Mão de Deus
Lilith carregava Mary em suas costas, após o duelo entre as duas, que acabou novamente sem uma vencedora.
— Agora podemos voltar? Irmã. — Lilith perguntou, com um sorriso em seu rosto.
— Mas... o que faremos com Rafael? — Mary perguntou preocupada.
— Ele é forte, muito forte, mas não subestime a gente. — Disse Lilith.
Ela parou de caminhar por um instante.
— Eu não sinto o Éter de Kaelis ou Riven, e o de Gabriel... esta quase esgotados, não consigo nos teletransportar até eles, eu também, estou bastante exausta. — Afirmou Lilith. — Você ficou mais forte em Mary.
Mary estendeu sua asa em direção ao sol, absorvendo um pouco de sua energia, compartilhando-a com Lilith, para que ela conseguisse abrir um portal, desmaiando logo após devido a exaustão, enquanto Lilith se concentrava, para localizar o Éter de algum deles e conseguir se teletransportar, enquanto Rafael olhava para o céu, vendo o choque causado pela colisão anterior de Lilith e Mary.
— Tch… elas se soltaram. — Murmurou em um tom frio.
Antes que pudesse reagir, Kaelis surgiu diante dele, a lâmina atravessando o ar como um raio, expandindo o domínio do seu tato com Regnun Sentire, antecipando cada distorção gravitacional criada por Rafael, sua espada cortava não apenas o espaço, mas a própria intenção de o esmagar que Rafael impunha. Riven se recompôs, o acompanhando, coberta por Aegis que defletia parcialmente a gravidade e eletricidade que tentavam despedaçá-la.
— Rafael! — Gritou . — Não importa o quanto você se ache acima de nós… seu propósito não vale mais que nossas vidas!
Rafael abriu as mãos, Na esquerda, a Lua brilhou em prata, curvando a gravidade contra os dois, junto a Estrela Cinza de Três Pontas, irradiando uma energia corrosiva que faziam as lâmina de Riven e Kaelis vibrarem como se fossem se despedaçar, na direita, o Sol flamejou, o ar faiscando de eletricidade, junto ao Átomo Roxo.
— Vocês se movem com coragem, mas suas coragem não passa de uma fagulha contra o cosmo. — Disse Rafael, sua voz ecoando como se viesse de todos os lados. — Eu domino as quatro forças que sustentam o universo, sou a prova de que o divino não precisa de asas!
O impacto foi inevitável, Riven girou a lâmina, ativando o Ensis, que cortava não só a matéria, mas também as manifestações de Éter, sua lâmina atravessou a gravidade distorcida e o campo elétrico, visando cortar a cabeça de Rafael.
Kaelis canalizou toda sua vontade e Thyr em sua espada
— Ensis, Excidium, Regnun Sentire e Bulwark Sanctun! — Gritou, avançando junto de Riven, enquanto projetava uma muralha translúcida que envolvia ela e Riven. — ABYSSUM CORE!
Riven e Kaelis atacaram em conjunto, fazendo com que suas lâminas distorcerem o espaço a sua volta, partindo até mesmo os céus
Rafael juntou ambas as mãos, colidindo as quatro forças naturais em um único ponto, fazendo até mesmo o espaço a sua volta começar a dobrar, direcionando-as para Kaelis e Riven, os encarando com um sorriso frio.
— Admirável, mas se é o cosmos que desejam enfrentar… então conhecerão o peso de sua insignificância… Manus Dei.
A terra tremeu diante ao impacto catastrófico, a muralha de Kaelis resistia, embora apresentasse diversas rachaduras por todas as direções, a pressão gravitacional junta força forte, força fraca e a pressão eletromagnética os despedaçaram aos poucos, seus corpos prestes a colapsar, enquanto Rafael ria, em um tom de arrogância.
Os corpos de Riven e Kaelis estavam prestes a sucumbirem diante o golpe de Rafael.
— Esse é O Fim! — Um clarão envolveu a todos, em uma explosão capaz de devastar um continente inteiro, as espadas de Riven e Kaelis não aguentaram o impacto e se despedaçaram, junto a suas armaduras, enquanto sentiam sua carne se rasgar e seus ossos se partirem, quase colapsando devido à exaustão.
O campo se manteve em silêncio após o impacto da Manus Dei, Riven e Kaelis estavam esgotados, quase inconscientes, suas técnicas definitivas foram despedaçadas na tentativa de resistir ao golpe de Rafael, enquanto a poeira que aos poucos se dissipava revelaram uma silhueta e aura familiar, rompendo o ar.
—Chega dessa merda. — Uma voz ecoou.
Após a poeira abaixar, Gabriel se ergueu, seus olhos brilhavam em tons de magenta, junto a seu Éter que emanava dele, sua Afinidade cintilava em cada partícula ao redor dele, elevada ao máximo graças a quebra temporária de limites do Excidium, que elevaram suas habilidades a níveis completamente superiores.
— Bulwark Sanctum! — Gabriel murmurou.
Um escudo colossal, transcendente, se ergueu diante de todos, refletindo o golpe cataclísmico de Rafael, os céus e a terra colapsaram, devido a deflexão do poder absoluto de Rafael, a onda de energia retornou contra ele, atingindo-o em cheio. O impacto rasgou o ar, Rafael foi engolido pelo clarão, e quando a luz se dissipou, todo o espaço atrás dele, havia desaparecido, deixando apenas uma enorme cratera, que se estendia até onde os olhos alcançavam, seu corpo estava destroçado... mas não vencido, do núcleo de sua existência, o Átomo Roxo pulsava, reconstruindo-o lentamente, pedaços de sua carne retornavam, ossos se recompunham, cada fibra de seu ser era recriada como se fosse inevitável, Gabriel cedeu, ficando de joelhos, quase inconsciente, apoiado a sua espada que cravou no chão
— Não... pode ser. — Gabriel murmurou, antes de cair de joelhos inconsciente, se apoiando em sua espada.
Foi então que Lilith surgiu, em meio a um portal, carregando Mary inconsciente sobre as costas, ela pousou suavemente, e com um olhar de fúria, tomou emprestado o dom de Mary.
— Mimetismo Etéreo, Indução Máxima de Dor. — Conjurou Lilith, com os olhos emanando um tom de vermelho intenso.
O corpo de Rafael estremeceu, seus gritos ecoaram quando cada célula recém-recriada ardia em agonia insuportável, Lilith traçou um vasto círculo etéreo sob seus pés, invocando uma torrente de chamas negras que subiram como colunas infernais para tentar impedir sua regeneração, mas Rafael não regenerava, ele se reconstruía, e se reconstruindo, ele devorava cada ataque, absorvendo-o, como combustível. No ápice do meio-dia, ela estendeu os braços, para o sol acima dela, absorvendo sua energia.
— Mimetismo Genético, Fisionomia de Anjo.
Seu corpo emanava aura demoníaca e angelical, manifestando chifres sobre sua testa, três asas negras e brancas se abriram, assim como uma auréola que se erguia sobre sua cabeça, e seus olhos se tornaram símbolos da dualidade um negro com pupila rubra, o outro dourado com pupila azul, e com as mãos abertas, conjurou dois círculos mágicos, um negro e um branco que se expandiram sobre os pés de Rafael.
— Incineração Lux Umbrae! — Lilith conjurou.
Dos círculos mágicos surgiram chamas negras e brancas, demoníacas e sagradas, unidas, carbonizando tudo em seu caminho, o chão se dissolvia e o ar queimava ao seu redor, Rafael ria, insanamente, enquanto seus restos eram carbonizados, em um último suspiro, conjurando novamente a Manus Dei em direção a todos, concentrando novamente as quatro forças em um ponto,, até que seu pé vacilou, e ele caiu de joelhos, ao olhar para frente viu Mary, ela recobrou a consciência, manifestando suas asas, junto a sua auréola.
— Seus sentidos... vou reduzi-los à ruína. — Declarou Mary, descendo das costas de Lilith.
Seus olhos brilhavam em diversas cores, sobrecarregando todos os sentidos de Gabriel, dor, ruído, luz, cada sensação se tornou uma tortura infinita, fazendo seu cérebro colapsar, fazendo sua Manus Dei colapsar.
— MALDITA MARY! — Rafael gritou em fúria suas últimas palavras, antes que seu corpo ser completamente carbonizado.
Mary o encarou com os olhos tomados de lágrimas e ódio.
— Eu lembro de tudo agora. — Disse Mary, com a voz tremendo. — Vocês da Igreja apagaram minhas memórias... me manipularam... e você, Rafael... você me tomou tudo, a minha inocência, EU TE ODEIO! — O corpo de Rafael por fim foi reduzido a cinzas.
Com o fim de Rafael, os quatro símbolos que orbitavam seu corpo, o Sol, a Lua, a Estrela Cinzenta e o Átomo Roxo, flutuaram em direção a Mary, sendo absorvidos por ela, sendo envolvida por uma luz ofuscante, suas asas que antes eram 3, se tornaram 7, cada uma irradiando puro Éter, Manipulação de Sentidos, Empoderamento Solar, Mimetismo de Arcanjo, Eletromagnetismo, Gravidade, Força Forte e Força Fraca, sua auréola se partiu em centenas de fragmentos de pura energia, reconstruindo-se em uma nova auréola com sete estrelas, aberta atrás, levemente erguidas para cima, Mary havia ascendido para algo ainda mais forte. E em uma dimensão distante, onde mundos eram consumidos por chamas, pelas mãos de dois homens, um deles, que empunhava uma lâmina flamejante, e estava para ceifar um monstro dezenas de vezes o seu tamanho, deteve sua lâmina por um instante, sua pele se arrepiou diante da fagulha que atravessará dimensões, ele olhou para o vazio.
— Um novo Arcanjo nasceu... não, um Querubim — Declarou com um tom de serenidade, reduzindo o mundo a cinzas com um único gesto, abrindo uma fenda no espaço com uma espada flamejante e a atravessando.
As nuvens do céu se dissiparam onde o impacto da Manus Dei aconteceu, ecoando como um trovão, sendo sentido em cada canto do mundo, a terra tremeu, mares recuaram e avançaram em ondas violentas.
Em Aethernys, Alastor permanecia inconsciente, com Amara ao seu lado, junto ao rei, que sentiram todo o tremor, o castelo parecia que iria ceder devido aos ecos do ataque
— O que foi isso...? — Perguntou Amara espantada, segurando Alastor em seus braços.
— É como se o próprio mundo fosse se romper. — Respondeu o rei.
Na capital sagrada, onde se encontra a Igreja de Adamas, monges caíram de joelhos, alguns acreditavam que o fim havia chegado, os sinos soaram por toda a cidade, não em celebração, mas em alarme.
— A mão de Deus... desceu sobre nós... — Afirmou um clérigo, em prantos.
Mas ao fundo da capital, em um lugar similar a um cativeiro, os três anciãos estavam visitando uma pessoa encarcerada, por diversas correntes e grilhões com runas cravadas, e os olhos vendados.
— Rafael... — Murmurou um ancião.
— Seu Éter se apagou da face da terra. — Afirmou outro, apresentando uma inquietação.
— Rafael foi morto após tentar recrutar o jovem de Aethernys, e se ele chegou ao ponto de utilizar seu último recurso, ele deve ter sido pressionado por eles. — Deduziu o terceiro. — Nós os desfiliaremos.
— No entanto, suas graças não retornaram. — Enunciou, com um tom calmo.
— Está insinuando que foram incorporadas por outro? E quem suportaria tanto poder se não um de nós? — Questionou.
— Mary! — Afirmou uma voz cortando os três, a pessoa acorrentada.
— Cale-se ser desprezível. — Retrucou um ancião, com os olhos brilhando em dourado, fazendo as runas cravadas nas correntes se acenderem, no intuito de causar dor ao prisioneiro.
— Oh, uma massagem? — Perguntou o preso com um sorriso em seu rosto. — Quanta hospitalidade.
— Tsc... sem efeito. — Murmurou um dos anciões.
— Eu me tornei um só com a dor, ela se tornou uma desprezível amiga querida, que eu farei questão de apresentar a vocês quando eu me libertar. — Afirmou o encarcerado, com um tom ameaçador.
— Então Mary pegou para si as graças de Rafael... — Murmurou um ancião.
— Fala sério, vocês são tão patéticos e insignificantes, chega a ser humilhação eu ser um prisioneiro de vocês, até mesmo ele já deve ter sentindo o despertar de Mary. — Zombou o confinado gargalhando.
Além dos mares, nos demais continentes, onde nem o nome Aethernys era desconhecido, crianças feras pararam de brincar, pássaros caíram do céu, e líderes interrompiam reuniões, o choque se espalhou como um rugido.
— Isso... é o anúncio de guerra. — Afirmou um sábio.
Enquanto isso, no epicentro da calamidade, Mary batia suas asas com bastante esforço , cada uma delas sustentava um corpo inconsciente, os levando de volta para Aethernys.