Capítulo 8: Malakor
O exército de Aethelgard avançava com Ren a liderá-los, enquanto demônios e feras menores eram abatidos com facilidade. Depois vieram os generais de Malakor com seres mais fortes, e uma batalha brutal foi travada. Houve baixas em ambos os lados, mas o poder de Ren e a espada lendária eram o trunfo contra a horda demoníaca, e Ren derrotou cada general.
Finalmente, ele atravessou o campo de batalha coberto de cinzas demoníacas e chegou ao epicentro da escuridão: um trono de obsidiana que Malakor erguera no local. O Lorde Demônio o observava, não com medo, mas com uma curiosidade divertida. Ele era alto, de uma beleza cruel, com olhos que pareciam conter galáxias moribundas.
Ele olhou para Ren e o exército atrás dele, então seus olhos brilharam com um vermelho intenso. Uma onda de escuridão e morte foi lançada. Ren sentiu o impacto daquele poder avassalador, mas conseguiu se proteger. No entanto, não foi capaz de proteger os soldados ao seu redor, vendo-os tombarem mortos e percebendo o verdadeiro horror do ser que ele veio enfrentar.
— O Herói da Anulação... — disse Malakor, a voz um sussurro sedutor que parecia ecoar diretamente na mente de Ren. — Impressionante. Você dizimou meus generais. Mas olhe para você. Está exausto. Sua própria habilidade é um veneno que consome sua energia a cada passo.
Era verdade. Ren estava ofegante, o corpo dolorido pelo esforço de manter um campo de anulação tão vasto por tanto tempo. Ele ergueu a espada, a ponta tremendo levemente.
— Acabou, Malakor. Renda-se.
Malakor riu, um som que não tinha alegria, apenas um desprezo antigo.
— Acabou? Garoto tolo. Apenas começou. Você usa seu poder como uma marreta, esmagando tudo à sua volta, mas não entende sua verdadeira natureza. Seu poder vai muito além de apenas anular e silenciar, e eu posso ajudá-lo a liberar o poder de apagar da existência.
Ele se levantou, e em sua mão surgiu uma pedra negra que pulsava com uma luz interna, como um coração de escuridão.
— Este é o Coração do Vazio. Uma relíquia que pode despertar o verdadeiro potencial adormecido em sua alma. Junte-se a mim, Ren. Juntos, não apenas derrotaremos os deuses e os imperadores tolos. Nós os apagaremos. Podemos trazer a verdadeira paz a este universo barulhento e doloroso.
A oferta pairou no ar, tentadora. O poder de acabar com tudo, de apagar a dor, a culpa... a memória de Hina em sua cela. Por um instante, Ren hesitou.
Mas então, ele se lembrou do olhar dela. Da confiança que ela depositara nele, mesmo enquanto o provocava.
— Não — disse Ren, a voz firme, com a determinação renovada.
Com um grito de guerra que era uma mistura de fúria e redenção, ele avançou. Malakor tentou conjurar uma barreira, mas a anulação de Ren a desfez instantaneamente. O Lorde Demônio sorriu, um sorriso de genuína surpresa e, talvez, de respeito.
A Matadora de Demônios encontrou seu alvo. O golpe final foi limpo, preciso. O corpo de Malakor não explodiu; ele simplesmente se desfez em pó escuro, que foi levado pelo vento silencioso do vale.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. A guerra havia acabado.
Ren caiu de joelhos, exausto, a espada caindo ao seu lado. Ele conseguiu. Ele cumpriu seu dever. Mas o sentimento não era de triunfo. Era de um vazio profundo.
Seu olhar foi atraído por um brilho no chão, onde o trono de Malakor estivera. Lá, entre as cinzas, repousava o Coração do Vazio. A pequena pedra negra pulsava suavemente, não com malícia, mas com uma promessa silenciosa. Era um sussurro para a parte mais cansada de sua alma, oferecendo não poder, mas paz. O alívio para o peso que carregava. O poder de apagar a dor, de silenciar a culpa... de esquecer a imagem de Hina em sua cela.
A tentação lutou contra sua exaustão. Ele se lembrou do olhar dela, da confiança que ela depositara nele. Mas a dor da traição era mais forte. Ele precisava de silêncio.
Com a mão tremendo, estendeu-a sobre a pedra. Hesitou por um último e agonizante instante. Então, a fechou em torno do artefato.
A energia que o envolveu não era violenta. Era fria, limpa, absoluta. Não era uma corrupção, era uma purificação. A dor, a culpa, a dúvida... tudo foi sendo substituído por um propósito singular e cristalino: curar o mundo de seu sofrimento, trazendo-lhe a paz do nada.
Ele se levantou, não mais como o herói de Aethelgard, mas como o avatar do mais puro silêncio, a inexistência.