Na Academia Vart
A Academia Vart era um imenso castelo erguido na borda sul da capital.
Valtheris era… diferente.
Suas ruas de pedra perfeitamente alinhadas, casas de concreto branco, tudo transmitia um luxo que nenhuma província conseguia alcançar. Altos muros cercavam toda a cidade, e sobre eles, soldados armados, rifles nas mãos e espadas presas à cintura.
Mas nada se comparava ao Palácio Aurora.
Gigantesco.
Dizia-se que sua ponta dourada tocava as nuvens. Suas paredes brancas eram adornadas com ouro, rubis e esmeraldas, um símbolo vivo da riqueza e poder da capital.
— Esta cidade é linda, não acham?
A voz ecoou pelo pátio da academia.
Um homem idoso, de barba longa, apoiava-se em uma bengala com cabeça de leão dourado. Seu uniforme era semelhante ao dos alunos, mas no peito carregava uma estrela de cinco pontas.
Seus olhos verdes percorriam os estudantes.
— Cada pedra dessa cidade foi erguida com o esforço dos nossos ancestrais. Em cada uma delas… há sangue.
O silêncio tomou conta.
— Eu, Diretor Hector Valamttof, peço que nunca esqueçam disso.
Os aplausos vieram logo depois.
— Sejam bem-vindos à Academia Vart.
Enquanto isso…
Kael caminhava pelos corredores.
Paredes brancas. Quadros antigos. Silêncio.
— O Caim tá certo… — murmurava — mesmo sendo um inútil… eu não posso envergonhar Noctyra fugindo ou perdendo de propósito… então… não importa como…
— Que esquisito.
Kael travou.
Virou lentamente.
Era ela.
A garota de antes.
— Foi você… — ele apontou — você me chamou de feio, não foi?!
— Eu apenas disse o que vi — respondeu ela, com o nariz empinado.
— Escuta aqui, vovó! Na minha província eu era muito respeitado!
— Então devia ser uma província de cegos… — ela cruzou os braços — e… você me chamou de quê?
Antes que a discussão continuasse—
— Que bonitinho… primeiro dia de aula e já arrumaram um romance.
Uma nova voz.
Calma.
Perigosa.
Uma mulher se aproximava ao lado do diretor.
Cabelos Brancos e longos.
Olhos fechados.
Uniforme militar.
No peito… uma estrela de oito pontas.
Quando abriu os olhos—
Bramcos.
Claros como a luz da Lua.
— Senhorita Maerlis… — disse a garota, irritada — essa foi a maior ofensa que já me fez.
Kael… não conseguia se mover.
Algo estava errado.
Muito errado.
Seu corpo reagia sozinho.
Instinto.
Medo.
Como se estivesse diante de um predador.
— Maerlis, vamos — disse o diretor, sorrindo — não atrapalhe os jovens.
— Ah, claro… — ela inclinou levemente a cabeça — então, Irys… você vem, ou vai ficar com seu “namorado”?
— Eu já disse que não o conheço!
Eles passaram.
Mas, ao cruzar por Kael…
Maerlis parou por um instante.
Olhou diretamente para ele.
Sorriu.
— Que interessante…
E seguiu.
Assim que ela se afastou—
Kael caiu de joelhos.
Respiração descontrolada.
Coração acelerado.
Nunca… tinha sentido aquilo antes.
— ATENÇÃO! — a voz ecoou pelos corredores — todos os alunos devem se dirigir às salas. Atrasos não serão tolerados.
Kael respirou fundo.
Forçou o corpo a se levantar.
“Não sei se foi destino…”
Ele fechou os olhos por um instante.
“…mas eu vou tentar.”
E voltou a andar.
“Dessa vez… eu vou te dar orgulho, mãe.”
Muito abaixo dali…
No subsolo.
Na escuridão de uma caverna.
Duas figuras afiavam suas lâminas.
— Guerras… eu odeio esse nome… — disse uma voz cansada.
— Eu odeio ainda mais o fato de elas serem necessárias — respondeu a outra.
O som do metal ecoou.
E continuou.