Início do Treinamento
Alguns dias após a invasão, Gabriel despertou, em um ambiente novo para ele.
— Onde... eu estou? — Gabriel perguntou desnorteado e um pouco tonto, olhando à sua volta.
Vendo um lugar mais chique, com macas, estantes bonitas, e percebendo que estava com a cabeça e peito enfaixados, junto a seu braço.
— Então você finalmente acordou. — Afirmou uma voz feminina, com o tom firme.
Ao virar para o lado e ver de onde a voz viria, se deparou com Kaelis, uma forte mulher de cabelos vermelhos na altura do ombro, pequenas cicatrizes em seu corpo, e um olhar firme e olhos dourados, A Heroína do Reino de Aethernys, que estava acompanhada de seu grupo de heróis.
Lilith, uma mulher de cabelos brancos e pele morena, usando um enorme chapéu pontudo, um manto negro, e olhos roxos, uma maga com a alcunha de A Encarnação do Éter Arcano, Aeron, um homem alto, musculoso, de armadura, cabelos grisalhos e curto, e uma cicatriz em seu olho direito, o tanque com o título de O Berserker, e os gêmeos Alastor um rapaz alto, de cabelo preto e pontas brancas, um olhar apático, conhecido como A Ruina, e sua irmã Amara uma jovem alta, com longos cabelos loiro com as pontas brancas, olhos caídos, e um sorriso doce, a curandeira do grupo, com alcunha de A Luz da Salvação, que rivalizava em mana com Lilith.
— Ei garoto, foi muito arriscado o que você fez sabia. — Aeron o repreendeu, caminhando até ele dando um tapinha em suas costas.
— Matar o líder dos orcs sozinho, e com as mãos vazias, não é para qualquer um sabia. — Afirmou Lilith.
Gabriel ainda desnorteado olhava para ao seu redor continuamente.
— Mã…mãe? — Sussurrou.
Logo após seu pai entrou no quarto em que ele estava, caminhando, correu em sua direção.
— Filhoo! — Exclamou seu pai aliviado ao ver Gabriel desperto e vivo.
— Pa…pai? O senhor está andando? — Perguntou Gabriel surpreso.
Lilith deu um passo à frente.
— Ele está usando uma prótese arcano-mecânica. — Explicou. — Um exoesqueleto acoplada a sua coluna e pernas, que é alimentada por um orbe contendo a minha mana, eu me ofereci a fazer isso por ele, após Kaelis os resgatar, aliás, sou Lilith.
Mas apesar de tudo Gabriel estava focado apenas em uma única questão.
— Onde está a mamãe? — Ele finalmente juntou forças para dizer.
Todos no quarto ficaram em silêncio.
— Não achamos sua mãe. — Respondeu Lilith.
— Ela deve estar viva, afinal ela não estava entre os corpos dos demais cidadãos. — Riven afirmou a fundo.
— Ei idiota, cuidado com as palavras, ele deve estar confuso, seja mais sensível. — Amara o repreendeu.
— Mamãe… — Gabriel começou a chorar, apertando seu braço com força, fazendo os pontos abrirem e a ferida sangrar.
Seu pai o abraçou fortemente.
— Vai ficar tudo bem filho, eu estava conversando com Kaelis e os demais, e eles acham que sua mãe ainda esteja viva. — Ele contou.
Gabriel ergueu o olhar para ele, se virando para Kaelis e os outros heróis.
— Ela está viva? — Perguntou.
— Ao que tudo indica ela estará até o final do mês. — Lilith supôs, olhando para o chão abaixo dela. — Nossa missão consistia em rastrear um suposto ninho deles ao redor de Aethernys, e lá encontramos um grimório com uma espécie de ritual, que parecia ser feito sobre uma lua de sangue, que ocorrera em aproximadamente 1 mês.
Gabriel parou de chorar, mas seu olhar estava sério, determinado.
— Por favor, salvem minha mãe! — Ele pediu, com os olhos ainda marejados.
Kaelis se juntou com os outros heróis ao fundo após ouvir o pedido de Gabriel.
— O que me diz Alastor? Você também sente, não sente? — Perguntou Kaelis.
— Sim, definitivamente ele emana Thyr. — Afirmou Alastor.
— Nessa idade, com apenas 14 anos despertando isso, deve ter sido muita força de vontade. — Deduziu Aeron.
Kaelis pensou bastante durante um longo tempo, e logo após retornou para Gabriel e seu pai.
— Gabriel, pode parecer algo repentino, e você ainda está se recuperando e provavelmente traumatizado, mas o que me diz de se tornar um aventureiro, bom… aprendiz, para ser mais exato, se juntando ao nosso grupo? — Kaelis perguntou estendendo sua mão a Gabriel.
A princípio ele aparentou estar confuso.
— Por que esse convite repentino? — Kalchas questionou.
Kaelis se sentou na maca aos pés de Gabriel.
— Eu sei que é repentino, e até ilógico. — Ela começou. — Mas nós sentimos algo em Gabriel, um poder que somente pessoas treinadas e experientes são capazes de despertar, ele é talentoso, e pode vir a ser de grande ajuda para o reino no futuro.
O pai de Gabriel divagava, enquanto Gabriel olhava para seu braço que fora arrancado.
— Como eu posso ser um aventureiro sem braço? — Ele perguntou. — Eu sou fraco, não consegui proteger minha mãe. — As lágrimas voltaram a cair, ele apertou novamente o braço cortado. — COMO!? — Ele perguntou.
Amara se aproximou dele, estendendo as mãos, e emanando uma luz dourada, fazendo as faixas do corpo de Gabriel se soltarem, suas feridas e cicatrizes se regenerarem, juntamente a um novo braço.
— Pra começar você precisa treinar, e pra isso você precisa estar novo em folha — Disse Amara sorrindo.
Gabriel permaneceu em silêncio encarando seu braço.
— Mas Kaelis, ele vai ter que enfrentar aqueles monstros novamente? — Kalchas perguntou.
— Sim. — Ela respondeu sem desculpas. — Mas eu irei o treinar para garantir que ele não perca novamente.
— Não… — Ele rejeitou. — De jeito nenhum, eu não vou mandar meu filho para a morte de novo.
Kaelis e os demais heróis se entreolharam, mas Gabriel interveio.
— Pai eu vou. — Respondeu, com o olhar determinado, fechando firme o punho.
— Mas Gabriel… — Ele o cortou, olhando para Gabriel.
— Se eu puder me tornar um aventureiro capaz de proteger o lugar que amo, as pessoas que amo, e acabar com qualquer mal que possa afetar outra pessoa eu aceito! — Afirmou determinado.
Kalchas encarava Gabriel, se lembrando de sua esposa Astradamas no passado, uma mulher forte, determinada, que quando colocava algo em sua cabeça nada a fazia voltar atrás.
— Ora seu… — Ele sorriu limpando as lágrimas de seu rosto. — Tudo bem. — Ele assentiu.
— Ótimo! — Kaelis exclamou.— Assim que você tiver alta e ter se recuperado por completo, iremos começar seu treinamento.
— Nos vemos logo Gabriel. — Disse Aeron ao fundo.
— Até Gabriel. — Amara se despediu sorrindo.
— Até breve garoto. — Kaelis partiu junto ao grupo.
Restando apenas Gabriel e Kalchas no quarto, um silêncio pairava no ar, até que seu pai começou.
— Filho, se torne um aventureiro, forte, tão forte que seja capaz de derrotar cem orcs daqueles. — Disse seu pai, com lágrimas nos olhos. — E por favor, não morra.
Gabriel retribuiu o abraço, o apertando firme, em silêncio.
— Filho… — Ele parou por um instante, suas mãos tremendo. — Sua mãe sempre dizia que você se tornaria alguém espetacular, e que faria um grande bem a todos nós. — Disse ele, com a voz tremendo novamente.
Os olhos de Gabriel voltaram a se encher de lágrimas, e ele abraçou seu pai novamente. Com o passar dos dias, Gabriel continuou em repouso, mas pela janela da ala hospitalar ele podia assistir ao treino de Kaelis e dos demais heróis, seus olhos se enchiam de brilho e determinação, e mesmo sem poder fazer muito, quando as enfermeiras saiam todas as noites ele praticava, replicava os movimentos que via, mesmo quando caia ele se levantava novamente, com um olhar firme. Até o dia em que se recuperou totalmente e recebeu alta, seu pai foi o primeiro a o visitar.
— Gabrie. — Kalchas o abraçou firme. — Que alívio, te ver de pé. — As lágrimas escorriam por seu rosto. — Está preparado para hoje?
Gabriel se lembrou do que Kaelis havia dito a ele anteriormente.
— É hoje… — Murmurou ele. — Mas. — Ele parou por um momento. — Mãe… — Murmurou, cerrando os punhos. — Estou!
— Certo. — ele sorriu, com uma notável preocupação em seu olhar, o levando para o pátio do castelo, onde Kaelis estava junto aos demais heróis.
— Já está recuperado. — Disse Aeron
— Está pronto garoto? — Kaelis perguntou. — Hoje você dá o primeiro passo rumo a uma nova vida.
— Sim, estou! — Gabriel respondeu de imediato, sem hesitar.
— Bom, então vejamos qual arma você se adapta melhor. — Disse Kaelis, apontando para uma mesa com diversas armas para testar Gabriel. — Arco e flechas, lança, alabarda, machado, adaga, martelo, maça e a que você mais está familiarizado, a espada. — Kaelis apresentou todas as armas para Gabriel, que escolheu a espada, sem nem pensar duas vezes.
— Essa, é a mesma espada do meu pai? Mas como? — Gabriel perguntou surpreso.
— Bom, eu pedi pro Aeron reforjar ela, ele é um ótimo ferreiro, o melhor da região, imaginei que era uma espada importante para você. — Respondeu Kaelis apontando para Aeron que acenou para Gabriel.
Os outros heróis se aproximaram.
— Bom, parece que teremos mais um espadachim no grupo, junto da Kaelis e do Riven. — Afirmou Lilith.
— Mesmo tendo escolhido espada, você terá que treinar todas as demais. — Alastor respondeu.
— E depois irá treinar a respeito do Éter, mas isso ficará mais para a frente. — Disse Amara. — Eu e Lilith o ensinaremos sobre.
— Falando nele… — Comentou Aeron, olhando ao redor. — Alguém viu o Riven por aí? — Perguntou.
Ninguém soube responder, mas Kaelis fazia uma pequena ideia sobre seu paradeiro.
— Bom, já que ele não está aqui, eu irei te ensinar sobre a arte da espada. — Kaelis afirmou.
Gabriel segurou firme a espada, entrando em uma pose de guarda, que surpreendeu a todos.
— Ei, essa pose de guarda... — Murmurou Lilith.
— Não é a mesa que a da... — Comentou Aeron.
— Kaelis! — Afirmou Alastor.