Capítulo 10: O Primeiro Encontro e uma Noite Inesquecível
Sakura deu uma última olhada no espelho, ajustando os óculos e respirando fundo. A blusa azul que Hina escolhera combinava com seus olhos castanhos, e o jeans marcava sua cintura de um jeito que a deixava um pouco envergonhada, mas também confiante. Ela pegou a bolsa na mesinha, o coração disparado, quando Hina, que ainda estava sentada na cama, se levantou de repente com um sorriso travesso.
— Saki, espera aí! — disse Hina, enfiando a mão no bolso da calça e tirando uma camisinha embrulhada, que segurou entre os dedos com um olhar malicioso. — Toma, pra garantir.
Sakura arregalou os olhos, o rosto ficando vermelho como um pimentão em menos de um segundo. — H-HINA! — exclamou, quase derrubando a bolsa, as mãos tremendo enquanto balançava a cabeça freneticamente. — N-não vai acontecer nada! É só um cineminha, eu… eu não…
Hina riu alto, forçando a camisinha na mão de Sakura antes que ela pudesse escapar. — Ai, Saki, você é muito inocente! É melhor prevenir do que remediar, né? O Kai tá caidinho por você, e vocês vão tá no escurinho… quem sabe o que pode rolar? — provocou, piscando.
— N-não vai rolar nada! — insistiu Sakura, a voz aguda e atrapalhada, empurrando a camisinha de volta para Hina, mas Hina cruzou os braços, recusando-se a pegá-la.
— Leva, Saki. Confia em mim. Você vai me agradecer depois — disse Hina, o tom firme, mas cheio de diversão. Sakura, sem saber o que fazer, acabou enfiando a camisinha na bolsa com o rosto ainda em chamas, murmurando algo incoerente sobre “não precisar disso” enquanto Hina ria atrás dela.
Naquele momento, o celular de Sakura vibrou com a mensagem de Kaito: Cheguei, Saki. Tô na frente da sua casa. O coração dela disparou ainda mais, agora por uma mistura de nervosismo pelo encontro e vergonha pelo que Hina acabara de fazer.
— Ele chegou! — exclamou, a voz mais alta do que pretendia. Hina deu um sorriso.
— Então vai logo, Saki! E não esquece: olhar nos olhos, sorrisinho tímido, e encosta no braço dele — disse, piscando. — O Kai não vai saber o que o atingiu. Vou sair com uns amigos. Provavelmente vou dormir na casa de alguém.
Hina abriu a porta, e lá estava Kaito, parado na entrada, o cabelo castanho bagunçado como sempre, vestindo uma camisa preta simples que destacava seus ombros largos. Ele segurava as chaves do carro com uma mão, a outra coçando a nuca, um gesto que Sakura já conhecia como sinal de nervosismo.
— Nossa, Kai, você tá todo arrumadinho pra Saki, hein? — provocou Hina, apoiando-se no batente da porta com um sorriso travesso. — E, aliás, vou sair agora e não durmo em casa hoje, então… a casa tá liberada, se quiserem — acrescentou, com uma piscadinha para Kaito, que corou imediatamente.
— Hina, para com isso — reclamou Kaito, desviando o olhar, mas então seus olhos encontraram Sakura, e ele parou, o rosto suavizando. — Saki… você… você tá linda.
Sakura sentiu o rosto queimar, ajustando os óculos por reflexo. — O-obrigada, Kaito… você também tá… bonito — gaguejou, e Hina riu alto, dando um tapinha nas costas dela.
— Ele tá um gato, vão logo, seus pombinhos! E, Kai, cuida bem da minha Saki, hein? — disse Hina, antes de fechar a porta, deixando os dois sozinhos na entrada do prédio. Enquanto Sakura e Kaito caminhavam até o carro, Hina pegou o celular e pediu um carro por aplicativo, já mandando mensagem para os amigos com quem sairia.
O cinema estava movimentado, com casais e grupos de amigos enchendo o saguão. Kaito comprou os ingressos e uma pipoca para dividirem, e eles se sentaram no fundo da sala, onde o “escurinho” que Hina mencionara parecia ao mesmo tempo acolhedor e intimidador. Durante o filme, Sakura riu das cenas engraçadas, e Kaito, mais relaxado, começou a fazer comentários baixinhos, o que a fez rir ainda mais. Em um momento, suas mãos se tocaram ao pegar pipoca ao mesmo tempo, e nenhum dos dois puxou a mão de volta, os dedos entrelaçados por alguns segundos antes de Sakura corar e desviar o olhar.
A cada risada compartilhada, a cada olhar tímido que trocavam, Sakura sentia a tensão do dia começar a se dissipar. A memória do banho com Hina ainda pairava em sua mente, mas a presença de Kaito — a gentileza nos olhos dele, o jeito que ele parecia genuinamente feliz ao lado dela — a estava ancorando no momento. É o Kaito… eu o amo, pensou, e pela primeira vez naquela noite, o pensamento veio sem a sombra de Hina.
Quando o filme terminou, eles caminharam de volta ao estacionamento do cinema, o céu já escuro e estrelado. Kaito abriu a porta do carro para Sakura, e ela entrou, o coração disparado, mas dessa vez mais por expectativa do que por nervosismo. Ele se sentou ao lado dela, mas não ligou o carro imediatamente, virando-se para encará-la.
— Saki… eu… — começou, a voz mais grave do que o normal, os olhos brilhando com algo intenso sob a luz fraca do estacionamento. — Desde aquele beijo, eu não consigo parar de pensar em você.
Sakura sentiu o rosto esquentar, o coração batendo tão rápido que parecia que ia explodir. Antes que pudesse responder, Kaito se inclinou, uma mão gentil segurando o rosto dela, e a beijou — um beijo mais profundo e apaixonado do que o primeiro, cheio de um desejo que fez o corpo dela inteiro tremer. Ela correspondeu, os óculos escorregando um pouco enquanto se entregava ao momento, as mãos hesitantes subindo para os ombros dele.
Por um breve instante, um flash de Hina surgiu sem aviso — os dedos dela na banheira, o sussurro provocador. Sakura abriu os olhos, a culpa ameaçando invadi-la, mas então Kaito aprofundou o beijo, a mão dele deslizando para a nuca dela com uma ternura que a fez derreter. A imagem de Hina desapareceu, substituída pela sensação quente dos lábios de Kaito, e Sakura percebeu que, naquele momento, era só ele que importava.
Kaito se afastou levemente, os olhos procurando os dela com preocupação. — Você tá bem, Saki? — perguntou, a voz suave, a mão ainda na nuca dela.
Sakura respirou fundo, o rosto vermelho, mas dessa vez com um sorriso tímido e genuíno. — S-sim… só… me leva pra algum lugar mais… reservado? — pediu, a voz tremendo, mas cheia de determinação.
Kaito corou, entendendo o que ela queria dizer, e assentiu. — A Hina disse que não ia dormir em casa hoje… a gente pode ir pra lá, se você quiser — sugeriu, hesitante, mas com um brilho de expectativa nos olhos. Sakura engoliu em seco, o coração disparado ao pensar em voltar para o apartamento — onde se beijaram pela primeira vez, mas ela tinha fugido de vergonha —, mas assentiu, a determinação superando qualquer hesitação.
Kaito ligou o carro, e eles dirigiram até o apartamento dele, o silêncio entre eles carregado de tensão e expectativa. Quando chegaram, Kaito a levou para dentro, o apartamento estranhamente silencioso sem a presença vibrante de Hina. O quarto de Kaito era simples, com uma cama desarrumada e alguns pôsteres de bandas na parede, mas para Sakura, parecia acolhedor.
O que aconteceu entre eles foi uma mistura de ternura e paixão — Sakura se entregou a Kaito, sentindo o amor que sempre sonhou, a camisinha que Hina insistira para ela levar sendo usada em um momento de cuidado mútuo. À medida que se perdia nos braços dele, cada toque, cada sussurro de Kaito apagava qualquer vestígio de Hina que ainda restasse em sua mente. Pela primeira vez naquela noite, era somente Kaito em seus pensamentos — o sorriso dele, a voz suave, o calor do corpo dele contra o dela. Ela fechou os olhos, o coração transborda de felicidade, e acreditou, mesmo que por aquele momento, que tudo seria perfeito.
Quando finalmente se deitaram, exaustos e abraçados, Kaito a segurava com firmeza, sussurrando que a amava, e Sakura sorriu, correspondendo com um “Eu também te amo” que saiu tão naturalmente que a surpreendeu. Ela adormeceu nos braços dele, o coração leve, sentindo que aquele era o começo de algo perfeito. Mas, em algum lugar no fundo de sua mente, uma pequena semente de dúvida ainda existia, esperando para germinar.