Nos pés de Analin encostada estava — a cabeça de Duvan Marape.
Analin de primeiro momento não esboçou reação. Encarou a cabeça, depois Benjamin e por fim Sarah — ainda inconsciente.
— o que posso fazer? — pensou — não tenho nada. Deixei tanto o domelin como a insectomelin no hotel. — as lágrimas começaram a escorrer — eu entrei na casa dele para tentar incriminar ele e no fim ele morreu tentando me salvar. — conclui — eu sou inútil.
— Verme de merda. — murmura Benjamin ao corpo morto de Duvan. — Por que você chora? Eu tentei ser misericordioso. — Benjamin caminha até Analin.
— Ei! — a voz de Sakubo é alta e chama a atenção de Benjamin. O fazendo perceber que em sua direção chegavam — Jans, Sakubo e Lorenzo. Pela primeira vez os três lutariam juntos.
Jans da uma investida que bloqueia a chegada de Benjamin as meninas. Frente a frente, Jans aponta o bico da lâmina da foice para cima — buscando o queixo de Benjamin.
Sem muita dificuldade ele recuou a cabeça.
Na sua direta ainda vinham Lorenzo e Sakubo. Em uma olhada ele percebeu algo em seu favor — o braço esquerdo do garoto das escamas negras está imóvel. —. Jans no entanto não parou de atacar, fazendo ataques desgovernados com a foice. Benjamin começara a usar de seu rifle como defesa. Lorenzo e Sakubo logo se juntaram para atacar Benjamin, que com devido a complicação bloqueava, entretanto alguns golpes o acertavam. Cercado e começando a receber mais golpes — principalmente os de Sakubo que demoravam mais para regenerar. Benjamin pensava — distância ou espalhar, distância ou espalhar — ele toma uma decisão — vou espalhar eles e lutar com um por um e matá-los no processo. Por qual devo começar?
Benjamin contava não só com a sua velocidade de percepção natural, mas, também com a adquirida por se tornar uma aberração. Ele observava cada detalhe de cada um, assim, chegando a uma conclusão. — O garoto dos punhos quentes é o que mais dá trabalho. Se tirar ele primeiro, os outros dois, que já estam feridos não conseguiram me trazer tantos problemas. — assim pensa Benjamin Kruger. Ele troca o lado do fuzil — deixando ereta a parte do punho. Esperando a brecha para o contra ataque, ele se mantém bloqueando as ofensivas.
Sempre que Jans atacava, os outros davam uma leve recuada — graças a foice de Jans "Meimei" ser longa, eles evitam atrapalhar seus ataques. Benjamin esperava por este momento. E o mesmo veio. Jans se lançou atacando-o diretamente na região do peito. Jans e os outros já haviam a muito percebido que não iriam conseguir derrotar Benjamin, então a ideia era a seguinte dita por Jans antes de começarem os ataques:
— Vamos segurar ele o máximo possível, até que o professor Oruma chegue.
— Como pensei. — pensara Benjamin Kruger, rolando para o lado, assim saindo do alcançe de Jans. Com o punho do rifle, ele se lançara em direção de Sakubo, que não esperava por aquilo. Atingiu com força o rosto, quebrando o nariz e lançando-o para longe. Sem perder tempo Benjamin Kruger o acompanhou pelo alto, enquanto Sakubo ainda flutuava. Pairando por cima Benjamin disparou o rifle na perna de Sakubo. O tiro não obteve nenhum suporte para aumentar a sua força, sendo assim um disparo normal.
Pouco havia tocado o chão quando percebeu que Lorenzo estava indo até ele com boa velocidade. Benjamin mirou, mas quando ia disparar, Analin arremessou uma pequena pedra contra seu rosto. Fazendo-o disparar para cima, abrindo brecha para Lorenzo. O braço esquerdo de Lorenzo continuava inutilizável, devido o tiro que havia recebido. — Só tenho meu braço direito para atacar. Tenho que conseguir — pensou Lorenzo Valeriano. Sua mão direita foi de encontro com o rosto de Benjamin. O soco causou impacto, tendo marcado a cabeça do homem — que cambaleou.
Lorenzo se tomou por um extasê interno. — Agora, essa é a chance. — pensou, mas caiu na realidade. — como eu vou fazer isso? — ele avança contra Benjamin. — O único jeito é espancar ele, até matar. —. Uma sequência de socos e chutes sucedem. 1...2...3... no quarto soco, o homem que parecia desleixado, segurou a mão. A puxou para ele. E devolveu o soco. Recobrou a forma. Pegou seu rifle. — Vocês conseguem dar trabalho — disse o homem —, mas já chega!
Chegou perto de Lorenzo que tentara o socar, mas, estava cansado e com pouco fôlego. Caiu de peito ao chão com o desviar do homem. Benjamin colocou a ponta da afiada e luminosa lâmina contra Lorenzo. Descendo ela no ombro do mesmo. As escamas eram grossas e bloquearam a primeira investida, porém, na segunda o homem usara de toda sua força. Atravessando a lâmina das escamas e pele do ombro direito do garoto. Seu grito de dor foi tão alto, que até mesmo pássaros que espreitavam nas árvores voaram aos céus. Ele tirou a lâmina com um sorriso sádico e cravou em seu outro ombro. Todos estavam horrorisados. Nada que tentavam surtia efeito definitivo. Benjamin sempre se levantava, de novo e de novo contra eles.
Mas Analin se sentia abaixo de todos. Ela viu todos fazerem algo para tentar parar o homem, até mesmo Sarah, que no momento estava meio inconsciente por conta de gastar muita energia. Ela sentia culpa, pois em sua cabeça "se eu tivesse ido embora quando pegasse o rifle, e não entrasse naquela casa. Nada disso estaria acontecendo."
Mesmo se tivesse levado seus equipamentos, provavelmente não mudaria muita coisa. Sua reação para com os acontecimentos pareciam nunca acontecer. De todos Analin só não demonstrava mais confiança que Jans, mas, quando um grande desafio apareceu, ela foi a primeira a tremer e a única a não se opor. Essas e outras coisas ainda piores pairavam por sua mente.
Ela acabara de ver o inimigo perfurar a perna de seu colega e ambos os ombros de outro. Sua reação foi pegar um galho. O punho cerrado ao galho machucava sua mão. Ela se levantou parecendo destinada a ir contra o homem. Ao dar o primeiro passo, Jans pôs a mão em seu ombro. Jans estava cansado e curvado, sua costela provavelmente havia quebrado. — Não faça isso! Leve Sarah com você. — disse Jans — Faz um tempo que não escuto o professor, provavelmente perdemos o sinal. — soltou um leve sorriso nervoso — Vá embora, se vocês duas morrerem junto de nós, o Oruma se sentirá solitário.
Ela olhou para ele com os olhos inchados lacrimejando, mordeu o beiço para conter. — Eu não fiz nada. Se vocês morrerem, como vou viver carregando a culpa?
— Ficou sentimental do nada quatro olhos.
Ela sorriu, e as lágrimas não paravam de escorrer.
Uma luz no fim do breu aparecia. — O que é aquilo? — perguntou Jans. A luz se movia com velocidade e indo do extremo escuro em sua direção. Analin soltou o ar, um sorriso ansioso e as lágrimas que ainda tinha, aliviada. — É o professor.
Oruma ia correndo. Sua velocidade era tanta que pela vista de quem via, parecia um vagalume, piscava...apagava e piscava de novo. Benjamin parou e observou — o que é aquilo? — pensou. Olhou para trás e viu o garoto e a garota parecerem diferentes. A luz que tanto piscava se revelou para ele. Uma espadas katana apareceu em sua frente. Sua boa percepção, fez com que bloqueasse, mas, não impediu que fosse arrastado um pouco. Oruma chegou a Sakubo que agonizava com as mão pressionando a coxa. — Calma Sakubo, vou fazer um curativo provisório. — Oruma rasgou parte de seu sobretudo e amarrou na perna ferida. Foi mais a frente até Lorenzo. O estado do garoto era péssimo. Seu antebraço esquerdo apresentava um romb. Que por pouco não dividia seu antebraço do resto. Ambos os ombros perfurados, o direito apresentava apenas uma perfuração, já o esquerdo eram quatro. Oruma pensara que o garoto nunca mais poderia utilizar do braço esquerdo, mas, preferiu ser otimista. — Vou passar essa pomada, para tentar purificar as feridas. — Oruma passou a pomada e amarrou um lenço no antebraço ferido e colocou planta em cima dos ombros feridos. — Se acalma Lorenzo. Isso já vai acabar. — disse Oruma, se pondo de pé.
A katana havia parado de desferir golpes em Benjamin. Ele olhou para Oruma. — Mais um. Não importa. Morrerá igualmente. — e mirou para Oruma.
Oruma pega Claymore com ambas as mãos. A espada reluzente dourada de lâmina longa, choca em contato com a pele. Como uma conexão. — Você voltar dessa forma, me anima. Dizem que seu tiro mais forte fora capaz de abrir uma mini cratera, onde pisava.
Benjamin sorriu. O brilhar da lua tocou seus olhos azul-topázio. Recarregou o rifle e perguntou: — Mais o que dizem sobre mim? — a curiosidade o fez abrir um sorriso.
— Não lembro muito. Mas, sei o que dirão. "Benjamin Falrich Kruger, o demônio da bala, fora morto como uma temível aberração. Quem o matou foi, o na época professor do 1º ano, Oruma Olúmole Bakawu, o seis espada divina." — cerra as mãos no punho da espada, esboçando um sorriso.
Benjamin gargalha. — Você lembra a mim em tempos passados. No dia em que ele me honrou com uma medalha. Dentre todos aqueles patetas, eu sabia ser superior, apenas ele se igualara a mim — um olhar nostalgico tomou o homem —, mas ele morreu e eu fiquei. Fez da mesma maneira que eu. Já pensei em retomar seu ideal, mas, entendi que os homens de hoje, são apenas cães que mal caminham sem seu dono lhes apertar a coleira. Estão todos perdidos.
Naquele momento começara o combate que definiria o resultado final. O seis espada, contra um demônio que havia retornado.
Fim do capítulo 5
Curiosidade 1: Epítetos
Os epítetos são usados desde a crição da OCO para nomear todos os Orun e Aberrações de beta ao ômega. Cada epíteto é descrito e formalizado pelo museonista da OCO. Esses epítetos são utilizados também nos livros, artigos e caligrafias.
Exemplos de epítetos orun:
Benjamin F. Kruger: o Demônio da Bala.
Oruma Olúmole Bakawu: o Seis Espada Divina.
Ryôma Hanzo: o Tigre Refinado.
Hamud Farud II: o Retorno do Sol
Nyajasha Zarkesh: a Implicadora física.