Capítulo 52 — O Início do Fim
Aetheryon — Torre Central
O vento passava forte nas alturas.
Lá de cima, todo o território visível de Aetheryon parecia vivo.
Soldados.
Movimento.
Treinamento.
Preparação.
O som constante de aço, passos e respiração preenchia o ar como um aviso silencioso do que estava por vir.
Eryndor estava parado na beirada.
Imóvel.
Observando.
Ao lado dele—
Tan Yang.
Braços cruzados.
Olhar atento.
— Estão mais organizados.
A voz de Yang foi calma.
— Melhor do que eu esperava.
Eryndor não respondeu.
Seu olhar percorria o campo.
Ren.
Lysera.
Isamu.
Takemura.
E dezenas de outros.
Cada um treinando.
Cada um se preparando.
— Você confia mesmo em todos eles?
A pergunta veio direta.
Sem rodeios.
Eryndor permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Então—
— Eu sei quem eu recruto.
Sua voz saiu baixa.
Firme.
— E enquanto forem úteis para o reino…
Uma pequena pausa.
— Eles permanecem.
Yang desviou levemente o olhar para Ren.
Observando.
— Aquele garoto…
Seus olhos se estreitaram minimamente.
— Está evoluindo rápido demais.
Silêncio.
— Você devia prestar mais atenção nele.
Eryndor não respondeu.
Mas ouviu.
Yang continuou.
— E o outro?
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Isamu.
Uma pausa.
— De onde ele veio?
Eryndor respondeu sem hesitar.
— Lugar nenhum.
— Apareceu junto com o Ren.
— Quer ser guerreiro.
Simples.
Direto.
Yang ficou em silêncio.
Observando o campo novamente.
Seus olhos passavam por todos.
Analisando.
Pesando.
Calculando.
O vento soprou mais forte.
E então—
— Você está investigando?
A pergunta veio mais baixa.
Mas mais pesada.
— Sobre o traidor.
Silêncio.
A cena… corta.
Aetheryon — Quartos dos Soldados
Passos leves.
Controlados.
Soldados de Eryndor.
Investigando.
Cada detalhe.
Cada objeto.
Cada sinal.
O quarto de Ren e Isamu estava aberto.
Revirado.
Sem exagero.
Mas minucioso.
Um dos soldados terminava de analisar a última parte.
— Nada aqui.
Outro assentiu.
— Vamos.
Eles começaram a sair.
Mas então—
Um pequeno som.
Quase imperceptível.
Algo caindo no chão.
Um dos soldados parou.
Virou o rosto.
Um papel.
Velho.
Amassado.
Perto das coisas de Isamu.
Ele voltou.
Abaixou.
Pegou.
Abriu lentamente.
Seus olhos passaram pelas palavras.
“...se tudo der errado… vá para o continente…”
“...lá você entenderá…”
Silêncio.
O soldado dobrou o papel.
Sem dizer nada.
Guardou.
E saiu.
A porta se fechou.
Aetheryon — Campo de Treinamento
O ar tremia levemente.
Ren avançava.
Mais focado.
Mais controlado.
Diferente.
Ele levantou uma das espadas—
E respirou fundo.
Sentiu.
O fluxo.
O Kai.
E então—
Atacou.
O corte saiu limpo.
Mas junto dele…
veio algo mais.
Uma distorção leve.
Como se o ar fosse rasgado junto com a lâmina.
Ren parou.
Olhou.
— …
Atrás dele—
Takemura.
De pé.
Braços cruzados.
Observando.
— Então finalmente tá aprendendo.
Ren não respondeu.
Apenas levantou a espada novamente.
Mas então—
— Ainda não é suficiente.
A voz veio do lado.
Isamu.
Se aproximando.
Ren abaixou a lâmina.
— O que você quer?
Direto.
Frio.
Isamu parou ao lado dele.
Olhou para o campo.
— A guerra tá aí.
Silêncio.
— Você ainda é o mesmo?
Ren não respondeu de imediato.
O vento passou.
— Daquela estrada…
Isamu continuou.
— Quando a gente se conheceu.
Uma pausa.
Ren olhou de lado.
Seus olhos… mais frios agora.
— Não.
Simples.
Direto.
Sem emoção.
Isamu abaixou o olhar por um instante.
Mas assentiu levemente.
— Eu imaginei.
Silêncio.
— Só não esquece completamente quem você era.
Ren não respondeu.
Isamu se virou.
— Boa sorte.
E saiu.
Caminhando de volta.
Lysera o chamou.
Outros soldados também.
Treino.
Preparação.
Vida continuando.
Ren ficou parado por alguns segundos.
Pensando.
Mas então—
Voltou a treinar.
Vorthal — Campo de Treinamento
O som era intenso.
Aoi se movia com velocidade muito maior agora.
Seu corpo leve.
Seu kimono acompanhando os movimentos.
Sua katana—
brilhando.
Fragmentos lunares surgiam a cada golpe.
Flutuando.
Desaparecendo.
Reaparecendo.
Shizuna observava.
Atenta.
— Melhor.
Aoi avançou.
Girou.
Atacou novamente.
Mais preciso.
Mais fluido.
Mas então—
— Ei!
A voz veio de trás.
Kaien.
Sorrindo.
— Que tal um teste de verdade?
Aoi olhou para ele.
Respiração controlada.
— Agora?
— Claro.
Ele já puxava a arma.
— Ou vai fugir?
Silêncio.
Aoi levantou a katana.
— Não.
Simples.
Direto.
Os dois avançaram.
O impacto foi imediato.
Velocidade contra velocidade.
Precisão contra impulso.
Aoi atacava com cortes limpos, deixando rastros prateados.
Kaien respondia com agressividade.
E então—
O ar ao redor dele mudou.
Calor.
Subindo rápido.
— Já que você começou a brincar…
Ele sorriu.
— Eu também posso.
Chamas surgiram.
Ao redor da lâmina.
Do corpo.
Do movimento.
— Esse é o meu Kai.
O fogo cresceu.
Instável.
Mas poderoso.
Os dois colidiram novamente.
Lua contra fogo.
Fragmentos prateados cortavam o ar—
Chamas explodiam ao redor.
O campo tremia.
Shizuna observava.
Em silêncio.
Sem interferir.
Aoi girou o corpo—
Liberando uma sequência de cortes lunares—
Kaien atravessou com fogo—
Explosão.
Energia.
Impacto.
Mas então—
— Chega.
A voz veio como ordem absoluta.
Zareth.
Parado.
Observando.
— Acabou.
Os dois pararam.
Respiração pesada.
Zareth deu um passo à frente.
— Cinco dias.
Silêncio.
— Acabaram.
O ar ficou mais pesado.
— Estamos partindo.
Vorthal — Porto
Três navios.
Grandes.
Carregados.
Soldados embarcando.
Armas sendo organizadas.
O som da madeira, das cordas e do mar se misturava com a tensão no ar.
A guerra…
finalmente começando.
Aoi subiu no navio.
Passo por passo.
Silenciosa.
Seu olhar… distante.
Pensando.
Igreja.
Seu pai.
A destruição.
O vazio.
— Onde vocês estão…?
Seu peito apertou.
Mas ela continuou andando.
Parou.
Olhou para o mar.
E então—
Ren.
A lembrança veio forte.
O olhar dele.
As palavras.
Aquela presença.
Ela fechou os olhos por um segundo.
— …
Quando abriu novamente—
estavam diferentes.
Mais firmes.
Mas ainda… carregados.
— Eu…
Baixo.
— Vou lutar.
O som de passos.
Kaien passou por ela.
— Não morre antes de lutar comigo de novo.
Um sorriso leve.
Ele seguiu.
Aoi não respondeu.
Apenas ficou ali.
Sentindo.
Pensando.
— Eu enlouqueci…?
Uma pergunta sem resposta.
Mas sem tempo para pensar.
— Preparar!
A voz de Zareth ecoou.
Forte.
Dominante.
— Levantar âncoras!
O som começou.
Cordas sendo puxadas.
Velas se abrindo.
O mar respondendo.
— Rumo a Aetheryon!
O vento soprou.
Os navios começaram a se mover.
Lentamente.
Depois—
com força.
Cortando o mar.
Levando consigo—
centenas de soldados.
Ambição.
Medo.
Ódio.
E destino.
Aoi olhou para frente.
Para o horizonte.
Para onde tudo iria acontecer.
Seus olhos… firmes.
Mas carregando tudo que ela deixou para trás.
E tudo que ainda iria enfrentar.
A guerra…
havia começado.