Capítulo 37 – O Peso de um Desafio
O vento soprava forte no topo das torres de Vorthal.
As nuvens avançavam lentamente, escondendo parte da lua e criando sombras que se arrastavam pelas muralhas negras do reino.
Ren permanecia parado na beirada da torre mais alta.
Silencioso.
Imóvel.
A aura fria ao redor dele parecia cortar o próprio ar.
Seu capuz ocultava parte do rosto, mas seus olhos permaneciam atentos, analisando cada movimento abaixo.
Nada.
Nenhum som.
Nenhuma resposta.
Apenas o vento.
Mas então…
Passos.
Firmes.
Pesados.
Controlados.
Vindos das escadarias de pedra atrás dele.
Ren não se virou.
Ele já sabia.
Uma presença enorme começou a preencher o ambiente.
Não era apenas força.
Era domínio.
Era experiência.
Era alguém acostumado a sobreviver em guerras reais.
O som metálico de uma armadura pesada ecoou.
E então a voz surgiu.
Grave.
Direta.
Sem medo.
— Você tem coragem.
Ren virou lentamente o rosto.
O homem estava ali.
Alto.
Imponente.
Armadura escura reforçada por placas grossas.
Uma capa vermelha pesada descia pelos ombros.
Os olhos eram duros, frios, calculistas.
General Karthus.
Ele parou a poucos metros de distância.
Observando Ren.
Estudando cada detalhe.
— Invadir Vorthal sozinho… — continuou Karthus — e ainda me desafiar.
Silêncio.
O vento passou entre os dois.
Ren respondeu:
— Eu não vim invadir.
Pausa.
— Vim mandar um aviso.
Karthus ergueu levemente uma sobrancelha.
— Um aviso?
Ren puxou lentamente uma das espadas curvas.
O metal refletiu a luz da lua.
— Aetheryon.
O nome ecoou.
Karthus não se moveu.
Mas seus olhos mudaram.
Uma leve tensão surgiu.
— Então é isso.
Ele colocou a mão sobre o cabo de sua arma — uma espada larga, pesada, marcada por várias cicatrizes de combate.
— Vocês realmente decidiram responder.
Ren puxou a segunda espada.
Agora as duas lâminas estavam prontas.
A aura sangrenta começou a surgir lentamente.
— Eu não vim conversar.
Silêncio.
Karthus soltou um pequeno sorriso.
Não era de arrogância.
Era de aprovação.
— Bom.
— Eu também não.
Ele sacou a espada.
O som metálico ecoou pelo topo da torre.
E naquele instante—
Os dois desapareceram.
O Primeiro Impacto
CLANG!!!
O choque das lâminas explodiu pelo ar.
Faíscas voaram.
A pressão do impacto fez pequenas rachaduras surgirem no chão de pedra.
Ren havia avançado primeiro.
Rápido.
Extremamente rápido.
Mas Karthus bloqueou.
Sem esforço aparente.
Os dois permaneceram travados por alguns segundos.
Olhos contra olhos.
Energia contra energia.
Karthus falou:
— Velocidade impressionante.
Ren respondeu:
— Força previsível.
Ren girou o corpo.
As duas espadas desceram em ângulos diferentes.
Karthus recuou meio passo.
Bloqueou o primeiro golpe.
Desviou do segundo.
Contra-atacou imediatamente.
Um golpe horizontal pesado.
Ren cruzou as lâminas.
CLANG!
O impacto empurrou Ren alguns metros para trás.
Ele deslizou.
Mas se manteve firme.
Os olhos dele ficaram mais atentos.
— Forte…
Karthus avançou.
Agora era ele quem atacava.
Golpes pesados.
Diretos.
Sem movimentos desperdiçados.
Cada ataque tinha intenção real de matar.
Ren começou a se mover com mais precisão.
Desviando.
Girando.
Contra-atacando em aberturas mínimas.
O som das lâminas começou a acelerar.
CLANG
CLANG
CLANG
SHHHK
Centelhas surgiam a cada choque.
O vento parecia girar ao redor dos dois.
O Estilo de Karthus
Ren percebeu rapidamente.
Karthus não era um lutador comum.
Nada nele era exagerado.
Nada era teatral.
Tudo era eficiente.
Cada golpe tinha peso.
Cada passo tinha propósito.
Era um estilo militar puro.
Refinado por anos de batalha.
Karthus não buscava movimentos bonitos.
Buscava resultados.
Ren avançou novamente.
Desta vez liberando mais velocidade.
As duas lâminas começaram a deixar rastros vermelhos no ar.
Golpes consecutivos.
Rápidos.
Precisos.
Karthus começou a bloquear.
Mas percebeu algo.
As lâminas eram diferentes.
Mesmo os cortes superficiais começavam a sangrar mais.
O efeito das espadas.
Sangramento acumulativo.
Karthus deu um salto para trás.
Observou o pequeno corte no braço.
O sangue escorria mais rápido que o normal.
Ele sorriu.
— Interessante.
Ele levantou a espada novamente.
E então—
A energia começou.
Uma aura pesada surgiu ao redor dele.
Não era colorida.
Não era brilhante.
Era densa.
Escura.
Como se o próprio ar tivesse ficado mais pesado.
Ren sentiu.
E imediatamente mudou a postura.
— Então você também usa poder espiritual.
Karthus respondeu:
— Eu uso… guerra.
O Ritmo Aumenta
Karthus avançou.
Muito mais rápido.
O impacto foi imediato.
CLANG!!!
Ren foi forçado para trás.
Os golpes ficaram mais pesados.
Mais rápidos.
Mais intensos.
A espada de Karthus começou a gerar ondas de impacto a cada ataque.
Ren desviava por centímetros.
Girava o corpo.
Tentava contra-atacar.
Mas agora precisava usar mais velocidade para acompanhar.
Os dois começaram a desaparecer em pequenos flashes de movimento.
A torre começou a rachar.
Pedras se soltavam a cada impacto.
Ren deslizou para o lado.
Girou o corpo.
Executou um golpe cruzado.
Karthus bloqueou.
Mas Ren continuou.
Mais três golpes consecutivos.
O último conseguiu atingir o ombro da armadura.
Um corte superficial.
Mas o sangramento começou.
Karthus percebeu.
— Então esse é o truque.
Ren respondeu:
— Não é truque.
— É sentença.
Karthus sorriu novamente.
Agora mais sério.
Mais interessado.
O Peso do Duelo
O combate começou a desacelerar por alguns segundos.
Ambos estavam analisando.
Respiração controlada.
Energia circulando.
O vento soprou forte novamente.
Lá embaixo…
Soldados de Vorthal observavam.
Nenhum interferia.
Nenhum sequer se movia.
Duelo era duelo.
Era regra.
Era honra.
Karthus falou:
— Você é jovem.
— Mas luta como alguém que já perdeu muito.
Ren não respondeu.
Karthus continuou:
— Quem você perdeu?
Silêncio.
O vento passou.
Ren apertou levemente as espadas.
— Pessoas suficientes.
A aura dele aumentou.
Mais intensa.
Mais agressiva.
— E você?
Karthus respondeu sem hesitar:
— Um general não conta perdas.
— Ele aprende com elas.
Ren desapareceu.
A Primeira Abertura Real
Ren surgiu atrás de Karthus.
Golpe duplo.
Extremamente rápido.
Karthus girou o corpo.
Bloqueou o primeiro.
Mas o segundo—
Acertou.
Um corte diagonal atravessou parte da armadura.
O sangue surgiu.
Karthus recuou.
Agora sério de verdade.
A pressão espiritual aumentou.
O chão começou a vibrar.
A espada dele começou a emitir uma energia pesada.
Como ondas invisíveis.
Ren percebeu.
— Agora começou.
Karthus respondeu:
— Sim.
— Agora começou.
Ele ergueu a espada.
E a energia explodiu ao redor dele.
O ar distorceu.
A pressão aumentou drasticamente.
Ren sentiu o impacto.
Mas sorriu levemente.
E cruzou as duas lâminas.
A aura sangrenta explodiu ao redor dele.
Duas energias.
Duas filosofias.
Duas histórias.
Prestess a colidir de verdade.
O vento parou.
O silêncio tomou o topo da torre.
E então—
Os dois avançaram novamente.
A verdadeira batalha…
Finalmente começava.