A noite estava silenciosa.
Kael permanecia deitado na enfermaria, a mão enfaixada apoiada sobre o peito. Seus olhos estavam fixos no teto, vazios.
— Caim… acho que não consegui cumprir o acordo…
— Você gosta de falar sozinho, não é?
Kael virou o rosto rapidamente.
Na janela…
Irys.
Sentada, iluminada pela lua.
— Ah… é você, vovó.
— Quem você tá chamando de vovó? — respondeu ela, irritada.
Kael suspirou.
— O que você quer?
Irys não respondeu de imediato.
Seus olhos estavam voltados para o céu.
— Você não é patético.
Kael franziu a testa.
— O quê?
— Você não é patético… — disse ela, séria — são os outros que precisam acreditar que você é.
Kael ficou em silêncio por um instante.
Então…
jogou o travesseiro nela.
— Seu idiota! Eu vim te ajudar!
— Não preciso da sua pena — respondeu ele, virando o rosto.
Irys estalou a língua, irritada, e saltou da janela.
— Idiota.
Ela desapareceu na escuridão.
Silêncio novamente.
Kael soltou um suspiro leve…
E então—
Parou.
O ar mudou.
Pesado.
Denso.
Seu corpo travou.
O coração acelerou.
Cada batida ecoava dentro da cabeça.
— O que… é isso…
Sua respiração falhou.
Instinto.
Medo puro.
Não era só ele.
Por toda a academia…
alunos despertavam em pânico.
Veteranos se levantavam.
Professores… ficavam em silêncio.
Então—
Uma voz.
Não alta.
Mas impossível de ignorar.
— A superfície… ainda resiste.
Uma pausa.
— Curioso.
No pátio da academia…
Ele estava lá.
Um Troia.
Sobre o rosto, um crânio de besta — semelhante a um lobo.
O peito exposto.
Pele pálida.
E em seu corpo…
marcas negras como asas abertas.
O chão ao redor dele… rachava lentamente.
— Trouxemos guerra… porque vocês ainda insistem em existir.
Não havia raiva na voz.
Nem emoção.
Apenas… fato.
Enquanto o caos se espalhava—
Em outra parte da academia…
Hector abriu os olhos.
— Que ousadia…
Ele se levantou lentamente.
— Invadir a minha escola.
Diante dele…
Outro Troia.
Crânio de bode.
Braços envoltos em lâminas de osso.
Pele escura como a noite.
— O Leão Dourado… — disse o Troia — parece cansado.
Hector sorriu.
— E você… parece perdido.