A luz da lua atravessava as janelas da ala hospitalar. O cheiro de ervas medicinais ainda permanecia no ar, misturado ao aroma suave do Éter utilizado por Amara durante o tratamento.
Gabriel permaneceu desacordado por algumas horas.
Seu corpo já não possuía nenhum ferimento grave, os cortes haviam desaparecido completamente graças à Amara, mas a exaustão causada pelo uso extremo do Éter ainda consumia cada músculo. Seu peito subia e descia lentamente enquanto sua mente permanecia mergulhada em um sono profundo.
Ao lado da cama, Kaelis permanecia sentada em uma cadeira de madeira, os braços cruzados sobre o peito já haviam cedido ao cansaço, sua cabeça repousava levemente inclinada para frente enquanto cochilava.
Gabriel abriu os olhos devagar.
Sua visão ainda estava embaçada, mas a primeira coisa que conseguiu distinguir foi a silhueta de Kaelis, ele tentou se levantar.
— Arh...
Um pequeno desconforto percorreu seu corpo inteiro, o simples movimento foi suficiente para acordá-la.
— Gabriel?
Ela levantou imediatamente da cadeira e aproximou-se da cama.
— Gabriel! Como está? Está sentindo alguma dor?
Gabriel piscou algumas vezes antes de responder.
— Estou... bem.
Kaelis soltou um longo suspiro de alívio.
— Ainda bem...
Ela levou uma das mãos até a testa dele, verificando sua temperatura por puro instinto.
— Você ficou desacordado por várias horas, achei que o excesso de Éter tivesse causado algum dano permanente.
Gabriel apenas desviou o olhar, o silêncio durou alguns segundos.
— Desculpa...
Gabriel franziu a testa.
— Pelo quê?
— Pelo Riven.
Ele se se endireitou lentamente.
— Não, ele estava certo. — Gabriel sorriu de forma amarga — Kaelis ergueu os olhos. — Eu sou fraco, muito fraco.
Ele apertou lentamente o lençol.
— Eu dei tudo de mim. — As lembranças voltaram como golpes.
A pressão esmagadora de Riven, os cortes invisíveis, seu braço e perna inutilizáveis, junto ao desespero.
— Se aquele é o nível das criaturas que vou enfrentar daqui para frente... — Ele abaixou a cabeça. — Talvez eu devesse desistir.
Kaelis permaneceu completamente imóvel.
— Talvez... seja melhor vocês resgatarem minha mãe sozinhos.
Ela respirou fundo e então se levantou, caminhou até a janela por alguns instantes antes de voltar, e ao encará-lo, havia um pequeno sorriso em seu rosto.
— Engraçado...
Gabriel levantou os olhos.
— Eu conheço um garoto extremamente teimoso.
Ele franziu a testa.
— Que nunca aceitou perder, que levantava toda vez que caía, que treinou durante um mês até desmaiar praticamente todos os dias.
Ela cruzou os braços.
— Esse garoto desapareceu por causa de uma única derrota?
Gabriel permaneceu em silêncio.
— Não.
Ela respondeu por ele.
— O que está falando agora não é o Gabriel.
Kaelis se aproximou da cama.
— É apenas a frustração falando. — Ela apoiou uma das mãos em seu ombro. — Você enfrentou um herói, um aventureiro veterano, que passou décadas lutando. — Ela sorriu. — E você?
Ela apontou discretamente para ele.
— Você ainda é um novato. — A palavra fez Gabriel rir de leve pelo nariz. — Um recruta, se preferir.
Ela continuou.
— Você treinou durante apenas um mês. Um único mês, e mesmo assim... — Ela o encarou nos olhos, sua voz carregando orgulho. — Você obrigou Riven a lutar sério.
Gabriel arregalou levemente os olhos.
— Você despertou sua Afinidade conscientemente, feriu um homem que pouquíssimos conseguem sequer tocar. — Ela sorriu. — E quase matou aquele idiota.
Gabriel acabou soltando uma pequena risada.
— Então pare de dizer que é fraco.
Ela caminhou até um canto do quarto, ali repousava uma espada embainhada, Kaelis a pegou cuidadosamente.
— Acho...
Ela colocou a espada sobre o colo de Gabriel.
— ...que alguém esta esperando por você.
Gabriel ficou alguns segundos olhando para ela, seus dedos tocaram lentamente o cabo, e no instante seguinte a espada vibrou, não como antes, dessa vez o som era suave, uma ressonância percorreu por Gabriel e desta vez não ignorou aquela sensação. Era como se algo respirasse junto dele. Nenhuma palavra foi dita e mesmo assim, Gabriel sentia que a espada o compreendia, e que estranhamente também parecia feliz.
Seus olhos assumiram um brilho magenta por um breve instante, logo depois, pequenas faíscas douradas surgiram em suas pupilas, lembrando labaredas solares que dançaram silenciosamente por alguns instantes antes de desaparecer.
Kaelis observava tudo em silêncio, com um sorriso discreto.
— Eu sabia...
Gabriel continuava encarando a espada.
— Ela respondeu...
— Sim.
Kaelis assentiu.
— Uma arma de Ethyrium nunca escolhe alguém por acaso.
Ela passou os dedos sobre a bainha.
— Você ainda não conseguiu extrair todo o potencial dela... — Ela deu uma leve risada — ...na verdade você nem começou.
Gabriel voltou a olhar para a espada, seus dedos apertaram o cabo com firmeza e então ele respirou profundamente e quando voltou a encarar Kaelis, o desânimo já havia desaparecido.
— Desculpa...
Ela inclinou a cabeça.
— Pelo que eu disse.
Gabriel sorriu.
— Eu sou fraco, mas isso não significa que vou permanecer assim. — Ele levantou a espada alguns centímetros. — Há um mês eu nem sabia controlar meu Éter ou Thyr, e hoje consegui acompanhar o Riven por alguns instantes.
Ele respirou fundo.
— Eu perdi feio... — Uma pequena risada escapou. — Mas... acho que também ganhei.
Kaelis arqueou uma sobrancelha.
— Ganhei experiência, descobri meus limites, despertei minha Afinidade por vontade própria, fiz essa espada finalmente me reconhecer.
Ele sorriu novamente, o mesmo sorriso determinado que ela havia visto no primeiro dia em que o encontrou.
— Eu nunca mais vou deixar uma derrota decidir quem eu sou.
Kaelis ficou alguns segundos olhando para ele e então bagunçou seu cabelo com força.
— Esse é o Gabriel que eu conheço.
Ela caminhou até a porta e antes de sair, virou apenas o rosto.
— Descanse um pouco mais, porque tenho a impressão de que ainda vamos te fazer treinar muito.
Gabriel sorriu.
— Pode deixar.
Kaelis abriu a porta e saiu da enfermaria, enquanto isso em outro quarto do castelo Riven finalmente abria os olhos.A primeira coisa que viu foi o teto de madeira acima de sua cama. E em seguida, um silêncio estranho.
Ele respirou fundo, tentando organizar as próprias lembranças.
O bosque, Gabriel, Excidium, seu golpe.
— "..."
Seus olhos se arregalaram e ele tentou se levantar imediatamente, mas uma mão segurou seu ombro.
— Nem pense nisso.
Era Amara. Ela estava ao lado da cama, os braços cruzados e uma expressão que misturava preocupação e irritação, ao redor do quarto estavam Aeron, Lilith e Alastor, ninguém dizia uma palavra, o silêncio era pesado.
Riven desviou o olhar, ele sabia exatamente o motivo. Foi Amara quem quebrou o silêncio, ela agarrou o colarinho de sua roupa e o puxou para frente.
— Que porra foi aquela, Riven?
Ele permaneceu olhando para o chão, sua garganta parecia travada, mas após alguns segundos, respondeu.
— Eu... só queria ensinar a ele uma lição de como é o mundo real. — Sua voz era baixa. — E vocês intervieram.
— Ensinar uma lição?
Alastor deu um passo à frente, seu olhar carregava uma frieza rara até mesmo para ele.
— Você iria arrancar a cabeça dele... se a gente chegasse cinco segundos depois. — Ele cerrou os punhos. — Gabriel estaria morto.
Riven fechou os olhos, suas mãos começaram a tremer, as unhas afundaram na própria palma até rasgarem a pele, fazendo algumas gotas de sangue escorreram entre seus dedos.
— Eu... — Ele respirou profundamente. — Aceito qualquer punição pelos meus atos. — O quarto permaneceu em silêncio. — Mas aquele garoto... — Sua voz vacilou. — ...não pode ser um aventureiro. — Ele levantou lentamente o rosto. — Muito menos fazer parte do nosso grupo.
Kaelis adentrou o quarto, e deu um passo à frente.
— Gabriel não é a Karla. — Outro passo. — Nem o Edd. — Mais um. — Muito menos o Geo.
Ela parou diante dele.
— Ele é diferente, mais forte, mais determinado, nós treinamos aquele garoto durante um mês justamente para isso. — Ela sorriu discretamente. — Porque eu vi algo nele e decidi lapidar esse potencial.
Riven apertou ainda mais os punhos, seu corpo inteiro começou a tremer.
— Eu... — Sua respiração falhou. — Eu não posso... — Ele levou uma das mãos até o rosto. — Eu não posso deixar outra criança morrer. — Sua voz finalmente se quebrou. — — Não de novo...
O quarto inteiro mergulhou em silêncio, e Então as lembranças voltaram.
Uma floresta completamente devastada, árvores partidas ao meio, o cheiro de sangue, e aquela criatura.
O Theronyx.
Uma quimera colossal, com mais de oito metros de altura, quinze metros de comprimento. Um amontoado grotesco de carne, placas ósseas e músculos expostos, sua pele azul-acinzentada parecia rasgada em diversos pontos, enquanto fissuras vermelhas percorriam seu corpo como rios de lava viva.
Sua cabeça reptiliana era enorme, repleta de presas deformadas, e dezenas de olhos espalhados pelo rosto e pescoço observavam tudo ao mesmo tempo.
Nas costas cresciam tentáculos de carne e cabeças malformadas que se contorciam incessantemente, enquanto correntes negras fundidas ao próprio corpo arrastavam-se pelo chão, produzindo um som metálico que até hoje perseguia Riven em seus pesadelos.
A simples presença daquela criatura fazia a floresta morrer, o vento cessava, os pássaros desapareciam, até outras criaturas fugiam. E naquele dia Karla foi esmagada sob uma única pata, Edd tentou protegê-la, mas tentáculos atravessaram seu peito igual uma espada atravessa papel, Geo correu, gritou, implorou. mas foi engolido inteiro diante dos olhos de Riven.
Ele ainda conseguia ouvir aqueles gritos, ainda conseguia sentir o cheiro, ainda conseguia lembrar da própria covardia, Kaelis chegou segundos depois, despertou o Excidium e o Ensis em meio ao desespero e arrancou a cabeça do Theronyx com um único golpe.
Mas já era tarde.
Os três estavam mortos.
— Se eu não tivesse insistido naquela missão... — As lágrimas começaram a cair. — ...se eu não estivesse obcecado por fama... — ..se eu não tivesse sido tão arrogante...
Sua voz desapareceu.
— Eles ainda estariam vivos...
Ninguém respondeu, não porque o haviam perdoado, mas porque entendiam o peso que aquelas palavras carregavam, e do lado de fora do quarto, encostado discretamente na parede do corredor, Gabriel havia ouvido tudo. Cada palavra, a confissão, as lágrimas.
Lilith foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Se sua intenção era protegê-lo... — Ela cruzou os braços. — Então por que tentou matá-lo?
Antes que Riven respondesse, Aeron falou.
— Foi o Excidium.
Todos olharam para ele.
— Quando ele viu Gabriel o perfurando o instinto tomou conta. — Ele respirou lentamente. — O Excidium amplificou tudo o que existia dentro de você. O medo, o ódio, o desespero
Aeron abaixou os olhos.
— Já passei por isso mais vezes do que gostaria. — Ele apertou os próprios braços, como se ainda pudesse sentir as correntes da infância.
Riven permaneceu completamente imóvel, então Alastor então voltou a falar.
— Foi por isso... — Seu olhar endureceu. — ...que você tentou atravessar sua própria espada no peito?
Riven não respondeu, não havia necessidade, ele apenas fechou os olhos e desviou o olhar, o quarto inteiro permaneceu em silêncio por alguns segundos, até Kaelis intervir.
— Você não será punido. — Todos olharam para ela. — Porque eu sei que quem mais está se punindo aqui... — Ela encarou Riven. — — É você mesmo.
Ela respirou fundo.
— Mas existe uma coisa que vai fazer. — Riven levantou lentamente os olhos. — Você vai pedir desculpas ao Gabriel. — Ela cruzou os braços. — Olhando nos olhos dele.
Riven hesitou, seu corpo inteiro queria fugir daquela situação, mas, depois de alguns segundos ele assentiu.
— ...Eu vou.
Ele tentou se levantar da cama, mas as pernas vacilaram imediatamente, antes que caísse Amara segurou seu braço.
— Idiota. — Ela falou sem olhar para ele. — Se fizer uma merda dessas de novo... — Um pequeno brilho dourado percorreu sua mão. — ...eu incinero você.
Riven abaixou a cabeça, assentindo. e pela primeira vez desde que despertou um pequeno sorriso cansado surgiu.
— Obrigado...
Amara apenas bufou.
— Não acostuma.
Riven respirou fundo e, com a ajuda de Amara, caminhou para fora do quarto, cada passo parecia mais pesado que o anterior, não pela dor física, mas pelo peso da vergonha, nenhum deles dizia uma palavra enquanto caminhavam pelos corredores do castelo. Riven apenas pensava em como encararia Gabriel depois de quase tê-lo matado.
Talvez ele nunca o perdoasse. Talvez nem quisesse olhar para seu rosto.
Quando finalmente chegaram à ala hospitalar, Kaelis abriu a porta lentamente, mas para a surpresa de todos o quarto estava vazio, o lençol da cama permanecia desarrumado, as janelas continuava fechada, mas Gabriel não estava ali.
Amara olhou rapidamente para todos os cantos.
— Gabriel?
Nenhuma resposta, Aeron abriu o banheiro.
— Vazio.
Lilith percorreu o quarto inteiro com o olhar.
— Nada.
Kaelis permaneceu completamente imóvel, seus olhos pousaram sobre a cama, e depois sobre a pequena mesa ao lado, sua expressão mudou imediatamente.
— A espada...
Todos olharam para ela.
— Ela não está aqui.
O silêncio durou apenas um segundo, então Kaelis saiu correndo.
— Ei! Kaelis! — Amara gritou.
Ela não respondeu, apenas continuou correndo pelos corredores do castelo o mais rápido que podia, subiu escadas, virou os corredores, até abrir violentamente a porta de seu próprio quarto, seu olhar foi imediatamente para a escrivaninha onde ela guardava mapas, pergaminhos e registros de missões concluídas, pendentes e futuras.
Ela começou a vasculhar tudo freneticamente, Lilith chegou logo atrás.
— Kaelis! O que aconteceu?
Nenhuma resposta, Kaelis continuava revirando a mesa, e mais pergaminhos caíam no chão, até que ela parou e seu rosto empalideceu.
— Não...
Os demais chegaram quase no mesmo instante.
— O que foi? — Perguntou Aeron.
Kaelis ergueu lentamente o olhar, tinham diversos mapas espalhados pelos braços.
— O mapa... — Sua voz saiu quase como um sussurro. — O mapa do ninho dos orcs sumiu.
O quarto inteiro congelou. Amara foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Ei... — Ela deu uma risada nervosa.
— Vocês... não acham que... — Ela olhou para Kaelis. — — Ele foi até lá... não foi?
Ninguém respondeu, porque todos chegaram exatamente à mesma conclusão.
Alastor respirou fundo.
— Tsc... — Passou a mão pelo rosto. — O garoto é determinado, mas isso... — Ele fechou os olhos. — ...isso seria suicídio.
Lilith franziu a testa.
— Espera. — Ela olhou para Kaelis. — Como ele sequer saberia da existência desse mapa?
Os olhares começaram a percorrer o quarto, até pararem em Aeron, ele permanecia completamente imóvel, seu semblante dizia tudo. As lembranças da conversa que teve antes com Gabriel passaram diante de seus olhos.
— "Lilith acredita que encontrou o covil principal onde sua mãe está sendo mantida."
— "A princípio Kaelis pretendia resolver tudo sozinha.... mas depois de conhecer você... ela quer levar você junto no resgate"
Aeron fechou os olhos.
— Merda...
Kaelis virou-se imediatamente.
— AERON! — Sua voz ecoou pelo quarto. — Seu boca aberta! — O grandalhão coçou a nuca, completamente sem graça. — Foi mal...
Suspirou.
— Eu só achei que ele tinha o direito de saber.
Kaelis respirou fundo, tentando controlar a irritação.
Não havia tempo para discutir.
Ela caminhou imediatamente até o armário.
Pegou sua espada.
Vestiu rapidamente sua armadura.
Prendeu o manto nas costas.
— Equipamentos.
Todos entenderam o recado.
Em menos de um minuto cada um correu para seu quarto.
Enquanto colocava suas manoplas, Aeron ouviu Alastor passando pelo corredor.
— Você realmente não consegue ficar de boca fechada.
Aeron apenas abaixou a cabeça.
— Eu sei...
Pegou seu machado.
— Só... não faça nenhuma loucura, Gabriel...
Poucos minutos depois, todos já estavam reunidos na entrada do castelo.
Kaelis respirou profundamente.
Seus olhos assumiram um brilho dourado.
— Sentire.
Uma enorme onda de percepção espalhou-se pelo vilarejo.
Alastor fez o mesmo.
Logo em seguida...
Riven.
Os três permaneceram alguns segundos imóveis.
Depois desfizeram a habilidade quase ao mesmo tempo.
Alastor foi o primeiro a falar.
— Nada.
Riven apertou os punhos.
— Também não senti.
Kaelis fechou lentamente os olhos.
— Ele já saiu de Aethernys.
O silêncio voltou.
Foi Aeron quem teve outra ideia.
— Lilith.
Ela olhou para ele.
— Você ainda mantém aquele domo etéreo ao redor do ninho dos orcs, não mantém?
— Sim.
— Então consegue nos teleportar até lá?
Ela balançou negativamente a cabeça.
— Não.
— A distância é grande demais.
— Eu precisaria estar a, no máximo, cinco quilômetros da barreira.
Amara passou as mãos pelos cabelos.
— Gabriel...
Ela cerrou os punhos.
— Quando você voltar...
Respirou fundo.
— Eu vou te dar uma surra tão grande...
Alastor cruzou os braços.
— Se ele realmente foi...
Olhou para Kaelis.
— Então certamente pegou uma montaria.
Aeron assentiu.
— Vamos para o estábulo.
Todos correram imediatamente.
Ao chegarem, bastou uma única olhada.
Um dos estábulos estava vazio.
Uma sela também havia desaparecido.
Kaelis soltou um longo suspiro.
— Ele realmente foi.
Riven fechou os olhos por um instante.
Seu coração acelerou.
As mãos tremiam tanto que o cavalo recuou quando ele tentou montar.
O animal bufou, inquieto.
Sentia o desespero que emanava dele.
— Calma...
Kaelis colocou uma mão sobre seu ombro.
— Respira.
Riven fechou os olhos.
Inspirou.
Expirou lentamente.
Seu coração diminuiu o ritmo.
O cavalo finalmente permitiu sua aproximação.
Enquanto montava, sua voz saiu quase inaudível.
— Se alguma coisa acontecer com ele...
Ele apertou as rédeas.
— Eu nunca vou conseguir me perdoar.
Kaelis sorriu de leve.
— Tenha um pouco de fé naquele garoto.
Riven virou o rosto para ela.
Ela continuou.
— Afinal...
Ela lembrava perfeitamente do corte em seu peito.
— Ele conseguiu pressionar você.
Riven permaneceu em silêncio.
— E até perfurou sua defesa.
Amara sorriu.
— Talvez ele consiga segurar o líder dos orcs até nossa chegada.
Riven balançou lentamente a cabeça.
— Não.
Todos olharam para ele.
Ele respirou fundo.
Pela primeira vez...
Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Se aquele garoto chegou até lá...
Olhou para o horizonte.
— Acho que existe uma possibilidade bem real...
Fez uma breve pausa.
— ...dele derrotar o líder dos orcs antes mesmo de chegarmos.
Os outros cinco trocaram olhares.
Ninguém esperava ouvir aquilo justamente de Riven.
Kaelis apenas sorriu.
Porque, no fundo...
Era exatamente isso que ela também acreditava.