Após aceitar se tornar aprendiz de Ygerna, Gabriel foi teletransportado para um novo plano,
sendo esmagado de imediato pela alta gravidade.
— Mas... o quê... — Gabriel tentava se levantar, sentindo o corpo pesar toneladas. — Isso é
quase igual... à gravidade do Rafael... não... é bem maior!
Morgana arfava no chão, até que Vivian interveio, usando seu Éter para aliviar a gravidade
ao redor da garota.
— Com dificuldades Gabriel? — Ygerna perguntou com ironia, observando o garoto se
esforçar. — Aliás estamos em uma Sub-Orbe de Tiryak, na Orbe de.... — Ela se virou para
Vivian. — Em qual estamos? Cirenis ou Bharadhara?
— Bharadhara... — Respondeu Vivian. — ...é só olhara sua volta velha burra. — Murmurou
baixinho.
— Velha é sua avó, quando retornarmos a Aethernys você vai ficar sem doces por 1 ano. —
Respondeu Ygerna.
“Ela me ouviu?!” — Vivian se espantou.
— Orbe... Tiryak.!? — Gabriel exclamou, ainda tentando se equilibrar sobre um joelho.
— Bom... — Ygerna limpou a garganta. — Vou deixar a explicação com a novinha bem mais
inteligente do que eu. — Ela apontou para Vivian, não por birra de seu comentário anterior,
mas sim por não ser tão boa com explicações lógicas.
— Aaahh. — Vivian bufou. — Nós vivemos no Plano de TIryak Gabriel. — Ela começou. — Na
Orbe, ou como muitos preferem chamar, planeta de Samsyra, mas eu nos trouxe para um
Sub-Plano em Samsyra, para Bharadhara, uma Orbe onde a gravidade é 30x mais densa do
que a de Samsyra. — Explicou.
Reunindo seu Éter, Gabriel conseguiu amenizar a pressão, erguendo-se com esforço. O ar era
denso e vibrava com energia, e ele arfava ao observar o cenário, um vasto campo árido,
banhado por um sol gigantesco, com árvores colossais se erguendo ao longe, lembrando a
era mesozoica.
— Você está pronto? — Perguntou Ygerna, calma, porém firme, aqui eu irei te treinar, mas
não pelos 15 dias, e sim por 4 anos. — Completou
— Cinco anos!? — Gabriel exclamou, incrédulo.
— O tempo flui diferente, 1 dia em Tiryak equivale a pouco mais de 3 meses em Bharadhara.
— Explicou ela
Ele hesitou por um instante, mas acabou assentindo em silêncio.
— Durante esse tempo, não poderá usar a Incisão Solar. — Ygerna sentenciou, firme.
— Mas... o quê? — Questionou, confuso.
— Empoderamento Solar... — Murmurou Ygerna, enquanto, em um movimento quase
imperceptível, tomou a espada das mãos de Gabriel. O Éter e o Thyr vibraram intensamente
através da lâmina, fazendo-a sorrir, satisfeita. — Realmente formidável. — Concluiu, antes
de soltá-la. A arma cravou-se no chão, pesada. — Mas você depende demais dela. Da sua
afinidade. Assim como agora, usa esse poder apenas para resistir à gravidade deste planeta.
Gabriel cerrou o punho, frustrado, mas cedeu, cancelando a cobertura de Éter que envolvia
seu corpo, e imediatamente foi pressionado contra o solo.
— Merda... — Resmungou entre os dentes, tentando se erguer.
Vivian se aproximou de Ygerna, cruzando os braços.
— Tem certeza de que esse garoto vai aguentar? — Perguntou, cética.
— Assista e veja... — Respondeu Ygerna com um meio sorriso. — Esse garoto... queima de
uma forma surpreendente.
Horas se passaram, o sol desapareceu no horizonte, tingindo o céu em tons alaranjados.
Gabriel, exausto, ainda lutava contra a força que o mantinha preso ao chão, mas já
conseguia se mover.
— Arf... arf... — Respirava com dificuldade, observando as 3 reunidas em volta de uma
fogueira, saboreando uma carne desconhecida.
— Essa carne...
Ygerna ergueu o olhar, mastigando lentamente antes de responder.
— À noite, este planeta é tomado por monstros colossais. E, por incrível que pareça... a
carne deles é deliciosa. — Afirmou, limpando o canto dos lábios. — Cace-os, e sobreviva.
Gabriel assentiu com esforço. Fechou os olhos e ativou o Sentire, expandindo sua percepção,
e imediatamente estremeceu ao sentir dezenas, talvez centenas, de presenças ocultas entre
as árvores.
— Mas... o quê? — Recuou um passo.
Ygerna riu de leve, fazendo um gesto para Vivian.
— Eles não nos atacam por causa de mim. — Disse calmamente. — Mas não conte com isso
por muito tempo.
Com um simples gesto, Vivian ocultou completamente a presença das três, e no instante
seguinte, as criaturas começaram a emergir, uma a uma. Eram imensas, semelhantes a
dinossauros, mas seus corpos eram cobertos por cristais de Aetherium puro, que reluziam
como gemas sob a luz lunar. Eles analisaram o ambiente, farejando o ar pesado, a pressão
esmagadora que antes os mantinha afastados havia desaparecido, agora, seus olhares se
voltaram para Gabriel, que os encarava em silêncio, com os punhos cerrados, emanando
uma tênue luz rubra.
— Vem... — Murmurou, chamando a fera.
Um dos monstros, semelhante a um velociraptor, avançou lentamente, seus passos
afundando o solo denso. Os demais pararam, observando em expectativa.
— Vem... — Repetiu Gabriel, firme.
Quando o predador entrou em seu alcance, disparou num salto voraz, exibindo presas
afiadas que cintilavam. O instinto tomou o controle, o Éter de Gabriel ativou por reflexo,
anulando novamente a gravidade ao seu redor. Ele desviou por um triz, mas foi atingido pela
cauda da criatura, sendo arremessado contra uma das árvores colossais, que se partiu ao
meio com o impacto.
Gabriel cuspiu sangue, ter sido jogado longe e colidido em uma árvore.
— Coof... droga... — Tossiu, cuspindo sangue ao se levantar com esforço.
O velociraptor não lhe deu tempo. Seus cristais de Aetherium brilharam em um tom amarelo
intenso, conduzindo eletricidade que percorreu seu corpo, impulsionando-o a uma
velocidade absurda. Em um piscar de olhos, a criatura o atingiu com uma cabeçada
devastadora, empurrando-o por quilômetros, atravessando árvores e rochas como se fossem
papel, ao parar Gabriel estava preso em uma árvore, caindo aos poucos, com o corpo em
frangalhos, costelas quebradas, órgãos lacerados, hemorragias internas. O monstro o largou,
e ele tombou quase inconsciente. Mas, por um instante, seu corpo se recusou a cair. O Éter
em seu interior pulsou violentamente, o desespero, a dor, o medo da morte despertaram
algo dentro dele.
— Excidium... — Murmurou, quase sem voz, os olhos opacos e vazios.
Seu sangue começou a ferver como lava, suas veias brilharam em vermelho intenso, e sua
pele assumiu um tom carmesim. O velociraptor rugiu, liberando uma onda elétrica que fez o
ar vibrar e paralisou tudo ao redor, antes de avançar para devorar o torso de Gabriel. Mas
ele não se moveu, permaneceu imóvel, sereno.
— Regnum Sentire.
No último instante, desviou com precisão inumana, o corpo movendo-se como se dançasse,
o monstro abocanhou o ar, o som seco de sua mordida ecoou por toda a floresta. Irritado, o
velociraptor se virou bruscamente, seus cristais voltaram a brilhar e disparou raios que
cortaram o céu, ascendendo às nuvens, fazendo a escuridão estremecer e disparando
relâmpagos em direção a Gabriel. Ele desviava com agilidade, sem sequer olhar para o céu.
Quando o velociraptor investiu novamente, Gabriel ergueu o braço, a expressão fria e
concentrada.
— Impetus... Aegis. — Murmurou.
O brilho em sua mão agora estava perfeitamente mesclado, laranja e vermelho, pulsando
em harmonia. Nenhuma distorção. Nenhuma falha. O monstro rugiu e golpeou com a cauda,
mas o ataque foi bloqueado e dilacerado pela energia que cercava Gabriel. O som do
impacto ecoou como metal rasgado. A criatura recuou, uivando de dor, antes de avançar
novamente em fúria, com um gesto simples, Gabriel ergueu o braço e o desceu como se
fosse sua própria lâmina, seu corpo era a arma. O golpe foi devastador, partindo o
velociraptor ao meio, cortando não apenas carne e cristal, mas também as nuvens e o solo
diante dele. À distância, Ygerna, Vivian e Morgana observavam em silêncio.
— Isso é sério...? — Murmurou Vivian, levantando-se, incrédula.
— Esse garoto... — Sussurrou Ygerna, os olhos arregalados.
Morgana, muda, manteve o olhar fixo em Gabriel, observando-o cambalear em meio à
destruição, os outros monstros começaram a se aproximar, atraídos pela energia emanada
dele, mas Gabriel firmou o pé no chão. Uma onda colossal de Thyr explodiu de seu corpo,
expandindo-se em todas as direções.O impacto foi sufocante, os dinossauros mais fracos
caíram mortos instantaneamente, colapsando sob a pressão, o solo trincou, as árvores
racharam e o ar ao redor vibrou, Vivian e Ygerna estremeceram, um arrepio percorreu suas
espinhas.