A tempestade de neve que havia se formado durante o combate começou a ceder, transformando-se em uma névoa fria que flutuava sobre os corpos estendidos na clareira. Kataki se levantou devagar, apoiando as mãos nos joelhos trêmulos. Cada músculo do seu corpo de 16 anos ardia pelo esforço físico e pelo uso excessivo do gelo impossível.Ele caminhou até o brutamontes de pedra, cujo corpo agora jazia inerte no chão. Controlando a náusea, Kataki se abaixou e começou a revistar os bolsos da jaqueta surrada do vilão. Suas mãos trêmulas encontraram um rádio transmissor de alta frequência e um pequeno pedaço de papel amassado. Ao desdobrá-lo, Kataki viu um endereço escrito à mão, localizado no centro da zona industrial da cidade, acompanhado por um horário: 22:00h – Entrega do relatório."É o esconderijo deles...", sussurrou Kataki, guardando o papel no bolso. Ele finalmente tinha uma pista real.Ele correu de volta até os destroços da cabana, caindo de joelhos ao lado do mestre Jiyl. O peito do tio de Hyou estava imóvel, e o sangue havia parado de escorrer. Kataki segurou a mão fria do mestre, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto misturadas à poeira. Ele queria ficar ali, queria dar um enterro digno para a última pessoa que havia estendido a mão para ele. Mas o relógio corria, e se ele não saísse daquela floresta agora, o bando enviaria mais assassinos.Com o coração despedaçado, Kataki se levantou e começou a caminhar em direção à saída da floresta, deixando o corpo do mestre para trás entre as madeiras estilhaçadas. Ele mal conseguia dar um passo sem sentir o peso da solidão esmagar seu peito.Foi nesse momento de dor absoluta que o silêncio da mata foi quebrado. Não por um som externo, mas por um eco que ressoou direto de dentro de sua própria mente.Taki... continue andando...Kataki travou os passos no meio da trilha escurecida, os olhos arregalados de choque. A voz era idêntica à de seu melhor amigo. Era um sussurro fraco, quase como um sopro de vento congelante, mas veio de dentro de seu próprio peito. A alma de Hyou estava tentando confortá-lo.O choque se transformou em uma determinação doentia. Kataki cerrou os dentes com tanta força que sua mandíbula estalou. O luto foi completamente engolido por um rancor que queimava mais quente que qualquer fogo. Ele olhou para trás uma última vez, encarando a escuridão da floresta e o rastro de sangue que os capangas haviam deixado.Dando as costas para o seu passado, Kataki disparou a correr em direção à estrada que levava à cidade. No meio do caminho, sob o céu escuro e sem estrelas, ele liberou toda a sua fúria em um grito ensurdecedor que espantou as aves das árvores:"EU JURO MATAR TODOS ELES!"