*BOOM... BOOM... BOOM!*
Os passos massivos do Titã ecoavam pelo leito do rio, fazendo a água lamacenta saltar em jatos a cada pisada. A abominação acelerava em uma velocidade anormal, rasgando o asfalto das margens e colapsando as estruturas ao redor.
— Merda... — sussurrou a Comandante Katerina.
Apoiada na borda de um terraço, ela sentiu o suor frio escorrer pelo pescoço. Seus dedos apertavam o metal do rifle místico com força. Ela havia ordenado que os outros recuassem para salvá-los, mas internamente, o pavor começava a rastejar por sua espinha. Pela primeira vez na vida, Katerina não tinha certeza se sairia viva daquela missão.
Longe dali, empoleirado na janela do terceiro andar de um edifício condenado, o bandido misterioso observava o espetáculo com um sorriso sádico.
— Valeu muito a pena atrair a atenção daquela monstruosidade usando aquela horda de zumbis comuns inúteis... — murmurou o criminoso, cruzando os braços.
Sua mente, contudo, fervilhava em puro ódio contra o bunker: "Maldito Gideon! Ele havia me jurado que essa vadia só tinha poderes mentais e de percepção. Ele nunca mencionou que ela carregava um poder ofensivo desse nível!"
O bandido tocou de leve em um amuleto metálico oculto sob suas vestes maltrapilhas, engolindo em seco. "Se eu não tivesse usado um dos artefatos místicos que roubei daquele maldito laboratório do Doutor Leon, eu teria sido pulverizado pelo ataque daquela vadia. Mas agora não importa... Aquela mulher está morta. Ninguém é capaz de parar essa criatura."
*CRASH! THUD!*
Com um movimento mecânico e devastador, o Titã ergueu seu braço colossal e desferiu um golpe brutal contra o edifício de Katerina. A estrutura de concreto e ferro explodiu em uma chuva de estilhaços.
Antecipando o impacto, Katerina utilizou suas habilidades físicas sobre-humanas para saltar no último milésimo de segundo, cruzando o vazio e pousando no teto de um prédio vizinho. Sem perder o equilíbrio, ela deslizou pelo asfalto do terraço, posicionou o rifle e disparou um feixe concentrado de energia mística.
O projétil colidiu diretamente contra o peito blindado do Titã, gerando uma nuvem de fumaça, mas se desfez sem deixar um único arranhão.
— Droga! Esse maldito não morre! — esbravejou Katerina, a frustração misturando-se à adrenalina. — A pele dele deve estar saturada de energia mística para ser resistente a esse ponto!
Buscando uma vantagem tática, ela correu pela borda e saltou entre as fachadas, alcançando o topo de um edifício ainda mais alto. Ajustando a mira eletrônica, ela focou nas órbitas do monstro — onde bocas grotescas se contorciam no lugar dos olhos. Ela puxou o gatilho de uma vez.
*KABOOM!*
O disparo místico foi certeiro, obliterando metade da cabeça da criatura em uma chuva de sangue negro e carne podre. Contudo, a satisfação durou pouco.
Como todos os mutantes daquela cidade amaldiçoada, os tecidos biológicos do Titã começaram a borbulhar de forma ultra-avançada. Ossos e músculos se reconstruíram do zero em segundos. O monstro soltou um rugido estridente e continuou sua marcha implacável.
— Merda! Não deu certo de novo! — Katerina sentiu o coração bater feito um tambor ensandecido. — Se eu não encontrar um ponto fraco, vou acabar morrendo aqui!
Determinada a tentar um ataque à queima-roupa, ela saltou em direção ao topo de uma estrutura mais próxima do gigante. Antes que pudesse firmar os pés para disparar, o Titã moveu a mão massiva em um arco lateral, esmagando o prédio inteiro com a facilidade de quem esmaga uma caixa de fósforos.
— Que porra está acontecendo?! — gritou Katerina, saltando em meio ao desabamento, a visão nublada pela poeira secular. — Nada neste lugar maldito faz sentido nenhum! Como esse monstro grotesco com esse tamanho aumentou a própria velocidade do nada?!
Recuando desesperadamente para o último edifício inteiro da avenida, ela canalizou o restante de suas energias na câmara do rifle. Seus olhos semicerraram-se sob o quepe fardado. Ela travou a mira diretamente na boca principal do Titã.
*THWIP-KABRAU!*
O rifle disparou com a potência máxima de suas reservas místicas. O feixe luminoso adentrou a garganta escancarada da abominação e detonou por dentro.
O impacto foi catastrófico: a cabeça inteira do monstro explodiu em trilhões de pedaços. O corpo imenso e acéfalo do Titã cambaleou para trás e desabou pesadamente sobre vários prédios menores, sepultando as estruturas sob seu peso rochoso. O silêncio finalmente retornou à avenida, quebrado apenas pela fuligem que caía como chuva.
— Certo... — Katerina arqueou o corpo, apoiando as mãos nos joelhos enquanto respirava de forma arquejante. — Vamos voltar logo para os veículos antes que apareça mais algum monstro bizarro.
A quilômetros dali, escondidos nas entranhas escuras de um prédio residencial abandonado, Maria, Carlos e Arthur mantinham a guarda alta. O clima era de pura apreensão.
— Será que ela vai ficar bem...? — perguntou Maria, abraçando os próprios braços, o rosto pálido de preocupação.
— Eu não sei — respondeu Carlos, encarando a poeira que entrava pelas frestas das janelas.
— De qualquer forma, ela é uma dos quatro comandantes do nosso bunker — interveio Arthur, mantendo o tom firme e pragmático para acalmar os jovens. — Não se preocupem além da conta. O Soldado Enrique foi atrás dela para dar suporte, então o nosso dever agora é permanecermos escondidos exatamente como ele pediu.
— Certo... Tudo bem — consentiu Maria, abaixando a cabeça de forma pensativa.
Longe dali, o Soldado Enrique corria em velocidade sobre-humana pelas calçadas esburacadas. O pavor de enfrentar o mutante continuava vivo em seu peito, mas a imagem de ver sua capitã lutar sozinha falava mais alto. A adrenalina limpava qualquer hesitação de seus músculos.
De volta ao campo de batalha, o alívio de Katerina transformou-se em um pesadelo definitivo.
Atrás dela, o cadáver do Titã, que deveria estar morto pela decapitação, começou a se erguer silenciosamente. Sem emitir um único som, o monstro regenerou sua estrutura cerebral em uma velocidade invisível aos olhos humanos. Com um golpe estrondoso e traiçoeiro de seu braço colossal, ele despedaçou por completo o edifício onde a comandante estava.
— Droga...! — O grito de Katerina foi cortado pelo impacto bruto.
O golpe a atingiu diretamente no flanco. O som agudo de suas costelas, braços e pernas quebrando ecoou na penumbra. O impacto a arremessou violentamente pelo ar, fazendo seu corpo desabar de uma altura de trinta metros diretamente para dentro das águas escuras e profundas do rio.
A dor excruciante quase a fez apagar no mesmo instante. No entanto, sua biologia de elite reagiu: uma onda de calor místico começou a fluir por seu torso, iniciando uma regeneração celular que forçava seus ossos partidos a se alinharem sozinhos sob a pele lacerada.
Embora o processo estivesse curando lentamente as lesões mortais, o esgotamento místico e o choque traumático falaram mais alto. Katerina perdeu a consciência, afundando inerte na correnteza lamacenta.
Satisfeito com o massacre, o Titã deu meia-volta e marchou lentamente para longe dali, desaparecendo entre as silhuetas dos arranha-céus. No topo do prédio distante, o bandido abriu um sorriso vitorioso.
— Pronto. Agora que o serviço está feito, estou caindo fora dessa maldita cidade — comemorou o criminoso, ajeitando o capuz antes de se retirar para as sombras. — Espero que o maldito Gideon cumpra sua parte do trato também.
Enrique finalmente alcançou a margem do rio bem no milésimo de segundo em que o prédio desabava. Seus olhos arregalaram-se em pavor absoluto ao ver o corpo inerte de Katerina ser engolido pela água.
— Comandante! — gritou Enrique.
Esquecendo qualquer resquício de medo, o recruta correu até a borda e saltou em um mergulho desesperado para dentro do rio lamacento, nadando com todas as suas forças sobre-humanas para arrastá-la de volta à terra antes que a correnteza a levasse para sempre.
Enquanto isso, a quilômetros dali, sob o céu avermelhado do fim de tarde, o jipe militar do Comandante Gideon avançava em alta velocidade pela estrada poeirenta em direção à periferia da cidade em ruínas.
— A essa altura, a Katerina já deve estar morta — comentou Gideon, exibindo um sorriso cínico para os seus soldados. — Isso é ótimo. Agora só faltam mais dois generais para que eu me torne o único e absoluto comandante daquele bunker, hahaha! E quando isso acontecer, vou me livrar de todos aqueles malditos mortos de fome.
Ele encostou-se no banco, cruzando os braços de farda com desdém. Sua mente já planejava os próximos passos: "Eu também vou ter que dar um fim naquele chefe dos bandidos assim que terminarmos o serviço. Eu havia prometido a ele uma posição de alta autoridade dentro do abrigo, mas o coitado deveria saber que eu nunca cumpro com a minha palavra."
De repente, a silhueta solitária de uma garotinha bloqueou a linha do horizonte. O sol poente projetava uma sombra longa sobre o asfalto à frente. No milésimo de segundo seguinte, o motorista pisou no freio bruscamente, fazendo os pneus cantarem.
— Mas... o que é aquilo, senhor? — perguntou o soldado que pilotava o jipe, tenso.
Gideon semicerrou os olhos, reconhecendo a figura de cabelos loiros. Um olhar de profundo nojo tomou conta de seu rosto.
— Essa criança é aquela morta de fome imunda do abrigo... Não faço a menor ideia de como ela chegou até aqui, mas não importa. Passe por cima dela — ordenou Gideon, implacável.
— Mas, Senhor Gideon... ela é apenas uma criança! — gaguejou o motorista, paralisado pelo choque da ordem.
— Você é surdo por acaso?! Não escutou o que eu acabei de dizer?! — esbravejou Gideon, os dentes cerrados de raiva. — Passe por cima! Eu não vou avisar novamente!
— S-Sim, senhor! — respondeu o soldado, engolindo em seco.
O motorista engatou a marcha e pisou fundo no acelerador. O motor utilitário rugiu alto e o veículo disparou em direção à garotinha, ganhando ainda mais velocidade.
— Ótimo... Finalmente aquele maldito insolente chegou — comentou Penny, abrindo um sorriso radiante no meio da estrada.
Num movimento mecânico, as pupilas de Penny incendiaram-se em seu habitual amarelo cortante.
— Terremoto — ordenou a divindade.
*CRASH! BOOM!*
No mesmo instante, o chão sob as rodas do jipe começou a estremecer de forma violenta. Rachaduras massivas e fendas profundas rasgaram o asfalto da avenida. O solo colapsou, desestabilizando completamente o veículo militar. O jipe capotou brutalmente, rolando várias vezes pela pista em meio a um estrondo ensurdecedor de metal retorcido e vidros estilhaçados.
A fumaça do motor começou a subir. Gideon arrastou-se para fora dos escombros com um gemido de pura agonia. O sangue jorrava de um corte profundo em sua testa e seu braço direito estava visivelmente quebrado, torto sob o corpo.
— Mas... o que raios aconteceu aqui?! — exclamou Gideon, tossindo em meio à poeira.
— Olá. Você está bem? — ecoou uma voz mansa e doce.
Gideon ergueu o pescoço e deparou-se com Penny. Ela caminhava calmamente até ele, desaparecendo e reaparecendo instantaneamente à sua frente, exibindo um sorriso infantil.
— Como... Como você conseguiu sair daquele refúgio e chegar até aqui, criança?! — questionou o general, o pavor misturando-se à confusão.
— Isso não é da sua conta, sua aberração imunda — respondeu Penny.
O sorriso dócil da menina transformou-se instantaneamente em uma expressão fria, sádica e psicopata. O choque traumático paralisou os músculos de Gideon. Em seus pensamentos, o desespero foi absoluto: "O que está acontecendo aqui?! A pressão gravitacional ao redor dela mudou... O ar ficou tão denso e pesado que mal consigo respirar! Que tipo de anomalia é essa?!"
— Você me insultou profundamente lá no bunker — continuou Penny, a voz transbordando um desdém gélido. — Por isso eu vim pessoalmente até aqui para acabar com a sua existência. Mas mudei de ideia, então seja grato, já que está prestes a ganhar a vida eterna.
— Apareça logo, seja lá quem estiver escondido aí! — gritou Gideon, olhando freneticamente para os prédios ao redor.
Ele estava convencido de que aquilo era uma emboscada tática criada por alguma facção rival ou pelos outros comandantes.
— Eu sei perfeitamente que essa pirralha não viria sozinha! Apareça!
— Não tem ninguém aqui além de nós dois, sua aberração em forma de gente — debochou Penny.
Ela deu um passo à frente, colocou a mão sobre a cabeça de Gideon e apertou seu cabelo, fazendo-o fechar levemente os olhos de dor.
— Já chega de enrolação — disse Penny, soltando a cabeça do general. — O ponto principal aqui é que você ousou me insultar. Matá-lo de forma rápida seria um presente para um verme insignificante como você, e não uma punição adequada. Portanto... decidi que vou mandar você para servir de entretenimento aos meus bebês.
Com um gesto casual das mãos espalhas, as pupilas de Penny brilharam em um dourado divino.
*CRAAAAASH!*
O próprio tecido da realidade e do espaço-tempo atrás do general estilhaçou-se no ar, como se fosse um imenso espelho atingido por uma marreta. O vazio abriu-se, revelando um portal dimensional para outro mundo.
Ao olhar para dentro da fenda mística, o pavor de Gideon foi definitivo. Uma cena de horror indescritível ganhou forma em seus olhos: milhares de pessoas gritavam em puro desespero, correndo desesperadas por um chão de carne em uma arena sem fim. Ao redor delas, feras mitológicas e abominações colossais as caçavam, erguendo os corpos humanos no ar com as garras e rasgando-os ao meio, fazendo com que as vísceras e o sangue chovessem continuamente no solo arenoso. Era um pesadelo infernal materializado.
Subitamente, uma das criaturas aladas do enxame interno percebeu a abertura do portal. Ela avançou em alta velocidade e bateu a cabeça contra a fenda, tentando atravessar. Contudo, o monstro colidiu contra uma barreira invisível e intransponível, sendo impedido de cruzar. A criatura estabilizou o voo e cravou seus olhos injetados de sangue fixamente na figura de Gideon.
— Mas... mas que diabo de lugar é esse?! — gritou o comandante, o rosto pálido e com lágrimas de pavor brotando nos olhos.
— Bem... isso é apenas o meu parque de diversões particular — revelou Penny, balançando os ombros com total indiferença. — É o lugar sagrado onde eu coleciono as diversas criaturas belíssimas que encontro no interior de cada história da minha torre. E aquelas pessoas lá dentro... são exatamente como você: lixos que ousaram me insultar em outros livros.
O sorriso sádico de Penny aumentou, expondo uma fileira de dentes alinhados enquanto ela assistia ao massacre do outro lado do espelho.
— Hahaha, que cena belíssima! — exclamou Penny, observando as pessoas morrerem entre gritos de desespero e pedidos de socorro do outro lado do portal. — Pronto, eu acabei de retirar todos os seus poderes elementares e o amaldiçoei com uma imortalidade conceitual igual à deles. Vocês morrem e revivem instantaneamente em um ciclo eterno de agonia, servindo de alimento e entretenimento para os meus bebês. E meus parabéns, Gideon... você acabou de ganhar a vida eterna como pagamento pelo entretenimento que irá prover aos meus bebês.
Gideon encarou a garotinha com o coração batendo feito um tambor ensandecido, totalmente quebrado pelo choque psicológico.
— Você... você é um demônio! — exclamou ele, soltando um soluço de pavor.
— Não me compare a uma escória tão insignificante quanto um demônio — sibilou Penny, a voz destilando puro veneno cósmico. — Eu sou uma dos nove Daftardars. Não que um pedaço de nada como você tenha o direito de saber disso, já que está prestes a virar o novo brinquedo dos meus mascotes. Bebê... pode pegar.
Com um estalo de dedos sutil, a restrição invisível da barreira desfez-se por um milésimo de segundo. A cabeça colossal do monstro alado cruzou o limite do portal e avançou como um raio. As mandíbulas afiadas cravaram-se com um estalo seco diretamente na barriga de Gideon, perfurando a carne profunda.
— AAAARRGH! — o general soltou um grito lancinante de agonia pura.
Com o único braço livre e quebrado, ele tentou desferir socos desesperados contra o focinho blindado da criatura, mas os golpes sequer causavam marcas. O monstro ergueu o tronco de Gideon com facilidade e puxou o homem para o interior do portal.
A fera ergueu voo na dimensão de tortura, arremessou o corpo do comandante para o alto e, com uma única e brutal bocada, engoliu seu torso por inteiro. A cabeça decapitada de Gideon caiu pesadamente no chão arenoso da arena, bem próxima à entrada da fenda.
No milésimo de segundo seguinte, o processo de ressurreição conceitual foi ativado. O corpo inteiro de Gideon materializou-se do nada em outro ponto da arena de carne. Ele caiu de joelhos, chorando de forma histérica e berrando desesperadamente por socorro na tentativa de alcançar o portal de volta, mas suas mãos batiam em uma parede invisível.
— Tenham uma ótima diversão, crianças — despediu-se Penny.
Antes que Gideon pudesse formular outra frase, uma segunda abominação terrestre pisou sobre suas pernas e cravou os dentes em seu pescoço, reiniciando o loop de massacre.
Com um aceno sutil de mãos, Penny fechou a fenda espacial. O portal desapareceu no ar sem deixar vestígios, restaurando a calmaria da avenida sob o pôr do sol. Com um único comando mental focado, a divindade desfez sua presença física na órbita do abrigo e transmigrou instantaneamente para outro local, reaparecendo de pé diante da imensidão azul do oceano de uma nova cidade em ruínas.
Fim do Capítulo 13