Campo de Treinamento 1
Cada classe era formada por um membro de cada província e um da capital. Essa ideia foi criada para evitar conflitos entre os humanos. Cada aluno era escolhido aleatoriamente, misturando fortes e fracos, o que, no futuro, tornaria os mais fracos mais fortes.
Ainda assim… havia quem acreditasse no contrário: que os fortes também poderiam enfraquecer.
Classe Nero
A Classe Nero possuía doze alunos, vindos de todas as províncias.
Entre eles, os que mais se destacavam eram: Irys Yorge, Adam Rust, Jhonar Mity e Mayare Drakon.
Todos estavam reunidos no Campo de Treinamento 1.
Então, o diretor Hector entrou.
— Boa tarde a todos. Por circunstâncias específicas, eu mesmo darei aula para vocês por um tempo.
Imediatamente, os sussurros começaram.
— O grande Leão Dourado…
— Dizem que, no auge, ele liderou um ataque contra os Troias e saiu vitorioso…
Irys apenas observava.
Seu olhar carregava confiança — quase um sorriso — enquanto ouvia os elogios.
"Idiotas… o vovô sempre foi um grande homem. É claro que eu conheço todas as histórias."
Seu rosto refletia puro orgulho.
— Que estranho… — disse Hector — deveriam haver doze aqui, mas contei apenas onze.
Nesse momento—
Kael surgiu, ofegante.
— Finalmente… Campo de Treinamento 1… eu encontrei…
Todos se viraram para encará-lo.
— Tinha que ser… — murmurou Irys, com desprezo.
— Você aí. Qual o seu nome e sua província? — perguntou o diretor, com calma.
Kael olhou para os lados, como se procurasse alguém.
Então apontou para si mesmo.
— Sim, você mesmo — confirmou Hector.
— Ah… bom… eu sou Kael Riven, da província de Noctyra.
— Senhor Riven, já que está atrasado, vamos começar por você. Venha até aqui… e me dê um soco com toda a sua força.
Kael fez uma cara confusa.
— Tem certeza? Não pega bem bater em velho…
Irys se irritou imediatamente.
— Não seja idiota! Esse é o grande Leão Dourado! Você nunca seria capaz de feri-lo!
Kael fechou a cara.
— Não se preocupem — disse Hector, com um leve sorriso — no momento em que estiver perto, eu bloqueio o ataque.
— Que seja…
Kael respirou fundo.
Lentamente, escritas azuis começaram a percorrer seu braço.
Sua Dádiva.
"Posso não ser muito forte… mas pelo menos consigo usar isso."
Ele avançou.
Rápido.
Determinando.
Hector… não se moveu.
O soco atingiu.
E—
Nada aconteceu.
O punho de Kael apenas repousava contra o ombro do diretor.
Silêncio.
— O que… aconteceu?
— Ele bloqueou?
Então—
CRACK.
Um estalo seco.
Kael gritou.
Seu punho havia quebrado.
Ele caiu no chão, segurando a mão, contorcendo-se de dor.
— Que patético… — disse Hector — eu nem precisei bloquear.
Risadas ecoaram pelo campo.
Kael… no chão… gritando…
E todos riam.
Irys permaneceu séria.
Para ela, aquilo não era engraçado.
Era… triste.
— Levem ele para a enfermaria.
Dois guardas surgiram e o ajudaram a se levantar.
Kael olhou ao redor.
Todos rindo.
"Eu tentei… honrar minha província… mas no final…"
"…eu fui patético."
— A seguir… Adam Rust, de Bravonis.
Adam avançou.
Um jovem alto, musculoso, pele clara, cabelos loiros e olhos verdes.
Seu corpo era coberto por cicatrizes.
Em um instante, sua escrita azul percorreu todo o corpo.
Ele avançou em alta velocidade.
O impacto do soco fez o ar tremer.
Hector levantou a mão.
E bloqueou.
— Nada mal. Você tem um grande potencial.
Adam recuou e fez uma reverência.
— Jhonar Mity, de Dravenor.
Um jovem de cabelos cinza-escuros e olhos negros avançou.
Magro. Pálido.
Ele ergueu a mão—
E uma corrente de gelo se formou, disparando com força contra Hector.
O impacto foi brutal.
Mas…
Hector permaneceu imóvel.
— Próxima, Mayare Drakon, de Solvaria.
Mayare avançou.
Pele parda, cabelos alaranjados, olhos intensos.
Ela levantou a mão—
E um vento cortante varreu o campo.
Árvores foram rasgadas.
O chão se abriu.
Mas Hector…
Continuava intacto.
— Agora… Irys Yorge, de Lunareth.
Irys avançou.
Determinada.
Hector acenou levemente com a cabeça.
Ela respondeu da mesma forma.
Então—
Apontou a mão.
As escritas azuis surgiram.
E, no instante seguinte—
Uma chama branca explodiu.
Massiva.
Intensa.
Consumindo o campo.
Os alunos não conseguiam nem enxergar através dela.
O calor era sufocante.
Quando as chamas desapareceram…
Hector ainda estava lá.
Imóvel.
— Muito bom… — disse ele — agora, vamos continuar.