Então Luck se virou lentamente para trás, podendo assim confirmar a presença dos seus amigos.
Um deles, o dono da frase de agora pouco, tinha a mesma altura que ele, cabelo com várias tranças que desciam até a cintura, corpo também musculoso, usava uma camiseta verde com uma calça jeans azul-escura e um tênis branco com listras pretas.
Ao lado direito dele havia uma mulher que possuía cabelos loiros presos em um coque, atravessado por duas agulhas vermelhas. Usava uma blusa social branca, um óculos com hastes escuras, uma saia preta e meia-calça da mesma cor, com um sapatênis dourado.
E ao lado esquerdo do rapaz, uma outra mulher observava Luck. Ela tinha cabelos cacheados que também desciam até a cintura, eles estavam amarrados por duas fitas rosas, destacando-os ainda mais. Ela usava uma jaqueta rosa que tapava toda a boca, não de forma apertada, mas apenas impedia que terceiros vissem do nariz para baixo. Ela vestia um short jeans branco-azulado, um tênis azul-escuro e uma meia branca que cobria toda sua canela.
— E aí André, Júlia e Fernanda, como vocês estão? Já faz quase meia hora que eu estava procurando por vocês…
— Porra nenhuma, Luck, a gente viu você sair do carro agora pouco — disse André, franzindo a testa.
— Não vem com essa, Luck. Ninguém aqui vai acreditar em você dessa vez — disse Júlia, balançando sua cabeça de um lado para outro, fazendo seu cabelo cacheado se mover graciosamente.
— Sorte a sua que o pessoal da Legado também se atrasou, se não você provavelmente estaria expulso do curso — completou Fernanda.
— E quem vai expulsar esses vagabundos que se atrasaram também? — perguntou Luck, abrindo os braços e inclinando a cabeça enquanto olhava para Fernanda.
Enquanto Luck e seus amigos discutiam, Eiru ficava cada vez mais avermelhada. Seus dentes tremiam mais do que caixa de som no fim de semana.
— Bom, pessoal. Eu… acho que já vou indo nessa. — Ela disse, olhando para Luck com os olhos semicerrados. — Não quero atrapalhar a conversa de vocês.
— Que atrapalhar o quê! Pode ficar aí — rebateu Luck. — Pessoal só tá enchendo saco aqui, mas eles são gente boa, fica tranquila.
— Luck! Você é tão cabeça dura que esquece até de apresentar sua amiga para a gente — reclamou Fernanda, arqueando uma das sobrancelhas enquanto cruzava os braços.
Fernanda! Não enche o saco! Calma aí!
— Eu não sou amiga do Luck! Talvez eu esteja me tornando um amigo dele — respondeu Eiru.
— Amigo? — perguntou Luck.
— Sim, sim! Eu sou um cara.
— Sério?
— Sim, sim! Eu só sou gay, só…
— Ah! Pensei que você era uma mulher. Você é tão feminino — proferiu Fernanda.
— Tudo bem! Isso acontece bastante! — gaguejou Eiru. — Vou deixar vocês a sós. Agora eu preciso ir ao banheiro!
— Atá! Se for assim, vai lá! Não é muito saudável ficar se segurando. Eu vou estar aqui te esperando — afirmou Luck, dando um sorriso calmo, enquanto mostrava um joinha com uma das mãos.
Eiru apenas balançou a cabeça enquanto sorria, depois deu as costas para Luck e começou a caminhar para longe.
Luck, por sua vez, apenas observava Eiru se distanciar. Fixando seu olhar no jeito de andar, os cabelos e o bumbum avantajado que parecia pular a cada passo dado.
— Mas nem tá salivando em — disse André. — Já se esqueceu de Alex?
Luck virou seu olhar para André, com as pálpebras cansadas.
— Se eu esqueci? Porra! Acho que foi Alex que se esqueceu de mim. Já faz mais de dois meses que eu não o vejo. Tipo, ele não viu as minhas mensagens, não atendeu minhas ligações. Fui na casa dele várias vezes e ele não apareceu. Porém, talvez eu possa tê-lo visto andando na calçada, quando estava vindo para cá.
— Por que talvez? — indagou Júlia.
— Porque eu o vi pelo retrovisor, a pessoa estava de costas, distante ainda… — respondeu Luck. — Só sei que depois, em algum momento, eu vou passar na casa dele de novo. Não achei legal ele parar de falar comigo assim, sabe. Nós nos conhecemos desde os meus 15 para 16 anos de idade.
— Você é muito carente, Luck. Às vezes as pessoas precisam tirar umas férias de você — caçoou Fernanda, revirando os olhos enquanto sorria.
— Vai tomar no cu, Fernanda.
Enquanto os quatro discutiam, algo estranho apareceu no céu.
Uma luz avermelhada tinha acabado de se formar bem em cima da torre mais alta do castelo. Ninguém na multidão percebeu a tempo, já que a tal luz, segundos depois de se formar, desceu com tudo, como se fosse um enorme raio vindo de uma grande tempestade. O barulho que se formou em seguida foi tão forte que fez todos da multidão se assustarem, fazendo-os se abaixarem.
— Que merda acabou de acontecer? — perguntou Luck, agachado no chão igual a todos ali.
— Acho que alguma coisa acabou caindo no castelo — respondeu André, perto de Luck.
— Melhor a gente ir embora — disse Júlia, agachada e abraçada no braço de André.
— Acho que é melhor a gente se distanciar um pouco desse castelo — disse Fernanda, dando alguns passos para trás.
Porém, enquanto eles davam passadas lentas para trás, o portão central do local começava a se abrir.
E de dentro do local um homem saía, com passos lentos, mas desorganizados. Tinha uma altura baixa, uma barba branca. Ele usava uma roupa que se assemelhava à de um mordomo.
O homem apenas observava todos ali, com seus olhos castanhos que não pareciam piscar.
— Quem será aquele maluco ali? — murmurou Luck.
— Atenção a todos aqueles que estão aqui. Sigam para dentro do ilustre local e apenas parem em frente ao castelo. Provavelmente alguém irá aparecer em algum momento. Não tentem desviar do caminho ou encostar em algo. Todos os locais estão protegidos com câmeras de última geração.
Ao terminar sua fala, o homem deu as costas e, como se nunca estivesse lá, apenas sumiu. Luck arqueou uma de suas sobrancelhas.
— Para onde aquele velho foi? Maluco simplesmente deixou a gente na mão. E eu tenho que esperar o Eiru lá, pô.
Enquanto os quatro apenas se olhavam, outros grupos começavam a se mover, adentrando o local.