O sol radiante, que indicava o inicio de um novo dia, brilhava na região Oeste. Seus raios dourados eram capazes de esquentar as estradas de areia daquelas terras intensamente, tingindo-as em tons cada vez mais alaranjados, como uma miragem que se tornava cada vez mais real, até ser incapaz de ser distinguida por olhos inexperientes, conforme a força e imponência do sol aumentava durante o inicio daquele dia, tornando tolos aqueles audaciosos que miravam seus olhares a ele ou, ao menos, sentiam a sua influência sobre suas peles e suas roupas. Os céus, se preenchiam por um tom azul claro, com um degradê se destacando com um amarelado próximo ao sol, indo de um horizonte a outro, capaz de atravessar o mundo inteiro em um simples movimento, abrangendo todo o céu. Desafiadora e bela, esta era a paisagem característica e única da região Oeste, difícil de esquecer e impossível de se acostumar.
Ainda assim, os ventos, por mais que levemente secos e escassos, refrescavam aqueles que se aventuravam e desbravavam perante o clima escaldante daquela região, voando em silêncio, sem uivos e sem se mostrar presente por som, e sim por acolhimento, ao tocar os rostos dos viajantes. Como se não bastasse, mesmo que tais ares decidissem se fortificar como nas noites de ventania, estes não seriam capazes de confrontar e, nem ao menos se comparar e superar o som do galopar de dois cavalos, que corriam pelas estradas de areia. Velozes e majestosos, os dois cavalos corriam em direção ao mesmo objetivo adiante.
O primeiro cavalo, capaz de se destacar mais que sua dupla, em cor branca como a neve, seus cabelos de fios longos de mesma cor, como uma rainha gélida, conduzido por uma mulher jovem, seus cabelos ruivos eram lançados aos ventos a cada galopada, revelando seu rosto e seus olhos verdes, que se prendia em um olhar atento ao trajeto em sua frente, quieta e transmitindo total foco, suas sobrancelhas ressaltavam seu foco e determinação, ao se quer desviar o seu olhar a sua frente. Suas roupas eram em um tecido vermelho com pedaços de uma armadura prateada em seus ombros, se estendendo por seus braços e em suas pernas, indicando ser alguém valente e que não hesita perante um conflito.
O segundo cavalo, logo atrás do cavalo branco, em cor caramelada, era conduzido por outra jovem mulher, com cabelos levemente mais curtos e dourados como o sol, suas roupas eram características da região, uma jaqueta e calça de couro em cor marrom levemente escuro e um chapéu em sua cabeça. Esta apreciava a vista, ao mesmo tempo que segurava seu chapéu com uma de suas mãos, quase que escondendo seus olhos castanhos, ela voltava o seu olhar a frente, como se por um momento, houvesse se descontraído em admiração a vista dos céus e das areias. Ela abria um breve sorriso, parecia estar ansiada por algo, até comentar buscando interagir com a sua dupla a sua frente.
— O que faremos no vilarejo? Alli. Já tem planos para fazer por lá logo, ou podemos beber um pouco ao chegarmos? A sede está me matando!
Sua voz, puxada e demonstrando o seu forte desejo em acompanhar a sua dupla, em um local social, era capaz de fazer Allianore se distrair por um breve momento, mantendo seu trajeto, contudo, um movimento de sua cabeça era feito levemente para o lado, indicando uma fala de sua parte e, assim, sua resposta era dada para sua companheira, quase que deixando uma risada escapar de sua boca, pelo comentário de Annastasia.
— Pretendo buscar algo útil para darmos inicio a nossa missão — Por um momento, ela voltava ao seu silêncio, parecia pensar ou cogitar algo, ela sedia a proposta de sua companheira — Mas, uma bebida não cairia mal agora, principalmente para você, não é mesmo? Anna.
Annastasia, que se mantinha a segurar o seu chapéu com uma de suas mãos, ergue o seu olhar suavemente para cima, ela havia conseguido o que queria, uma conquista muito valorizada por ela, deixando o sol tocar em todo seu rosto, e então brandava em meio a um comentário alegre.
— É assim que se fala!
A viagem é marcada por desejos e focos distintos, contudo, com um objetivo em comum, um sonho a ser realizado, antes que se torne um delírio. Um vilarejo se formava ao longe, crescendo e se expandindo a medida que a dupla se aproximava, diante de Alli e Anna a entrada as recepcionava com uma faixa larga, a qual recitava o nome do Vilarejo dos Honrados. A dupla atravessa a entrada, o ritmo dos cavalos diminui e, logo, ambas se dirigiam a uma taberna próxima, sua placa com o símbolo de duas espadas e um copo de bebida no centro, chamava a atenção de qualquer forasteiro, dando-lhes curiosidade e vontade em entrar no estabelecimento.
O som de conversas altas podia ser ouvido mesmo fora de tal estabelecimento, e aumentava ao adentrarem a taberna, como se atravessassem para um novo mundo, um mundo onde somente uma coisa importava: Contar histórias inspiradoras ao gosto de uma bebida refrescante. Prosseguindo para o balcão, á passos calmos, Annastasia não hesita em fazer o pedido para ambas, após se acomodarem nos bancos diante do balcão. várias mesas estavam cheias, havendo conversas diversas e, até mesmo, eufóricas comemorações, por um momento parecia que ninguém se recordava que esta era uma região esquecida, até isso se provar o contrário.
— Você viu? Parece que o antigo coliseu chamou as atenções novamente, aquele gladiador nunca perde.
Apenas duas figuras estavam naquela mesa, o comentário da primeira figura, que em seguida prova um gole de sua bebida, desencadeava um comentário da segunda figura que muitos nunca degustaram direito, e que nunca aceitariam engolir:
— E isso é para aquela nova rainha da região Sul perceber! Muitos podem esquecer de nós. Mas, nós não nos esqueceremos de nossa terra!
Allianore e Annastasia experimentavam suas bebidas, Anna comentava sobre como as bebidas do Oeste eram sempre boas, enquanto segurava a sua caneca já quase vazia com uma das mãos, conforme a conversa na mesa continuava, se aprofundando cada vez mais.
— Soube que recentemente ela recebeu um artefato da região Leste, dizem que a nova rainha tem direito a fazer um pedido na noite que será marcada pelo eclipse em duas semanas. Seja lá o que ela for pedir, não nos beneficiará...
Allianore terminava a sua bebida rapidamente, quase no mesmo momento que Anna e, logo, repousava a caneca sobre o balcão da taberna, se levantando em seguida e seguindo para a saída do estabelecimento, o ritmo de seus passos e seus olhos em volta de cores esmeralda, indicava que estava novamente em busca do objetivo.
— Hum? — Annastasia esboçava uma expressão sem entender o por quê da retirada de Alli após recém terminar a sua bebida, ela deixava a sua caneca sobre o balcão e acompanhava sua companheira para fora da taberna — O que foi? Alli.
Allianore ajeitava o seu cavalo com cuidado e precisão, para partir com Anna até um novo local na região Oeste, ao ouvi-la seus olhos não se desviam de sua atenção, contudo, sua fala é lançada para Anna, a alcançando, ela já sabia qual era o próximo passo a ser dado pelas duas.
— Eu já ouvi o bastante. Já sei para onde devemos ir, vamos em busca deste lutador, será uma peça importante em nosso grupo.
Ambas montavam em seus cavalos e os deslocavam em direção mais adentro do vilarejo. Annastasia, ajeitava o seu chapéu, deixando a sua borda da frente cobrir levemente seus olhos castanhos. Seu semblante buscava transmitir seriedade, por mais que não fosse capaz de se equiparar com a determinação de Allianore, ou com a própria personalidade descontraída de Annastasia. Ela, logo, perguntava para Allianore.
— Certo, e onde pretende encontra-lo? Alli.
Os cavalos avançam a frente, em ritmo constante e calmo. Allianore permanecia quieta por poucos segundos, parecia buscar uma certeza que já havia em sua mente. Seu silêncio se rompe, ao comentar para Anna.
— Um guerreiro nunca vai muito longe do campo de batalha. Está pronta para este desafio? Anna.
Anna, que antes se esforçava para ter foco e seriedade, não se contém com a empolgação que era transmitida por Allianore, um largo sorriso se forma em seu rosto, muito eufórico e nem um pouco hesitante.
— Mas, é claro que vamos nessa!