Observando a bela mulher meio morta e meio viva, os neurônios de Kael trabalharam a mil por cento.
Essa Bai Suxian conhecia um tal Soberano dos Nove Céus, que, por coincidência, era o mesmo título que ele dera a si mesmo após pensar que precisava de um título fodão.
“Bem… devo admitir que esse cara tem bom gosto. Esse título é imponente, mas ainda me frustra ser o mesmo que o meu e, meio que, agora é tarde demais para mudar de título…”
Seu cenho estreitou. Kael não era o tipo de pessoa que brincava em serviço. Se era para atuar, sua performance deveria ser impecável.
“Bem… Apesar de meu Supremo Deus dos Nove Céus ser diferente, é quase a mesma coisa, já que Feng Li passou a me chamar assim… Bom, não importa, devo apenas seguir o fluxo e ver no que dá.”
Enquanto ainda estava em pensamentos profundos, Bai Suxian sondou sua imensa mão, que repousava sobre o mundo em miniatura.
“Ele deve realmente ter alcançado o topo do cultivo divino, que ninguém alcançou… Deus Eterno — refletiu ela. — Pensar que ele pode simplesmente ignorar as leis do Grande Dao e fazer o que quiser nos mundos mortais… Isso é, por si só, difícil de entender e aceitar.”
O olhar dela se voltou para o dragão em forma humanoide. Foi ela quem convenceu Yechen a deixá-lo vivo quando ainda era uma serpente no Reino das Sete Transformações. O sangue de um dragão imortal fortaleceria o físico de seu ex-discípulo para suportar a Tribulação Celestial quando fosse ultrapassar para o Reino do Verdadeiro Imortal.
Esse dragão se tornou o mascote de seu antigo conhecido, mas ele não era nenhum apóstolo que pudesse servir de elo entre um cultivador que alcançou a divindade e aquele mundo mortal.
Era difícil esconder sua surpresa ao se recordar do passado e da grande diferença entre os dois agora. Um sorriso amargo esboçou-se levemente em seu rosto.
“E eu que te chamei de pirralho covarde por fugir da guerra, mas eu caí junto a outras centenas de milhões de divindades, enquanto você, que fugiu, se fortaleceu e agora governa tudo…”
Mordeu levemente os lábios.
“Foi como você disse… apenas os que sobrevivem escrevem a história. Enquanto eu, mesmo após perder tudo, ainda estava sendo enganada por quem tratei com carinho, como um filho…”
Bai Suxian cerrou os punhos.
“Parece que fiquei cega e confiei demais em minha visão. Quando o Dao do Destino era como meus próprios olhos, eu era chamada de A Inigualável, mas agora…”
Ela suspirou. Então, sua voz surgiu:
— O que você pretende fazer, Kamiel…? Vai escravizar minha alma divina e usá-la para forjar um artefato místico?
Sua voz parou brevemente.
— Ou será, Kamiel, que talvez planeje me devorar para obter toda a minha compreensão do Dao do Destino?
Ouvindo suas palavras, Kael encarou a pequena alma dentro da caixa.
“Quem diabos é Kamiel? Quase tive um troço achando que ela tinha chamado o meu verdadeiro nome, mas… vamos apenas manter o personagem. Todavia, ela é bem pessimista, já pensando no pior. Será que é início de depressão?”
— Oh, minha querida Bai, faz tempo que não ouço alguém me chamar por esse nome… Mas não pense demais, sou bem magnânimo. Que tal isso?
Kael fez uma breve pausa dramática para recarregar seu prestígio e então continuou:
— Se submeta a mim. Jure pelo Grande Dao que nunca será minha inimiga ou tentará forjar algum plano contra mim, contra tudo o que me pertence, independentemente dos motivos… O que acha?
Kael a encarou em silêncio ao finalizar suas palavras. Ele morria de medo de essa mulher fugir da caixa e chegar em seu quarto de alguma forma. Não sabia se, em seu auge, ela superaria a força da caixa-artefato, então era melhor criar alguma maneira de essa Bai Suxian não poder se virar contra ele.
Feng Li piscou algumas vezes ao ouvir a conversa dos dois. Rapidamente, tirou o que parecia ser um pergaminho de seu anel de armazenamento.
O nome do livro era: Crônicas do Supremo Deus dos Nove Céus.
Nota de Feng Li: Hoje foi um dia de descobertas. Primeiro, o divino medicamento Merthiolate Cicatricure, como detalhado anteriormente, que me regenerou e me fez tatear um pouco o Dao da Regeneração. Além disso, meu Soberano encontrou uma antiga conhecida do mundo superior: uma deusa caída da Era Perdida. O título dela: Divina Imortal da Pureza Radiante. Bem, imponente e gracioso, mas muito atrás do título do meu grande mestre.
Pelo que entendi, a Era Perdida não foi algo isolado apenas ao nosso mundo imortal. Talvez tenha havido uma grande guerra entre os inúmeros mundos e, nos grandes mundos divinos onde os deuses habitam, meu Soberano foi o vencedor final.
Nota especial: Descobri o nome de meu inestimável Mestre, mas não me atrevo a escrevê-lo. Os nomes dos Divinos são associados ao Dao que dominam, de acordo com os conhecimentos que desvendei durante meus sete mil anos de vida. Eu posso acabar morrendo se escrevê-lo sabendo de sua origem. Não quero arriscar.
Nota de satisfação: Uma felicidade é que o Reverendo Radiante, aquele verme maldito que tem sido uma peste na minha pobre vida, foi completamente esmagado e até teve seus planos malignos frustrados por meu Soberano. Depois de usar a técnica mística Fuga de Sangue Divino, deve ter perdido dois grandes reinos de seu cultivo. Isso, para mim, é uma grande satisfação.
Alheio ao que Feng Li fazia, Kael aguardou pacientemente a resposta da bela Bai Suxian.
— Você vai me ajudar a voltar para o Reino Divino e a reconstruir meu corpo divino? — ela questionou.
Diante dessa pergunta, Kael só pôde manter sua cara de pau. Pensou em uma boa resposta.
— Claro, minha irmã Bai, talvez eu possa fazer até melhor que isso — respondeu. — Este incomensurável não é mesquinho com seu próprio povo. Mas também nem tudo serão flores. Você vai ter que escalar de baixo, degrau por degrau. Eu vou ajudar, mas o mérito de subir será seu.
Ela sorriu satisfeita com o que ouviu. Em seguida, jurou pelo Grande Dao, exatamente como Kael orientou.
Novamente, semelhante ao que aconteceu com Feng Li, uma corrente translúcida surgiu do vazio. Ela se enrolou em Bai Suxian, estendendo-se até um dos dedos da mão de Kael, enrolando-se como um anel antes de desaparecer.
Ele, porém, não viu nada de especial. Apesar de sentir uma certa ligação com a garota, algo como uma certeza de que ela nunca o trairia, não houve nada além disso do seu ponto de vista.
Deixando isso de lado, Kael já estava prestes a falar com Feng Li e se preparar para se mover até a Seita do Dao Infinito, mas aquela voz suave e feminina surgiu:
— Kamiel… obrigado e me perdoe por como tratei você no passado! — disse Bai Suxian com certa dificuldade, como se não tivesse o costume de se desculpar.
Kael a encarou de fora da caixa.
“Droga… ela é totalmente o meu tipo de mulher, tão bonita e imponente. Será que tem alguma maneira de dar certo? Ela é tão minúscula, a não ser…”
Rapidamente, balançou a cabeça diante de seus próprios pensamentos suspeitos.
“Ela é muito perigosa para arriscar… Quem sabe um dia…”
— Não pense demais, pequena Bai. Agora você é minha júnior, e cuidarei de você! — respondeu ele com firmeza.
Mas Kael não percebeu o belo sorriso que surgiu no rosto de Bai Suxian ao ouvir suas palavras. Era como um sorriso de alívio e conforto.
Fitando seu dragão, que parecia estar fazendo coisas desnecessárias, disse a ele para manter, por enquanto, os anéis de armazenamento do Reverendo. Depois, Kael os pegaria para sua coleção.
Movendo sua imensa mão dentro da caixa, deixou a palma virada para cima e disse para o dragão e Bai Suxian subirem.
Os olhos de Feng Li brilharam. Diante disso, voltou à sua forma de dragão e voou para lá rapidamente. Ele já havia experimentado aquela divina maneira de viajar de seu Soberano e estava ansioso para uma segunda rodada.
Em contrapartida, a Divina Imortal olhava curiosa, imaginando o que ele faria. Na perspectiva dela, ele apenas abriria uma passagem no vazio do espaço até onde queria ir, mas talvez fosse algo diferente.
Em silêncio, porém, desapareceu de onde estava, surgindo no mesmo momento de pé sobre aquela gigantesca mão.
Enquanto eles estavam sobre sua palma da mão — como um pequeno ponto preto e outro que nem era possível visualizar —, Kael estava procurando pela Seita do Dao Infinito.
Ele pensou no nome da seita, e surgiram mais de cem delas com nomes semelhantes.
“Porra… eles estão no fundo do poço mesmo. Outros até copiaram o nome do seu empreendimento… Não deve existir direito autoral neste mundo.”
Lembrando-se das informações que Feng Li lhe dera, pensou em uma Seita do Dao Infinito que estivesse na fronteira com o Continente Demoníaco. Só então, mais de cem delas sumiram, deixando apenas uma única imagem de seita.
“Hehe, acredito que seja essa.”
Ele ampliou a imagem para ver a situação dela, e seus olhos se arregalaram. A visão que viu parecia a de um grande enxame de abelhas atacando a seita, mas, ao focar mais de perto, percebeu do que se tratava.
“Oh… então esses são os demônios?”
Eles tinham pele roxa, olhos amarelos e chifres que se projetavam de suas cabeças. Também possuíam duas grandes presas e eram bastante feios.
Ele não conseguia contar quantos eram, mas pareciam ser dezenas de milhares ou até milhões. Eles cercaram o céu e a terra próximos à seita, que ficava em uma cordilheira de montanhas.
Atacavam freneticamente, como se não fossem descansar enquanto não a destruíssem por completo.
Kael bufou em desdém.
“Como esses mosquitos feios se atrevem a tocar nos meus futuros subordinados? Não, isso não pode ficar assim.”
Kael estava pronto para dizimá-los, mas então se lembrou de sua intenção de manter um perfil baixo.
Um sorriso tomou seu rosto.
Ele teve uma ideia brilhante que não o deixaria exposto naquele mundo perigoso.
— Bem, então vamos nos mover.
A voz de Kael veio dos céus como um trovão. Feng Li, que acabara de voltar à sua forma humanoide, sorriu animado, já Bai Suxian piscou, curiosa para saber como seria a viagem. No momento seguinte, porém, seus olhos mostraram perplexidade.
Eles não se moveram de onde estavam. O próprio cenário, ou melhor, a própria realidade, simplesmente mudava enquanto ela e Feng estavam sobre a mão de Kael.
Era como ver inúmeras paisagens mudando e se manifestando do nada em uma velocidade absurda.
“Como ele fez isso?”, pensou ela. “Ele não abriu uma passagem no vazio do espaço, nem mesmo nos teleportou para onde queria ir…”
A Divina Imortal parecia curiosa para entender que tipo de Dao era aquele.
“Não é tempo ou espaço. Tudo ainda flui… É algo como manipular a realidade, mas apenas o Grande Dao tem tal autoridade…”, refletiu ela.
Em pouco mais de cinco segundos, chegaram ao seu destino.
Kael deixou Feng Li e Bai Suxian sobre uma montanha a dezenas de quilômetros da Seita Dao Infinito.
Os dois encararam a situação miserável da seita. Tudo indicava que ela seria destruída em mais um ou dois dias.
Havia uma matriz formando uma barreira dourada, protegendo a enorme propriedade dos ataques do exército demoníaco, mas inúmeras rachaduras já tomavam conta dela. Existiam até alguns pontos onde fendas haviam se aberto, permitindo que os demônios entrassem e travassem uma luta sangrenta dentro da Seita.
Kael assistiu a tudo com um grande pesar em seu coração. Toda aquela seita, todos aqueles cultivadores, tudo logo seria dele, e doía muito ver tudo sendo destruído.
“Será que é assim que um homem rico se sente ao ver vândalos destruindo seu patrimônio bilionário? As coisas não podem ficar assim! Eu devo me vingar, ou perderei minha moral entre eles!”, refletiu ele com seriedade.
Em seguida, disse aos dois para não se envolverem na luta à frente. Feng Li até se ofereceu para enfrentar os demônios, mas Kael se manteve firme.
Ele já tinha seus próprios planos.
“Se Feng Li agir, não será ele quem receberá a admiração dos meus subordinados? Não posso permitir isso. Tenho que gravar a grandeza deste Soberano em seus corações desesperados.”
Retirando a mão da caixa, Kael foi até seu guarda-roupa e pegou algo. Apertando o botão para ligá-la, moveu a mão de relance, fazendo um estalo surgir, seguido por um leve cheiro de queimado.
— Hehe… Para matar mosquitos demoníacos, nada melhor que uma raquete-elétrica — murmurou, animado.
Se a outra parte fosse composta por humanos, ainda teria algum receio, mas eram praticamente monstros, então seu coração estava em paz.
Voltando para a caixa, assistiu à situação de cima por um momento. Em seguida, com o celular, gravou um pequeno vídeo de tudo.
Kael não tinha medo de que descobrissem algo por causa dos vídeos. Afinal, quem imaginaria que aquilo havia sido gravado a partir de um mundo dentro de uma caixa?
Após colocar a raquete elétrica sobre a bancada, ele desceu o que restava das escadas para pegar mais um pouco de pipoca. Pela experiência com a Coca-Cola Zero, decidiu pegar um pouco de suco no lugar da coca, para evitar que outro rugido do incomensurável escapasse.
Logo retornaria para sua performance de Soberano dos Nove Céus. Mas, enquanto isso, a Seita do Dao Infinito enfrentava seus últimos momentos.
Em um pico alto no centro da Seita, uma mulher assistia a todo aquele caos sem esperança.
— Mestre... sua Xiu Ying não pode continuar seu legado... Tudo logo estará perdido. A longa história de nossa seita terminará comigo — murmurou enquanto assistia ao número de demônios que atravessavam as brechas na matriz de proteção aumentar mais uma vez.
Atrás dela, com lágrimas nos olhos, estavam seis anciões da seita. Entre eles, duas eram mulheres que, apesar de aparentarem meia-idade, ainda carregavam uma beleza inegável. Os demais eram homens com barbas brancas em seus rostos, demonstrando sua longa experiência.
— O que fazemos, Mestra da Seita? — Cang Lan, a vice-mestra da seita, deu um passo à frente. — Temos suportado as investidas do Clã Demoníaco Zi Chi por mais de um século. Não vamos durar nem mais uma semana.
Um pesado suspiro surgiu dos lábios de Xiu Ying, fazendo os demais, que estavam prestes a falar, se calarem.
— Vamos esperar... Se o destino da nossa seita for perecer, irá perecer! Mas... talvez os céus sejam bondosos conosco.
Sua voz parou brevemente ao recordar-se de algo.
— Quem sabe… talvez o destino possa mudar a qualquer momento.
A voz de Xiu Ying carregava uma melancolia, como se estivesse tentando dar àqueles que a escutavam um pouco de esperança, mesmo que ela própria acreditasse pouco no que falava.
Cang Lan abriu levemente os lábios, mas, nesse momento, o quarto ancião, Jun Cheng, tocou seu ombro em silêncio, fazendo-a suspirar e balançar a cabeça. A vice-mestra manteve silêncio.
Ali estavam os seis, tentando colocar todo o fardo sobre os ombros daquela mestra que conseguira liderar a seita por quatrocentos anos, mesmo em confrontos constantes contra o Continente Demoníaco.
Sem a liderança de Xiu Ying, que, mesmo quando muitos desistiam e fugiam apenas para morrer nas mãos dos demônios, por outro lado, sempre se levantava e tomava a frente, permitindo que a Seita existisse até aquele dia.
“Provavelmente já teriam sido destruídos há muito tempo sem você, minha amiga Xiu Ying… Mas até você chegou ao seu limite, ainda que tente esconder… Não vamos mais pressioná-la.”
Cang Lan refletiu antes de, junto a Jun Cheng, convencer os demais anciões a deixarem a Mestra da Seita descansar. Mesmo relutantes, entendendo a situação atual, decidiram apenas sair e aceitar seus destinos.
Com seus longos cabelos brancos balançando diante da brisa que percorria o topo da montanha, Xiu Ying encarou a cordilheira de inúmeras montanhas à sua frente. Seus olhos percorreram a paisagem até alcançarem o mar, a mil quilômetros de distância.
“Eu me pergunto se aquele sonho foi um presságio... Aquela imensa mão descendo dos céus, controlando relâmpagos, aquela voz como um trovão, aterrorizante, mas tão confiável e desejável de ouvir.”
Ela recordou um sonho que tivera dez anos atrás, no qual uma divindade descia dos céus para salvá-los. Apesar disso, não tinha muita esperança.
— Se, de fato, é você que nos observa lá de cima e vier salvar a minha seita, diante do Grande Dao, eu lhe entregarei toda a minha vida e lealdade!
Houve um tremor no espaço.
Uma corrente gigante e translúcida desceu, enrolando-se em Xiu Ying e estendendo-se pelo vazio em direção a algum lugar desconhecido.
Presenciando a cena, o corpo dela tremeu. Ela se ajoelhou na encosta do pico da montanha. Havia um novo brilho em seu olhar.
— O Grande Dao reconheceu meu juramento? Não é possível que isso seja real, mas… quando fiz o juramento antes, nada aconteceu…
Kael nem mesmo imaginava o quão importante sua aparição seria para esta seita. Por agora, ele havia voltado ao quarto com sua pipoca e seu suco de maracujá para relaxar.
Pegando a raquete elétrica da bancada, ele a ligou brevemente.
“Espero que não acabe a bateria… ou perderia todo meu prestígio diante dos meus futuros subordinados”, pensou ele antes de estender a mão com a raquete para dentro da caixa.
De volta ao mundo em miniatura, Feng Li já havia tirado seu pergaminho e estava escrevendo algumas coisas com um olhar de seriedade.
《Crônicas do Supremo Deus dos Nove Céus》
Notas de introdução: Estamos diante da antiga e majestosa Seita Dao Infinita. Pelo menos era isso há quatrocentos anos. Agora, sua situação é miserável, quase à beira da extinção. Mas meu Mestre é um ser magnânimo para conosco, meros mortais.
Ele decidiu jogar no Mundo Imortal para lidar com o seu tédio, e a Seita Dao Infinita será uma de suas peças nesse grande tabuleiro. Além de mim, Feng Li, meu venerável Mestre recrutou a deusa caída, a Divina Imortal da Pureza Radiante, uma antiga conhecida.
Não vou escrever o nome dela; os motivos já devem saber. Ainda que seja uma alma divina, sinto que ela pode me esmagar facilmente. Bem, deixando isso de lado.
Eu, Feng Li, acredito que o Continente Demoníaco e todo o Continente Imortal logo terão rios de sangue escorrendo por todos os cantos. E, claramente, eu, como seu primeiro servo… mascote, estarei na linha de frente.
Notas de observação: Meu Soberano saiu momentaneamente. Ele disse que não vale a pena sujar as mãos com esses demônios imundos e foi buscar uma ferramenta mística de extermínio em massa… Estou ansioso para ver essa grandiosa arma divina nas mãos do Imensurável dos Nove Céus.
Feng Li ainda estava absorto enquanto escrevia freneticamente, linha por linha, mas então seus olhos se elevaram para o céu.
Havia algo descendo entre as nuvens. Era imenso, com alguns milhares de metros de comprimento, tão grande quanto metade do braço dourado de seu Soberano.
Ele engoliu em seco. Não havia nenhuma oscilação de Ki Verdadeiro, nem mesmo uma deformação no espaço ao redor da mão de seu mestre.
Naquela arma não havia inscrições espirituais visíveis, nem matrizes divinas incorporadas que fossem visíveis. Era uma estrutura tão complexa que, paradoxalmente, parecia completamente comum.
Mas Feng Li sabia a verdade. Aquilo era tudo, menos comum. Ele sentia algo que não conseguia explicar.
Era como se, dentro daquela aparência simples, uma besta estivesse enjaulada — uma besta tão aterrorizante que este dragão imortal não conseguia evitar tremer de medo e admiração.
Seus olhos se voltaram para o pergaminho e, rapidamente, ele fez um desenho da mão de seu Soberano descendo dos céus e segurando aquela arma divina.
Não muito longe dali, Bai Suxian encarava a cena com uma carranca.
Ela não sabia o que era aquilo. Em seus um milhão e seiscentos mil anos vivendo no Reino Divino, nunca havia visto algo parecido.
Mas, mesmo sendo apenas uma alma divina sem corpo, ela ainda conseguia sentir que, dentro daquele objeto místico, havia um Dao profundamente violento e destrutivo.
De repente, nuvens escuras começaram a tomar os céus por centenas de milhares de quilômetros, cobrindo toda a região acima das fronteiras entre os dois grandes continentes.
Não havia raios, chuva ou mesmo trovões. Tudo estava silencioso.
As nuvens eram como súditos aguardando a chegada de seu rei.
— Essas não são as nuvens da Tribulação Celestial...? — murmurou Bai Suxian, sem entender.