Fernanda e André observavam os arredores do local, enquanto caminhavam pelo lugar indicado. O castelo parecia maior a cada passo dado em direção a ele. A grama era tão esverdeada que parecia emanar sua própria luz. As árvores espalhadas pelo local, eram todas topiadas em formatos de homens e mulheres, que pareciam ser heróis de outros tempos.
— Aqui é muito bonito! Magnífico! — ressaltou Fernanda.
— Até que é bonitin — respondeu Luck, com a voz lenta e grossa, enquanto colocava as duas mãos no bolso de sua calça.
Fernanda fixou seus olhos no rosto de Luck, seu semblante era de assustar o rapaz, o fazendo dar alguns passos para trás, enquanto podia se ver dali, até mesmo as veias que seguravam os globos oculares de sua amiga.
— Sério? Eu… eu não ouvi isso… eu vou fingir que não ouvi isso!! Por que você está tão desanimado? Você sabe muito bem o quanto vai ganhar se conseguir se tornar um Sentinela, e mesmo assim está desanimado?
— Bom. É que meio que eu já estava pensando que o pessoal daqui não iria deixar eu entrar, já que eu cheguei atrasado, sabe? Então, já vim pensando em chegar aqui e ir embora no mesmo instante.
Quando ouviu as palavras proferidas pelo seu amigo, Fernanda revirou os olhos, enquanto soltou um suspiro pesado, levando em seguida uma das mãos no rosto, enquanto olhava para baixo.
— Cara, tenta se animar aí — disse André, o encorajando com um tapinha nas costas.
Luck soltou um suspiro profundo, e depois deu alguns leves tapas no rosto.
— Tá!! Vou me animar. Isso vale muito dinheiro mesmo. Não vou desperdiçar essa chance, mas nem a pau — murmurou Luck, enquanto virou seu rosto para o lado, observando as árvores.
A multidão então parou de caminhar quando os veículos também pararam. De dentro de um dos caminhões, saiu um homem, que logo em seguida caminhou para perto da multidão. Em um tom grosso e bastante alto, para os alunos falou:
— Agora vocês esperem alguém abrir a porta para vocês, não saiam daqui e nem tentem nenhuma gracinha, vocês estão sendo vigiados por todos os lados.
“O cara acha que eu sou filho dele pra ficar fazendo bagunça, toma no cu!”, pensou Luck, enquanto cruzava os braços e franzia a testa.
O homem então voltou para o carro e o dirigiu para a lateral do castelo, fazendo todos os outros veículos o seguirem.
— O que será que a gente vai fazer quando começar essa aula? Será que já vamos aprender a dominar o RCF? — indagou Luck, enquanto coçava seu queixo.
— Não! Pelo que eu ouvi de um pessoal perto de mim, enquanto pagava os salgadinhos que tinha comprado, era que seria uma aula introdutória, sabe? Explicações e coisas do tipo.
Ao ouvir as explicações de André, Luck fechou os olhos e contraiu os lábios, para depois falar:
— Puts! Bom, não me mandando capinar o quintal deles.
— É bom começar assim, desde o começo, uma linha reta de aprendizagem, nada de rodeios ou um ensino acelerado!! — falou Fernanda.
— Mas eu acho que não vai ser só isso não — disse Julia, balançando o dedo indicador para Luck. — Eu li que eles vão fazer um teste para averiguar se nossos núcleos estão em perfeitas condições para aguentar a vida de um Sentinela.
— Sim! Nessa parte eu fico bastante apreensivo. Será que o meu núcleo está em estado bom o suficiente para poder ser um Sentinela? — questionou André, colocando as duas mãos na nuca, olhando para o céu logo em seguida, com as pálpebras pesadas e sobrancelhas franzidas.
— Se você ou algum antepassado da sua família não tomou nenhuma droga RCF ao longo dos anos, então provavelmente você deve passar! — respondeu Fernanda, olhando para André.
— Eu não!! Tô de boa nessa questão. Tenho quase certeza que passo nessa. — Vangloriou-se Luck, mantendo um sorriso de canto de boca, enquanto começou a olhar para frente.
— Será? Tu é o que mais bebe cerveja entre a gente! — respondeu Fernanda, fazendo um estalo com os dedos, enquanto arqueava uma de suas sobrancelhas, levando em seguida uma de suas mão na cintura.
— Mas a cerveja não vem com drogas RCF.
— Alguém poderia ter, em algum momento, colocado um pouco na sua bebida e te ferrar todo!!
— Caralho, em mulher. Vocês acabaram de falar para eu me animar e logo em seguida tu tenta me jogar para baixo.
— Hum! Só falei uma hipótese de algo que realmente poderia ter acontecido com você.
Luck semicerrou os olhos para Fernanda, inclinando-se para frente com os braços relaxados.
Enquanto todos os alunos conversavam entre si, a porta do castelo finalmente se mexeu. Um barulho estridente se manifestou por todos os cantos, fazendo com que os alunos ficassem em silêncio e focados na porta.
Porta essa que era bastante imponente, feita de aço puro e tinha um altura de quase quatro metros.
Enquanto ela se movia para dentro, uma onda imensa de energia RCF da cor prata saia cada vez mais da parte de dentro do local. Como se um mar de energia estivesse preso dentro daquele castelo.
Tal imensidão caiu sobre toda a multidão ali presente, os fazendo ficarem assustados e se afastarem do castelo.
— Mas que porra é essa? — grita Luck, colocando os braços na frente do próprio rosto, enquanto se abaixava, igual a todos ali.
Depois que a porta fora completamente aberta, a energia tinha se dissipado, sumindo em um piscar de olhos, como se nada tivesse acontecido.
As pessoas ali presentes se levantaram com calma, observando todos os lugares, enquanto seus olhos se arregalavam, e suas mãos tremiam.
— Tem alguém lá dentro!! — gritou um jovem rapaz de aparência pálida, apontando o dedo indicador para a porta.
Uma silhueta de um homem se manifestou dentro do castelo, parecendo observar toda a multidão. Ele esperou calmamente todos notarem sua presença.
Coxixos saíram da boca dos alunos, enquanto observavam tal silhueta misteriosa. Porém, com o passar dos segundos, os murmúrios ficaram cada vez mais fracos, até se cessarem e o silêncio dominar todos ali.
Foi então que a silhueta se moveu, dando um grande passo para frente, saindo da escuridão que o interior do castelo proporcionava.