Após terminar de enxugar as lágrimas, Aeron respirou fundo e recuperou a postura de sempre. Bateu algumas vezes no próprio rosto, como se expulsasse qualquer resquício daquela vulnerabilidade, e abriu um sorriso largo para Gabriel.
— Garoto, seu último desafio de hoje será o meu treino, eu sei que estou adiantando as coisas, mas seu corpo já está aquecido, seria um desperdício encerrar por hoje.
Gabriel sorriu enquanto já estava ao seu lado em direção ao pátio.
— Sim... seria mesmo.
Antes de sair, Aeron olhou para Alastor.
— Valeu por deixar ele inteiro.
Alastor apenas ergueu a mão em despedida.
— Não prometo fazer o mesmo da próxima vez.
Gabriel riu, balançando a cabeça, enquanto os dois seguiam até a área de treinamento, e assim que chegaram, Aeron cruzou os braços e respirou fundo.
— Hoje serão quinhentas repetições de cada exercício!
Gabriel sequer hesitou.
— SIM!
Sem perder tempo vestiu os equipamentos de Aeron e disparou pelo pátio, iniciando as voltas de aquecimento, e assim que terminou, passou imediatamente para flexões, abdominais, agachamentos, saltos, corridas explosivas e diversos exercícios que Aeron inventava no meio do treino apenas para dificultar ainda mais.
A lua já iluminava o pátio.
O suor escorria por todo seu corpo, sua camisa já estava completamente encharcada, seus músculos queimavam e as pernas tremiam discretamente a cada novo movimento, mas, diferente de algumas semanas atrás, sua respiração permanecia firme, ritmada e controlada, mesmo sem retirar os pesos.
Aeron observava tudo em silêncio, a cada série concluída, apenas aumentava outra.
— Mais cinquenta! — Gabriel obedecia. — Agora corrida! Mais uma vez. Saltos!
Outra sequência.
Após finalizar Gabriel simplesmente caiu de costas sobre a grama do pátio, sem os pesos, e com os efeitos de recuperação agindo, Aeron jogou uma toalha sobre seu rosto e respirava profundamente, ofegante, mas sem perder o controle da própria respiração.
Aeron se aproximou devagar.
— Garoto... você me surpreendeu.
Gabriel retirou a toalha do rosto.
— Hã?
— Você evoluiu absurdamente em tão pouco tempo, fez uma série monstruosa... e mal está sem fôlego.
Gabriel sorriu cansado.
— Acho que finalmente estou começando a acompanhar vocês.
Aeron deu uma pequena risada.
— Ainda não.
Os dois riram, e depois de alguns segundos, Aeron voltou a falar, desta vez com um tom muito mais baixo.
— Sabe... você me lembra de mim quando era mais novo.
Gabriel virou o rosto para ele.
— Sério?
Aeron permaneceu alguns segundos olhando para o céu.
— Sim...
Seu sorriso desapareceu.
— A diferença é que você escolheu ficar forte.
Ele abaixou lentamente a cabeça.
— Eu fui obrigado.
O silêncio tomou conta do pátio, e ele se sentou ao lado de Gabriel.
— Eu fui escravo desde criança.
Gabriel ficou calado.
— Fui arrancado dos meus pais cedo demais para sequer entender o que estava perdendo, não me lembro dos rostos deles... nem das vozes... só me recordo das correntes fechando nos meus pulsos.
Ele fechou lentamente as mãos sobre onde as correntes o prendiam.
— Depois disso... meu mundo encolheu até virar trabalho, dor... e silêncio.
Sua voz permaneceu firme, mas pesada.
— Cresci sem nome... sem escolhas... apenas ferro, sangue e obediência.
Gabriel não disse absolutamente nada, ele sabia que qualquer interrupção seria desrespeitosa.
— Trabalhei durante anos... até perceberem que eu poderia render muito mais dinheiro morrendo... ou matando.
Aeron respirou fundo.
— Um dia capturaram uma fera enorme, um monstro brutal... precisavam de um jovem forte para enfrentá-la e entreter o público.
Ele soltou uma pequena risada amarga.
— E o escolhido fui eu.
Gabriel sentiu um aperto no peito.
— Todos apostaram contra mim.
O olhar de Aeron parecia distante.
— Quando entrei naquela arena e a encarei... ela tinha quase três vezes o meu tamanho.
Ele levantou lentamente a própria camisa, seu corpo era coberto por inúmeras cicatrizes.
— Cada golpe arrancava pedaços de carne como se meu corpo fosse barro.
Sua mão passou por uma cicatriz que atravessava seu abdômen.
— Cada queda fazia a areia grudar no sangue.
Outra cicatriz.
— Eu fui esmagado... rasgado... mordido...
Ele sorriu.
— Mas não caí.
Gabriel observava em silêncio.
— A dor não me destruiu.
Seu olhar endureceu.
— Ela me despertou.
Por alguns instantes, parecia que Aeron havia retornado àquela arena.
— Foi ali que meu Excidium nasceu.
Ele fechou lentamente a mão.
— Prematuro... movido apenas pelo instinto de sobrevivência.
Ele olhou diretamente para Gabriel.
— Igual ao seu.
Ele fez uma pequena pausa.
— A diferença... é que o meu não teve nada de heroico.
O silêncio retornou por um breve momento.
— Quando aquela criatura caiu morta aos meus pés... ninguém falou nada.
Aeron sorriu de canto.
— Por alguns segundos... toda a arena ficou muda.
Depois fechou os olhos.
— Então vieram os gritos, e naquele dia... deixei de ser apenas um escravo, e me tornei o Berserker.
Gabriel murmurou quase sem perceber.
— O Berserker...
Aeron assentiu.
— Meu corpo virou um amontoado de cicatrizes... e meu passado desapareceu.
Ele olhou para as próprias mãos e sua voz voltou a enfraquecer.
— Só conhecia a arena... o trabalho... o sangue.
Ele fez uma longa pausa.
— Vivi assim... até Kaelis, Riven e Lilith aparecerem.
Gabriel ergueu a cabeça.
— Lilith utilizou Éter Mental em mim.
Os olhos de Aeron brilharam discretamente.
— E então... eu me lembrei de tudo.
Ele sorriu de maneira triste.
— Do rosto dos meus pais... das vozes deles... nossa casa...
A expressão dele endureceu.
— Mas aquilo não me trouxe paz... — Ele cerrou o punho. — ... me trouxe ódio.
Gabriel já imaginava o restante.
— Ataquei meu antigo escravocrata no mesmo instante. — Aeron não desviou o olhar. — Matei ele com minhas próprias mãos. — Ele respirou lentamente.
— Os capangas tentaram fugir... mas Lilith capturou todos antes que escapassem.
Um pequeno sorriso apareceu.
— Enquanto isso... eu libertei os demais outros escravos.
Sua voz ficou firme novamente.
— Quebrei todas aquelas correntes, todas aquelas jaulas. — O vento passou lentamente pelo pátio.
— Depois eles me levaram até minha antiga casa.
Outra pausa, mais pesada do que as demais.
— Mas ela estava vazia. — Ele fechou os olhos. — — Na porta... apenas dois túmulos.
Sua voz quase desapareceu.
— O dos meus pais.
Gabriel sentiu o peito apertar, Aeron continuou encarando o horizonte.
— Foi ali... diante daqueles túmulos... que eu entendi uma coisa. — Ele respirou profundamente. — Sobreviver não bastava, muito menos ser livre também não.
Ele olhou para Gabriel.
— Enquanto esse tipo de mundo continuar existindo... outras crianças serão arrancadas das próprias famílias, outros nomes serão apagados, e foi por isso que decidi seguir Kaelis.
Gabriel perguntou baixinho.
— Por gratidão?
Aeron balançou a cabeça.
— Não.
Seu olhar carregava uma convicção inabalável.
— Para impedir que outra criança tivesse o mesmo destino que o meu.
O silêncio permaneceu entre os dois por vários segundos, Gabriel tentou conter as lágrimas mas não conseguiu, ele se levantou e abraçou Aeron com força.
— Cara... eu sinto muito.
Sua voz tremia.
— Eu sabia que você era forte... mas nunca imaginei que carregasse um passado assim.
Aeron permaneceu imóvel durante alguns segundos e depois retribuiu o abraço, nenhum dos dois disse nada, não foi preciso. as lágrimas escorriam silenciosamente enquanto apenas o canto dos grilos preenchia o pátio.
Quando finalmente se separaram, Aeron abriu um sorriso largo, tentando afastar aquele clima pesado.
— Certo... chega dessa choradeira.
Gabriel limpou os olhos.
— Você também estava chorando.
— Mentira.
— Eu vi.
— Era suor.
— De noite?
— Suor noturno.
Gabriel caiu na risada.
— Você é péssimo mentindo.
Aeron também riu.
— Vai tomar um banho antes que eu mude de ideia e invente mais quinhentas repetições.
— Nem brinca com isso!
Os dois seguiram juntos até a entrada do castelo. Depois de se despedir de Aeron, Gabriel caminhou pelos corredores ainda refletindo sobre tudo o que ouvira naquele dia.
Foi então que encontrou Riven.
O espadachim permanecia parado no fim do corredor, completamente imóvel.
Sem sequer olhar para Gabriel, falou em seu tom frio e habitual.
— Me encontre no mesmo lugar de antes. — Ele fez uma breve pausa. — E leve a sua espada.
Sem esperar resposta, virou-se e desapareceu pelo corredor, Gabriel permaneceu parado por alguns instantes e um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.
— Será que...
Seu coração acelerou.
— Finalmente ele vai me treinar...?
Gabriel foi até seu quarto empolgado para pegar sua espada, ignorando completamente o estado em que seu corpo se encontrava.
Porém, no instante em que segurou o cabo da arma pela primeira vez depois de semanas de treinamento, sentiu algo familiar. A espada ressoou por um breve instante, emitindo uma leve vibração que percorreu seu braço, como se respondesse à sua evolução. Gabriel franziu a testa, mas afastou aquele pensamento. A empolgação por finalmente acreditar que havia sido reconhecido por Riven falou mais alto.
— "Então... ele finalmente vai me treinar." — Sem perder tempo, deixou o castelo em direção ao bosque onde os três túmulos permaneciam escondidos.
Assim que atravessou a entrada da floresta, seus passos pararam por conta própria. Uma pressão sufocante caiu sobre seus ombros. O ar parecia pesado, difícil de respirar, e uma intenção assassina tão intensa fazia seus instintos gritarem para fugir.
— Que aura esmagadora é essa...? É até sufocante... esse é o Riven...? — Gabriel perguntou para si mesmo, sentindo um suor frio escorrer pelo rosto.
E se lembrou imediatamente dos conselhos de Alastor, respirou fundo, controlou as emoções e continuou andando, cada passo tornava aquela pressão ainda mais insuportável.
Ao alcançar a área dos túmulos, tudo aconteceu em um único instante, seu instinto explodiu.
Gabriel inclinou o corpo por puro reflexo. Uma lâmina passou exatamente onde sua cabeça estava um instante antes, cortando apenas a lateral de seu pescoço e deixando um filete de sangue escorrer.
— Mas que merda é essa?! — Exclamou, levando a mão ao corte enquanto apontava a espada para Riven.
O herói permanecia parado diante dos túmulos, segurando sua espada com absoluta tranquilidade.
— Diga à Kaelis que vai desistir disso de ser um aventureiro, faça isso e poderá continuar inteiro, nós resgataremos sua mãe e exterminaremos os orcs, se recusar... talvez você perca um braço, ou uma perna.
Gabriel respirou lentamente, relaxou os ombros, abaixou a espada e esvaziou completamente a mente.
— Não.
Riven desapareceu e no mesmo instante Gabriel sentiu o fluxo de Éter se alterar, seus sentidos se ampliaram automaticamente, e todo o treinamento daquele mês entrou em ação.
— "Eu não entendo por que ele está fazendo isso... mas consigo sentir todos os ataques... eles não são para me matar... apenas para me incapacitar."
As espadas começaram a colidir em alta velocidade. Gabriel desviava, recuava, bloqueava e contra-atacava, mantendo um ritmo surpreendente para alguém que ainda era um iniciante, foi então que percebeu algo, sua Afinidade reagia de forma diferente.
Quanto maior era o perigo... mais seus sentidos eram refinados, sua força aumentava, seus reflexos ficavam mais rápidos e até sua leitura de combate parecia evoluir, em um dos contra-ataques, sua espada passou tão perto do ombro de Riven que o obrigou a dar um passo para trás. Pela primeira vez Riven recuou.
— Já provou o que queria? Não faz sentido continuar com isso. — Declarou Gabriel.
Riven permaneceu em silêncio durante alguns segundos antes de responder.
— Você realmente acha que eles estão treinando você? Que se importam com você? Eles estão apenas brincando com uma criança.
Gabriel franziu o cenho, Riven mudou completamente sua postura.
— Regnun Sentire.
De cada poro de Riven surgiram partículas que criaram um campo translúcido que se expandiu ao redor dos dois, cobrindo todo o bosque e o mundo pareceu desacelerar.
— Isto... é o que o mundo lá fora reserva para você, criança.
Riven avançou, Gabriel sentia perfeitamente a intenção de cada golpe, ele bloqueou o primeiro, mas foi atingido por um violento chute em seu estômago.
— O quê...? Coof... coof... Eu senti um corte... não um chute!
Gabriel foi lançado para trás.
— Eu vi sua defesa, então simplesmente escolhi um ataque que esse projeto de Sentire não conseguiria acompanhar. — Ele caminhava tranquilamente enquanto encarava Gabriel caído com desprezo. — Dentro do Regnun... eu controlo toda a batalha. Agora levante-se. — Ele apontou a espada para ele. — Vamos dançar conforme o ritmo da sua inevitável derrota.
Gabriel respirou fundo, limpou o suor do rosto, se levantou e voltou à guarda, disparando novamente.
— É inútil.
Riven girou desviando do ataque de Gabriel, golpeando com mais um chute, o arremessando novamente.
— Argh... merda... — Gabriel cuspia sangue, mas sem tempo de reagir outro golpe vinha.
Um corte em seu ombro, um golpe com o cabo da espada em seu flanco quebrando sua postura, outro corta em sua panturrilha, o fazendo cair de joelhos.
— Patético... desista!
— NÃO! — Gabriel se levantou com dificuldades, o corte em sua perna o fazendo vacilar levemente. — "Droga, nem o Aegis consegue mitigar um pouco do dano..."
Riven avançou novamente preparando um corte, mas no instante em que Gabriel iria desviar dele Riven desapareceu de seu campo de visão e apareceu atrás dele, o cortando.
— "Merda!"
Gabriel caiu, sem se mexer por alguns segundos, enquanto Riven suspirou e se virava para ir embora, ele sentiu a presença de Gabriel ficar mais forte e se virou novamente.
— Desista. — Riven ordenou novamente.
Mas Gabriel não respondeu.
— Me desculpa Lilith, por quebrar nossa promessa de não depender tanto do meu Éter.
Ao erguer o rosto seus olhos emanavam um rosa muito mais forte do que antes, ele estava usando seu Éter ao máximo por vontade própria, Riven avaçou novamente e mirou seu braço esquerdo, visando cortar sua mão e o fazer largar a espada, mas Gabriel desviou no último instante, fazendo apenas um corte superficial apareceu.
Pela primeira vez, Riven demonstrou surpresa.
— "Ele desviou..."
Naquele instante, todo o corpo de Gabriel foi envolvido pelo próprio Éter, Gabriel sorriu.
— Tenta controlar meus passos agora... seu cretino.
Riven não respondeu, ele revestiu lentamente sua espada com Éter e Thyr.
— Ensis.
A lâmina adquiriu um brilho rubro, o próprio espaço ao redor dela pareceu distorcer levemente, e Riven realizou apenas um movimento em sua direção, mesmo a distância.
Gabriel desviou por reflexo.
— "Isso foi... um ataque?"
Então sentiu seu braço perder completamente a força, ele olhou para o próprio braço, e a marca de um corte surgiu lentamente sobre sua pele.
— Uma lâmina capaz de cortar carne... ossos... e conceitos, você nunca mais será capaz de usar esse braço.
Riven avançou novamente, Gabriel recuou desesperadamente, mesmo desviando de todos os golpes, novos cortes apareciam por seu corpo.
— "Droga... ele é superior em tudo, ele tá até anulando meu Éter..."
Um corte em sua outra perna, Gabriel caiu de joelhos, e Riven ergueu novamente a espada.
— Último aviso, diga à Kaelis que vai desistir.
Gabriel estava exausto, ajoelhado, respirando com dificuldade e incapaz de mover um dos braços sorriu.
— Não.
Riven balançou a espada visando o outro braço, Gabriel liberou todo o seu Éter e desviou por milímetros, girou e golpeou o flanco de Riven.
— Bulwark Sanctus.
Um escudo dourado surgiu instantaneamente no local atingido e o impacto retornou duas vezes mais forte, abrindo um buraco no flanco de Gabriel, e a espada invisível atravessou seu ombro.
— AAAAHHHHH!!
Ele caiu novamente, e Riven virou as costas.
— Eu avisei. — Enquanto estava prestes a ir embora novamente ele sentiu a presença de Gabriel ficar mais forte novamente e se virou lentamente. — Desis... — Mas antes de puder sequer terminar a frase, tudo mudou.
O Éter de Gabriel explodiu, e o Excidium se ativou novamente, ao mesmo tempo, sua espada foi envolvida por chamas douradas, e sem qualquer consciência, Gabriel avançou.
Riven percebeu imediatamente que aquele golpe buscava sua cabeça e desviou, mas era um blefe, naquele instante o espaço ao redor de Gabriel se rompeu, e o Rift despertou prematuramente, o espaço foi levemente dobrado e seu corpo desapareceu e surgiu atrás de Riven que girou imediatamente e contra-atacou, mas sua espada atravessou Gabriel, o espaço ao redor de seu corpo havia sido deformado, a espada se deformou no ar, ele não o acertou.
Riven saltou para trás e Gabriel encurtou instantaneamente a distância entre os dois, Gabriel recobrou brevemente a consciência e usou o Aegis por instinto para tentar se proteger dos rebotes do Excidium e do próprio Éter, enquanto inconscientemente despertava o Impetus, a lâmina dourada de sua espada se fundiu a um rubro e ao amarelo do Aegis, dando vida a uma técnica perigosa que transpassou o Bulwark de Riven, atravessando sua costela, no entanto nenhuma gota de sangue caiu, a ferida foi cauterizada pelas próprias chamas douradas da espada, Riven cuspiu sangue.
Seus os olhos estremeceram.
— Seu... merdinha...
Ele cravou a espada no chão após recuar.
— Excidium!
A dor desapareceu completamente, os músculos incharam, sua respiração mudou e sua presença tornou-se ainda mais monstruosa, mesmo com todos os efeitos de seu Éter, Excidium, Sentire, e sua espada desperta, Gabriel simplesmente deixou de acompanhar seus movimentos, mesmo com o Sentire e a Afinidade ativos era inútil.
Cada golpe atravessava sua defesa, cada segundo trazia um novo corte, Gabriel já mal conseguia permanecer de pé.
— "Merda..."
Riven ergueu lentamente a espada e dessa vez não havia a intenção de incapacitar, cego pelo Excidium ele desceu a lâmina em direção ao pescoço de Gabriel, e no exato instante do impacto a espada de Riven parou no ar, Kaelis havia segurado a lâmina com as próprias mãos e a quebrado.
No segundo seguinte, um soco atingiu o rosto de Riven com violência suficiente para lançá-lo contra uma árvore, fazendo o Excidium vacilar e ele recobrar a consciência.
— Mas que porra você tá fazendo, Riven?! — Rugiu Kaelis.
Riven ainda respirava pesadamente, seus os olhos permaneciam perturbados.
— Esse garoto... não pode fazer parte do nosso grupo, ele vai acabar como aqueles três... — Ele olhou em direção aos túmulos.
Amara correu imediatamente até Gabriel.
— Gabriel!!
Envolvendo seu corpo em luz no mesmo instante, os ferimentos começaram a desaparecer.
— Chegamos a tempo... — Lilith Murmurou.
Gabriel abriu os olhos apenas por um instante, enquanto viu os heróis ao seu redor e sorriu discretamente, desmaiando após. Amara levantou-se lentamente, seu olhar normalmente gentil desapareceu.
— Mas que merda você fez com ele, Riven? — Ela caminhou enfurecida em direção a ele, os olhos emanando pura luz.
Ele apenas virou o rosto.
— Fica fora disso... sua quebrada.
O silêncio durou menos de um segundo, e o brilho metálico de duas adagas cortou o ar, Alastor surgiu diante dele com uma intenção assassina impossível de esconder ou conter.
— Ei, seu merda... repete isso. Quero ver se tem coragem.
Riven sorriu com desprezo.
— Vai mesmo defender ela? Claro... outro inútil quebrado, o que você é sem a sua Umbracinese?
As sombras ao redor de Alastor estremeceram e ele avançou, mas Aeron apareceu entre os dois, segurando seus braços.
— Ei! Chega dessa merda!
O impacto foi tão violento que as manoplas de Aeron racharam, Riven observou a espada quebrada em sua mão, ele respirou fundo e apontou o que sobrou de sua lâmina contra o próprio peito.
— Sim... chega dessa merda.
Antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, Lilith conjurou um pequeno círculo Arcano a frente de Riven, e dele um fio preto que atravessou sua cabeça.
— Apenas durma idiota.
Riven apagou imediatamente, e sem dizer uma palavra, Aeron carregou os dois de volta ao castelo, Amara tratou os ferimentos de ambos, Gabriel foi levado para a ala hospitalar, onde Kaelis permanecia ao seu lado, enquanto Riven permanecia desacordado em seu quarto, onde todos aguardavam em silêncio, até que ele despertasse.