Capítulo 7: Lições de Sedução e Confusões
A manhã no apartamento estava mais leve após o café, com o sol entrando pelas cortinas e iluminando a sala. Hina e Sakura estavam sentadas no sofá, as xícaras de café ainda mornas sobre a mesinha. Hina, com as pernas cruzadas e o cabelo loiro solto, parecia vibrar com energia, enquanto Sakura, ajustando os óculos e mexendo nervosamente na barra da saia, tentava reunir coragem para falar sobre o que realmente ocupava sua mente: Kaito.
— Hina… — começou Sakura, a voz tímida, quase sumindo. — Como… como eu faço pra me aproximar mais do Kaito? Tipo… sei lá, ser mais… confiante? Talvez… seduzir ele? — As últimas palavras saíram tão baixas que ela mal se ouviu, o rosto já vermelho.
Hina arregalou os olhos, um sorriso travesso surgindo. — Saki, minha menina tá crescendo! — exclamou, batendo palmas. — Seduzir o Kai? Isso eu posso te ajudar. Primeiro, me diz: o que você já sabe sobre flertar?
Sakura gaguejou, os óculos escorregando pelo nariz. — E-eu… não sei! Tipo, sorrir? Falar coisas legais? — Ela cobriu o rosto com as mãos, constrangida. — Hina, eu sou péssima nisso!
Hina riu, mas com um tom carinhoso. — Tá, tá, relaxa. Vamos treinar. Eu finjo que sou o Kaito, e você tenta me “seduzir”. Vamos ver o que você tem na manga, Saki.
Sakura arregalou os olhos, o coração disparando. — Q-quê? Fingir que você é o Kaito? Hina, eu não consigo! — protestou, mas Hina já estava de pé, endireitando a postura e imitando o jeito descontraído de Kaito, com um sorrisinho de lado.
— Oi, Saki — disse Hina, imitando a voz dele, um tom mais grave e descontraído. — Tô aqui pensando… você tá diferente hoje. Qual é o segredo? — Ela piscou, apoiando um braço no encosto do sofá.
Sakura ficou paralisada, o rosto vermelho como uma pimenta. — E-eu… Kaito… quer dizer, Hina… eu… — gaguejou, mexendo nos cabelos e quase derrubando os óculos. — Você tá… bonito? — As palavras saíram como uma pergunta, e ela quis se enterrar de vergonha.
Hina, ainda no papel de Kaito, riu baixo, mas seus olhos brilharam com uma ideia. — Hmm, tá precisando de um empurrãozinho, Saki. Vamos subir o nível. — Ela se aproximou, o tom mudando para algo mais ousado, quase provocador. — Sabe, Saki, você tá me deixando meio… sem saber o que fazer — disse, a voz suave, enquanto se sentava mais perto, os dedos roçando de leve o braço de Sakura.
Sakura prendeu a respiração, os olhos arregalados. Hina, completamente imersa no papel, inclinou-se ainda mais, os dedos subindo pelo braço de Sakura até o ombro, depois descendo lentamente, roçando de leve o contorno dos seios dela. — Você já pensou no que a gente podia fazer… se fosse só nós dois? — sussurou Hina, os dedos agora traçando o pescoço de Sakura, que fechou os olhos, parecendo se entregar aos toques, o corpo tremendo levemente.
Quando Hina se aproximou mais, o rosto a poucos centímetros, quase encostando os lábios nos dela, Sakura de repente se arrepiou e soltou um grito, empurrando Hina com força. — H-Hina, para! — exclamou, o coração disparado, os óculos tortos no rosto. — O Kaito nunca faria isso, sua doida!
Hina caiu no sofá, rindo tanto que lágrimas brilharam nos cantos dos olhos. — Ai, Saki, sua cara! — Ela segurou a barriga, tentando recuperar o fôlego. — Pode até ser que o Kai não faça isso… mas, amiga, você precisa estar preparada pra tudo!
Sakura, ainda ofegante, ajustou os óculos, confusa com o turbilhão de sentimentos. Por que eu me arrepiei tanto? Era só a Hina… Ela balançou a cabeça, tentando se convencer de que era só o choque. — Tá, mas… isso foi exagero, Hina!
— Tá bom, tá bom — disse Hina, levantando as mãos em rendição, mas o sorriso não sumiu. — Vamos tentar de novo, mas agora eu sou você, e você é o Kaito. Vou te mostrar como se faz. Presta atenção, Saki.
Hina se levantou, mudando completamente a postura. Ela adotou o jeito tímido de Sakura, mordendo o lábio e ajustando óculos imaginários, mas com um toque de charme sutil. — Kaito… — começou, a voz suave, quase um sussurro, enquanto se aproximava lentamente, os olhos brilhando com uma mistura de timidez e sedução. — Você já… já pensou em mim de um jeito diferente?
Ela se sentou ao lado de Sakura, deixando os cabelos loiros caírem sobre um ombro, e tocou o braço dela com delicadeza, os dedos subindo até o ombro. — Porque eu… eu penso em você o tempo todo — sussurou, inclinando-se, o rosto a poucos centímetros do de Sakura. A mão dela deslizou até o peito de Sakura, sentindo o coração dela palpitando rápido, a respiração acelerada. Hina sorriu, os lábios quase roçando os de Sakura, e sussurrou: — Me possua, Kaito.
Sakura arregalou os olhos, o choque a fazendo tropeçar para trás e cair no chão com um baque. — H-HINA! — gritou, o rosto vermelho como nunca, os óculos tortos de novo. — O que foi isso?!
Hina explodiu em risadas, rolando no sofá. — Ai, Saki, você é muito preciosa! — Ela se sentou, enxugando uma lágrima de tanto rir. — Tô só te mostrando como usar o charme, amiga! Funcionou, né? Seu coração tá quase saindo pela boca!
Sakura, ainda no chão, respirava rápido, tentando processar o que acabara de acontecer. Por que meu coração tá assim? Era só a Hina… só uma brincadeira… Ela se levantou, ajustando os óculos, o rosto quente. Sentia-se confusa, não só pelo que Hina fez, mas por como seu corpo reagiu. Depois de alguns segundos, já mais calma, ela olhou para Hina, que ainda ria, e disse: — Você… você é capaz de seduzir até uma pedra, Hina.
Hina piscou, o sorriso suavizando para algo mais carinhoso. — E você, Saki, vai seduzir o Kai. Só precisa acreditar em si mesma. — Ela se levantou, puxando Sakura de volta para o sofá. — Vamos continuar treinando, mas sem sustos dessa vez. Prometo.
Sakura assentiu, ainda meio atordoada, mas com um leve sorriso. Talvez a Hina tenha razão, pensou. Talvez eu consiga ser mais corajosa. Mas, no fundo, uma pequena parte dela se perguntava o que significava aquele arrepio que Hina havia causado — e se ela estava pronta para enfrentar o que sentia por Kaito… ou por qualquer outra coisa que pudesse surgir.