Epílogo
O elevador descia em um silêncio suave, as luzes da cidade passando como estrelas cadentes pela parede de vidro. Hina estava sozinha, olhando para seu reflexo. O ar ao seu lado pareceu tremeluzir por um instante.
— Você não precisava ser tão dura com ele, sabe — disse a voz do Autor, soando mais como um pensamento no ar do que uma fala audível.
Hina não se virou. Apenas sorriu para seu reflexo. — E você não precisava expor meu passado daquela forma. Um golpe baixo, até mesmo para você, querido.
— Foi uma ferramenta narrativa para testar o personagem dele. Você sabe como funciona.
— Ah, eu sei. — Ela finalmente se virou para o espaço vazio ao seu lado, os olhos brilhando com uma diversão perigosa. — Mas quer saber? Eu não achei tão ruim. Foi... estimulante. Ver o pânico no rosto de Sophia, a lealdade nos olhos de Julian...
O elevador chegou ao térreo com um som suave. As portas se abriram para o lobby imponente.
— Foi um bom jogo — continuou Hina, saindo para o mundo lá fora. — Mas já acabou. Agora... o que você tem de interessante para mim a seguir, Autor? Tente não me entediar.
A voz dele não respondeu. Mas Hina sabia que ele estava ouvindo. E, pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha ideia do que viria a seguir. Um sorriso genuíno se espalhou por seu rosto.
Finalmente, algo imprevisível.