Capítulo 15: Irmãs no Shopping e um Aniversário Especial
Na sexta-feira, o sol escaldante do meio-dia refletia nas vitrines do shopping, onde Hina e Mio caminhavam entre lojas lotadas, caçando o presente perfeito para o aniversário de Kaito. Hina, com um top cropped e uma saia justa que virava cabeças, liderava o caminho com sua energia característica, os cabelos loiros balançando a cada passo confiante. Mio, ao lado, usava um vestido leve e floral que suavizava sua beleza natural, carregando uma bolsa pequena e mantendo um ritmo mais tranquilo, os olhos azuis passeando pelas vitrines com curiosidade.
— A gente precisa de algo que grite ‘Kaito’ — disse Hina, parando em frente a uma loja de acessórios masculinos, as mãos na cintura. — Tipo, uma carteira de couro, ou… sei lá, um cinto bem sexy. O que acha, maninha?
Mio riu, balançando a cabeça. — Sexy? Hina, é o Kaito. Ele ia ficar vermelho só de ouvir você falar isso — retrucou, o tom gentil, mas com uma pitada de ironia que mostrava que ela sabia lidar com a irmã.
Hina girou nos calcanhares, apontando um dedo para Mio com um sorriso travesso. — Exatamente por isso! Ele precisa de um empurrãozinho pra sair da zona de conforto. E, vamos combinar, você viu como ele te olhou ontem. Um cinto desses e ele vai querer te amarrar com ele — provocou, piscando.
Mio corou, mexendo no cabelo com um gesto nervoso. — Hina, para! Ele não me olhou de jeito nenhum — disse, mas o rubor nas bochechas traía a dúvida. — E, além do mais, ele tá com a Saki. Vamos focar no presente, tá?
Hina riu alto, puxando Mio para dentro da loja. — Tá bom, tá bom, senhorita Certinha. Mas eu vi, sim, aquele olhar. Nosso priminho não é de ferro. — Ela pegou uma carteira de couro preta, girando-a nos dedos. — Que tal essa? Chique, mas não demais. Combina com ele.
Mio inclinou a cabeça, avaliando. — Hmm, é legal, mas… sei lá, falta algo. Ele gosta de coisas práticas, mas com um toque pessoal. — Ela caminhou até uma prateleira de relógios, pegando um com pulseira de couro marrom e mostradores simples. — Isso aqui. É elegante, mas não grita ‘olha pra mim’. Acho que ele ia gostar.
Hina ergueu uma sobrancelha, impressionada. — Olha só, a maninha com olho clínico! Tá, esse relógio é a cara do Kai. — Ela se aproximou, baixando a voz com um tom conspiratório. — Mas confessa, você tá escolhendo pensando em como ele ia ficar gato com esse relógio no pulso, né?
Mio bufou, dando um tapinha no braço de Hina. — Hina, você é impossível! — exclamou, rindo apesar do constrangimento. — Eu só quero que ele goste do presente, tá? Para de inventar coisas.
Hina jogou o cabelo para trás, o sorriso malicioso intacto. — Tá, tá, mas eu sei o que vi. Você e o Kai ontem… aquele abraço não era só de primos. — Ela pagou pelo relógio, entregando a sacola a Mio. — Guarda isso, maninha. E, quem sabe, entrega com um beijinho pra garantir que ele nunca esqueça.
Mio revirou os olhos, mas o sorriso tímido que curvou seus lábios enquanto guardava o presente sugeria que as provocações de Hina, por mais exageradas que fossem, haviam plantado uma semente de curiosidade.
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À noite, Kaito chegou do trabalho, o cansaço do dia pesando nos ombros. Ele jogou as chaves na mesinha da entrada, a camisa amassada e o cabelo castanho ligeiramente bagunçado. Mio, que estava na sala folheando uma revista, levantou-se com um salto, o rosto iluminado por um sorriso caloroso.
— Feliz aniversário, Kai! — exclamou, correndo para ele e envolvendo-o em um abraço apertado. Antes que Kaito pudesse reagir, ela depositou um beijo suave no rosto dele, o perfume delicado dela — um toque de lavanda — o envolvendo. O gesto, inocente, mas íntimo, fez o rosto de Kaito esquentar, um rubor subindo às bochechas.
— V-valeu, Mio — gaguejou, coçando a nuca, desconcertado. — Não precisava se incomodar.
Mio se afastou, ainda sorrindo, e pegou uma caixinha embrulhada da mesinha. — Aqui, seu presente — disse, entregando-a com um brilho nos olhos que o deixou momentaneamente sem palavras. O sorriso dela, tão genuíno e encantador, parecia carregar uma promessa silenciosa que Kaito não sabia como interpretar.
— Sério, não precisava — disse ele, abrindo a caixa e encontrando o relógio. — Caramba, é perfeito. Valeu mesmo, Mio. — Ele olhou para ela, o coração dando um salto inesperado com a forma como ela o encarava.
— Tá sozinha? — perguntou, tentando mudar o foco, a voz um pouco rouca.
Mio apontou para o corredor. — A Hina e a Saki tão no quarto. A Hina tá terminando de se arrumar pro aniversário.
Kaito assentiu, pegando uma roupa limpa no quarto e indo para o banho, a água quente aliviando a tensão do dia, mas não o leve desconforto que o sorriso de Mio havia causado. É só a Mio, pensou, tentando se convencer, mas a memória do abraço dela, do beijo no rosto, permanecia vívida.
Quando saiu do banheiro, uma toalha no ombro e o cabelo úmido, ele encontrou as três na sala. Um pequeno bolo de chocolate estava na mesinha de centro, decorado com velas que tremulavam sob a luz suave. Hina, agora com um vestido vermelho que parecia feito para roubar olhares, bateu palmas ao vê-lo.
— Finalmente, o aniversariante gato apareceu! — exclamou, o tom provocador arrancando uma risadinha de Mio e um sorriso tímido de Sakura, que estava ao lado, os óculos refletindo a luz das velas.
Kaito bufou, mas o sorriso em seus lábios traía o bom humor. — Vocês são exageradas — murmurou, sentando-se ao lado de Sakura, que automaticamente se aninhou contra ele, a mão dela encontrando a dele em um gesto silencioso de carinho.
Hina, nunca perdendo a chance de provocar, inclinou-se para a frente, o decote do vestido destacando suas curvas. — Kai, pode confessar, tá adorando ser o centro das atenções hoje, né? — disse, piscando, enquanto Mio ria baixo e Sakura corava, apertando a mão de Kaito com um pouco mais de força.
Sakura, apesar do sorriso, não podia ignorar o leve desconforto que sentia. O olhar de Kaito para Mio, o abraço caloroso, e até mesmo a presença magnética de Hina pareciam mexer com ela de formas que não queria admitir. É o aniversário dele. Tá tudo bem, pensou, mas a semente de dúvida, agora regada pelas provocações de Hina e pela chegada de Mio, continuava a crescer.