Capítulo 39 – O Último Ato de um Guerreiro
O ar estava pesado.
Pesado como se o próprio mundo estivesse segurando a respiração.
De um lado, Ren.
Seu corpo envolto pela energia negra ancestral, símbolos pulsando como marcas vivas espalhadas por sua pele. As duas espadas curvas vibravam em suas mãos, disparando pequenos fragmentos de energia escura que distorciam o espaço ao redor.
Do outro, Karthus.
A transformação havia se completado.
Sua armadura agora brilhava com linhas de energia branca intensa, como se fosse feita de luz sólida. A aura ao redor dele não era apenas poderosa — era estável, pura, esmagadora. O chão ao seu redor parecia se reorganizar para suportar aquela presença.
Uma energia completamente oposta à de Ren.
Escuridão contra luz.
Instinto contra disciplina.
Despertar contra controle.
O vento explodiu.
E os dois desapareceram.
O Choque das Forças
BOOM!
O impacto inicial foi tão forte que as construções próximas tremeram.
As espadas de Ren colidiram com a lâmina de Karthus, e o encontro das energias negra e branca criou uma onda de choque que atravessou toda a rua.
Fragmentos de pedra foram lançados para o alto.
O ar se partiu em distorções visíveis.
Ren atacava com velocidade absurda.
Pequenos teletransportes surgiam a cada movimento.
Ele desaparecia—
Reaparecia—
Golpeava—
Explodia energia negra—
Sumia novamente.
Cada ataque era acompanhado por rajadas escuras que avançavam como lâminas invisíveis.
Mas Karthus…
Bloqueava.
Cada golpe.
Sem hesitar.
Sem perder postura.
A energia branca ao redor de sua espada expandia-se a cada impacto, criando escudos momentâneos de luz que absorviam parte das explosões.
CLANG!
BOOM!
SHRAAAK!
Ren surgiu acima.
Girou o corpo.
Desceu com as duas lâminas.
Karthus ergueu a espada—
Uma onda de luz explodiu para cima.
O choque lançou Ren de volta alguns metros.
Mas antes de tocar o chão—
Ele desapareceu.
Reapareceu atrás de Karthus.
Ataque cruzado.
Explosão negra.
Karthus deslizou para frente absorvendo o impacto.
Girou imediatamente.
Contra-ataque.
Uma única estocada.
Simples.
Precisa.
Mas carregada de energia branca concentrada.
Ren bloqueou—
E foi empurrado violentamente para trás.
O chão rachou sob seus pés.
A diferença agora era clara.
Ren estava mais rápido.
Mas Karthus estava mais estável.
Mais técnico.
Mais completo.
A Forma de Karthus
A energia branca começou a se expandir ainda mais.
Karthus fechou os olhos por um instante.
Respirou fundo.
Quando abriu novamente—
A aura explodiu.
Uma coluna de luz subiu ao céu.
As linhas brilhantes em sua armadura se intensificaram.
Sua presença mudou completamente.
Agora parecia…
Imensa.
— Esta forma — disse Karthus calmamente — é algo que eu só usei em guerras reais.
Ren avançou.
Teleporte.
Golpe.
Explosão negra.
Mas dessa vez—
Karthus simplesmente levantou a mão.
A energia branca condensou-se no ar.
Um escudo de luz bloqueou o ataque antes mesmo das lâminas chegarem.
Ren recuou instantaneamente.
Karthus avançou.
Desaparecendo em velocidade absurda.
Agora era ele quem estava rápido.
A espada cortou o ar.
Uma onda branca gigantesca atravessou a rua.
Ren teleportou para evitar—
Mas a onda mudou de direção.
Seguiu.
Perseguiu.
Ren cruzou as espadas.
Explosão.
O impacto lançou os dois para lados opostos.
As construções começaram a ruir.
A batalha estava ficando grande demais.
O Auge do Combate
O céu estava coberto por poeira.
A cidade começava a mostrar sinais claros de destruição.
Mesmo sendo um duelo…
O nível dos dois já ultrapassava qualquer limite comum.
Ren avançou novamente.
Agora usando teletransportes consecutivos.
Cada movimento criava imagens residuais.
Ataques surgiam de vários ângulos.
Explosões negras preenchiam o campo.
Karthus respondeu.
Sua espada começou a liberar cortes de energia branca que permaneciam no ar por alguns segundos.
Como armadilhas.
Ren desviava—
Mas algumas passavam perto demais.
Um corte rasgou parte de sua roupa.
Outro atingiu seu ombro de leve.
Mesmo assim—
Ele continuava avançando.
Os símbolos pelo corpo brilhavam cada vez mais.
A energia negra aumentava.
Mas junto com ela…
O desgaste também.
O poder era enorme.
Mas instável.
Ren ainda não controlava aquilo.
Karthus percebeu.
E foi nesse momento que algo mudou.
O Silêncio no Meio da Guerra
Durante um choque de ataques—
Uma explosão maior que as anteriores aconteceu.
Os dois foram empurrados para lados opostos.
Por alguns segundos…
Nenhum atacou.
A poeira começou a baixar.
E então Karthus viu.
Casas destruídas.
Ruínas espalhadas.
Soldados feridos.
E…
Civis.
Alguns caídos.
Outros tentando fugir.
O silêncio bateu de forma diferente.
Não era mais o silêncio de combate.
Era o silêncio de realidade.
Karthus permaneceu parado.
Observando.
Respirando lentamente.
A energia branca começou a diminuir.
Ren avançou novamente—
Mas parou ao perceber.
Karthus não estava mais em postura ofensiva.
Ele olhava para a cidade.
Para as consequências.
Para o que aquela luta estava causando.
E então…
Ele sorriu.
Um sorriso calmo.
Orgulhoso.
Mas também…
Cansado.
A Escolha de um Guerreiro
A aura branca desapareceu lentamente.
Ren ficou imóvel.
A energia negra ainda envolvia seu corpo.
Mas agora…
Sem ataques.
Sem movimentos.
Karthus caminhou.
Passo por passo.
Em direção a Ren.
Sem levantar a espada.
Sem postura de combate.
Apenas caminhando.
Os soldados ao redor não entenderam.
Ren não atacou.
Algo dizia para ele não atacar.
Karthus parou diante dele.
Observou seus olhos.
Observou os símbolos.
Observou o poder.
— Você… — disse Karthus com voz tranquila — ainda não entende o que carrega.
Ren permaneceu em silêncio.
Respirando pesado.
O poder começava a oscilar.
Karthus então segurou uma das espadas de Ren.
Com calma.
Sem violência.
A lâmina ainda vibrava com energia negra.
— Um guerreiro… — continuou ele — precisa saber quando vencer… e quando parar.
Ren apertou a outra espada.
Confuso.
Cansado.
Sem entender completamente.
Karthus olhou novamente para a cidade destruída.
— Se continuarmos… Vorthal será destruída junto comigo.
Silêncio.
O vento soprou lentamente.
Então Karthus voltou a olhar para Ren.
E pela primeira vez…
Seu olhar não era de adversário.
Era de respeito.
— Existe futuro em você.
Ren não respondeu.
Mas seus olhos tremeram.
— Se fizer as escolhas certas.
Karthus respirou fundo.
E então—
Puxou a espada que estava na mão de Ren.
Sem resistência.
Sem hesitação.
E a posicionou contra o próprio peito.
Ren percebeu.
— Espera—
Mas já era tarde.
Karthus empurrou a lâmina.
O movimento foi rápido.
Preciso.
Silencioso.
A energia branca brilhou uma última vez.
Como uma despedida.
Como uma chama se apagando.
O tempo pareceu desacelerar.
Karthus sorriu.
Não havia dor em seu rosto.
Apenas paz.
Orgulho.
E a calma de alguém que viveu exatamente como queria.
— Proteja… aquilo que ainda importa.
Sua voz saiu fraca.
Mas firme.
Então…
Seu corpo perdeu força.
A espada caiu.
E Karthus também.
O Fim do Despertar
No instante em que Karthus tocou o chão—
A energia negra ao redor de Ren começou a desaparecer.
Os símbolos começaram a sumir.
Sua respiração ficou irregular.
O peso do combate finalmente atingiu seu corpo.
As duas espadas caíram de suas mãos.
O poder ancestral cessou completamente.
Como se nunca tivesse existido.
Ren caiu de joelhos.
Exausto.
O mundo girava.
O silêncio parecia distante.
Ele olhou para o corpo de Karthus.
Sem entender completamente o que havia acabado de acontecer.
Mas sentindo…
Que algo importante havia mudado.
Muito mais do que apenas o resultado de uma luta.
Seu corpo perdeu forças.
Sua visão escureceu.
E então—
Ren caiu.
O duelo havia terminado.
Mas as consequências…
Apenas começavam.