Capítulo 8: Banho de Reflexões e Jogos Perigosos
Sakura chegou em casa ainda atordoada pelas “lições” de Hina. O silêncio do apartamento era um alívio após a intensidade da manhã, mas seus pensamentos estavam em um turbilhão. Decidiu preparar um banho para relaxar, enchendo a banheira com água morna e um pouco de espuma perfumada. Enquanto se despia, notou algo que a fez parar: sua calcinha estava úmida. O rosto dela ficou vermelho como uma pimenta, os óculos quase escorregando pelo nariz. Isso… isso é por causa da Hina? pensou, a memória dos toques dela — os dedos roçando seu pescoço, o sussurro provocador — invadindo sua mente. Ela balançou a cabeça, tentando se convencer. Não, ela tava fingindo ser o Kaito. Era o Kaito. Com um gesto rápido, jogou a peça na cesta de roupa suja e entrou na banheira.
A água morna envolveu seu corpo, e Sakura fechou os olhos, buscando calma. Tentou imaginar Kaito — o sorriso gentil, o beijo na cozinha, a voz dizendo que ela era linda. Mas, sem aviso, as imagens mudaram. O rosto de Hina surgiu, com aquele sorriso malicioso, os olhos azuis brilhando enquanto se aproximava, os dedos traçando sua pele. Sakura abriu os olhos de repente, o coração disparado. Com uma rara expressão de raiva, ela gritou: — HINA, SAI DA MINHA CABEÇA!
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Enquanto isso, no apartamento de Hina e Kaito, a tarde seguia com sua própria dose de caos. Hina deu um espirro alto, esfregando o nariz enquanto estava na sala. Kaito, saindo do banho com uma toalha no ombro, ergueu uma sobrancelha. — Tá resfriada?
Hina colocou as mãos na cintura, o cabelo loiro balançando enquanto bufava. — Eu? Resfriada? Nunca, Kai. Eu sou imune a essas coisas fracas — disse, com um tom exagerado de confiança.
Kaito revirou os olhos. — Você se acha muito, né?
Hina riu, mas seu olhar mudou para algo mais travesso. — Mudando de assunto, priminho… fiquei sabendo que você andou derretendo um certo coraçãozinho.
Kaito congelou, desviando o olhar para o lado. — A Sakura te contou? — Ele fez uma pausa, coçando a nuca, a voz mais baixa. — Acho que… assustei ela.
Hina se jogou no sofá, cruzando as pernas com um sorriso malicioso. — Talvez tenha assustado, sim. A Saki é tipo uma gatinha medrosa, Kai. Pra chegar nela, precisa de estratégia, cuidado… um toque suave. — Ela ergueu uma sobrancelha, o tom carregado de insinuação.
Kaito franziu a testa, já sentindo o desconforto crescer. — Hina, eu não sou bom com essas coisas de romance.
— É pra isso que sua linda priminha tá aqui! — retrucou ela, batendo no peito com orgulho. — Eu sei tudo sobre a Saki. Posso te dar a direção certa pra chegar no coração dela… e em outros lugares mais interessantes, se quiser. — Ela piscou, o sorriso agora puro veneno doce.
Kaito, começando a ficar irritado, cortou. — Hina, só o coração já tá bom, ok?
— Como quiser, senhor Chatice — disse ela, rindo. Ela deu uns tapinhas no sofá ao lado, chamando-o. — Vem cá, senta aqui. Vou te mostrar uma coisa.
Kaito, curioso apesar de tudo, sentou-se, mantendo uma distância cautelosa. Hina mudou a expressão em um piscar de olhos, adotando uma versão exagerada de Sakura. Ela levou as mãos ao rosto, os olhos fingindo lágrimas, a voz tremendo em um tom dramático. — Eu sou a Sakura, uma garota delicada, insegura e medrosa… Kaito, você nunca vai gostar de mim!
Por um momento, Kaito sentiu o coração apertar. As palavras, mesmo exageradas, pareciam carregar uma verdade que o tocou. Ele estendeu a mão, segurando o ombro dela. — Sakura, eu… — Mas parou, percebendo o jogo. Ele estreitou os olhos, a voz firme. — Hina, eu sei o que você tá fazendo. Não vou cair na sua armadilha.
Hina, ainda com as mãos no rosto, levantou a cabeça, rindo com um sorriso debochado. — Ai, priminho, tô vendo que me conhece mais do que eu imaginava!
Kaito se levantou, o rosto sério. — Não brinca com o sentimento dos outros, Hina. Isso é perigoso.
Ela deu de ombros, o sorriso não vacilando. — Relaxa, Kai. Eu tenho tudo sob controle.
Kaito balançou a cabeça e saiu da sala, indo para o quarto. Hina ficou no sofá, rindo sozinha, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e algo mais calculado. — Isso vai ser interessante — murmurou para si mesma, tamborilando os dedos no braço do sofá.