Eros seguiu em direção à cidade.
Conforme se aproximava da ponte de pedra, seu ritmo diminuiu instintivamente. Do outro lado, dois guardas estavam posicionados, imóveis, observando a estrada.
Seu peito apertou.
E se algo acontecer agora...?
Sem saber como agir, Eros respirou fundo e tomou uma decisão simples: seguir em frente.
Ele manteve o olhar fixo à frente, a postura firme, evitando qualquer contato visual. Passou diretamente pelos guardas, sentindo a tensão crescer a cada passo.
Nada aconteceu.
Somente quando já estava do outro lado da ponte, ele percebeu que estava segurando a respiração.
A estrada continuava.
Pouco depois, Eros finalmente chegou às muralhas.
De perto, elas eram ainda mais impressionantes.
Altas. Grossas. Imponentes.
Diante do enorme portão aberto, havia novamente dois guardas, um de cada lado. A presença deles era suficiente para fazer qualquer um hesitar.
Eros sentiu o mesmo receio de antes.
Mas não parou.
Seguiu adiante, mantendo a calma, passando entre eles sem dizer uma palavra.
Ao cruzar o portão, tudo mudou.
A euforia o atingiu de uma vez.
Eros entrou na cidade e começou a andar pelas ruas, olhando para todos os lados. Homens e mulheres caminhavam livremente, muitos usando armaduras, outros carregando arcos, espadas ou cajados. Cada detalhe parecia confirmar aquilo que ele já sabia.
— Isso é real... — murmurou.
Ele não conseguiu conter a animação.
Mas, conforme avançava mais para dentro da cidade, algo começou a mudar.
Os olhares.
As pessoas começaram a reparar nele.
Primeiro, curiosidade.
Depois, estranhamento.
Eros percebeu rapidamente o motivo.
Suas roupas não combinavam com aquele mundo.
Enquanto os outros vestiam couro, metal ou tecidos simples, ele se destacava demais. Alguns olhares se tornaram longos demais. Outros, desconfiados.
Foi então que a empolgação diminuiu.
Não posso continuar assim...
Eros respirou fundo, forçando-se a se acalmar.
Era um mundo novo.
E, se quisesse sobreviver nele, precisava se adaptar o quanto antes.
— Certo... — pensou.
Em situações assim, havia uma prioridade.
Informações.
— Se este for mesmo um mundo de aventureiros... — murmurou — deve existir algum lugar para eles.
Uma ideia clara se formou em sua mente.
— Preciso ir até lá.
Sem perder mais tempo, Eros ajustou a postura e seguiu adiante, agora com um objetivo definido.