Capítulo 16: Pizza, Provocações e Segredos
A campainha tocou, anunciando a chegada da pizza, e Hina, com seu vestido vermelho estonteante, levantou-se do sofá com um salto. — Eu vou pegar! — exclamou, o tom carregado de entusiasmo, já caminhando para a porta com um rebolado que parecia ensaiado.
Kaito ergueu uma sobrancelha, a mão ainda repousando na cintura de Sakura, que estava aninhada contra ele. — Hina, por que esse vestido todo pra uma noite só entre a gente? — perguntou, a voz misturando curiosidade e exasperação.
Hina girou nos calcanhares, o decote do vestido destacando cada curva sob a luz suave da sala. — Porque meu priminho merece, oras — respondeu, o sorrisinho sedutor curvando os lábios enquanto dava uma piscadinha lenta. — Volto já.
Sakura sentiu o rosto esquentar, os óculos escorregando pelo nariz. Não querendo demonstrar o desconforto, ela se levantou rapidamente, dizendo: — Vou… guardar o resto do bolo. — Sua voz saiu mais tensa do que pretendia, e ela seguiu para a cozinha, o coração apertado.
Mio, com seu jeito gentil, pegou os pratinhos sujos e se ofereceu para ajudar. — Deixa que eu levo isso, Saki — disse, sorrindo, e juntas arrumaram a mesinha para a pizza, o clima leve entre elas contrastando com a tensão que Sakura tentava esconder.
Minutos depois, Hina voltou, equilibrando as caixas de pizza e algumas latinhas de cerveja, o sorriso malicioso iluminando o rosto. — O entregador era um gatinho — anunciou, jogando o cabelo loiro para trás. — Não tirava os olhos de mim. Acho que ele queria mais do que a gorjeta. — Ela riu, colocando as caixas na mesa com um floreio.
A conversa na sala fluiu, a pizza desaparecendo rapidamente entre risadas e histórias. Hina, com sua energia magnética, empurrou uma latinha de cerveja para Mio, que hesitou, nunca sendo muito fã de álcool. — Vai, maninha, só um golinho — insistiu Hina, e Mio, rindo, acabou cedendo, tomando pequenos goles enquanto seus olhos brilhavam com a descontração da noite.
Mio ria das piadas de Kaito, o humor seco dele arrancando gargalhadas que ecoavam pela sala. Sakura, abraçada ao braço de Kaito, mantinha um sorriso tímido, mas seus olhos vagavam entre Hina e Mio, tão vibrantes e à vontade. Por que ele se interessaria por mim? pensou, a insegurança sussurrando em sua mente. Eu sou tão… sem graça comparada a elas. Forçando um sorriso, ela tentou se soltar, contando uma história engraçada da faculdade, mas sua voz tremia levemente, como se estivesse tentando se convencer de que pertencia àquele momento.
Após algumas fatias de pizza e latinhas esvaziadas, Hina bateu as mãos na mesa, os olhos brilhando com uma ideia. — Vamos jogar algo interessante. Que tal… strip poker? — sugeriu, o tom carregado de provocação, o vestido justo destacando cada movimento.
Sakura apertou o braço de Kaito com força, o rosto vermelho. Kaito bufou, rejeitando a ideia na hora. — Hina, você conhece algum jogo que não envolva tirar a roupa? — perguntou, a voz entre o riso e a irritação.
Hina fez um beicinho exagerado, reclinando-se no sofá de forma que o vestido subiu perigosamente pelas coxas, o decote quase revelando mais do que deveria. — Os outros não têm graça — reclamou, esticando-se com uma sensualidade natural, os seios pressionando contra o tecido.
Kaito tentou disfarçar, mas seus olhos traíram um deslize momentâneo, atraídos pelo movimento. Hina, com seu olhar afiado, percebeu, e um sorriso provocador começou a se formar. Mas, ao notar Sakura se soltando um pouco, contando outra história com um riso tímido, ela decidiu guardar a provocação para si, apenas mordendo o lábio com um brilho travesso nos olhos.
De repente, Hina se levantou, bocejando dramaticamente. — Bom, hora de dar boa noite — anunciou, caminhando até Kaito com uma lentidão deliberada. Ela se inclinou, o perfume doce envolvendo-o, e depositou um beijo demorado no rosto dele, os lábios roçando a pele por um segundo a mais do que o necessário. — Feliz aniversário, Kai — sussurrou, o tom quente, quase um convite.
Sakura sentiu o estômago revirar, o ciúme queimando em seus olhos enquanto apertava o braço de Kaito com mais força. Hina, percebendo o olhar dela, riu baixo e virou-se para Sakura, o tom brincalhão. — Não precisa ficar com ciúme, Saki. Não vou quebrar a promessa — disse, dando uma piscadinha lenta antes de levar o dedo aos lábios, como se selasse um segredo.
Kaito, sem graça com o beijo e confuso com a reação de Sakura, franziu a testa. — Que promessa? — perguntou, a voz carregada de curiosidade.
Hina sorriu, misteriosa. — Segredinho — respondeu, o dedo ainda nos lábios enquanto caminhava para o quarto, o rebolado marcando cada passo.
Kaito ficou pensativo, a memória de Hina acordando-o de madrugada com palavras enigmáticas voltando à mente. O que ela tá tramando agora? pensou, mas foi tirado dos pensamentos por Mio, que, levemente solta pela cerveja, deu uma risadinha. — Hina e seus segredos — disse, balançando a cabeça, o rosto iluminado por um sorriso.
Sakura, sentindo o peso da noite, olhou para o relógio. — Tá tarde… acho que vou indo — disse, levantando-se com hesitação.
Kaito segurou a mão dela, puxando-a de volta com suavidade. — Fica, Saki — pediu, os olhos castanhos cheios de ternura. — Quero que você fique.
Sakura corou, os óculos embaçando ligeiramente. — Você… quer mesmo? — perguntou, a voz trêmula.
Ele confirmou com um beijo longo, profundo, as mãos segurando o rosto dela com uma mistura de desejo e cuidado. O mundo ao redor pareceu sumir, e Sakura se perdeu no calor dos lábios dele, o coração disparado.
Mio, ainda no sofá, observava os dois com o queixo apoiado nas mãos, os braços descansando nas pernas. Seus olhos brilhavam, um misto de admiração e algo mais, talvez uma pontada de inveja. Quando o beijo terminou, Kaito e Sakura perceberam o olhar dela, e um rubor subiu ao rosto dos dois.
— Vocês são um casal lindo — disse Mio, a voz suave, mas com um tom que parecia carregar mais do que ela pretendia revelar.
Sakura, corada, levantou-se rapidamente. — Vou… arrumar a mesinha e guardar as coisas — disse, fugindo para a cozinha. Mio, rindo baixo, ofereceu-se para ajudar, pegando as latinhas vazias.
Na cozinha, enquanto lavavam os pratos, Mio quebrou o silêncio. — O Kaito tem muita sorte de ter você, Saki — disse, o tom genuíno, sem traço de malícia. — Sabe, eu sempre admirei ele. Desde pequena.
Sakura parou, a esponja escorregando na mão, as palavras de Mio a deixando pensativa. Admirava ele? A frase, tão simples, parecia carregar um peso que Sakura não sabia como interpretar. Ela sorriu, forçando a insegurança para longe. — Ele… ele é incrível — respondeu, mas sua mente já girava, misturando o ciúme de Hina, a admiração de Mio.