Pátio do Castelo
O pátio estava coberto de corpos.
Soldados que antes protegiam o castelo agora jaziam no chão, alguns partidos ao meio, outros sem cabeça, outros com o peito aberto, o coração perfurado.
O cheiro de sangue dominava o ar.
Kael corria pelos corredores.
Os gritos ecoavam por todo o castelo.
A batalha já havia começado.
O Troia de máscara de lobo caminhava lentamente pelos corredores.
Sem pressa.
Como se… estivesse procurando algo.
Ele entrou em um quarto.
Duas alunas estavam caídas no chão, tremendo.
— N-não… por favor… — implorou uma delas, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
O Troia ergueu a mão.
Escritas negras começaram a se espalhar por seu braço.
Mas então—
Ele virou o braço rapidamente.
Uma grande parede de pedra surgiu à sua frente.
No mesmo instante—
BOOM!
Um soco destruiu completamente a defesa.
— Interessante… — disse o Troia, indiferente.
Diante dele…
Adam.
Preparado para atacar novamente.
Mas o Troia não deu espaço.
Um pilar de concreto surgiu do chão—
E atingiu o abdômen de Adam.
O impacto o lançou para fora do quarto, atravessando a parede e caindo no pátio coberto de corpos.
Adam rolou pelo chão, tossindo sangue.
— Desgraçado…!
O chão começou a se mover.
Escadas de pedra se formaram, ligando a janela ao pátio.
O Troia desceu lentamente.
— Antes de morrer… me diga seu nome.
Adam se levantou com dificuldade.
Sangue escorria pelo canto de sua boca.
Mesmo assim…
Ele sorriu.
— Adam Rust… — disse, firme — e eu sou o seu assassino.
O Troia suspirou.
— Que triste… ver uma alma tão jovem desperdiçando a própria vida…
Sua voz carregava algo estranho.
Não era deboche.
Era… melancolia.
Adam apenas riu.
— Vai ficar falando ou vai lutar?
Ele avançou.
Rápido.
O Troia ergueu a mão—
E pedras começaram a surgir do chão, formando uma barreira.
Adam atravessou tudo.
Quebrando.
Destruindo.
Sem parar.
Então—
Seu soco atingiu o Troia.
Mas…
Algo estava errado.
Era como acertar uma muralha.
No mesmo instante—
Pedra começou a se formar ao redor do braço de Adam.
Subindo.
Se espalhando.
— Você é forte, garoto… — disse o Troia — mas força sem disciplina… não é nada.
— Acho que… meu mestre concordaria com isso… — disse Adam, tentando se soltar.
Inútil.
A pedra continuava avançando.
Até cobrir todo o seu corpo.
Em segundos…
Adam estava completamente preso.
Encapsulado.
Uma estrutura sólida.
Brilhante como diamante.
— Esqueci de me apresentar… — disse o Troia, observando sua própria obra — eu sou Tauros…
Ele inclinou levemente a cabeça.
— O segundo carcereiro.
Tauros fechou a mão lentamente.
O diamante começou a encolher.
Rangendo.
Comprimindo.
Cada vez mais.
Até que a própria força começou a ferir sua mão, suas unhas rasgaram a pele, e sangue escorreu entre os dedos.
Ele não parou.
— Frágil…
Então—
FOOSH!
Uma chama branca explodiu ao redor dos dois.
Violenta.
Consumidora.
As chamas envolveram o diamante… e Tauros junto.
Por um instante, tudo desapareceu na luz.
Quando o fogo cessou—
O diamante estava quebrado.
Caim havia conseguido.
Adam foi arrancado dali.
E, logo atrás—
Irys surgiu.
Sem hesitar.
Sem dizer uma palavra.
Ela ergueu a mão—
E uma onda de chamas brancas avançou diretamente contra Tauros.
— Valeu! — gritou Caim.
— Não abaixa a guarda! — respondeu Irys — agradece depois que a gente vencer!
Mas então—
CRACK!
O chão se ergueu.
Rochas envolveram o corpo de Irys, prendendo seus movimentos.
As chamas cessaram.
Tauros emergiu, intacto.
— Vencer… — disse ele, com calma — vocês, jovens, sempre acreditam que são fortes.
Ele deu um passo à frente.
— Esse… é o erro.
Seus olhos percorreram os três.
— Em uma guerra… força não significa nada.
Uma pausa.
— E as vitórias… sempre têm gosto de derrota.
BANG!
Um disparo ecoou.
A bala atingiu Tauros, fazendo-o recuar um passo.
— Balas podem não te matar… — disse Caim, segurando uma Desert Eagle — mas ninguém fica de pé depois de uma dessas.
Tauros olhou para ele.
Curioso.
— Então… vocês evoluíram para isso…
Outro disparo.
Outro impacto.
Tauros cambaleava, não por dano — mas pelo impacto brutal.
— Como isso… é interessante…
Caim continuava atirando.
Uma.
Duas.
Três vezes.
Tauros não desviava completamente — era forçado a recuar a cada impacto.
— Elas são rápidas demais pra você reagir!
Mais um disparo—
Mas dessa vez…
A bala parou.
No ar.
A centímetros do rosto de Tauros.
Caim congelou.
— Não é velocidade… — disse Tauros — é a incapacidade de analisar o material em movimento.
Outra bala.
Parada.
Mais uma.
Parada.
Agora…
Caim só tinha uma.
Ele mirou.
Respirou.
E atirou.
A bala passou ao lado.
— Você errou — disse Tauros.
Caim sorriu.
Mesmo assim.
— Eu nunca erro.
No mesmo instante—
As chamas voltaram.
Mais intensas.
Mais densas.
Irys.
Mesmo presa… forçava sua Dádiva além do limite.
As escritas azuis em seu corpo queimavam.
— O que acha disso… seu maldito?! — gritou ela, com sangue escorrendo pelo nariz.
As chamas cresceram.
Consumindo tudo.
Dessa vez—
Tauros não conseguia usar sua Dádiva.
Suas escritas negras… estavam sendo queimadas.
À distância—
Kael viu o brilho.
E correu.
Em direção ao pátio.
Mas Irys…
estava no limite.
Seu corpo tremia.
Sua respiração falhava.
A conexão com a Dádiva começava a se quebrar.
Tauros percebeu.
E esperou.
No momento exato—
Ele avançou.
Do chão, uma lâmina de metal emergiu.
Ele a segurou—
E atravessou o abdômen de Irys.
Um som seco.
As chamas desapareceram.
— 253… — disse ele, puxando a espada — foram 253.
Irys caiu.
Quase inconsciente.
Adam avançou imediatamente.
Punho cerrado.
Um último golpe.
Tauros bloqueou com a lâmina.
— 254.
Caim surgiu logo depois, com uma adaga envolta por sua escrita.
Ele atacou.
Rápido.
Direto.
Mas Tauros foi mais rápido.
Ele puxou o corpo de Adam—
E colocou na frente.
— Não—!
Tarde demais.
A lâmina atravessou Adam.
Seu grito ecoou pelo pátio.
— 256…
Caim congelou.
— O que você está contando, seu maldito?!
Tauros não respondeu.
No mesmo instante—
Espadas surgiram do chão.
Cravaram o pé de Caim.
E seu braço.
Prendendo-o.
Outra formação de pedra imobilizou Adam.
— 257…
Silêncio.
Pesado.
— Foram… 257 chances que eu tive para matar vocês.