Capítulo 33 – O Primeiro Impacto
O vento soprava frio sobre as águas ao redor de Aetheryon.
O reino parecia tranquilo à primeira vista, mas essa calma não era completa — havia sempre movimento nas áreas de treinamento, patrulhas nas muralhas e soldados atentos ao horizonte. Depois dos últimos acontecimentos, ninguém ali acreditava mais em paz absoluta.
Eryndor não estava presente naquele momento.
Ele havia saído em uma missão desconhecida, deixando apenas seus comandados para manter a segurança do território.
Foi exatamente nesse instante que o problema surgiu.
Sombras no Mar
No alto de uma das torres de observação, um soldado estreitou os olhos.
Algo se movia no horizonte.
Não demorou para perceber.
Navios.
Dois navios.
Grandes.
Avançando direto para Aetheryon.
Sem bandeiras diplomáticas.
Sem sinais de negociação.
Apenas bandeiras negras marcadas com o símbolo de Vorthal.
O soldado puxou o sino de alerta.
DONG!
DONG!
DONG!
O som ecoou por todo o reino.
Em segundos, a atmosfera mudou.
Portões começaram a se fechar.
Soldados correram para suas posições.
Arqueiros subiram às muralhas.
E, pela primeira vez desde que chegaram…
Ren e Isamu seriam testados em uma batalha real.
Enquanto isso… na Vila
Distante dali, na vila ligada à igreja, o clima era completamente diferente.
O festival em celebração ao retorno de Seraphiel estava no auge.
Lanternas iluminavam as ruas.
Moradores celebravam.
Crianças corriam entre barracas decoradas.
Kanzaki observava tudo com atenção — mesmo em um momento de alegria, ele nunca abaixava a guarda.
Seraphiel, por outro lado, caminhava entre as pessoas com sua presença calma e imponente.
Seu olhar transmitia paz.
Mas também poder.
Em certo momento, algumas crianças começaram a pedir:
— Mostra uma luta!
— Mestre Kanzaki também!
Seraphiel sorriu levemente.
Kanzaki cruzou os braços.
— Só uma demonstração.
Seraphiel concordou.
Eles caminharam até uma área aberta.
Moradores começaram a se reunir ao redor.
A “Luta” de Demonstração
Kanzaki sacou sua katana lentamente.
Seraphiel não usou arma alguma.
Apenas posicionou o corpo.
Silêncio.
Então—
CLANG!
Kanzaki avançou primeiro.
Um golpe rápido.
Seraphiel desviou com um movimento mínimo, como se já soubesse exatamente onde o ataque viria.
Os dois começaram a trocar movimentos que pareciam mais uma dança do que uma luta.
Kanzaki atacava com precisão.
Seraphiel respondia com técnicas espirituais.
Pequenas partículas de luz surgiam ao redor de seus movimentos, formando padrões brilhantes no ar.
As crianças observavam maravilhadas.
Cada passo era calculado.
Cada golpe era controlado.
Mesmo sendo apenas uma demonstração…
Era evidente que ambos estavam em um nível absurdo.
Em determinado momento, Kanzaki aumentou um pouco a velocidade.
Seraphiel ergueu dois dedos.
Uma pequena barreira espiritual surgiu.
A lâmina parou antes de tocá-lo.
Silêncio.
Depois…
Os dois recuaram ao mesmo tempo.
A multidão aplaudiu.
Mas, enquanto todos celebravam…
Kanzaki sentiu algo.
Uma leve tensão no ar.
Como se algo estivesse prestes a acontecer.
De Volta a Aetheryon – O Ataque Começa
Os navios de Vorthal chegaram rápido.
Rápido demais.
Antes mesmo que todas as defesas fossem organizadas, dezenas de soldados inimigos saltaram das embarcações diretamente para a costa.
Armaduras negras.
Lâminas diferentes das tradicionais.
Movimentos agressivos.
Sem hesitação.
Era um ataque direto.
Uma invasão.
Primeira Linha de Defesa
Takemura foi o primeiro a avançar.
Sua lança girou no ar.
Uma explosão de energia acompanhou o movimento.
Três soldados de Vorthal foram lançados para trás.
— Formação! — gritou ele.
Logo atrás, Ren segurava suas duas espadas curvas.
Seu coração batia rápido.
Mas seu olhar…
Estava diferente.
Mais frio.
Mais focado.
Takemura falou sem olhar para trás:
— Lembre do que eu te ensinei.
Ren respondeu:
— Ameaça… elimina.
E avançou.
Ren em Combate
O primeiro inimigo veio com um golpe diagonal.
Ren cruzou as duas lâminas.
CLANG!
Faíscas surgiram.
Em um movimento rápido, ele girou o corpo e cortou o adversário no abdômen.
O efeito de sangramento começou imediatamente.
Outro inimigo tentou atacar por trás.
Ren girou novamente.
Dois cortes rápidos.
Preciso.
Frio.
Sem hesitação.
O treinamento estava funcionando.
Cada golpe aumentava o efeito das lâminas.
Os inimigos começavam a cair não apenas pelos cortes…
Mas pelo desgaste.
Pela perda de sangue.
Takemura observou de longe.
Um leve sorriso surgiu.
Isamu e Lysera
Do outro lado do campo, Isamu estava claramente nervoso.
Era sua primeira batalha real.
Suas mãos tremiam.
Lysera percebeu.
— Respira.
Isamu assentiu.
Um soldado inimigo avançou.
Isamu tentou bloquear.
O impacto o fez recuar alguns passos.
Lysera entrou imediatamente na frente.
Sua katana cortou o ar.
Pétalas espirituais surgiram junto ao golpe.
O inimigo caiu.
Ela olhou para Isamu.
— Não pense demais. Só sinta.
Outro inimigo avançou.
Dessa vez…
Isamu reagiu.
Ele desviou.
Girou.
E acertou seu primeiro golpe real.
A energia espiritual treinada com Lysera apareceu de forma instável, mas visível.
O adversário caiu.
Isamu ficou parado por um segundo.
Ele tinha conseguido.
Lysera sorriu.
— Viu?
O Campo de Batalha
A luta se intensificou.
Explosões de energia.
Metal contra metal.
Gritos.
Soldados de Aetheryon começaram a cair também.
A batalha não era fácil.
Não era limpa.
Era guerra.
Takemura enfrentava vários inimigos ao mesmo tempo.
Ren avançava cada vez mais agressivo.
Isamu começava a ganhar confiança.
Lysera se movia como uma dança mortal.
Pouco a pouco…
As forças de Vorthal começaram a recuar.
Alguns tentaram voltar para os navios.
Outros continuaram lutando até cair.
Depois de minutos intensos…
O silêncio começou a voltar.
O Resultado
Os dois navios estavam destruídos.
Restos de madeira queimavam na costa.
Soldados feridos recebiam ajuda.
Alguns corpos permaneciam no chão.
Ren observava tudo em silêncio.
Sua respiração pesada.
Seu olhar distante.
Isamu também estava em silêncio.
Era a primeira vez que ambos sentiam o peso real da guerra.
Lysera colocou a mão no ombro de Isamu.
— Você foi bem.
Takemura se aproximou de Ren.
— Ainda não terminou.
Ren perguntou:
— O que quer dizer?
Takemura respondeu:
— Isso foi só o começo.
O Primeiro Fragmento da Guerra
A invasão não fazia sentido.
Pequena demais para conquistar Aetheryon.
Mas agressiva demais para ser apenas reconhecimento.
Era um teste.
Um aviso.
Ou…
O primeiro movimento de algo muito maior.
Muito distante dali…
Em Vorthal…
Alguém observava tudo como parte de um plano.
E essa pessoa ainda nem havia aparecido.
A guerra estava começando.
E ninguém ainda entendia o verdadeiro motivo.