Capítulo 31 — Lâminas, Energia e Caminhos em Conflito
O tempo começava a avançar de forma diferente para cada um deles.
Em lugares distintos, sob céus diferentes, três caminhos se fortaleciam — sem saber que, no futuro, esses mesmos caminhos iriam colidir com força devastadora.
Aetheryon — O Treinamento de Ren
O campo principal de combate estava silencioso.
Exceto pelo som metálico constante.
CLANG!
CLANG!
CLANG!
As duas espadas curvas de Ren cortavam o ar em sequência rápida.
Takemura não recuava.
Cada golpe que ele desferia carregava peso real — não era treino leve.
Era treino de sobrevivência.
— Mais rápido.
Ren avançou.
Golpes cruzados.
Takemura bloqueou com apenas uma lâmina.
— Lento.
Ren girou o corpo e tentou atacar pelas costas.
Takemura desviou sem sequer olhar.
— Previsível.
Em um movimento brutal, Takemura golpeou o ombro de Ren com o lado plano da espada.
Ren foi lançado ao chão.
A poeira subiu.
Silêncio.
Takemura caminhou até ele.
— Levante.
Ren se levantou sem reclamar.
Respiração pesada.
Olhar intenso.
Takemura então falou algo diferente do habitual:
— Aqui não existe honra.
Ren ficou em silêncio.
— Não existe duelo justo.
Takemura aproximou o rosto.
— Existe sobrevivência.
Ren apertou as espadas.
Takemura continuou:
— Se alguém for uma ameaça…
— Elimine.
Sem hesitação.
Sem piedade.
Ren absorveu aquelas palavras.
Takemura apontou para as lâminas curvas.
— Essas espadas não são feitas para lutar.
— São feitas para matar.
O treino recomeçou.
Dessa vez, Ren avançou diferente.
Mais agressivo.
Mais direto.
Os golpes começaram a ganhar velocidade.
E junto deles…
o poder das lâminas.
Um brilho vermelho começou a surgir a cada corte.
O efeito de sangramento aumentava.
Mesmo golpes superficiais agora deixavam marcas profundas.
Takemura percebeu.
E sorriu.
— Agora sim.
O treino seguiu até o pôr do sol.
E Ren já não lutava como antes.
Aetheryon — O Caminho de Isamu
Enquanto isso, em uma área mais tranquila do reino…
Isamu treinava com Lysera.
Ali não havia impacto brutal.
Não havia golpes pesados.
Havia controle.
Havia energia.
Havia consciência.
Lysera caminhava lentamente ao redor dele.
— Energia espiritual não é força.
— É fluxo.
Isamu mantinha a katana erguida.
Os olhos fechados.
Respiração controlada.
Lysera continuou:
— Você não força a energia.
— Você permite que ela passe.
O vento começou a se mover ao redor.
Leve.
Suave.
Pequenas partículas luminosas surgiram.
Isamu abriu os olhos.
— Eu… estou fazendo isso?
Lysera sorriu.
— Sim.
Ela então ergueu sua própria lâmina.
Um brilho dourado surgiu.
E junto dele…
pequenas partículas parecidas com pétalas de luz.
— A energia responde ao seu estado emocional.
Isamu tentou novamente.
Dessa vez, concentrou-se.
Lentamente…
uma aura fraca começou a surgir ao redor da katana.
Instável.
Mas real.
Lysera assentiu.
— Muito bom.
Isamu respirou fundo.
— Nunca imaginei aprender algo assim.
Lysera respondeu com leveza:
— Eu também nunca imaginei ensinar.
Os dois riram.
Mas havia algo ali crescendo.
Confiança.
Respeito.
Laço.
E mesmo que ainda fosse cedo…
o potencial de Isamu começava a aparecer.
Vorthal — A Investigação de Aoi
O reino de Vorthal era diferente.
Mais rígido.
Mais militar.
Mais silencioso.
Ali, força era tudo.
Aoi caminhava pelos corredores de pedra negra observando cada detalhe.
Arquitetura defensiva.
Postos de vigilância em todos os pontos.
Treinamentos constantes.
Não parecia apenas um reino.
Parecia um exército inteiro.
Ela precisava entender os objetivos deles.
E começou observando o que sabia fazer melhor.
Treinar.
O campo de combate de Vorthal era amplo e brutal.
Ali não havia técnicas refinadas como em Aetheryon.
Havia eficiência.
Um dos instrutores observou Aoi.
— Você luta?
Ela respondeu:
— Sim.
Ele jogou uma espada para ela.
— Então prove.
Aoi avançou.
Os movimentos eram rápidos.
Precisos.
Equilibrados.
Os soldados começaram a perceber.
Ela não era comum.
Após o treino, um armeiro se aproximou.
— Sua lâmina é boa.
— Mas pode ser melhor.
Ele mostrou uma espada diferente.
Metal escuro.
Brilho frio.
— Lâmina de Vorthal.
Aoi analisou.
— O que tem de especial?
O armeiro respondeu:
— Corte absoluto.
Ela testou.
A lâmina atravessou um bloco de madeira reforçada como se fosse papel.
Os olhos dela ficaram sérios.
Aquilo era perigoso.
Muito perigoso.
Ela decidiu adaptar sua katana usando o metal de Vorthal.
Mais forte.
Mais afiada.
Mais letal.
Enquanto treinava…
Aoi também observava.
E começava a perceber algo:
Vorthal não era apenas um reino militar.
Eles estavam se preparando para algo maior.
A Vila — O Festival e o Ensino
O clima na vila era completamente diferente.
Colorido.
Feliz.
O festival estava prestes a começar.
Crianças corriam pelas ruas decoradas.
Músicas suaves ecoavam.
E no centro da praça…
Seraphiel ensinava.
Crianças sentadas ao redor.
Kanzaki observando ao lado.
— Poder não é apenas lutar — dizia Seraphiel.
Ele erguia a mão lentamente.
Uma pequena luz espiritual surgia.
As crianças ficavam encantadas.
— Poder é proteger.
Kanzaki completou:
— E disciplina.
Seraphiel olhou para ele.
Os dois trocavam respeito silencioso.
Mesmo sendo diferentes.
Mesmo carregando segredos.
Ali…
eram apenas mestres ensinando a próxima geração.
Mas longe dali…
o perigo começava a se mover.
Os Rastros da Vila
Nas regiões costeiras…
Soldados de Aetheryon avançavam discretamente.
Os enviados de Eryndor.
Observando.
Analisando.
Seguindo pistas.
Um deles se ajoelhou perto da areia.
— Marcas recentes.
Outro respondeu:
— Barcos pequenos.
Eles se entreolharam.
— Estamos perto.
O avanço continuou.
Lento.
Silencioso.
Inevitável.
Aetheryon — Conversa na Calada da Noite
A noite havia caído.
O quarto compartilhado por Ren e Isamu estava silencioso.
Apenas a luz da lua entrava pela janela.
Ren estava sentado.
Limpando as espadas.
Isamu deitado olhando o teto.
Por alguns minutos…
nenhum falou nada.
Até que Isamu quebrou o silêncio.
— Você está mudando.
Ren não respondeu.
Continuou limpando a lâmina.
Isamu continuou:
— Não é só o treino.
— É o jeito que você luta agora.
Ren respondeu sem olhar:
— Preciso ficar mais forte.
— Só isso.
Isamu sentou.
— Existe uma diferença entre ficar forte…
— E se perder.
Silêncio.
Ren parou por um momento.
Mas logo voltou.
— Aqui é diferente da igreja.
— Aqui eles ensinam a vencer.
Isamu respondeu calmamente:
— Não.
— Eles ensinam a destruir.
Ren finalmente olhou para ele.
Os dois ficaram em silêncio.
Isamu continuou:
— Eu não sou um guerreiro.
— Nunca fui.
— Mas já vi muita gente se perder tentando ser forte demais.
Ren desviou o olhar.
Isamu então falou algo mais direto:
— A agressividade resolve algumas coisas.
— Mas não resolve tudo.
O silêncio voltou.
Longo.
Pesado.
Mas dessa vez…
Ren escutou.
Não respondeu.
Mas escutou.
E isso já era algo importante.
Isamu sorriu de leve.
— Só não esquece quem você era.
Ren não respondeu.
Mas, pela primeira vez naquela noite…
parou de limpar as espadas.
Caminhos que Começam a se Cruzar
O mundo continuava se movendo.
Ren ficando mais agressivo.
Isamu aprendendo equilíbrio.
Aoi se tornando mais perigosa.
A vila celebrando paz.
Enquanto…
forças invisíveis começavam a se aproximar.
Eryndor ainda não havia dado seu próximo passo.
Mas ele viria.
E quando viesse…
ninguém estaria realmente preparado.