Capítulo 32 — Ecos de Poder e Hierarquias
O mundo não parava.
Enquanto cada reino seguia seus próprios objetivos, forças silenciosas continuavam se fortalecendo — algumas guiadas por convicção, outras por medo… e outras pela simples necessidade de sobreviver.
E em Aetheryon, o poder começava a tomar forma.
Aetheryon — O Limite do Corpo, o Despertar da Lâmina
O som das lâminas cortando o ar já não era novidade para Ren.
Agora, era rotina.
Suor escorria pelo rosto.
Respiração pesada.
Mas seus movimentos… estavam diferentes.
Mais rápidos.
Mais precisos.
Mais perigosos.
Takemura caminhava lentamente ao redor dele, observando cada detalhe.
— De novo.
Ren avançou.
As duas espadas curvas se cruzaram em um golpe duplo.
Takemura bloqueou com a haste metálica de sua lança, mas dessa vez o impacto empurrou seus pés alguns centímetros para trás.
Um sorriso discreto surgiu em seu rosto.
— Melhor.
Ren não respondeu.
Apenas atacou novamente.
Agora seus golpes carregavam algo além da técnica.
Carregavam intenção.
A cada corte, pequenas partículas vermelhas surgiam no ar — o efeito das lâminas começava a se manifestar com mais intensidade.
O sangramento espiritual.
Mesmo sem ferimentos profundos, o impacto energético se acumulava.
Takemura desviou por pouco de um corte lateral.
— Você está aprendendo.
Ren girou o corpo e tentou finalizar com um golpe cruzado.
Takemura interrompeu o ataque com a haste da lança e empurrou Ren para trás.
— Mas ainda está pensando demais.
Ren ficou em posição defensiva.
Takemura apontou a lança para ele.
— Lutar não é pensar.
— É agir.
Ren avançou novamente.
Dessa vez sem hesitação.
Sem pausa.
Sem dúvida.
O campo começou a vibrar com a energia das lâminas.
E, pela primeira vez…
Takemura precisou usar poder real para bloquear.
Uma pequena onda de energia se espalhou ao redor dos dois.
Ren estava evoluindo rápido.
Muito rápido.
Aetheryon — O Fluxo de Isamu
Em outra área do reino, o clima era completamente diferente.
O vento passava suavemente pelas estruturas de pedra.
Lysera caminhava lentamente ao redor de Isamu.
Ele estava sentado.
Olhos fechados.
Respiração profunda.
A katana apoiada sobre as pernas.
— Não lute contra a energia — disse Lysera com calma. — Sinta ela.
Isamu permaneceu imóvel.
Durante dias, ele havia tentado entender aquilo.
E agora…
finalmente começava a sentir.
Pequenas partículas luminosas surgiram ao redor dele.
Instáveis.
Mas reais.
Lysera sorriu.
— Está começando.
Isamu abriu os olhos.
— Eu consigo sentir… como se estivesse respirando diferente.
Lysera respondeu:
— Porque está.
Ela ergueu sua própria katana.
Um brilho dourado suave surgiu.
E junto dele, pequenas partículas em forma de pétalas começaram a aparecer.
— A energia espiritual não é apenas poder.
— É identidade.
Isamu observou aquilo com atenção.
— Então… cada pessoa manifesta algo diferente?
— Sim.
Lysera respondeu.
— E o seu ainda está nascendo.
Isamu apertou levemente o cabo da katana.
Pela primeira vez…
sentia que realmente estava mudando.
Vorthal — Os Boatos do Número Um
Aoi caminhava pelos corredores de pedra escura de Vorthal.
O clima ali era sempre o mesmo.
Silencioso.
Tenso.
Militar.
Ela já havia treinado diversas vezes com os soldados do reino e agora começava a ganhar respeito entre eles.
Mas o que realmente importava…
era a informação.
Nos últimos dias, um nome havia começado a surgir com frequência.
Ou melhor…
um título.
“Número Um”.
Durante um treino, dois soldados conversavam próximo ao campo.
— Dizem que ele fez isso sozinho.
— Derrotou um ancestral inteiro.
— E não só derrotou… absorveu.
Aoi fingiu não prestar atenção.
Mas estava completamente focada.
Mais tarde, em uma conversa com o General Karthus, ela decidiu testar algo.
— Ouvi alguns soldados falando sobre alguém chamado Número Um.
Karthus permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois respondeu:
— Apenas boatos.
Aoi manteve o olhar firme.
— Parece algo mais do que isso.
Karthus desviou o olhar.
— Existem guerreiros… que mudam o rumo da história.
Silêncio.
Aoi percebeu.
Ele sabia mais do que dizia.
Karthus continuou:
— Continue seu treinamento.
— O resto não é assunto para iniciantes.
Aoi assentiu.
Mas por dentro…
sabia que havia encontrado algo importante.
Se alguém realmente havia absorvido o poder de um ancestral…
então Vorthal não era apenas um reino militar.
Era algo muito mais perigoso.
A Vila — O Festival da Igreja
A vila estava viva.
Luzes coloridas decoravam as ruas.
Músicas ecoavam.
Crianças corriam.
Famílias celebravam.
Mas no centro de tudo…
a igreja permanecia imponente.
Cultos estavam sendo realizados continuamente.
O padre organizava cada detalhe.
Enquanto isso, Seraphiel e Kanzaki observavam.
Silenciosos.
Atentos.
— O povo precisa disso — disse Seraphiel. — Esperança.
Kanzaki respondeu:
— Esperança também precisa de proteção.
Seraphiel assentiu.
Os dois sabiam.
A paz ali era frágil.
E, em algum lugar distante…
o perigo já estava se movendo.
Os Rastros se Aproximam
Nas regiões costeiras…
os soldados enviados por Eryndor avançavam lentamente.
Um deles observava marcas em um penhasco.
— Estruturas de vigilância.
Outro respondeu:
— Disfarçadas.
Silêncio.
— Encontramos.
O líder do grupo ergueu o olhar.
— Então é aqui.
Eles estavam muito perto.
Muito mais perto do que a vila imaginava.
Aetheryon — Noite de Conflitos
O campo de treinamento estava quase vazio.
Ren treinava sozinho.
Movimentos repetitivos.
Golpes rápidos.
Respiração pesada.
O cansaço era evidente.
Mas ele não parava.
Foi então que Isamu se aproximou.
— Você não descansou hoje.
Ren respondeu sem parar.
— Não preciso.
Isamu cruzou os braços.
— Precisa sim.
Ren ignorou.
Continuou atacando o ar.
Isamu suspirou.
— Ren… você está diferente.
Silêncio.
Ren respondeu:
— Estou ficando mais forte.
Isamu falou calmamente:
— Não parece.
Ren parou por um instante.
Isamu continuou:
— Parece que você está tentando se destruir.
Ren voltou a treinar.
Mas dessa vez…
mais agressivo.
— Não entende.
Antes que Isamu pudesse responder—
Uma voz surgiu atrás deles.
— Claro que ele não entende.
Os dois viraram.
Takemura.
Ele caminhava lentamente.
Olhar frio.
— Ele nunca lutou de verdade.
Isamu respondeu:
— Não precisa lutar para entender alguém.
Takemura riu.
— Precisa sim.
O clima mudou.
Takemura se aproximou.
— Conselhos fracos criam guerreiros fracos.
Isamu manteve a postura.
— Nem tudo se resolve com violência.
Takemura parou.
Silêncio.
Então—
Sem aviso.
Sem preparação.
Takemura avançou.
Um soco direto.
Isamu tentou reagir—
Mas não conseguiu.
O impacto o derrubou imediatamente.
Ren arregalou os olhos.
Isamu caiu no chão.
Atordoado.
Takemura falou:
— Esse é o problema.
Antes que ele continuasse—
Uma voz surgiu.
Fria.
— Já chega.
Lysera.
Ela apareceu caminhando rapidamente.
Olhar irritado.
Muito irritado.
— Ele não é seu aluno.
Takemura respondeu:
— Ainda.
Lysera puxou sua katana.
O brilho dourado surgiu.
Takemura sorriu.
— Então é isso?
Ele girou a lança.
— Faz tempo.
Os dois assumiram posição.
Ren e Isamu ficaram em silêncio.
E então—
A luta começou.
A Dança das Energias
Os movimentos eram rápidos.
Preciso.
Bonitos.
Lysera avançou primeiro.
Sua lâmina deixou rastros dourados no ar.
Takemura bloqueou com a lança e contra-atacou com um giro brutal.
Uma explosão de energia espalhou poeira pelo campo.
Os golpes começaram a aumentar.
Velocidade absurda.
Impactos intensos.
As energias começaram a colorir o ambiente.
Dourado.
Azul.
Faíscas surgiam a cada colisão.
Era uma dança.
Uma dança mortal.
Takemura avançou com golpes pesados.
Lysera respondia com precisão refinada.
Nenhum dos dois estava dominando.
Era equilíbrio puro.
Mas então—
O clima mudou.
Algo caiu do céu.
Um impacto brutal.
BOOOM
A poeira subiu.
O chão tremeu.
O silêncio tomou o campo.
Quando a poeira começou a baixar…
uma figura estava no centro.
Eryndor.
Sua presença era esmagadora.
Ele segurava o braço de Lysera.
E ao mesmo tempo…
pisava no pé de Takemura.
Sem esforço.
Sem sequer ter desembainhado a katana.
Silêncio absoluto.
Takemura tentou avançar novamente—
Mas Eryndor virou o rosto lentamente.
Segurou o braço dele.
E apertou.
O som do impacto foi seco.
Takemura travou os dentes.
Eryndor falou calmamente:
— Reconheça quem está no comando.
Silêncio.
O aperto aumentou.
Takemura quase caiu de joelhos.
— Quando eu digo que acabou…
— Acabou.
Ele soltou.
Takemura recuou.
Lysera também abaixou a katana.
Eryndor olhou para os dois.
— Vocês estão aqui para treinar guerreiros.
— Não para provar ego.
Silêncio.
— Voltem ao trabalho.
Em um piscar de olhos…
Eryndor desapareceu.
Como se nunca tivesse estado ali.
O campo ficou em silêncio por alguns segundos.
Lysera caminhou até Isamu.
— Está bem?
Ele assentiu, ainda meio atordoado.
— Estou.
Ela estendeu a mão.
— Vamos.
Eles começaram a sair.
Mas antes—
Takemura gritou:
— Isso não acabou!
Lysera não respondeu.
Continuou caminhando.
Isamu também.
Ren permaneceu.
Observando.
Pensando.
Takemura girou a lança.
— Vamos continuar.
Ren assumiu posição.
O treino recomeçou.
Mas agora…
algo havia mudado.
Para todos eles.
Eryndor havia deixado claro.
Ali…
só existia uma autoridade.