Capítulo 5 (Parte 3/3)
Ao todo foram 15 minutos.
Mas finalmente a batalha acabou.
Cada minuto pareceu uma eternidade em meio a ataques insanos e lâminas de vento enquanto o inimigo zombava a cada segundo da batalha como um bobo da corte diabólico.
— É tudo que vocês tem hahah.
— Errou otária hahaha.
— Ala teu pai, ah não é só minha bunda.
Enquanto isso, tinha um clone do saci do outro lado da sala mostrando a bunda rindo descontroladamente enquanto formava lâminas de vento prontas para matar.
E foi nessa dança entre comédia e tragédia que a batalha estava finalmente em seu clímax.
— Graças a Deus, se vai morrer agora. — a ninja do grupo estava finalmente cara a cara com o oponente.
O saci estava no chão, sua única perna quebrada devido a um golpe de sorte do tanque e seu braço estava preso à parede por uma rede espiritual conjurada por uma flecha mágica do arqueiro.
— Vai se fuder — com a mão ainda livre ele tentava reunir o vento em seu dedo do meio, até ele sabia que a batalha tinha terminado, mas não custava tentar, pena que o vento não foi mais rápido que a adaga perfurando seu peito.
Seu corpo explodiu em fios de ar acompanhados de uma risada enlouquecida.
E tudo que sobrou foram um gorro vermelho e o cristal da alma de rank C.
A ninja se aproxima e ao olhar para o gorro parece impressionada como se algo mágico tivesse acontecido.
— Eu vi primeiro!
Ela escondeu o gorro em suas roupas, mas ao olhar para trás esperando algum tipo de ataque de oportunidade ela vê que seus companheiros estavam exaustos demais para reclamar o loot. O tanque estava suando como um porco debaixo daquela armadura quente, para aliviar o calor, ele retirar o elmo e revelar seu rosto. Cabelos ruivos e volumosos e uma cara redonda e pálida cheia de pontinhos vermelhos espalhados pelo seu rosto como um céu estrelado.
— saci desgraçado — ele se apoia em sua maça estrela enquanto tenta levantar seu corpo cansado do chão.
Enquanto isso. O arqueiro estava encostado na parede seu cabelo longo revelando pela falta do manto - grudada no teto por um do ataques do saci - suas madeixas douradas estavam espetadas como a pelagem de um ouriço por causa dos ataques de vento, enquanto seus cãezinhos elementais ficavam ao seu lado como animais de estimação preocupados lambendo as feridas de seu corpo.
Depois de um tempo, a rocha desliza para o lado e abre a passagem. Como a única definitivamente saudável do trio a ninja resolveu pegar as poções que ficaram com a encosto que Marcelo - o arqueiro - trouxe.
Mas antes de chegar lá, ela se depara com lama, muita lama!
Ignorando o ambiente assustadoramente sujo ela decide vasculhar a bolsa encostada perto da porta
Tirando alguns pedaços de lixo e as armas extras, só tinha 2 poções de cura e nenhuma poção de stamina o resto estava quebrado e esmigalhado no fundo da mochila
“que porra aquela garota fez?”
Ao olhar para o caminho à frente, tinha lama espalhada pelas paredes e fluindo pelo chão junto da estrutura familiar de uma "lama viva" morta… Bem talvez pra ela fosse comum, já que tal monstros era mais comum na América do Sul e em algumas partes da África.
Seguindo com furtividade, ela finalmente encontrou a garota.
Ela estava suja de lama, carregava um facão e um escudo quebrado e parecia cansada até a alma, ela tremia em espasmos musculares e seu corpo estava sujo de sangue e lama.
Ela olhava para uma gema em sua mão recentemente retirada de um monte de raízes douradas, que a ninja considerou o cadáver de um monstro, pra logo depois colocar a joia em um saco improvisado junto de várias outras até finalmente cair no chão cansada.
Mas o que definitivamente tirou a paciência da ninja foi a boca suja da garota com um líquido vermelho que claramente não era sangue.
"Minha poça" — essa, essa, arh!
A ninja se aproximava já pensando em como iria exigir explicações da forma mais mafiosa que conseguisse, mas ao ouvir um barulho de algo rastejando ela para com um arrepio frio na espinha.
O barulho era como uma cobra passando por um lugar apertado para descolar a pele velha da nova…
Um barulho que a ninja reconheceu bem, afinal nesse mesmo rasgo ela já tinha visto e enfrentado algo parecido.
*Scrrrrra*
No final do corredor, uma cobra gigante que mal passava pelo caminho apertado rastejava tranquilamente como se estivesse em uma seção de massagem. Sua pele parecia se desprender do corpo revelando escamas novas e brilhantes por baixo enquanto as velhas estavam sujas de lama e alguns cristais de alma soltos vindos diretamente de lamas vivas esmagadas pelo seu corpo.
Ela passava pelo corredor como uma rainha que era, mas ao ver as figuras à frente, seus olhos parecem emitir uma aura perturbadora enquanto sua pupilas diminui, é perceptível um leve traço de raiva neles, como se reconhecesse algo.
— Morri haha. Como se eu fosse deixar!— a ninja estava preparada pra fugir, mas analisando a situação percebeu algo... a garota!?
A garota suja parecia ter aceitado a morte, ela estava ali deitada com indiferença e olhos vazios, mas a ninja já havia percebido o problema, nunca que o seu grupo de três mataria essa coisa e principalmente, eles tinham trago essa garota, se ela morre… eles provavelmente teriam que pagar uma indenização a família dela!
Agarrado a garota ela puxou a mesma de volta ao salão, a ninja não tinha lá uma força muito grande, mas ela ganhou a dádiva de ser uma super humana, puxar uma garota mundana e cansada não era difícil.
Ao chegar à entrada da sala anterior, ela arremessou a garota sem nenhum pudor pra dentro e pegou a mochila próxima a passagem junto com ela, afinal, 2 poções são melhores que nada.
— aí! qual foi Mika, não joga pessoas assim não… eca ela tá toda suja. — o tank pegou a garota no ar enquanto também se enchia de nojo por causa da lama.
Safira estava cansada demais para responder algo ao tanque, nem mesmo um obrigado por ter impedido ela de cair no chão.
— Mika, uma poção de cura aqui.
O arqueiro Marcelo parecia pálido… mais pálido do que o normal, estava claramente enfraquecido pela perda de sangue, mas o mesmo gelou ao ouvir um som familiar.
*Tsssssss*
Era uma cobra sibilando vindo em alta velocidade como um projétil saindo do cano e esse cano era o corredor a frente.
— Fecha… Fecha a porta…
A garota finalmente falou algo, mas Mika achou ridículo “como assim fechar a porta?”
Mas logo ela percebeu do que se tratava quando o tanque colocou a garota no chão e correu ao lado do grande disco de pedra que antes fechava o caminho, ele tentou empurrar, mas o disco era realmente pesado e se movia lentamente.
Percebendo isso, Mika foi em seu auxílio junto dos familiares do arqueiro que de forma cômica tentavam empurrar a pedra com seus corpinhos, mas em contra partida, o invocador dos cães ia até a bolsa pra pegar uma poção e tomava um grande gole da mesma.
— Sério isso! — Mika falou enquanto o arqueiro bebia a poção com calma e após isso respondeu — vocês conseguem — 👍✨
E como se respondesse seu joinha a porta fez um som de *click* e rolou até o caminho, selando novamente a passagem…
*Booom!!!*
A pedra saiu voando momentos depois sendo impulsionado por uma quantidade cavalar de força e sangue, a cobra estava com a cara dentro do salão mesmo com o focinho amassado e escorrendo sangue por todos os orifícios visíveis ela ainda parecia viva.
“Precisamos correr logo daqui” com esse pensamento Mika começou a dar ordens
— Juca pega a garota e eu pego o Marcelo e aí a gente…
*Slap* *Slap* *Slap*
A garota antes caída estava agora enfurecida enquanto perfuravam o olho da cobra com um facão vermelho sangue a ponto da lâmina quebrar dentro do olho da besta, a cobra não fazia nada, na verdade parecia confusa por causa do impacto a ponto de sua respiração soar como uma flauta.
E Mika não foi a única a perceber isso.
Os familiares em forma de cão começaram a correr até uma das flechas de Marcelo, ele tencionou a mesma sobre o fio do arco que de alguma forma dava um poder ainda maior à flecha.
E quando soltou a corda.
A flecha elemental disparou como um jato vermelho de plasma, quente como a lava de um vulcão enchendo a sala de um laranja avermelhado digno do inferno.
— Ksaaaaaar!
Um grito final fúnebre… seguido de uma explosão de Sangue e massa cerebral
A anaconda está morta.
A sala brilhou em vermelho e cheirou a carne queimada.
— Meu Deus!
Mika correu até a garota, ao ver que a mesma estava em um estado grave já começou a suar.
“Não morre por favor! Eu não quero perder meu precioso dinheirinho!”
E assim terminou, a primeira aventura de Safira em um rasgo, mas isso está longe de acabar, na verdade, foi só o começo.