"Minha nossa!"
Acordei surpreso com um sonho perturbador que tive.
Olho para o meu relógio 05h49
- Ainda falta uma hora. Mas que drogaaa!
Resmungo colocando as mãos no rosto, estou visivelmente irritado, mas não é porque tenho que ir trabalhar daqui a pouco e sim porque não vou conseguir dormir mais. Quase todas as noites dessa última semana estou tendo esses pesadelos, começo a me perguntar se tem algo de errado comigo. Mal consigo descansar durante o fim de semana, imagina ter que aguentar minha mente sendo traiçoeira com esses sonhos.
- Mas um dia de trabalho quem diria?
Apesar de odiar ter que trabalhar tão cedo, preciso de dinheiro para pagar a faculdade e para sobreviver lógico. Nem consigo acreditar na sorte que tive de entrar na NYU com a idade que tenho e com uma bolsa, embora as aulas sejam meio puxadas. Todos os calouros acham que a faculdade tão fácil quanto parece, mas nem sequer imaginam o que já passei no primeiro mês. Se fizer uma lista resumindo todas as merdas que já aconteceram comigo ficaria assim:
1° mês:
*Entrada caótica
*Festas na fraternidade
*Notas ruins
*Ficadas depois das aulas
*Procura de serviço
*Briga com os meus pais
Vai iniciar o 2° mês amanhã e não sei o que esperar. Com tanto desastre acontecendo, acho que posso esperar só o pior.
Criei coragem para me levantar da cama e tomei um banho para ver se me despertava. Me arrumei e saí rápido sem enrolar, prefiro chegar logo no meu trabalho e ser pontual. Peguei as chaves da moto, meu capacete e minha tradicional mochila de roupas, tranquei a porta e peguei o elevador para pegar minha moto no estacionamento do prédio. Cheguei no serviço 10 minutos antes do horário. Estacionei a moto na rampa do galpão da mecânica onde trabalho, dou uma respirada e tiro meu capacete me apoiando na moto enquanto espero o Tomás abrir já que o carro dele está estacionado do outro lado da rua.
- Oi, Ota, como você está? Parece que não anda dormindo bem.
Meu chefe falou meio alto enquanto sai do carro e se dirige ao portão.
Esse que fala comigo é meu chefe Tomás Gutierrez, dono da maior mecânica de automóveis de toda a Manhattan, a Motors Speed. Ele é moreno e está vestindo todo um conjunto que mais se assemelha a um pastor: camiseta branca social com gravata lilás, calça social cinza e sapatos de couro escuro. Muito diferente do macacão sujo de graxa que ele costuma usar diariamente. Ele me ajudou com muitas coisas que passei quando vim morar com meu pai.
- Tom, toda semana um nome novo não, é? O que é 'ota' desta vez?
Pergunto curioso.
- Não está na cara? Otário, lógico.
Tom responde minha dúvida e começa a rir alto, como estou mesmo cansado rebato em um tom de deboche:
- Você que é, oh seu merda.
Eu começo a rir com ele muda a expressão bruscamente.
- Não esqueça que mesmo sendo amigos, você ainda me deve respeito.
Tom me avisa, seu tom de voz é sério e autoritário, mas dá para sentir que ele está brincando, dou uma risada achando graça e jogo a minha cabeça fingindo que não ouvi.
- Sim senhor.
Respondo sendo o mais sarcástico possível.
-Qual é Tom? Acabou de começar o dia e já está implicando com os funcionários?
Uma voz feminina e madura fala com ele e viro meu rosto, quem diz isso é Martha, a esposa de Tom. Ela tem um cabelo loiro e está usando um vestido bege com detalhes de rosas.
- Martha, eu só estava brincando com ele, ele sabe disso.
Ele diz levantando as mãos em sinal de rendição, mas decido sacanear ele um pouquinho...
- Mas eu achei que fosse sério?
Martha faz uma careta e se direciona a mim.
- Fê, não me diz que ficou na fraternidade a noite toda!
Pelo visto ela viu meu rosto cansado e imediatamente cruza os braços parecendo até a minha mãe.
(Daria de tudo por isso, sério...) Penso, mas dou de ombros
- Na verdade, acordei às 5 da manhã e não consegui dormir mais.
Respondo, mas ao tentar um bocejo ele sai evidentemente falso.
- Pode sair 30 minutos mais cedo, dá para ver que você está com muito sono.
Ela diz e Tom fecha a cara para ela que age como se ele não estivesse ali.
- Muito obrigado, dona Martha, mas estou bem.
Respondo já evitando a cara feia de Tom.
- Ok. Já que ele chegou mais cedo entrega as chaves e vamos Tom.
- Sim, vamos. E, a propósito, Fê...
Ele se vira na minha direção me entregando as chaves.
- Fala.
- Ajude os outros com a parte da limpeza, tudo bem para você?
Ele me pergunta já atravessando a rua, e liberando uma garota que vai até a barraca de hot-dog do seu Peter.
- Rapaz, eu estou com uma preguiça, mas vou tentar.
Tom se despede e sai com Martha em sua Corvette V8 de 450 cavalos.
- Nossa, que máquina essa que Tom comprou....
Meu amigo Jack que chegou fala surpreso pela milésima vez, ele tem traços de italiano e assim como eu ele é um dos mecânicos, e por um acaso também deu a sorte de estudar na NYU.
- Fala, Jack! Como foi ontem com a Becca?
Fazemos o clássico cumprimento com os punhos. Becca é a namorada de Jack, ela além de também ser minha amiga e minha colega nas aulas de espanhol.
- Tomamos um vinho...
Jack conta claramente crescendo para cima de mim, dou um sorriso malicioso de leve.
- E por isso que está com esse sorriso de adolescente no rosto?
Me abaixo para amarrar o cadarço que se soltou e ele confirma com a cabeça, mas quando ele iria me dizer mais alguma coisa ele é interrompido por alguém que pulou nas minhas costas.
- Opaa cavalinhoo!
Ouço uma voz de criança e sinto o impacto nas minhas costas, essa e Lara, filha do Tom, ela tem 9 anos e é loira igual a mãe.
- Bom dia Felipe. Dormiu bem?
Lara perguntou empolgada
- Quase, mas com você nesse gás é difícil não ter a energia como se eu tivesse.
Respondo e passo meus braços em volta das pernas dela, abrimos o portão finalmente começando o dia.
Alguns minutos depois a Clara também chega e vai direto ao escritório, ela tem 22 assim como eu e é a principal atendente daqui.
A Lara vai ajudar ela enquanto Jack me ajuda a jogar no redor, depois de terminar, todos nós nos juntamos e começamos a falar coisas aleatórias.
- Jack, cadê o Steve?
Pergunto percebendo a demora dele.
- Cara, não sei.
Jack me responde com uma cara confusa, Steve tem uns 20, mas parece um velho, o tempo todo tem que ir a uma consulta médica. Até hoje me pergunto o porquê.
A manhã passa rápido com muito serviço e brincadeiras da Lara. Steve e Ronald aparecem para completar a equipe da manhã e fazemos todos os trabalhos como uma equipe de profissionais deve ser.
As 12h30 meu relógio apita me avisando que estava na hora de ir para a faculdade.
- Jack, está na hora.
- Vamos nessa.
Jack responde de volta.
Tomo um banho (sim um emprego de meio período tem chuveiro), troco minhas roupas e estou pronto. Subo em minha Harley Davidson Sport 2008 e Jack em sua Ducati 1000 e voamos para a New York University.
Depois de 20 minutos, porque sempre paramos para almoçar, chegamos ao Washington Square Park e estacionamos nossas motos ao outro lado do campus, perto do arco.
- Estamos quase atrasados.
Aviso tirando o capacete e passando a mão nos meus cabelos
- Nem me fale.
Jack diz e faz uma cara de preguiça. - Vou andar normalmente, você sabe que odeio correr.
Olho para ele e faço piada.
- Você odeia qualquer tipo de exercício físico, não sei como você se tornou mecânico até hoje.
- Olha só quem diz, o senhor 'academia em pessoa'.
Jack me caçoa de volta e acabamos demorando mais que o normal nessa conversa sem sentido.
Atravessamos o WSP e depois da entrada pegamos o elevador para o 6° andar, quando entramos 3 pessoas aparecem segurando o elevador de fechar...
- Oi Chris, Oi Evy, Oi Steph. Cumprimento nossos amigos.
Faço um toque com Chris e cumprimento as duas. Me posiciono ao lado do painel e antes de apertar o botão para subir pergunto:
- Todos vão para a aula de Francês do Sr. Salmon no 6° andar?
- Eu estou indo para a aula de conceitos modernos de decoração no 4°.
Steph me diz e respondo com um ok, aperto o botão do 4° andar, mas alguém aparece esticando o braço novamente impedindo o elevador de fechar.
- Espere por favor!
Ouço uma voz feminina do lado de fora do elevador e aguardo a menina entrar, a garota entra e fica do meu lado e da Steph.
- Oi. Você vai para qual andar?
Pergunto sendo gentil.
- Para o 6°.
A garota me responde, visivelmente cansada por acabar correndo.
- Tudo bem.
Concluo e aperto o botão que finalmente o elevador se fecha, dou uma olhada disfarçada na direção da garota, ela aparenta ter uns 20 anos, tem um cabelo ruivo que parece quase cor de chocolate, até acredito que seja esse tom mesmo. Está usando uma roupa que se assemelha a um top de alça branco e uma calça jeans larga. Ela percebe que estou olhando e vira o rosto na minha direção, instintivamente viro o meu rosto para o outro lado disfarçando.
O elevador chega ao 4° e Steph se despede de nós e aperto o botão do 6° andar. Agora com mais espaço novamente olho para a garota e desta vez ela está com o Apple na mão olhando para mim, dou um sorriso de leve, ela percebe e vira o rosto para o lado.
Acho que ela também está me avaliando, olho para Chris e Evy e ambos me dão aquele olhar que diz: "Já está de olho, não é?"
Dou de ombros em resposta nem sei o porquê.
O elevador chega ao 6° andar e todos nós saímos em direção a sala. A garota está vindo logo atrás.
Jack chega ao meu lado e diz sussurrando:
- Já se apaixonou só de olhar? Só você mesmo.
Jack me cutuca com o ombro e olho com o olhar de reprovação, mas logo mudo minha expressão para um sorriso malandro.
- Mas que é bonita, ela é.
Falo e nós sorrimos.
- Ei, Evy, quem é ela?
Pergunto para Evy que está do outro lado ouvindo tudo.
- Não sei, nunca tinha visto ela por aqui, deve ter entrado essa semana.
Evy responde meio sem interesse.
Uma novata... bom, isso pode ser interessante.
Entramos na sala, fico feliz porque o professor ainda não iniciou a aula. Jack logo vai para o lado de Becca que acena para mim de longe. Sento-me no meu lugar, na parte mais alta o mais longe possível do quadro, a tal garota do elevador entra e entrega um papel ao Sr. Salmon.
- Pessoal, bom dia, vamos iniciar. Mas antes deixa eu apresentar a nova colega de vocês, a senhorita Helena Jones."
(Helena Jones, hein...)
Ela busca um lugar e seus olhos encontraram os meus enquanto ela sobe procurando um lugar, ela tem olhos azuis claros cintilantes que eu juro que, se eles pudessem, me hipnotizaram de verdade. Ela senta duas fileiras à minha frente e não se vira para me olhar mais.
- E hoje nossa aula é sobre...
A aula do professor Salmon seguiu, mas não consegui ouvir nada além disso, só consegui pensar naqueles olhos azuis.
Por que essa Helena mexeu tanto com meus instintos? Normalmente não me preocupo com as mulheres em volta de mim, mas essa em específico me faz querer largar essa aula para que eu possa encontrar um motivo idiota qualquer para bater um papo com ela apenas para olhar dentro de seus olhos azuis brilhantes novamente.
A aula acabou, e como esperado, não consegui me concentrar de modo algum.
- Cara, vai lá logo e se apresenta pra ela.
Chris aparece falando muito alto e me tirando de meus pensamentos.
- Fala baixo, Chris caralho!
Mando esse imbecil se calar, maldita hora para ele aparecer.
- Olha, a Becca foi falar com ela.
Chris aponta na direção das meninas, olho para a frente e percebo a Becca se apresentando. Espero alguns minutos, para que Becca se enturme com a novata para poder chamar atenção das duas.
- Aí, Becca!
Grito e as duas olham para mim.
- Não vai apresentar a sua nova amiga para a gente?"
Dá para perceber que ela me fuzila com o olhar, mas acaba desistindo e segue simpática.
- Helena, estes são Evy, Jack, Chris e Felipe.
Becca nos apresenta, apontando par cada um de uma vez.
- Oi, tudo bem?
Evy cumprimenta simpaticamente.
- Eae..
Jack cumprimenta sem muito rodeios.
- Oi.
Chris foi simples, mas com um sorriso no rosto
- Oi, Helena. Você pode me chamar de Fê.
Ela me olha meio envergonhada.
- Seja bem-vinda, esteja desde já convidada a se juntar ao nosso grupo, nós tentamos nos ajudar, mas não garantimos nada depois da quarta rodada.
Pelo olhar de Becca se ela pudesse ela me mataria agora mesmo
- Muito obrigada.
Helena responde, mas antes que eu possa passar mais tempo na companhia dela, meu relógio me avisa que está na hora da próxima aula. Resolvi dar uma última olhada em seus olhos antes de me despedir para ir embora para a outra aula do dia.
A tarde passa rápido, porém cansativa com tantos números na aula de cálculo que é necessária para meu desenvolvimento em motores. A Helena se juntou a nós no refeitório, a pedido de Steph, lanchamos juntos nos divertindo como sempre e conhecendo mais um pouco da Helena. Só interagia o necessário, porque tirando Chris eu sou o bobão do grupo.
Tenho mais 2 aulas e finalmente acaba minha jornada universitária do dia.
- Ufa, chega por hoje.
Comemoro aliviado de ter acabado as aulas de hoje, saio para o WSP e ando até o arco sem ver ninguém dos meus amigos.
Dou uma olhada na minha Harley e percebo que a Ducati do Jack ainda está lá. Só depois de alguns segundos me dou conta que alguém está olhando minha moto de perto. Chego um pouco mais para ver e percebo que é a Helena.
- Você gosta de motos clássicas?
Falo e ela responde não se importando com minha presença
- Mais do que eu gostaria. E sua?
Ela se vira e percebe que sou eu, dou um sorriso com a pergunta dela.
- E sim.
Respondo com um sorrisinho de canto orgulhoso da minha Harley
- De que ano ela é?
- 2008
Respondo empolgado com vontade que ela faça mais perguntas, mas acabei dizendo isso rápido demais.
(Se controla cara!)
- Parece que essa é a versão sportster do ano ou estou errada?
Helena questiona levantando uma sobrancelha na minha direção.
(Então ela sabe de motos...)
- É sim, como você sabe?
Pergunto curioso
- Meu pai trabalha com essas motos.
Tenho que tentar conversar mais com ela, apesar de ela já ter conversado bastante no refeitório, é até bom ouvir dela mesma.
- Helena, você é de onde mesmo?
- Você não estava no refeitório?
- Às vezes é melhor ouvir diretamente da pessoa sem plateia, mas se eu estiver pedindo muito e só não responder.
- De Seattle.
Ela me olha, mas não consigo decifrá-la.
- Bom... você já andou?
Aponto para a moto.
- Sim, mas não esse modelo.
Ela responde passando a mão no banco da moto.
- Você quer experimentar?
Estendo o capacete de Evy na sua direção.
- Sério?!
- Claro, eu apenas vou te levar em lugares perto, eu também moro aqui a pouco tempo então não sei muito sobre Manhattan.
Ligo a moto e o som estridente faz todos ao redor olharem o monstro. Dá para ver que ela estava muito feliz, entrego o capacete de Evy para ela.
Subimos na Harley e a levo pelas partes mais conhecidas, ela pareceu se divertir o passeio todo. Conversamos durante toda a viagem, descobri que na verdade ela tem 24 anos e está morando com os tios, e mesmo solteira ela já tem seu próprio apartamento. 30 minutos depois voltamos para a WSP.
- Você gostou?
Pergunto quando ela desce da moto e tira o capacete balançando os cabelos.
- Se eu gostei?! É claro que sim! Ela é bem confortável para o ano em que foi fabricada.
Comenta dando risada.
- Pois e, ela e da época ainda purista da Harley... se precisar de uma carona e só me ligar, eu já dou carona a Evy não vai ser um problema.
Digo isso na esperança de pegar o número dela.
- Como você prefere?
Ela pergunta estendendo o celular, querendo fazer a troca pelo NFC
Estendo meu Oneplus e assim consigo o número dela, depois de um minuto o IPhone dela vibra ao chegar à mensagem pelo WhatsApp que mandei.
- Esse é o meu perfil.
Digo apontando para o celular dela.
- Ok, obrigada pelo passeio e até amanhã, Fê.
Ela se despede de mim com o celular na orelha pelo visto ligando para alguém
- Até amanhã Helena.
Vejo ela se distanciar que nem percebo as pessoas nas minhas costas.
- Você não perde tempo! Olha, Jack, ele acabou de conhecer ela, já levou ela pra dar uma volta.
Chris me zoa com sua voz escandalosa, e junto com ele vem a Evy, Jack e Becca.
- Pois é, então o que você tem a dizer em sua defesa, Felipe Rodrigues?!
Evy diz com voz séria. Eu até chutaria que foi uma piada, mas ela realmente parecia nervosa, até onde eu me lembro da Evy ela deve estar achando que estou indo rápido demais. Ela age como se fosse minha mãe as vezes.
- Apenas levei ela pra dar uma volta e só, não aconteceu nada.
Levanto as palmas das mãos como gesto de rendição.
(Conhecendo-os nunca vão acreditar nisso)
- Duvido muito.
Chris palpita
- Eu também duvido.
Becca aumenta.
- E por isso que vocês são meus amigos, por não acreditar em mim não vou dizer o que aconteceu, fiquem com essa dúvida então.
Respondo com raiva e ligo a moto, entrego o capacete para Evy que sobe. Jack e Becca sobem na Ducati, e Chris veio de carona então vai esperar alguém buscá-lo.
- Até mais Chris.
Aceno para ele.
- Até.
Dizem que Paris é a cidade luz, mas acho que além de NY já levar o título de 'cidade que nunca dorme' deveria ficar com esse também. A noite aqui sempre é muito linda, com esse clima urbano e seus prédios enormes e luminosos, o que aos poucos vai sumindo graças a gente entrar no Brooklin.
Jack e Becca seguem até a casa de Evy, ela desce e me entrega o capacete.
- Vou ter que faltar amanhã, tenho algumas coisas para fazer.
Evy nos avisa, pelo que me lembro e consulta de rotina de uma certa coisa importante.
- Tudo bem, gata, depois passo aí para irmos às compras, ok?
Becca diz e os olhos de Evy brilham.
- Ok.
Ela responde sorridente
- Tchau Evy, amanhã vejo se consigo te visitar.
Me despeço dela.
- Tchau Fê! Olha o juízo!
- Você parece até meu pai dizendo isso.
Digo dando a partida, depois de alguns quarteirões me separo de Jack e Becca indo para casa.
Chegando em casa ainda está tudo escuro, ou seja, meu pai não chegou. (Certeza deve ter parado para beber com os amigos da bolsa...
Tomo um banho, e coloco meu short. Ouço um barulho, sinal de que meu pai chegou, percebo que ele bate na porta do quarto, tento fingir que estou dormindo e ele vai para o quarto dele.
(Depois da última discussão não quero falar com eles tão cedo, sei que estão certos, mas ainda quero ficar quieto)
Estou tão cansado que acabei dormindo de verdade.