apareceu, jogando uma bolsa pequena sobre o ombro. — Mio, certeza que não quer ir? — perguntou, olhando para a irmã, que estava sentada no sofá com um livro, as pernas dobradas sob o corpo.
Mio sorriu, a voz suave. — Certeza, Hina. Tô morta da viagem. Quero só descansar.
— Tá bem, então — disse Hina, mas antes de sair, não resistiu a uma última provocação. Ela se inclinou na direção de Kaito, que estava na sala mexendo no celular, e lançou um olhar malicioso. — Kai, cuida bem da maninha, hein? E se controla pra não agarrar ela, senão a Saki vai ficar com ciúme.
Sakura, já na porta, sentiu o rosto queimar. — Para com isso, Hina! — exclamou, puxando a amiga pelo tecido da blusa, tentando arrastá-la para fora.
Kaito, ainda na sala, gritou com um tom exasperado: — Vai logo, sua doida!
Mio riu, balançando a cabeça enquanto olhava para Kaito. — A Hina não muda, né?
Kaito coçou a cabeça, bufando. — É, infelizmente — murmurou, mas havia um leve sorriso em seus lábios.
Caminhando até o carro de Sakura, Hina notou a expressão tensa da amiga, os dedos apertando o volante antes mesmo de ligar o motor. — Saki, você tá muito grudada no Kai, sabia? — disse Hina, o tom leve, mas com um toque de seriedade. — Não pode ficar o tempo todo colada nele, senão ele vai enjoar.
Sakura sentiu um aperto no peito, os óculos escorregando pelo nariz. Seria mais simples se fosse só isso, pensou, enquanto dirigia em silêncio, as palavras de Hina ecoando com mais peso do que ela gostaria. Não era só Kaito que ocupava sua mente — havia algo mais, algo confuso e inquietante que ela não queria nomear.
***
A festa estava em pleno vapor, luzes coloridas piscando ao ritmo da música alta, copos tilintando e risadas ecoando pelo salão. Hina, como sempre, tornou-se o centro das atenções em minutos. Seu andar sedutor, o jeito como jogava o cabelo ou roçava o braço de alguém enquanto ria, atraía olhares de todos os cantos. Sakura, parada perto de uma mesa com um copo de suco na mão, observava tudo com uma atenção que nunca tivera antes. Cada gesto de Hina — o sorriso provocador, a forma como inclinava o corpo ao falar, o toque sutil nos ombros de quem conversava com ela — parecia amplificado, como se Sakura estivesse vendo-a pela primeira vez. E, para sua surpresa, uma pontada de ciúme apertou seu peito, um sentimento que ela se recusava a admitir.
Alguns homens se aproximaram de Sakura, tentando puxar conversa com elogios e sorrisos, mas ela os cortava rapidamente, dizendo que estava acompanhada. O peso no coração só crescia, e ela não sabia se era a festa, a multidão ou a visão de Hina brilhando que a sufocava. Finalmente, incapaz de aguentar mais, ela atravessou o salão até Hina, que ria com um grupo de amigos.
— Hina… não tô me sentindo bem — disse Sakura, a voz baixa, os olhos fixos no chão. — Quero ir embora.
Hina parou imediatamente, o sorriso sumindo enquanto colocava a mão no ombro dela, preocupada. — Saki, tá tudo bem? Você consegue dirigir? Quer que eu vá com você?
Sakura assentiu, a voz quase um sussurro. — Por favor… vem comigo.
Hina não hesitou, despedindo-se rapidamente do grupo e seguindo Sakura até o carro. No caminho, o silêncio era pesado, quebrado apenas pelo som do motor. Hina, tentando aliviar a tensão, deu de ombros. — A festa tava meio chata mesmo, né?
Sakura segurou o volante com mais força, o coração acelerado. Reunindo toda a coragem que tinha, ela respirou fundo e deixou as palavras escaparem, tremendo. — Hina… acho que… acho que tô gostando de você.
Hina virou a cabeça, surpresa, mas com um sorriso brincalhão. — Eu também gosto de você, Saki! Você é minha melhor amiga.
Sakura balançou a cabeça, os óculos escorregando enquanto gaguejava. — N-não é isso… eu… não sei se te amo. — As palavras saíram emboladas, carregadas de confusão, e ela sentiu o rosto queimar.
Hina ficou em silêncio por um momento, a expressão suavizando para algo mais sério, os olhos azuis estudando Sakura com atenção. — Saki… você tá confusa — disse, a voz firme, mas não cruel. — É por causa daquele momento na banheira, né?
Sakura corou violentamente, as palavras tropeçando. — S-sim… n-não… também foi… eu não sei por que tô sentindo isso! — Ela baixou o olhar, as mãos trêmulas no volante.
Hina suspirou, mas o sorriso voltou, agora com um toque de provocação. — É só uma confusão momentânea, Saki. Eu tenho esse poder com as pessoas, sabia? — disse, dando uma piscadinha, o tom leve para quebrar a tensão.
Sakura engoliu em seco, forçando um sorriso fraco. — Deve ser isso, então — murmurou, tentando enterrar o sentimento enquanto pensava em Kaito, na noite que passaram juntos, no jeito que ele a fazia se sentir segura. É o Kaito que eu amo, repetiu para si mesma, mas a voz de Hina, o calor do olhar dela, ainda ecoava, dificultando o esforço.
Quando chegaram ao apartamento de Sakura, Hina desceu do carro, mas antes de se despedir, colocou a mão no ombro dela. — Saki, relaxa. Você e o Kai são perfeitos juntos. Isso aqui — ela apontou entre elas, com um sorriso gentil — é só amizade. Tá tudo bem.
Sakura, os óculos embaçados, disse: “Eu… te levo em casa, Hina.” Sua voz tremia, mas ela queria manter a normalidade.
Hina riu, balançando a cabeça. “Não precisa, Saki. Tô chamando um carro. Vai descansar, você tá uma bagunça.” Ela piscou, tirando o celular do bolso.
Sakura entrou em casa, o silêncio a envolvendo. Ela tirou os óculos, jogando-se na cama, e tentou se convencer de que Hina estava certa. É só confusão, pensou. Mas, no fundo, uma pequena parte dela sabia que algumas emoções não eram tão fáceis de apagar.
Sakura fechou os olhos, buscando o sono que parecia teimar em não vir. Mas, mesmo na escuridão sob suas pálpebras, o sorriso de Hina ainda brilhava, leve e provocador, tão nítido quanto a lembrança do toque quente da mão dela em seu ombro.
Ela virou de lado na cama, abraçando o travesseiro com força, como se pudesse expulsar o que sentia. Mas o coração, inquieto, continuava sussurrando o nome de Hina em um ritmo que nem ela mesma conseguia calar.
Não era só confusão.
E, no fundo, ela sabia disso.