Um barulho estridente ecoa ininterruptamente dentro de um quarto. O som não parece ter começado há pouco tempo. O barulho parece vir de algo metálico, como se um martelo estivesse batendo em dois sinos de metal.
Um alarme de cor verde, de formato bastante antigo.
Ele toca em cima de uma mesa de cabeceira; a cada martelada, mexe de um lado para o outro enquanto treme.
Em uma cama de solteiro, repousa um jovem com um sono prestes a acabar. O rapaz, deitado de barriga para cima, começa a se mexer bem lentamente, enquanto solta um som que parece ser um bocejo bem demorado.
Seus olhos começam a se abrir, também lentamente. Ele leva uma das mãos aos olhos, esfregando-os.
— Já amanheceu? — Ele falou, se espreguiçando, ainda deitado.
Seu corpo então se mexe novamente, dessa vez para o lado onde está o despertador. Seus olhos observam o horário atual.
07:30 da manhã.
Porém, o ponteiro do alarme marca as 07 horas em ponto.
Seus olhos se arregalaram — ele se senta rapidamente na beirada da cama e coloca os dois pés nos chinelos.
— Caramba! Já é tão tarde assim?
Ao terminar a fala, o rapaz leva uma das mãos à cabeça enquanto fecha os olhos.
— Que tontura é essa? Não deveria ter me levantado tão rápido assim.
Em seguida suspira profundamente e toma um impulso veloz para frente, ficando em pé.
— Mas não tenho tempo para isso. André e o pessoal devem estar chateados comigo…
Ele então se dirige ao armário, a alguns metros à frente da cama. Não parece ser muito grande, mas tem tamanho suficiente para caber todas as roupas de um homem solteiro. Sua cor verde se destaca em meio a um quarto totalmente branco — cama, piso, paredes e teto.
Ele abre uma das quatro portas do armário, pega algumas peças de roupa e sai do quarto o mais rápido possível, mesmo ainda com um pouco de tontura.
Ao sair do cômodo, observa o corredor. Ao seu lado direito, ele o leva até uma escada que desce para o andar de baixo. À esquerda, percorre um pequeno caminho até chegar a uma porta. Ele corre até ela e a adentra.
Alguns minutos depois, sai do cômodo já trajado com a roupa escolhida: uma calça jeans preta meio larga, uma camiseta da mesma cor e apertada o suficiente para destacar os músculos — que podem ser notados com ou sem camiseta apertada — e um relógio digital bastante simples. Seu cabelo cacheado, cortado em degradê, mas um pouco alto em cima, com algumas mechas caindo sobre a testa, completa o visual.
— Pai! — ele grita.
Ninguém responde. Ele arqueia uma das sobrancelhas e caminha para o andar de baixo.
A escada o leva até a sala. Um cômodo comum, com três sofás — dois grandes e um pequeno —, alguns quadros dele com o próprio pai e uma televisão no centro da parede à sua frente. No centro da sala, uma mesa de madeira pequena, com algo sobre ela que parece ser um bilhete.
Ele o pega e o lê.
"Parece que ele saiu, foi ajudar a vizinha do lado. Parece que ela encontrou um rato no armário dela…", pensa, voltando a arquear uma das sobrancelhas enquanto inclina a cabeça para o lado.
— Bom. Espero que o senhor tenha levado uma das chaves de casa. Eu preciso ir de todo jeito.
Ele se dirige à porta da sala, a abre, mas antes de sair leva uma das mãos a um pote pendurado na parede por um prego, retira uma chave e só então sai de casa.
A luz forte do sol irradia em seus olhos, fazendo com que ele coloque o antebraço à frente para se proteger.
Segue para o fundo do quintal esverdeado. Um varal se estende cortando todo o local, e no centro dele, um par de tênis e meias estão pendurados.
O jovem leva o olhar aos próprios pés — sem tênis.
"Ele lavou meu tênis… Valeu aí, pai…"
Os pega com uma das mãos e segue ainda mais para o fim do quintal, onde o que parece ser uma garagem guarda um carro preto, de formato compacto e quase quadrado. Adentra o carro e calça os sapatos lá.
"Vamos! Não posso me atrasar ainda mais…"
Liga o carro, aperta um botão próximo ao retrovisor interno e o portão da casa se abre, dando passagem para a rua. Ele sai, aperta o botão novamente e observa o portão se fechar. Passa em frente à casa da vizinha, ao lado da casa dele, e dá quatro buzinadas.
Tomara que ele tenha escutado."
──────────────────────────────────────────────────────────
Minutos se passam. O jovem agora está parado com seu carro no meio de um engarrafamento. Sua testa se franze levemente enquanto os olhos fixam no nada à frente.
"Eles vão me matar! Não deveria ter dormido tanto assim…"
Então suspira fundo e aperta o volante com força.
— Calma! Não vai acontecer nada! Eu sou o Luck! Tenho 23 anos e consigo sair dessa furada. Eles vão entender, não preciso ficar tão preocupado assim.
Enquanto pondera sobre as possíveis reações dos amigos, leva o olhar por um instante ao retrovisor. E ao longe consegue ver uma pessoa andando na calçada. Seu cabelo era azul; usava uma calça azul-clara, uma toca e uma camiseta cropped marrom. Carregava uma bolsa no ombro — pequena, brilhante e também azul. Seu corpo é magro, mas com curvas bem acentuadas, sua bunda é a parte que mais se destaca, além dos músculos na barriga e da cintura fina.
A pessoa caminhava em direção oposta à de Luck, por isso o rosto não pôde ser visto pelo rapaz.
— Alex? — grita, com os olhos arregalados e a boca meio aberta.
"Faz tempo que não te vejo. O que você está fazendo agora? Para onde está indo?"
Luck se perde nos pensamentos — ao ponto de levar um susto com uma sequência alta de buzinas vinda dos carros atrás dele.
A rua à sua frente estava aberta, sem nenhum carro o impedindo de passar.
— Merda! — exclama, pisando no acelerador e arrancando do local, deixando uma nuvem de fumaça para trás.
"Tomara que a gente se encontre novamente, Alex. Mas agora preciso encontrar o pessoal…"