
Ao abrir os olhos, ele viu várias estrelas, um céu escuro e uma lua minguante acima de onde estava deitado. Ao tentar se mexer, sentiu uma dor agoniante vindo de seu ombro.
Ele olhou para o lado, mas tudo o que via era areia. Virando a cabeça para o outro lado, avistou três pessoas deitadas, inconscientes.
Adrian tentou se mover, mas a dor o impediu. Seu braço estava dormente, o sangue já havia estancado, mas ele se sentia fraco. Com os olhos embaçados, a visão turvou-se e sua respiração tornou-se pesada.
‘Anda logo, Sienna… acorda e nos tira daqui’, pensou ele, lutando para se manter consciente. Mas, aos poucos, sua mente se perdeu, e tudo o que restou diante de seus olhos foi o breu. Então, por fim, apagou.
Adrian se via preso à sua lembrança mais dolorosa seu único e mais profundo trauma. Em sua mente, revivia a imagem do pai espancando a ele e à irmã mais nova. Recordava com amargura o dia em que os golpes foram tão cruéis que ela não resistiu. Tudo o que ele e a irmã tentavam, dia após dia, era sobreviver… mas ela não conseguiu.
Adrian sabia que, naquele mundo hostil, a única coisa que lhe restava era sobreviver. E agora, para continuar vivo, havia apenas um caminho: matar o próprio pai, o homem que o espancava e abusava, junto de sua irmã, mais nova e indefesa.
O nome dela… ele não sabia. Não se lembrava do nome da menina, nem do seu próprio. Na verdade, já não tinha certeza se algum dia tiveram nomes.
‘Eu nem sei qual era o nome do meu próprio pai… não que isso importe. Ele era um animal desprezível.’ Adrian nunca soube se aquilo podia ser chamado de pessoa, por isso, jamais o considerou humano. Na verdade, nem ele mesmo se via como uma pessoa.
Sendo filho daquele homem, tudo o que dele nascia não podia ser chamado de humano.
Adrian abriu os olhos. Acima de si, um teto branco; ao seu lado, Lyra estava deitada, aparentemente à espera de que ele despertasse.
‘Elas se parecem… ou talvez não’, pensou Adrian, enquanto passava a mão suavemente pelo rosto adormecido de Lyra, mergulhada em um sono profundo.
O passado dela era um mistério para ele, mas isso pouco importava. O que importava era o que sentia: ela era como uma irmã, e ele jamais permitiria que morresse. Não suportaria se arrepender de novo.
"Seu tarado, se eu não chegasse a tempo, o que teria feito com a pobrezinha da Lyra?" disse Hikari, com um sorriso animado, querendo provocar Adrian, que, por sua vez, levantou o dedo do meio em resposta.
"Vai se foder, eu nunca tocaria nela. Prefiro mulheres mais volumosas e com muito mais experiência, coisa que ela não tem. Mas, é claro, se ela me quisesse, eu não teria nada contra", disse Adrian, enquanto colocava a mão na cabeça de Lyra. Ela acordava e olhava para ele, que sorria.
"Eu estou bem", disse Adrian, tentando tranquilizar sua amiga, que sorria para ele.
"Que bom que você não morreu", disse Lyra, com um sorriso.
"Então você se importa tanto comigo?" disse Adrian, com um sorriso brincalhão, e Lyra balançou a cabeça.
"Na verdade, não seria muito legal você morrer me devendo", disse Lyra, observando o sorriso animado de Adrian desaparecer gradualmente. Sua expressão se tornava sombria. Ele, que sempre gastava dinheiro com prostitutas, mal conseguia pagar suas dívidas.
'É tudo culpa do meu pai, esses genes amaldiçoados. Com certeza não é minha culpa', ele refletiu, olhando para Lyra, que ainda estava à sua frente. Então, ele colocou a mão no rosto dela, mas ela rapidamente segurou seu braço e o imobilizou
"Que merda você acha que está fazendo, seu imbecil de merda?" perguntou Lyra, perplexa com o verme à sua frente, tentando entender o que ele estava tentando fazer com ela.
"Eu pensei em pagar de outra forma", disse Adrian, com um sorriso presunçoso. Lyra ficou espantada com o que acabara de ouvir.
"Sabe, eu não tenho dinheiro nenhum no momento, mas claro, se você não curte fazer assim, talvez ver o ato seja mais excitante", disse Adrian, olhando para Hikari, que o encarava como se ele fosse lixo.
"Será que foi um erro curar ele?" Ela se aproximou dos dois e continuou: "E por que você emprestou dinheiro para esse vagabundo?" perguntou Hikari, observando Lyra, que ainda estava irritada, soltando Adrian.
"Ele foi muito insistente, e ninguém quis emprestar dinheiro para ele. Agora eu sei o motivo", disse Lyra, observando Hikari dar um tapa em Adrian.
"Então você forçou ela a te dar dinheiro? Você é um caso perdido mesmo", disse Hikari, tentando se acalmar para não bater em Adrian de novo.
Alguns segundos depois, Zephyr entrou na sala e viu Adrian se levantando, com um olhar de cansaço direcionado a ele.
"O que foi? Tá achando que eu sou espelho?" perguntou Zephyr, um pouco incomodado com o olhar de Adrian, que se aproximava dele e segurava seu ombro. Zephyr já estava preparado para sacar sua adaga.
"Você poderia me emprestar um pouco de dinheiro? Sabe… é para pagar a dívida que tenho com a Lyra."
Antes mesmo de terminar a frase, Zephyr já havia cravado uma faca no abdômen de Adrian. Hikari, que observava a cena, apenas sorriu como se já soubesse que aquilo aconteceria.
Naquele momento, Zephyr estava no quarto de Zarek, que o encarava com um olhar claramente irritado.
"Eu realmente espero que você resolva isso antes da sua próxima missão. Pelo que descobrimos, esse local tem pessoas envolvidas com o grupo Vértice", disse ele, com a voz carregada de cansaço, seus olhos cinzas estavam mostrando exaustão.
Zephyr saiu do quarto de seu pai com a missão clara em mente: encontrar um dos esconderijos do culto Vértice e eliminar todos que estivessem lá. Eles não eram particularmente poderosos, mas, segundo as informações obtidas, haviam contratado alguns mercenários. Para Zephyr, no entanto, isso não representava nenhum problema.
Ele estava diante de uma imponente mansão vermelha, cercada por um portão preto vigiado por alguns guardas. Zephyr vestia um manto, o capuz ocultando seu rosto nas sombras.
'Como esses desgraçados têm tanto dinheiro assim?', pensou, com os olhos brilhando de avareza.
Estalou a língua, irritado, e então saltou com tanta agilidade que conseguiu atravessar os muros e entrar sem ser notado.
Um sorriso diabólico surgiu em seu rosto, e seus olhos vibravam em expectativa por uma carnificina. Diante dele, estendia-se um jardim repleto de flores coloridas.
No instante em que deu um passo à frente, uma flecha foi lançada em sua direção. Zephyr apenas ergueu a mão e a agarrou no ar, sem esforço. Logo em seguida, ouviu um assobio ao longe.
Quando se deu conta, Zephyr já estava cercado por quatro pessoas, cada uma empunhando uma arma.
No alto do telhado da mansão, ele avistou uma mulher loira com um arco em mãos. À sua frente, um homem alto, de cabelos ruivos e olhos verdes, segurava uma lança. Uma cicatriz marcava seu rosto, logo abaixo do olho esquerdo. Ele sorria, aparentemente animado com a perspectiva da batalha.
À esquerda do homem alto, havia um garoto bem jovem, empunhando uma espada velha e desgastada. Seus olhos eram azuis, e os cabelos, negros como a noite.
Mas o que realmente chamou a atenção de Zephyr não foi nenhum deles e sim o homem que estava atrás dele.
Era um sujeito imponente, de cabelos loiros e olhos azuis, vestindo uma armadura vermelha com detalhes azuis no peitoral e nos braços, que se destacavam sob a luz tênue do ambiente.
'O que ele está fazendo aqui?', pensou Zephyr, um tanto preocupado com a situação em que se encontrava.
O loiro era Dante um dos místicos mais poderosos do mundo e também um velho conhecido seu.
Seus olhos se encontraram, e Dante sorriu antes de sacar sua espada: uma lâmina prateada com a empunhadura preta, reluzindo sob a luz do jardim.
Zephyr lançou um olhar rápido para o garoto e avançou sem hesitar. O jovem não teve tempo de reagir em um movimento ágil, Zephyr já havia sacado sua adaga e, num único golpe, decapitou o garoto.
Ao virar o rosto, viu a ponta de uma lança vindo em sua direção com velocidade mortal.
Zephyr levantou o pé e chutou o cabo da lança, fazendo o homem alto errar o golpe. Em seguida, ele viu Dante se aproximando com sua espada, mirando nas suas costas.
Zephyr saltou para trás, apenas para perceber que três flechas estavam vindo em sua direção. Sem tempo para fugir, ele concentrou sua energia e gerou uma corrente de eletricidade, fazendo as flechas pararem no ar e se destruírem instantaneamente.
Zephyr se virou rapidamente para defender o golpe de espada de Dante com sua adaga, enquanto o homem alto atacava. A ponta da lança do homem estava quase tocando suas costas.
Zephyr rapidamente chutou Dante para longe e desviou do golpe do lanceiro, quase sendo atingido. Ele saltou e, no ar, chutou as costas de seu adversário, jogando-o no chão.
Zephyr se virou e viu mais três flechas se aproximando.
Com agilidade, ele pegou duas das flechas com as mãos, e a terceira a pegou com os dentes. A mulher, ao ver isso, arregalou os olhos, assistindo à cena com descrença.
O assassino de cabelos brancos se virou e viu o lanceiro irritante correndo em sua direção. Zephyr se moveu tão rápido que parecia um borrão branco.
Antes que o homem percebesse, Zephyr já tinha cravado uma adaga em seu pescoço. O lanceiro caiu morto no chão, e Zephyr retirou a adaga de seu pescoço com uma precisão impecável.
Zephyr viu Dante parado à sua frente, preparado para a luta. Ele saltou tão alto e, no ar, olhou para a arqueira intrometida, que lançava três flechas em sua direção. Zephyr desviou com agilidade e, ainda no ar, arremessou uma de suas adagas, que acertou a cabeça da mulher, matando-a instantaneamente. Seu corpo caiu no chão, e Zephyr se aproximou para retirar sua adaga da cabeça da mulher.
Zephyr voltou seu olhar para Dante, que continuava a sorrir. Ele se preparou e esperou pelo ataque de Dante, que veio exatamente como ele previu.
Com facilidade, Zephyr defendeu o golpe usando suas adagas. Em seguida, ele canalizou sua eletricidade, transferindo-a das adagas para a espada de Dante, que foi imediatamente eletrocutado.
Seu corpo caiu no chão, contorcendo-se de dor, e seus gritos ecoaram altos. Zephyr, impassível, o nocauteou com um golpe rápido, deixando-o inconsciente.
Alguns minutos depois, Dante despertou, apenas para encontrar Zephyr à sua frente, e ele claramente não estava de bom humor.
"Onde eles estão?", perguntou Zephyr, visivelmente irritado.
Dante sabia exatamente o motivo. As pessoas que Zephyr deveria eliminar não estavam na mansão tudo aquilo não passava de uma armadilha.
A verdadeira localização estava tão bem escondida que qualquer pista era valiosa para os assassinos.
Zephyr sabia que as informações nem sempre eram precisas, às vezes, até podiam estar erradas, embora isso fosse raro.
Por isso, considerou a possibilidade de que as pessoas que procurava realmente tivessem estado naquela mansão, mas que já não estivessem mais ali.
"Por que você acha que eu sei onde eles estão?", disse Dante, encarando Zephyr, que não demonstrava a menor emoção em seu rosto. Seus olhos eram frios, vazios. Dante, ao ver aquele olhar, se levantou do chão e encarou Zephyr com seriedade.
"Tá bom, eu sei onde eles estão... e, de qualquer forma, vou ter que ir até lá pegar meu pagamento" disse Dante, enquanto pegava sua espada.
Ele suspirou, resignado.
"Eles estão no reino de Arvandor," revelou com um sorriso malicioso no rosto.
Dois homens caminhavam pelas ruas de Arvandor: Zephyr e Dante.
"Eu disse que você não precisava vir," comentou Zephyr, lançando um olhar para Dante.
"Escuta aqui," retrucou Dante, irritado, "aqueles caras estão me devendo. E você não tem nenhum poder sobre mim. Eu não sou um dos seus assassinos sou um mercenário."
Dante viu uma mulher encapuzada correndo pela rua. Ela esbarrou em seu ombro, e, naquele momento, seus olhos se arregalaram.
'O que ela está fazendo aqui?', pensou, surpreso, ao vislumbrar o que havia sob o capuz: cabelos prateados e olhos azuis.
A mulher se desculpou rapidamente e continuou correndo, desaparecendo entre a multidão.
Zephyr olhou com desconfiança.
"O que foi? Viu alguma coisa?", perguntou, ao ver Dante parado à sua frente, feito um idiota.
"Sim," respondeu Dante, com um sorriso levemente animado. "Eu vi uma princesa."
'Será que ele é o tipo de cara que se impressiona com qualquer mulher bonita que vê e fica falando coisas sem sentido?' pensou Zephyr, fechando os olhos por um instante.
Logo em seguida, reconsiderou: 'Não... talvez ele só esteja trabalhando demais.'
"É melhor você descansar um pouco depois de pegar seu pagamento," disse Zephyr, um pouco preocupado com o amigo que, apesar de tudo, era bastante útil às vezes.
Os dois continuaram caminhando pelas ruas de Arvandor.
Dante e Zephyr se depararam com um estabelecimento que parecia fechado. O assassino olhou para seu amigo mercenário, que caminhava tranquilamente com um sorriso. Dante então chutou a porta e gritou: "Tem alguém em casa? Temos visita!"
Zephyr observava a cena com um olhar incrédulo. Ele retirou uma de suas adagas do punhal e seguiu Dante, que parecia completamente confiante.
Ao entrar, Zephyr se deparou com várias pessoas armadas, tanto no primeiro andar quanto no segundo. Ele olhou para Dante, que então sacou sua espada e a incendiou. Um sorriso apareceu no rosto de Zephyr, admirando a chama poderosa que dançava na lâmina.
"Eu fico com o primeiro andar, e você fica com o segundo," disse Zephyr, já se preparando para atacar. Dante assentiu e desapareceu da vista de Zephyr, que então começou a ouvir alguns gritos vindo de dentro do estabelecimento.
Seus olhos vermelhos brilhavam com o desejo de sangue. As pessoas à sua frente davam alguns passos para trás, sem saber o motivo de uma única pessoa conseguir causar tanto medo. Seus instintos diziam para fugir, mas no momento em que o homem de cabelos brancos e olhos vermelhos os encarou, sabiam que tudo estava acabado.
Zephyr lançou vinte esferas de eletricidade, acertando a maioria dos mercenários à sua frente e os deixando paralisados. Rapidamente, ele se moveu sobre cada um deles e, com sua adaga, cortou a garganta de todos os vinte mercenários, assustando até mesmo os poucos que conseguiam se mover.
Zephyr olhou para o lado e viu uma pessoa encapuzada, sentada, observando-o com um sorriso. No entanto, ele não pôde prestar muita atenção, pois alguém com uma espada se aproximava dele pelas costas.
Zephyr girou, desviando do ataque, e contra-atacou cravando sua adaga no pescoço do oponente, que o encarava incrédulo.
Sem dar importância ao corpo que caía, o assassino voltou sua atenção para o restante dos inimigos, ignorando a figura encapuzada ainda sentada. Ele contou cinco pessoas à sua frente.
Com um sorriso, Zephyr pulou e acertou um chute no rosto de um dos inimigos, fazendo vários de seus dentes caírem no chão. Sem hesitar, ele saltou novamente e esmagou o pescoço do homem com um pisão, matando-o instantaneamente.
Seus olhos frios avistaram mais duas pessoas se aproximando. Zephyr avançou rapidamente, enfiando os dedos na garganta do inimigo mais próximo. Em seguida, arremessou sua adaga no rosto do segundo, acertando em cheio e finalizando-o.
Correndo em direção às duas últimas pessoas, Zephyr desferiu um soco forte o suficiente para nocautear uma delas. Em seguida, olhou para o lado, saltou, girou no ar e acertou um chute direto na cabeça do último que ainda estava de pé, derrubando-o com violência.
Ele pegou sua adaga suja de sangue e a posicionou gentilmente na garganta das duas pessoas caídas no chão.
Zephyr se virou e encarou a pessoa sentada nas escadas. Ela se levantou e retirou o capuz, revelando longos cabelos loiros e uma tatuagem de uma estrela de quatro pontas. Seus olhos azuis, cheios de calor, se fixaram nos olhos vermelhos de Zephyr, que ficou paralisado, sem saber como reagir.
Sua mente começou a ficar entorpecida, e a mulher se aproximava com um sorriso convencido.
"Você é bem resistente... então qual é o problema?", disse ela, chegando ainda mais perto, até estender a mão para tocar o rosto dele.
No entanto, antes que conseguisse, a mão de Zephyr agarrou a dela com força, impedindo o toque.
"Então você é um daqueles homens que gostam de usar a violência com mulheres sexy?" disse ela com um sorriso provocador. "Então me deixe assumir o controle."
Dominado pela perda total de controle, Zephyr caiu de joelhos no chão, os olhos vazios como um abismo. A mulher o fitava com um sorriso sinuoso, lascivo e carregado de um prazer cruel.
"Esse gosto é ótimo", murmurou ela, passando a língua pelos lábios com uma lentidão quase provocativa.
"Zephyr... o que aconteceu com você?",disse uma voz. Ao ouvi-la, a mulher se virou rapidamente.
Diante dela, estava um homem alto, com sangue escorrendo pela armadura. Seus cabelos loiros e olhos azuis se destacavam mesmo sob a penumbra, intensos e hipnotizantes. A mulher ficou momentaneamente paralisada, impressionada com a beleza letal daquele que empunhava uma espada ainda pingando sangue.
'Eu quero ele', ela pensou, os olhos fixos na espada em chamas de Dante que vinha em sua direção. E mesmo com a morte prestes a tocá-la, ela sorria.
Sem entender o que estava acontecendo, Dante foi arremessado para trás com uma força brutal. Seu abdômen ardia de dor. Assustado, ele levantou o olhar, Zephyr estava à sua frente, empunhando duas adagas eletrificadas.
Seus olhos estavam vazios, sua expressão, apática. Dante rapidamente entendeu que aquilo era obra daquela mulher. Ele precisava matá-la, mas para isso teria que enfrentar Zephyr.
Uma tarefa quase impossível.
Dante se levantou e correu em direção a Zephyr, que fez o mesmo. A espada de Dante se chocou contra as adagas de Zephyr, que o empurrou para trás e, em seguida, o chutou na canela, fazendo Dante quase cair no chão.
Zephyr pulou, levantou a perna esquerda e a abaixou na direção da cabeça de Dante, acertando-o em cheio. Ele caiu no chão.
Percebendo o que poderia acontecer, ele incendiou seu corpo, fazendo Zephyr dar alguns passos para trás. Dante se levantou, olhando para Zephyr, que agora tinha eletricidade percorrendo seu corpo.
Os dois se atacaram com uma velocidade incrível. A espada de Dante se chocou contra uma das adagas de Zephyr, que começou a derreter devido ao calor. Zephyr deu um pulo para trás, guardou suas adagas, olhou para o chão e pegou uma espada longa.
Dante reconheceu a espada: era uma Claymore. Um sorriso torto apareceu em seu rosto.
Eu estou fudido. Ele é tão bom quanto eu com a espada. A única chance que eu tenho é atacar primeiro', ele pensou, um pouco hesitante, mas decidido a ganhar aquela luta a qualquer custo, deixando a hesitação de lado.
Os dois se encaravam. Dante podia sentir cada parte do seu corpo queimando, mas isso não era desconfortável; era prazeroso. Cansativo, mas ele sentia que, com aquele poder, poderia fazer qualquer coisa.
Ele era invencível.
As chamas, antes vermelhas, estavam ficando azuis sem que Dante percebesse.
Os dois atacaram ao mesmo tempo, e uma enorme onda de choque fez todo o estabelecimento tremer. A mulher mal conseguia enxergar o que estavam fazendo ela via apenas borrões. Aquilo a incomodava tanto que uma dor de cabeça começou a surgir.
Zephyr lançou o braço em um golpe contra Dante, que desviou da espada. Ele girou, movendo sua própria lâmina com ainda mais velocidade, mas seu alvo era mais rápido e o interceptou antes que completasse o ataque, acertando um chute certeiro em sua costela e o empurrando para longe.
Zephyr avançava, desferindo vários golpes contra Dante, que se defendia mantendo a espada acima da cabeça. Mas Zephyr não recuava, seus ataques se tornavam cada vez mais rápidos e implacáveis.
Dante esperou o momento certo para agir. Quando percebeu a abertura, moveu-se no instante em que o golpe de Zephyr o atingia, desviando levemente para o lado e fazendo com que a espada do oponente escorregasse e caísse no chão. Rapidamente, Dante ergueu sua própria espada em direção ao peito de Zephyr mas, num instante, uma onda de eletricidade percorreu o corpo de Zephyr, lançando Dante para trás.
Seus olhos se fixaram em Zephyr, que agora estava ainda mais rápido. A troca de golpes continuava intensa, e Dante viu a espada de Zephyr atravessar sua defesa, passando perigosamente perto de seus olhos. Mas Zephyr não parou em seguida, um chute acertou em cheio o rosto de Dante, fazendo-o girar e ficar momentaneamente desnorteado.
Dante começou a lançar vários cortes de fogo em direção a Zephyr, que desviava de todos, exatamente como ele esperava. Então, viu Zephyr saltar.
Dante deu um passo para trás com um sorriso no rosto. No exato momento em que Zephyr pisou no chão, um pilar de fogo irrompeu, envolvendo-o. Zephyr rapidamente escapou das chamas e, sem perder tempo, lançou várias esferas de eletricidade na direção de Dante.
Dante saltou o mais alto que podia para desviar do golpe de Zephyr que, num instante, surgiu logo acima dele. Mas Dante já esperava por isso. Uma grande explosão irrompeu no ar, bem diante da mulher, que assistia a tudo com os olhos arregalados.
O estabelecimento já estava em chamas. Sem pensar duas vezes, a mulher decidiu fugir dali o mais rápido possível, para não ser pega no fogo cruzado.
Dante estava de joelhos, ofegante. Seu corpo não estava mais em chamas, mas sua pele estava pálida. Ele olhava para frente e via Zephyr, com queimaduras, ainda de pé muito melhor do que Dante, que mal conseguia ficar de pé.
"Merda, esse é o meu fim, seu filho da puta! Como você pode ser tão forte?", disse Dante, enquanto olhava Zephyr se aproximando. Sua visão começou a ficar turva e ele caiu no chão. Tudo ao seu redor escurecia, e sua consciência começava a se apagar.
'Merda.' Essa foi a última coisa que ele pensou antes de perder a consciência.
