Riven respirou fundo e, com a ajuda de Amara, caminhou para fora do quarto, cada passo parecia mais pesado que o anterior, não pela dor física, mas pelo peso da vergonha, nenhum deles dizia uma palavra enquanto caminhavam pelos corredores do castelo. Riven apenas pensava em como encararia Gabriel depois de quase tê-lo matado.
Talvez ele nunca o perdoasse. Talvez nem quisesse olhar para seu rosto.
Quando finalmente chegaram à ala hospitalar, Kaelis abriu a porta lentamente, mas para a surpresa de todos o quarto estava vazio, o lençol da cama permanecia desarrumado, as janelas continuava fechada, mas Gabriel não estava ali.
Amara olhou rapidamente para todos os cantos.
— Gabriel?
Nenhuma resposta, Aeron abriu o banheiro.
— Vazio.
Lilith percorreu o quarto inteiro com o olhar.
— Nada.
Kaelis permaneceu completamente imóvel, seus olhos pousaram sobre a cama, e depois sobre a pequena mesa ao lado, sua expressão mudou imediatamente.
— A espada...
Todos olharam para ela.
— Ela não está aqui.
O silêncio durou apenas um segundo
— O que você pretende Gabri... — Kaelis saiu correndo.
— Ei! Kaelis! — Amara gritou.
Ela não respondeu, apenas continuou correndo pelos corredores do castelo o mais rápido que podia, subiu escadas, virou os corredores, até abrir violentamente a porta de seu próprio quarto, enquanto os demais heróis a seguiram.
Enquanto isso Gabriel estava no estábulo do reino, enquanto todo o castelo estava mergulhado em caos e preocupação devido a seu sumiço.
— Ei… — Murmurou baixinho para o cavalo. — EIII! — Ele aumentou o tom, o acordando.
O cavalo se levantou, ele tinha 8 patas, 3 pares de olhos vermelhos profundos e de cor preta.
— Uoou, você é magnífico em garotão.
— Gabriel se aproximou dele, com a mão aberta.
O cavalo bufou, com brasas saindo de sua boca.
— Garota? — Ele se corrigiu, e a égua assentiu inclinando a cabeça.
Gabriel tentou avançar para domar ela, conquistar sua confiança, mas ela se recusou recuando e bufando novamente.
— Qual é? Por favor, eu preciso chegar em um lugar, e é importante. — Gabriel tentou novamente, mas sem sucesso.
Até que ele se lembrou de quando outros soldados tentavam domar um cavalo, eles ofereciam frutas, até cubos de açúcar, Gabriel tirou algumas frutas de uma pequena bolsa.
— Eu estava guardando isso pra depois caso eu ficasse com fome ou sem energia, mas se você me levar até lá você pode comer tudo. — Ele ofereceu para a égua.
Ela sentiu o cheiro das frutas e ergueu o rosto, ela podia notar a bondade e pureza no olhar de Gabriel, ele não tinha quaisquer intenções contrárias contra ela, ele não iria lhe fazer mal, ela se ergueu e bufou novamente, mas sem brasas, ela comeu as frutas e se curvou para Gabriel logo em seguida.
— Você… deixa? — Ele tocou em sua cabeça.
A égua assentiu com a cabeça, Gabriel alisou sua crina, pegou uma cela e subiu logo após, Gabriel pegou o mapa de sua bolsa, a égua bateu com o casco no chão, como se pedisse por algo, pelo mapa, Gabriel desceu e mostrou a ela, o outros dois olhos da égua se acenderam, e ela se curvou novamente para Gabriel subir nela.
— Não deve ser tão difícil assim, deixa eu ver… — Era sua primeira vez cavalgando, seu corpo estava rígido, ele inclinava constantemente o corpo para frete, jogando seu peso para a direção errada.
A égua bufou novamente, dessa vez como se quem estivesse sem paciência, Gabriel percebeu apertou firme as rédeas mas sem a machucar, e se firmou na cela, e a égua disparou em direção a caverna.
— Vai com calmaaaaaaaa… — A voz de Gabriel ficou distante.
Em seu quarto, Kaelis olhou imediatamente para a escrivaninha onde ela guardava mapas, pergaminhos e registros de missões concluídas, pendentes e futuras.
Ela começou a vasculhar tudo freneticamente, Lilith chegou logo atrás.
— Kaelis! O que aconteceu?
Nenhuma resposta, Kaelis continuava revirando a mesa, e mais pergaminhos caíam no chão, até que ela parou e seu rosto empalideceu.
— Não...
Os demais chegaram quase no mesmo instante.
— O que foi? — Perguntou Aeron.
Kaelis ergueu lentamente o olhar, tinham diversos mapas espalhados pelos braços.
— O mapa... — Sua voz saiu quase como um sussurro. — O mapa do ninho dos orcs sumiu.
O quarto inteiro congelou. Amara foi a primeira a quebrar o silêncio.
— Ei... — Ela deu uma risada nervosa.
— Vocês... não acham que... — Ela olhou para Kaelis. — — Ele foi até lá... não foi?
Ninguém respondeu, porque todos chegaram exatamente à mesma conclusão.
Alastor respirou fundo.
— Tsc... — Passou a mão pelo rosto. — O garoto é determinado, mas isso... — Ele fechou os olhos. — ...isso seria suicídio.
Lilith franziu a testa.
— Espera. — Ela olhou para Kaelis. — Como ele sequer saberia da existência desse mapa?
Os olhares começaram a percorrer o quarto, até pararem em Aeron, ele permanecia completamente imóvel, seu semblante dizia tudo. As lembranças da conversa que teve antes com Gabriel passaram diante de seus olhos.
— "Lilith acredita que encontrou o covil principal onde sua mãe está sendo mantida."
— "A princípio Kaelis pretendia resolver tudo sozinha.... mas depois de conhecer você... ela quer levar você junto no resgate"
Aeron fechou os olhos.
— Merda...
Kaelis virou-se imediatamente.
— AERON! — Sua voz ecoou pelo quarto. — Seu boca aberta! — O grandalhão coçou a nuca, completamente sem graça. — Foi mal... — Eu só achei que ele tinha o direito de saber.
Kaelis respirou fundo, tentando controlar a irritação, não havia tempo para discussões, ela caminhou imediatamente até o armário, pegou sua espada vestiu rapidamente sua armadura, prendeu o manto nas costas.
E todos entenderam o recado, em segundos cada um correu para seu quarto, enquanto colocava suas manoplas, Aeron ouviu Alastor passando pelo corredor.
— Você realmente não consegue ficar de boca fechada.
Aeron apenas abaixou a cabeça.
— Eu sei...
Ele pegou seu machado.
— Só... não faça nenhuma loucura, Gabriel...
Poucos minutos depois, todos já estavam reunidos na entrada do castelo, Kaelis respirou profundamente, seus olhos assumiram um brilho amarela.
— Sentire.
Uma enorme onda de percepção espalhou-se pelo vilarejo, Alastor fez o mesmo, e Riven em seguida, os três comunicavma os guardas e as empregadas do castelo para os avisarem caso o encontrassem, após alguns minutos desfizeram a habilidade quase ao mesmo tempo.
Alastor foi o primeiro a falar.
— Nada.
Riven apertou os punhos.
— Também não senti.
Kaelis fechou lentamente os olhos.
— Ele já saiu de Aethernys.
O silêncio voltou, mas foi Aeron quem teve outra ideia.
— Lilith. — Ela olhou para ele. — Você ainda tem aquele domo etéreo ao redor do ninho dos orcs, não tem?
— Sim.
— Então consegue nos teleportar até lá?
Ela balançou negativamente a cabeça.
— Não, a distância é grande demais, eu precisaria estar a, no máximo, cinco quilômetros da barreira.
Amara passou as mãos pelos cabelos.
— Gabriel... — Ela cerrou os punhos, — ...quando você voltar eu vou te dar uma surra tão grande!
Alastor cruzou os braços.
— Se ele realmente foi para lá, então certamente pegou uma montaria.
Aeron assentiu.
— Vamos para o estábulo.
Todos correram imediatamente, e ao chegarem, bastou uma única olhada, um dos estábulos estava vazio, e uma sela também havia desaparecido.
Kaelis soltou um longo suspiro.
— Ele realmente foi.
Riven fechou os olhos por um instante, seu coração acelerou, as mãos tremiam tanto que o cavalo recuou quando ele tentou montar, o animal bufou, inquieto.
— Merda, merda, merda, se algo acontecer com ele, eu nunca vou me perdoar. — Riven murmurava nervoso e preocupado enquanto tentava montar o cavalo, que recuava ao estado em que Riven se encontrava.
— Tenha um pouco de fé no garoto. — Respondeu Kaelis o tranquilizando. — Afinal ele te pressionou bastante, até mesmo te perfurou. — Riven se voltou para Kaelis, seu olhar de preocupação estava estampado em seu rosto, preocupação, medo, remorso. — Ele não é fraco, afinal, ele até perfurou sua defesa.
Amara sorriu.
— Talvez ele consiga segurar o líder dos orcs até nossa chegada.
Riven balançou lentamente a cabeça.
— Não.
Todos olharam para ele, enquanto um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Acho que existe uma possibilidade bem real...
Ele fez uma breve uma breve pausa, enquanto tocava o lugar onde Gabriel o perfurou.
— ...dele derrotar o líder dos orcs antes mesmo de chegarmos.
Os demais trocaram olhares, ninguém esperava ouvir aquilo justamente de Riven, Kaelis apenas sorriu, porque, no fundo era exatamente isso que ela também acreditava.
Enquanto isso, Gabriel cavalgava sobre a égua negra, que parecia voar. Seus oito cascos mal tocavam o solo, raízes, pedras, riachos e troncos eram apenas obstáculos insignificantes para ela. Em alguns momentos, Gabriel tinha a impressão de que ela simplesmente corria sobre o vento. O mapa tremulava em sua mão enquanto ele tentava acompanhar o caminho.
— Você é rápida demais! — Gritou, segurando firme as rédeas.
A égua apenas bufou, lançando pequenas brasas pelas narinas e acelerando ainda mais.
O vento castigava seu rosto com tanta força que Gabriel precisou projetar uma fina película de Aegis diante dos olhos para impedir que poeira e pequenos galhos o atingissem, mas mesmo assim, um sorriso escapava de seus lábios.
Seu coração batia acelerado, não por medo, mas por esperança, depois de um mês inteiro acreditando que sua mãe estava morta, ela poderia estar viva
— Aguenta só mais um pouco... mãe.
A viagem, que normalmente levaria horas, terminou em pouco mais de 30 minutos. A égua diminuiu o ritmo sozinha ao perceber que o terreno à frente se tornava íngreme e repleto de pedras, uma enorme montanha escondia a entrada da caverna.
Gabriel desmontou.
— Obrigado.
A égua o observou em silêncio, ele retirou as últimas frutas que carregava na bolsa.
— Eu prometi. — Ela aproximou a cabeça, comeu calmamente e soltou um bufar satisfeito.
Gabriel sorriu e passou a mão por sua crina.
— Espere por mim.
Ela inclinou levemente a cabeça, assentindo, Gabriel respirou fundo, sua mão foi até o cabo da espada.
— Estou indo... mãe.
No mesmo instante, um arrepio percorreu todo o seu corpo, a égua ergueu a cabeça bruscamente, os seis olhos brilharam, e no mesmo instante uma chuva de flechas cortou o ar.
Gabriel saltou para trás enquanto a égua desaparecia em um borrão negro, desviando facilmente dos projéteis, e mais uma flecha surgiu por sua direita, seu Sentire a percebeu antes mesmo de ele a ver eGabriel a segurou no ar com uma das mãos e olhou lentamente para a floresta.
— Por que não me atacam de frente!? — Exclamou partindo a flecha ao meio.
O silêncio durou apenas alguns segundos, até que dezenas de pequenos orcs surgiram entre as árvores rosnando.
— Uns 40... — Murmurou Gabriel, os encarando com uma raiva reprimida, se lembrando de sua vila, amigos, vizinho, e sua mãe, eles empunhavam facas, machados enferrujados, arcos e lanças improvisadas, Gabriel apenas desembainhou sua espada.
O primeiro orc avançou, Gabriel desviou apenas girando o corpo levemente e sua espada cruzou o corpo do orc, o partindo no meio, fazendo seus órgãos e sangue jorrarem no ar, cobrindo seu corpo, ele caiu partida ao meio.
Até que alguns decidiram atacar a égua, e ela simplesmente desapareceu após correr em direção ao nada, os orcs olharam em volta, confusos, e após alguns segundo, apenas vultos negros podia ser visto, e lâminas de vento atravessaram a floresta, partindo até mesmo árvores ao meio, os orcs foram despedaçados antes mesmo de entenderem o que havia acontecido.
A égua reapareceu alguns metros atrás de Gabriel, batendo um dos cascos no chão enquanto pequenas brasas escapavam de sua boca.
Gabriel sorriu de canto.
— Acho que você sabe se cuidar.
Ela bufou novamente como resposta.
Gabriel voltou sua atenção para a enorme entrada da caverna, ele respirou fundo e adentrou a caverna, ela era completamente escura por dentro, mas ele criou uma pequena chama na palma da mão para iluminar o caminho.
— Estou chegando...
Seu Sentire se espalhou lentamente pelos corredores da caverna, pequenos orcs surgiam constantemente, mas nenhum deles conseguia sequer tocá-lo, cada passo de Gabriel deixava um corpo para trás, um passo e um torso era partido ao meio, outro passo e uma cabeça rolava ao seu lado, outro passo e um crânio era esmagado, ele continuou avançando sem diminuir o ritmo.
Até que um orc muito maior surgiu diante dele, era semelhante ao que havia levado sua mãe, a criatura rugiu e avançou com um enorme machado, Gabriel sequer esperou e em um único golpe o corpo do orc deslizou lentamente ao meio.
— Não me traga mais traumas.
Ele passou pela criatura sem sequer olhar para trás e continuou avançando, e quanto mais fundo caminhava mais presenças surgiam, até que seu Sentire encontrou algo diferente, uma quantidade absurda presenças.
"Centenas deles..." — Gabriel olhou para um caminho na caverna que descia até o que parecia ser o ninho
Gabriel fechou os olhos por um instante e expandiu ainda mais o seu Sentire.
"Uns cinquenta pequenos... vinte médios, vinte e um encapuzados, seriam magos?" — Sua respiração ficou pesada.
"Oito... grandões."
E Então uma presença completamente diferente, pesada, dominadora, sentada a frente deles.
"Um líder... sentado em um trono de... ossos e caveiras humanas?" — E atrás dele outra presença, fraca, quase apagada, mas familiar.
Gabriel arregalou os olhos, seu coração pareceu parar por um instante.
— Mãe!
Sem pensar duas vezes, correu e saltou pela enorme fenda.
Deslizando pela parede da caverna e aterrissando bem no centro do gigantesco salão subterrâneo, dezenas de orcs voltaram seus olhares para ele. O silêncio tomou conta do local, Gabriel ergueu lentamente sua espada e do do trono feito de ossos um enorme orc o observava, e logo atrás dele, presa por correntes uma mulher, magra, machucada, inconsciente.
Gabriel sentiu seus olhos marejarem, sua voz saiu quase como um sussurro.
— Mãe...
Logo em seguida, o ódio substituiu qualquer outra emoção, ele apontou sua espada diretamente para o soberano orc.
— Eu vou exterminar cada um de vocês malditos!
Os pequenos orcs urraram em uníssono e avançaram contra Gabriel, empunhando lanças tortas, machados enferrujados e facas de pedra, Gabriel apenas respirou fundo, a sua mão deslizou até o cabo da espada.
— Venham.
O primeiro saltou mirando seu pescoço, mas Gabriel inclinou o corpo para o lado, a lâmina passou uma única vez e o orc caiu dividido ao meio antes mesmo de tocar o chão, outro surgiu por trás e sem sequer olhar, Gabriel recuou um passo e cravou a espada para trás, atravessando seu peito, girou a lâmina e o lançou contra outros dois que vinham logo atrás. O terceiro tentou golpeá-lo com um machado, Gabriel bloqueou com a própria bainha, empurrou a arma para o lado e, com um único movimento, arrancou-lhe a cabeça, jorrando sangue sobre si.
Ele não parava, cada passo deixava um cadáver, cada golpe era fatal, não havia movimentos desnecessários, nem desperdício de energia, depois da luta contra Riven, Gabriel havia aprendido da pior forma possível que cada mínimo esforço importava. Seu corpo ainda doía, os músculos gritavam, seu Éter ainda não havia se recuperado completamente.
"Lentos... fracos... e patéticos."
Em poucos segundos, o chão da caverna estava coberto por corpos mutilados, os demais recuaram instintivamente, rosnavam, mas nenhum tinha coragem de dar outro passo, Gabriel limpou lentamente o sangue da lâmina.
— É só isso?
Um silêncio pesado tomou conta da caverna, até que os pequenos orcs começaram a se afastar, abrindo caminho, sendo empurrados, passos pesados ecoaram pelo salão subterrâneo. Cada passada fazia o chão vibrar levemente, e uma figura gigantesca atravessava a multidão, quase três metros de altura, pele verde-escura coberta por cicatrizes, um enorme cutelo apoiado sobre um dos ombros e um velho tapa-olho cobrindo o olho esquerdo. Gabriel congelou, ele levou a mão ao peito e apertou, as lembranças daquela noite voltaram como um relâmpago. As casas em chamas, os gritos, sua mãe sendo arrastada, o corte que quase tirou sua vida.
O orc inclinou lentamente a cabeça então abriu um sorriso grotesco.
— BWHEHEHEHE...
Gabriel apertou o cabo da espada com tanta força que seus dedos embranqueceram.
— Você...
O sorriso desapareceu, restando apenas um olhar frio, cheio de ódio.
— Eu estava esperando por esse momento.
O orc gargalhou e ergueu o cutelo disparando em direção a Gabriel golpeando violentamente, Gabriel bloqueava mas era empurrado para trás.
— BWHEHEHEHE! — O orc gargalhava.
Gabriel recuperou o folego, se reergueu e avançou, com o olhar em fúria, o orc respondeu erguendo o cutelo e indo em sua direção, seu golpe rasgou o ar, Gabriel desviou por centímetros, e no mesmo instante revestiu o punho com Éter acertando um soco em cheio em seu estômago. O impacto fez o orc cuspir sangue e ser arrastado alguns centímetros para trás.
— Essa foi por todos que vocês mataram aquele dia...
Gabriel saltou e desceu com a lâmina revestida por uma tênue aura vermelha, magenta e dourada.
— Agora estamos quites.
Um único corte e a cabeça do orc foi separada do corpo, o corpo do orc caiu de joelhos, o sangue jorrando pela caverna, e sobre Gabriel, que encarava o orc sentado com um frio e sanguinário olhar, que permaneceu imóvel observando aquele humano, pela primeira vez sem traço algum de desprezo, mas sim de curiosidade.