O último túnel se abriu diante deles.
O grupo avançou e entrou no coração do ninho.
Não havia colunas, nem estruturas naturais elegantes. O espaço era um buraco gigantesco, cavado brutalmente por gerações de formigas com mais de dois metros de altura. As paredes curvas estavam cobertas por marcas profundas de mandíbulas e sulcos irregulares deixados pela escavação contínua.
O chão afundava levemente no centro, coberto por restos de carapaças quebradas, ossos antigos e fragmentos de armas corroídas pelo tempo.
O ar era quente. Úmido. Pesado.
Então, algo se moveu.
No fundo do ninho, a Rainha Formiga Skudra ergueu lentamente a cabeça. Seu corpo colossal dominava o espaço e, ao redor dela, vinte formigas de elite já estavam posicionadas, imóveis, formando um círculo de proteção perfeito.
Skudra percebeu a presença deles.
Um rugido monstruoso explodiu de sua garganta. A terra vibrou, poeira caiu das paredes, e o som atravessou todo o ninho como uma onda de pressão sufocante.
Ao comando do rugido, seus guardas de elite começaram a avançar em direção aos inimigos.
— Avançar! — gritou Eros.
Arthur disparou à frente.
Assim que alcançou a linha inimiga, ele ativou sua habilidade.
— VENHAM ATÉ MIM!
O efeito foi imediato.
As vinte formigas de elite reagiram ao mesmo tempo, desviando o foco para Arthur e avançando contra ele em formação coordenada.
— Arthur, segure os guardas! — ordenou Eros. — Legolas, apoio! Meg, Buffs!!
Meg ergueu seu cajado, ativando suas habilidades de buff.
Enquanto isso, Eros começou a correr.
— Lunna, vem comigo. Vamos derrotar a rainha.
Arthur mal teve tempo de perceber quando Lunna desapareceu. Seu corpo se dissolveu nas sombras do ninho, misturando-se às irregularidades da terra e da quitina.
Eros avançou diretamente contra Skudra.
A Rainha atacou.
Mandíbulas colossais se fecharam no ar, patas esmagaram o chão com força suficiente para fazer a terra rachar.
Enquanto Eros, com uma habilidade e força avassaladoras, enfrentava a Rainha de frente, a cada movimento brutal, cortes invisíveis surgiam no corpo de Skudra. Ataques furtivos precisos, vindos de ângulos impossíveis.
Lunna surgia, atacava, sumia.
Do outro lado do campo de batalha, Arthur enfrentava as vinte formigas de elite.
Cada disparo de Legolas era preciso, com controle e velocidade fora do comum. As flechas voavam em perfeita sincronia com os movimentos de Arthur, criando aberturas constantes.
Mesmo assim, era Arthur quem segurava sozinho os vinte guardas de elite da Rainha, suportando golpes incessantes com uma resistência avassaladora.
Meg se movia constantemente.
Curas em grupo sustentavam a linha de frente. Curas individuais mantinham Arthur vivo mesmo sob pressão extrema. Seu foco era absoluto — errar o tempo de uma habilidade significaria a morte de alguém.
O combate se estendeu.
Uma a uma, as formigas de elite começaram a cair.
Quando a última delas foi derrotada, Arthur e Legolas avançaram juntos em direção à Rainha Skudra. Arthur puxou novamente o agro, forçando a criatura a focar nele.
Foi então que Legolas franziu o cenho.
Seus ouvidos captaram algo errado.
Passos.
Vozes humanas.
— Eros... — disse, tenso. — Estão chegando. Cerca de nove.
O olhar de Eros se voltou imediatamente para a retaguarda.
— Lunna, venha comigo. Meg, se posicione entre os dois grupos. Arthur, Legolas... terminem a rainha. Nós vamos lidar com eles.
Lunna reapareceu por um instante, assentiu, e desapareceu outra vez.
Meg se moveu para o centro do ninho, posicionando-se de forma que pudesse alcançar ambos os combates.
Pouco depois, nove aventureiros surgiram pelo túnel de entrada.
— Olha só... — disse o líder, encarando a cena. — Vocês dois, segurem aquele cara. O resto vem comigo. Vamos matar todos e pegar o boss pra nós.
Eles se separaram.
No instante em que avançaram, Eros liberou uma habilidade de energia cortante de longa distância, uma lâmina invisível que rasgou o ar em direção ao grupo inimigo.
Os dois tankers avançaram imediatamente, cruzando seus escudos para bloquear o ataque. A energia se chocou contra a defesa com violência suficiente para fazê-los recuar vários passos, deixando seus braços dormentes pelo impacto.
Foi o suficiente.
Um corpo caiu.
O healer inimigo desabou no chão sem sequer entender o que havia acontecido.
Lunna já havia desaparecido novamente.
Sem cura. Sem formação. Sem ordens.
O grupo inimigo entrou em colapso.
Eros avançou.
Enquanto isso, Meg mantinha um controle quase impossível. Seu foco estava em Eros, mas, ao mesmo tempo, ela sustentava Arthur vivo o suficiente para resistir aos ataques finais de Skudra.
Legolas acelerou ainda mais.
As flechas voavam em um ritmo absurdo. A corda do arco cortava sua pele repetidas vezes. Seus dedos estavam em carne viva, sangrando, tremendo — mas ele não parava.
A batalha se estendeu.
Um por um, Eros e Lunna derrotaram os aventureiros inimigos, até que todos estivessem desmaiados no chão.
No mesmo instante, Skudra finalmente cedeu.
Arthur e Legolas desferiram os golpes finais contra a Rainha Formiga, que caiu com um último tremor pesado, fazendo o ninho inteiro estremecer.
Eles se viraram para ajudar Eros e Lunna... e pararam.
Eros estava em pé, no centro do ninho.
Ao redor dele, nove aventureiros derrotados, espalhados pelo chão.
Arthur caiu sentado, respirando pesado.
Meg deixou o cajado cair ao lado do corpo e se sentou, completamente exausta.
Legolas permaneceu em pé, mantendo o orgulho élfico, mesmo respirando com dificuldade. Sua mão tremia. O sangue escorria pelos dedos abertos.
Lunna se escorou em uma rocha, ainda em pé, respirando fundo.
O silêncio tomou o ninho.
A Rainha Skudra havia caído.
Eros abriu os olhos.
Ele estava deitado.
O teto acima dele era desconhecido.
— ...?
Ele se sentou rapidamente.
— Onde estou...? — perguntou, confuso.
Uma presença se manifestou à sua frente.
Não houve som, nem movimento. Ela simplesmente apareceu.
Uma entidade de aparência majestosa, envolta por uma aura serena. Sua forma era difícil de definir, como se não pertencesse completamente àquele lugar.
Quando falou, sua voz era suave.
— Não precisa ter medo, Eros.
O coração dele disparou.
— Como você sabe meu nome? — perguntou. — Quem é você?
A entidade sorriu levemente.
— Seja bem-vindo à Lunage.
Eros franziu o cenho.
— Lunage? — disse. — O que é isso?
A entidade começou a se afastar.
— É aquilo que você sempre buscou.
Antes de desaparecer, sua voz ecoou uma última vez:
— Sua aventura começa aqui. Você terá que desvendar esse novo mundo sozinho. Lhe desejo sorte!