Ao fim das palavras de Kael, uma risada suave surgiu. Logo, ele notou um brilho surgindo entre as sobrancelhas de Yechen. Em seguida, algo se manifestou.
Parecia ser o holograma de uma mulher, mas, com seu conhecimento sobre romances, sabia que se tratava da alma de alguma Divina Imortal caída.
Apesar de já ter deduzido isso, ainda sugou o ar, admirado — não por sua suposição estar correta, mas pela figura diante dele.
Kael engoliu em seco e rapidamente esticou sua outra mão, pegando seu celular sobre a bancada, abrindo o aplicativo de gravação e, com sua mente, ampliando a imagem dela no interior da caixa.
“Tão linda... Eu nunca vi uma mulher de aparência tão sobrenatural. Se fosse uma imagem em uma rede social, desconfiaria de ser gerada por IA.”
Ele gravou um breve vídeo e tirou algumas fotos rápidas de Bai Suxian.
“Devo guardar essas provas para pesquisas mais profundas.”
Refletiu interiormente. Contudo, com a aparição dessa bela mulher, que provavelmente era uma antiga imortal e que, por coincidência do roteiro, ou melhor, “destino”, acabou se tornando mestra desse Reverendo Radiante.
Sim, Kael entendeu todo o possível cenário por trás e até era capaz de deduzir quais seriam os próximos capítulos se fosse um romance.
Diante disso, uma boa ideia surgiu para arruinar a relação entre mestre e discípulo.
“Hehe. Como conhecedor dos clichês, sei o que passa na mente desse cara Radiante.”
— Você conseguiu encontrar minha Alma Divina escondida por meu Dao do Destino. Isso é impressionante — a voz de Bai Suxian surgiu com tranquilidade.
Era como se, apesar de encurralada, não sofresse qualquer pressão real.
Kael a observou satisfeito. Ela não só era linda, mas também tinha a postura de uma digna cultivadora. Isso aqueceu seu coração de leitor.
Por um breve momento, Bai Suxian manteve silêncio. Então, seus olhos azuis fitaram as nuvens acima, como se pudesse vê-lo fora da caixa.
— Soberano dos Nove Céus... parece que ainda usa isso... Me esclareça: você não só sobreviveu à grande guerra de dez mil anos atrás, como passou a governar os nove mundos divinos...?
Suspirou levemente, antes de continuar.
— Será que você é realmente aquele júnior arrogante que conheci?
Bai Suxian não gostava de rodeios. Era uma pessoa direta e quis confirmar logo suas suspeitas.
Mas, diante de sua fala, Yechen balançou a cabeça em desamparo. Sua mestra sempre fazia isso, entregando informações de forma tão ingênua.
“Às vezes me pergunto como ela sobreviveu tanto tempo no reino divino com essa mentalidade...”
Enquanto o Reverendo parecia preocupado com seu futuro, Kael, por outro lado, estava refletindo sobre as informações que ouviu.
“Será que ela está atuando para tentar me enganar? ‘Soberano dos Nove Céus’ é apenas algo que pensei por precisar de um título fodão... mas tanta seriedade nesses belos olhos azuis... Certo, se você quer jogar, eu não recuso um jogo que pode ser jogado por dois.”
Um estrondo veio dos céus. Era a voz de Kael.
— Oh, que surpresa. Apesar de me lembrar de sua bela aparência, não me recordo de seu nome. Afinal, já se passaram dez mil anos. Ainda que seja pouco tempo, este Soberano andou muito ocupado, sabe...
Ouvindo essas palavras, Yechen zombou internamente.
“É óbvio que ele não conhece meu mestre e está atuando.”
Ainda assim, a resposta de Bai Suxian foi bem diferente do que o discípulo esperava.
Ela mordeu levemente os lábios, inconformada por ter sido esquecida, mas logo se apresentou.
— Bai Suxian, Divina Imortal da Pureza Radiante... Isso faz você se lembrar de algo?
Ela colocou as duas mãos na cintura, endireitou a postura de forma mais orgulhosa e, em seguida, encarou os céus com um olhar frio e distante. Tudo isso na intenção de facilitar para a outra parte recordar-se dela.
Fora da caixa, um sorriso brincalhão tomou o rosto de Kael.
“Essa garota parece querer roubar meu coração. Hehe. Não será tão fácil assim, pequena Bai. Será que você realmente está atuando para comprar tempo ou simplesmente é ingênua...?”
— Oh, sim! Agora, ouvindo esse nome, consigo me lembrar de algo... Parece que você não teve muita sorte na guerra, hein, irmãzinha Bai!
Kael deixou escapar uma gargalhada alta, mostrando seu grande talento de atuação.
Uma veia quase saltou da testa da antiga Divina Imortal Bai.
— No meu tempo, você baixava a cabeça e me chamava de sênior ou anciã divina... — ela murmurou, frustrada pelo tratamento.
Vendo a irritação no rosto dela, Kael sentiu-se satisfeito.
“Parece que aquelas aulas de teatro no quinto ano do fundamental não foram em vão... Sou muito talentoso em interpretar personagens.” Pensava em coçar a cabeça, admirado consigo mesmo.
Por outro lado, Feng Li assistia surpreso. Pela conversa entre aquela alma divina e seu mestre, entendeu que deveriam ser antigos conhecidos. Isso só serviu para firmar ainda mais sua certeza sobre o grande status que seu Soberano possuía.
— Mestre — a voz de Yechen interrompeu a conversa dos dois. — Não acredite nesse tal Soberano. Até agora, ele não disse nada demais e só está seguindo o fluxo das informações que vêm de você.
Um bufado alto ecoou, causando algumas rachaduras no espaço.
— E pensar que meu prestígio caiu tanto a ponto de um pequeno mortal chamar este Grande de mentiroso... Devo esmagá-lo de uma vez por todas?
Os lábios de Kael se arquearam ainda mais em um sorriso presunçoso.
— Você tem um péssimo olho para discípulos, irmãzinha Bai... O que vai dizer a respeito? Posso acabar o matando como um inseto.
A face de Bai Suxian escureceu. Ela nem mesmo virou seu olhar para Yechen.
— Discípulo infiel, está me tratando como uma tola? Nós, que chegamos ao topo, não necessitamos de joguinhos e mentiras como vocês mortais!
Sua voz era fria e áspera. Diante dessa repreensão, o Reverendo se calou, mas cerrou os punhos.
Sua mestra levava essa honra de seu tempo no mundo divino muito a sério. E, de alguma forma, esse falso Soberano dos Nove Céus sabia disso e estava usando tal conhecimento para enganá-la.
“Eu devo esperar o momento certo... Um dia você vai me ouvir obedientemente, mestra. Mas agora, fugir é o mais importante. Devo aproveitar qualquer oportunidade e intensificar a Técnica de Fuga de Sangue Divino, ainda que deva sacrificar parte da minha longevidade.”
Kael estava se divertindo.
Ele já tinha deduzido os fatos. No começo, pensou que aquela antiga imortal estava tentando enganá-lo, mas, pelo que parecia, ela realmente tinha certa ingenuidade. O orgulho dela facilitava as coisas, mas ainda assim, não estava cem por cento certo disso.
Kael sabia que o mundo da atuação era um campo de batalha muito traiçoeiro. Ele devia se manter atento.
“Ela parece fácil de entender... Mas será que parecer fácil é seu plano? Ou ela realmente acredita que sou o verdadeiro Soberano dos Nove Céus? Bem, não nego minha incrível performance, mas ainda assim... vamos apenas seguir o fluxo.”
— Minha querida Bai, pelos velhos tempos, este Soberano sente-se na obrigação de alertá-la a tomar cuidado com esse mortal...
Kael fez uma breve pausa para aumentar a tensão, mas, quando percebeu que o Reverendo iria falar, continuou seu discurso, interrompendo-o.
— Os pensamentos deste seu perverso discípulo são traiçoeiros, principalmente a seu respeito, Bai Suxian. Ele vem pensando coisas perigosas.
Um silêncio surgiu e logo foi quebrado pela voz em fúria de Yechen.
— Mestra... você não vê que ele está tentando manipulá-la para você se virar contra mim? Passei mais de mil anos como seu discípulo...
O olhar de sua mestra o fitou brevemente e estava frio, deixando-o preocupado.
— Mestra...! Você não vai realmente acreditar mais nele do que em mim, seu leal discípulo, certo?
Bai Suxian olhava de relance para Yechen. Quando o conheceu, ele era apenas um pequeno garoto de treze anos, um mortal sem talento algum, porém muito sortudo e favorecido pelos céus. Diante disso, ela o ajudou, facilitando seu caminho, e ele se tornou incomparável naquele pequeno mundo dos mortais.
Por outro lado, havia esse seu antigo conhecido. Não tinha como confiar mais nas palavras dessa pessoa de seu passado, se fosse uma situação comum, mas a diferença entre os dois lados era evidente.
Esse antigo companheiro era agora poderoso e, pelo que viu até agora, bem mais poderoso do que ela já fora em seu auge. Não havia motivos para ele desperdiçar tempo em diálogos, e ele nem precisava dar qualquer satisfação.
Bai Suxian não tinha certeza, mas deduziu que a outra parte havia alcançado o fim do cultivo, o Reino do Deus Eterno, e, com esse poder, não havia necessidade de joguinhos. Ele poderia conseguir tudo o que quisesse.
Se ele quisesse sua alma divina, nem seu discípulo, muito menos ela, poderiam fazer algo a respeito.
Era por essa pessoa de seu passado se dispor a conversar que ela não sentia motivos para desconfiar dele, mas isso não significava que simplesmente acreditaria cegamente.
— Yechen! — Sua voz reverberou, suave, porém cortante. — Se você tem certeza de que o que ele fala não é verdade, então cale-se e deixe-o terminar!
Vendo a ferocidade de Bai Suxian, Kael pensou rapidamente sobre como deveria escolher suas próximas palavras, ou ela poderia descobrir que ele estava atuando.
Mas não demorou muito para pensar em algumas coisas. Avaliou o perfil desse tal Yechen.
“Até seu nome é nome de protagonista... Apenas tem um péssimo gosto para títulos e roupas...”
Um certo romance lhe veio à mente. Chamava-se: De um Simples Homem ao Deus Supremo das Lindas Cultivadoras.
Este era um romance bem quente que ele leu no passado, apesar de ter um péssimo final.
Nesse romance em questão, o protagonista encontrava um anel e descobria a alma de uma antiga imortal. Ela se tornava sua mestra.
Mas o desenrolar era parecido com isso. Aquele protagonista era um homem de cultura.
Seu olhar se estreitou.
Kael sabia que, se suas palavras não se encaixassem, seria descoberto, mas não estava realmente preocupado.
O Reverendo era fraco, e sua mestra era apenas uma alma remanescente sem corpo. O problema real é que Kael gostou bastante dela para deixá-la cair nos braços de um protagonista clichê.
Fora isso, também era melhor cortar as pernas desse Yechen.
Após um minuto em silêncio, ele voltou a falar, mas, dessa vez, ninguém interrompeu.
— A irmã Bai quer reconstruir seu corpo divino, certo?
Ela concordou sem pensar muito. Era algo óbvio.
— E se eu te disser que seu discípulo planeja possuí-la?
Bai Suxian estreitou os cenhos, mas continuou ouvindo em silêncio. Kael, por outro lado, riu internamente.
— Veja, este Soberano já assistiu a situações semelhantes em vários mundos mortais. Divindades caídas treinam um mortal. Se o mestre é uma mulher, o discípulo cria um plano e convence a mestra a fazer cultivo duplo, fingindo uma situação de quase morte...
Vendo a expressão no rosto dela, seu sorriso se intensificou.
— Quando é um homem, o discípulo misteriosamente cai em uma situação perigosa contra sua vida, e o mestre, em sua bondade, sacrifica sua alma divina para fortalecer esse discípulo, que promete vingá-lo e muitas vezes nem se lembra mais dessa vingança.
— O que você quer dizer com isso? — questionou Bai Suxian, apertando levemente os punhos.
Kael assistiu vitorioso, vendo que suas palavras começavam a surtir um efeito positivo.
— Resumindo. Quando uma estrela cai do céu, outra deve ocupar o seu lugar, e geralmente o destino nunca escolhe a mesma estrela, mas usa a caída para levantar uma nova e mais brilhante.
Breve pausa dramática.
— Você entendeu, minha linda irmã Bai?
Por algum motivo, essas palavras pareceram atingir Bai Suxian profundamente. Ela, que compreendia o Dao do Destino, sentiu como se uma porta se abrisse diante dela após ouvi-lo.
— Então é isso... — murmurou ela. — O segredo dos escolhidos pelos céus...
Kael não pareceu ligar para seu murmúrio e apenas continuou jogando lenha onde já estava pegando fogo.
Nesse meio-tempo, o Reverendo tentou interromper novamente, apenas para ser repreendido por sua mestra. Ele parecia nervoso por algum motivo.
— Bem, irmãzinha Bai Suxian, ele planeja usá-la em cultivo duplo para ascender mais rápido à divindade e depois torná-la uma de suas inúmeras mulheres, enquanto invade os nove reinos divinos para se vingar de mim...
Kael lambeu os lábios levemente, sentindo que efetuou um xeque-mate.
— Deu para compreender o que seu discípulo pensa?
Sem dizer uma única palavra, a antiga Divina Imortal virou o rosto de relance e encarou seu discípulo.
— Isso que ele diz, Yechen... Por acaso passou por sua mente?
A voz dela tremeu um pouco, como se realmente tivesse medo de que o discípulo que ela cuidara com tanto carinho tivesse tais planos perversos.
Claramente, Yechen negou veementemente.
— Mestra... Como você pode desconfiar de mim? Você não vê que ele está tentando virá-la contra mim, seu primeiro e único discípulo?
Foi o que ele disse com firmeza no olhar, mas, por dentro, estava perplexo.
“Como ele sabe disso? Como sabe dos meus planos...? Claramente não pretendo fazer mal à mestra. É por um bem maior que eu devo ficar mais forte com a ajuda dela. O que há de errado nisso? Além disso, que homem, além de mim, é digno de você, mestra?”
Kael admirou a cena. Ele estava jogando lenha constantemente; agora estava na hora de finalizar, lançando gasolina naquele fogo.
“Esse seu olhar de protagonista astuto e safado não passa despercebido diante deste Soberano, pequeno Yechen, hehe.”
— Olhe bem para ele, irmã Bai. Está agora mesmo pensando coisas do tipo: “Como ele sabe disso? Quem, além de mim, é digno da mestra?” Ou até coisas mais egoístas, típicas dos mortais: “É para um bem maior que eu devo ficar mais forte com a ajuda dela”... Essas coisas.
Bai Suxian tremeu. Ela não queria acreditar nisso, mas por que fazia tanto sentido? Ela não fazia ideia.
Mas Kael ainda não terminou.
— Você sabe bem, né, minha irmã Bai, que tipo de ajuda ele espera receber de você... Certamente, entrar entre as suas pernas com seu minúsculo membro endurecido. ‘Divina Imortal da Pureza Radiante’ vai ter que retirar ‘Pureza’ deste título!
A respiração de Yechen ficou ofegante, e seu corpo tremeu de medo com tudo que ouvia. Não era medo da morte, nem mesmo de sua mestra descobrir seus planos... Era o medo de estar completamente exposto.
A outra parte podia realmente ler seus pensamentos, como o Dragão Imortal havia dito anteriormente. Esse fato o aterrorizou profundamente.
Um suave, porém pesado, suspiro ecoou. Era Bai Suxian.
Seus punhos estavam cerrados, e sua face demonstrava uma mistura de raiva e decepção extrema.
Era possível ver um brilho em seus olhos, como se segurasse as lágrimas, a essência de sua alma divina em sua extrema tristeza.
— Jure, Yechen, pelo Grande Dao... Jure que você nunca planejou tais abominações contra mim, sua mestra, que fui como uma mãe para você!
A voz dela carregava um pesar profundo. Ela queria acreditar que aquilo tudo não era verdade.
Yechen se sentiu encurralado. Seu corpo inteiro tremia. Ele suava frio, sem saber o que responder.
Seus pensamentos estavam expostos diante daquele ser, e se ele jurasse pelo Grande Dao, era certo que seria feito em cinzas por não contar a verdade.
Sem escolha, mordeu os lábios com força suficiente para feri-los, mesmo possuindo o físico de um Imortal Dourado.
— É para o seu bem, mestra... — um murmúrio escapou. — Para o nosso bem... Como eu poderia deixar você livre para ser levada por outro qualquer?
Breve silêncio, em seguida sua voz se elevou.
— Quem além de mim é digno de você? Me diga, mestra!
Bai Suxian pareceu levar um choque elétrico diante daquele grito tão egoísta e narcisista.
Uma fileira cristalina com um brilho dourado desceu pelos olhos de sua alma divina. Era uma pequena porção de sua essência divina que escorria como lágrimas.
O silêncio tomou o ambiente. Feng Li, desde sempre, assistiu a tudo em silêncio, completamente admirado com seu Soberano. Fez o possível para não interromper seu mestre e aquela divindade caída com quem ele falava.
Muitas vezes ele quis partir aquele seu inimigo chato em pedaços, aproveitando sua fraqueza, mas segurou a mão, por respeito a seu mestre, primeiramente, e, em segundo lugar, àquela alma divina.
Kael deixou o ar escapar lentamente pela boca. Até então, ele havia atuado com base no conhecimento que tinha dos romances. Não imaginou que um clichê tão conhecido na Terra pelos leitores de webnovels realmente estivesse ocorrendo naquele mundo em miniatura.
Tudo era apenas encenação, mas, por incrível que parecesse, ele acertou.
“Eu deveria estar feliz...”, pensou ele, “mas vê-la chorar meio que parte meu coração. Acho que é porque ela é bonita. Nós, homens, somos fracos diante de mulheres bonitas... Isso é perigoso.”
Logo, balançou a cabeça em compreensão, deixando sua melancolia de lado.
— Então, irmã Bai Suxian — disse ele —, você acredita neste Soberano agora?
Ela não respondeu diretamente. Respirando fundo, encarou seu discípulo friamente.
— A relação entre nós acabou! Eu, Bai Suxian, Divina Imortal da Pureza Radiante, juro pelo Grande Dao que, a partir de hoje, não tenho nenhuma relação amigável com Yechen, um cachorro que morde a mão de quem o alimenta!
Yechen arregalou os olhos, completamente pálido ao ouvir aquilo.
— Pensei que você fosse alguma coisa... — ela continuou —, mas é apenas um lixo querendo ter o que está além de seu alcance!
Duas grandes correntes translúcidas surgiram. Uma se enrolou em Yechen e outra na alma divina de Bai Suxian.
O Dao que regia tudo era testemunha, e a consequência por quebrar aquele juramento era a morte eterna de quem o quebrasse. Nem aqueles que haviam alcançado a divindade teriam coragem de enfrentar o Grande Dao.
Apesar de tudo isso ter acontecido, Kael não viu aquelas correntes gigantes. Ele apenas compreendeu que aquele juramento em nome do Grande Dao parecia ser muito importante.
“Deve ser algo que cause a morte de quem o quebre, certo?”
Pensou sobre isso e lembrou-se de que seu mascote fizera tal juramento há pouco tempo. Seu coração esquentou um pouco. Seu pequeno Feng Li era muito filial, deixando-o feliz por tê-lo adotado da rua.
Fitando seu mascote, sua voz surgiu:
— Pegue o anel de armazenamento dele, Feng Li.
Sem demora, seu dragão em forma humanoide surgiu na frente do Reverendo Radiante.
Ele, por outro lado, após ter usado a técnica mística, estava muito fraco e debilitado para resistir.
Mordendo os lábios, entregou o anel na mão de Feng Li, mas Kael disse para revistá-lo bem, e ele encontrou mais dois anéis.
Um em sua roupa íntima e outro em um certo orifício fedido. Este Kael deixou claro para seu dragão limpá-lo bem.
“Droga... Esse cara botou esse anel lá? Quanta garra ele tem, hein!?”
Sentindo-se humilhado, Yechen jurou se vingar tanto de Kael quanto de sua antiga mestra, chamando-a de traidora imunda, vadia e muitos outros nomes.
Chegou até a dizer que ela o traiu por querer abrir as pernas para o Soberano dos Nove Céus, por ganância.
Bai Suxian apenas assistiu a tudo em silêncio. Já parecia ter se acalmado, e seu olhar demonstrava decepção, tristeza e um certo nojo após finalmente ver seu discípulo por trás da máscara.
“Como fui tão tola por acreditar em você, Yechen... Que coração demoníaco você tem!”
Feng Li perguntou se poderia matar o Reverendo. As mãos dele já estavam coçando para fazer isso.
Mas Kael manteve silêncio por um tempo, refletindo.
“Os protagonistas sempre têm muita sorte por causa do roteiro nos romances... Digamos que ele morra e a alma dele caia em algum mundo dos mortos e depois ele volte poderoso? Ou do nada, próximo da morte, desperte alguma linhagem mística?”
“E também... se eu deixá-lo vivo, ele vai continuar tendo seus encontros de sorte e reunindo tesouros, certo? Eu não posso simplesmente achá-lo e pegar tudo dele depois?”
Seus olhos o encararam brevemente.
“Por que eu não o deixo como um caçador de tesouros em plantão para mim...? Assim, pegarei suas oportunidades e terei uma vida mais fácil.”
Então, após poucos segundos, sua voz cortou o silêncio.
— Por consideração a esta antiga conhecida minha, que já foi mestra deste traste, este Soberano será magnânimo por hoje.
Sua mão se moveu até o Reverendo, que já tinha dificuldade para se manter voando sobre o céu do oceano.
— Suporte este peteleco, pequena formiga!
Um estrondo surgiu, e o espaço rachou quando Kael moveu levemente seu dedo na intenção de acertá-lo.
Yechen arregalou os olhos, mas já era tarde. Seu corpo saiu voando, ultrapassando a velocidade da luz após o impacto, deixando para trás apenas uma névoa de sangue.
Kael ampliou a imagem e o observou enquanto cortava o céu em direção ao norte, sem conseguir parar.
Ele assistiu a tudo por alguns segundos e, após confirmar que o cara estava vivo, mesmo quase morto, sentiu-se mais relaxado.
Ainda era um fato que ele nunca matou ninguém. Mesmo que a outra parte fosse minúscula ao ponto de Kael sentir que seria semelhante a matar uma formiga, e o indivíduo merecesse morrer, isso ainda deixava um gosto ruim na boca.
Além disso, pela sua experiência de leitor, matar possíveis protagonistas dava um azar tremendo, e o miserável sempre sobrevive, mesmo morto. Então, deixá-lo vivo, juntando tesouros para Kael roubá-los depois, era a melhor escolha.
Essa era a sua filosofia: deixe ir enquanto verde e colha quando maduro.
Agora, seus olhos se voltaram para a alma remanescente de Bai Suxian, que tinha um olhar de desamparo e derrota estampado no rosto.
Essa era uma pessoa com quem Kael precisava ter cuidado, ou seu disfarce seria revelado.