Escondido no topo de um prédio abandonado na periferia da zona industrial, Kataki observava a silhueta das fábricas contra o céu escuro. Ele tinha poucas horas antes do horário marcado no bilhete. Ele ligou o rádio transmissor que havia pego do controlador de pedras e, com paciência, começou a girar o botão de frequência até que o chiado estático deu lugar a vozes sussurradas e ordens codificadas.Passando as horas seguintes colado ao aparelho, Kataki usou sua mente focada para montar o quebra-cabeça da organização que destruiu sua vida. Através das conversas interceptadas, ele finalmente descobriu o nome do bando: eles se autointitulavam o Culto ancestral de samsara. O bando que cinco anos atrás não passava de um pequeno grupo de criminosos comuns de rua havia se tornado um império do submundo, contando com mais de duzentos membros espalhados pela cidade, a maioria deles capangas com pequenos poderes físicos ou elementares. No entanto, o que fez o estômago de Kataki revirar foi ouvir os relatos sobre o círculo interno do líder da facção. Havia três executivos de elite chamados de "Os Pilares", cujas habilidades eram descritas com medo pelos próprios subordinados no rádio. Kataki anotou mentalmente cada detalhe sobre os mais fortes antes de desligar o aparelho. O topo da pirâmide estava longe, mas o primeiro degrau era aquela fábrica. O relógio marcou 21:45h. Kataki guardou o rádio, puxou o capuz da jaqueta sobre o rosto e desceu do prédio pelas sombras, movendo-se silenciosamente pelas vielas escuras da zona industrial. O cheiro de ferrugem e fumaça química impregnava o ar. Evitando as patrulhas de rua, ele finalmente dobrou a última esquina e avistou o endereço do papel: um imenso galpão abandonado de fundição, cercado por muros altos com arame farpado e duas torres de vigia apagadas. Kataki parou na escuridão, a poucos metros da entrada de metal do complexo, vendo o reflexo das luzes internas passarem por baixo do portão. Suas mãos esfriaram, prontas para manifestar o gelo impossível. Ele havia chegado ao covil dos monstros.